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Diretor artístico do MTG avalia como foram as provas do rodeio de Irati

Atividades artísticas do rodeio de Irati reuniram mais de 30 grupos de dança e mais de 300 apresentações individuais/Texto: Karin Franco e Rodrigo Zub, com reportagem de Juarez Oliveira

Diretor artístico do MTG/PR, Luiz Otávio da Trindade de Freitas, acompanhou as disputas do rodeio de Irati. Foto: Juarez Oliveira

Mais de 30 grupos de dança participaram das atividades artísticas do rodeio de Irati, que aconteceram no sábado (16) e domingo (17) no CT Willy Laars.

Em entrevista à Najuá, o diretor artístico do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Luiz Otávio da Trindade de Freitas, disse que houve um crescimento no número de participantes nesta edição do rodeio, já que nos anos anteriores não houve competições em virtude da pandemia de coronavírus. “Foi um grande rodeio. Historicamente, Irati, em termos de grupos de dança, sempre batia na casa de 20 grupos. Esse ano teve 30 grupos de dança. Um número expressivo para o histórico do Rodeio. Tanto é que nos obrigou a alterar a histórica programação, que a dança sempre ocorria no domingo aqui em Irati. Nós tivemos, quase que uma obrigação nossa, alterar para o sábado por uma questão de logística, para facilitar do público, para facilitar para os dançarinos, para os avaliadores”, conta. 

Luiz destacou que o sucesso das atividades artísticas marcou o retorno das competições após dois anos de paralisação. “E foi um grande rodeio. Cerca de 300 apresentações individuais. E claro, o retorno em si. Sabemos que é uma festa grande aqui em Irati, faz parte do calendário do aniversário do município. Só abrilhantou esse evento que, por si só já é grande, movimenta muito, principalmente, na parte da Campeira. A artística só abrilhantou um evento que já é historicamente bom”, destaca. 

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O rodeio de Irati faz parte do circuito de classificação, que classifica os três melhores colocados de cada categoria para participar do Festival Paranaense de Arte e Tradição (FEPART), que neste ano acontecerá em Pato Branco. “Cada uma dessas etapas seleciona três grupos, pessoas ou casais, que tem a dança de salão também, para no fim perfazerem 12 participantes, 12 grupos de dança e 12 competidores individuais. Esse é o número de vagas que selecionamos, 12 pessoas. Lá na final, algumas das modalidades têm semifinal, no sábado, e final no domingo. Algumas das modalidades são tiro único, que chamamos. A dança tradicional, por exemplo, as danças tradicionais do grupo A, todas com eliminatórias. Lá em Pato Branco, eles dançam no sábado, classificam sete grupos, porque é 50% mais um, para o domingo e aí sim para nós definirmos quem é o campeão estadual, que vai estar coincidentemente aqui em Irati no ano que vem, porque Irati vai sediar, além do rodeio, o Festival Nacional, Encontro de Seleções, encontro de campeões do Brasil. No mês de julho de 2023, Irati será a capital do gauchismo. Em um final de semana, o rodeio e no outro final de semana, o Nacional. Se preparem porque a cidade vai se movimentar bastante”, disse o diretor artístico do MTG. 

Irati recebeu a segunda etapa do circuito do MTG/PR. A primeira aconteceu no mês de maio em Toledo. Já as próximas etapas estão marcadas para acontecer nas cidades de Planalto e Cascavel.

A invernada artística teve a participação de 23 CTGs que representaram diversas cidades do Paraná, como Toledo, Curitiba, Colombo, União da Vitória, Guarapuava, Foz do Iguaçu, Cascavel, Ponta Grossa, entre outras.

Apresentações artísticas do rodeio de Irati foram realizadas em três palcos no sábado e domingo. Foto: Rose Harmuch

Luiz revelou que o regulamento foi alterado em virtude da retomada das atividades pós-pandemia de Covid-19. “Nós alteramos a estrutura do circuito. Antigamente, para exemplificar, era obrigatória a participação em duas etapas e a classificação era por média de notas. Agora não. Agora a participação é obrigatória em apenas uma etapa e a classificação é por colocação. O primeiro, o segundo e o terceiro colocados de cada etapa de classificação já estão automaticamente classificados. Se ele quiser ir numa segunda etapa, ele vai, por livre espontânea vontade, não por obrigação, pensando exatamente em diminuir custos. Por isso que houve esse aumento. Antigamente, como era obrigado em dois, principalmente os CTGs do oeste do Paraná, do Sudoeste, que é o grande número de CTGs artísticos daquela região, eles optavam por ir nos rodeios daquela região. Esse ano, por causa dessa diferença, muitos daquela região que costumeiramente não vinham para cá, vieram esse ano. Por isso que houve esse aumento de participação nas danças tradicionais. Nos individuais sempre teve um bom número, mas na dança tradicional era um pouco menos. Esse ano houve esse aumento”, comenta. 

O envolvimento dos CTGs nas disputas das provas artísticas chamou a atenção durante o fim de semana. Luiz destacou a torcida das pessoas que não estão competindo, que geralmente ficam do lado de fora acompanhando os colegas. “Na hora em que entra um grupo de dança, o CTG inteiro, praticamente, está do lado de fora torcendo. Isso gera um clima muito legal de torcida, praticamente, um estádio de futebol, sem aquela rivalidade, graças a Deus. Nas individuais é a mesma coisa. O que estamos fazendo aqui? Estamos enaltecendo e valorizando a Tradição Gaúcha, que é o que nos move, nós somos apaixonados pela Tradição Gaúcha. Sabemos que existe aquele sentimento de competição que é inerente ao ser humano, mas a beleza por si só é incrível. Você vai assistir as danças tradicionais, cada grupo com um traje, que chamamos de pilcha, cada grupo com um traje, cada grupo com uma proposta de dança e isso não deixa o evento monótono, de forma alguma, e para quem não conhece fica fascinado porque é uma pilcha diferente, é uma dança diferente, são movimentos diferentes. Os grupos são muito qualificados aqui no Estado. Para quem assiste é um espetáculo, com certeza”, disse Luiz. 

Além de apresentar um espetáculo para quem assiste, as provas artísticas exigem dos competidores muita atenção. Cada modalidade tem um sistema de pontuação, conforme explica o diretor artístico do MTG. “Vai variar de modalidade para modalidade. São normalmente três avaliadores. Cada avaliador recebe uma planilha de avaliação e dentro dessa planilha, existem quesitos de pontuação. Impossível te dizer agora como é porque cada uma das modalidades tem uma peculiaridade. A declamação, por exemplo, tem fidelidade ao texto, transmissão da mensagem poética, dicção e ao lado, uma pontuação. O jurado vai pontuando essas questões da modalidade, da apresentação e vai chegando numa nota. A dança tradicional tem harmonia, de conjunto, correção, interpretação, indumentária, música. Na dança de salão tem ritmo, criatividade. Cada uma das modalidades tem uma planilha de avaliação específica, aonde é dada a nota, e essa maneira depois vem para a secretaria, é feita a conferência, chegando nos resultados”, explica. 

Os preparativos para as etapas do circuito paranaense de rodeio começam cerca de um mês antes do início do evento. Luiz destaca que os preparativos são complexos porque envolvem uma logística grande, principalmente na parte de organização dos locais que as pessoas ficarão hospedadas. “Quem assiste imagina que é só ali, mas por trás, tem muita coisa acontecendo. Muita coisa mesmo acontecendo, que é como você disse, os bastidores”, conta. 

No próximo ano, Irati irá sediar o Rodeio Nacional. A expectativa é receber aproximadamente 40 grupos de danças de várias regiões do Brasil. “O Rodeio Nacional são dois representantes por federação. São cerca de oito federações. Vai variar muito. Muitas vezes, uma federação não consegue vir. Tem a questão da pandemia, que talvez, isso vai depender de uma questão administrativa da própria CBTG, que é o órgão máximo do tradicionalismo gaúcho, existe a possibilidade de abrirem mais duas vagas porque existia o Nacional programado para 2020, que foi quando estourou a pandemia. Esse Nacional não aconteceu. Aqueles participantes que tinham vaga lá atrás não puderam dançar e nem se apresentar nas outras modalidades. Existe a possibilidade de se abrir, ao invés de dois representantes, quatro representantes nos grupos de dança, não nas individuais. Isso vai gerar um rodeio de cerca de 40 grupos de dança e é bastante grupo. A primeira etapa em Toledo, para você ter uma noção, foram 50 grupos de dança. A próxima etapa em Planalto, a previsão é de 60 grupos de dança. É muita coisa mesmo. Esperamos que o ano que vem só cresça aqui também”, conta o diretor artístico do MTG. 

O rodeio de Irati também foi de estreia para alguns competidores. O primeiro peão Juvenil, Raul Felipe de Lima, do CTG Fronteira da Amizade, de União da Vitória, se apresentou pela primeira vez em um rodeio no fim de semana. Juntamente com a prenda Geovana, Raul se apresentou no sábado (16) nas danças tradicionais em grupo, e no domingo (17), na dança de salão individual. 

O primeiro peão Juvenil, Raul Felipe de Lima (á direita) participou pela primeira vez de um rodeio. Ela aparece ao lado de Vanessa. Ambos representam o CTG Fronteira da Amizade, de União da Vitória. Foto: Juarez Oliveira

Para Raul, a experiência foi a realização de um sonho. “É muito gratificante saber que ao longo de tantos anos de dedicação chegou a hora de colocar o nosso estudo em prática. Ela vai ser ainda individual, que somos eu e a minha prenda Geovana. Nós vamos dançar dança de salão e nós dançamos no sábado, as danças tradicionais, as coreografias que é o foco em si do rodeio. O meu primeiro rodeio é o meu primeiro rodeio dançando”, comemorou. 

Raul conta que participar de um CTG era um sonho de infância. “Meu sonho, desde piazito, era entrar no CTG. Era estar no meio da cultura gaúcha. Cultivávamos essa tradição em casa, mas era tomando chimarrão, fazendo um churrasco de esperto, era escutando uma música e conforme eu fui crescendo, eu tive mais autonomia para conseguir entrar. Eu não recebi muito o apoio antes, dos meus pais, para entrar no CTG. Mas quando eu tive uma autonomia maior, consegui entrar no CTG e me dediquei durante um ano bem especial para mim e logo, sou recente, logo entrou a pandemia. Fiquei dois anos parado, mas claro sempre ajudando no CTG, nos eventos internos e hoje no rodeio [de Irati] está sendo o meu primeiro rodeio, dançando na artística, na cultural aqui também, participando desses eventos”, disse. 

O rodeio de Irati também foi especial para o tradicionalista Oscar Ruva, que completou 84 anos no domingo. Ele destacou as melhorias que foram feitas no CT Willy Laars para receber o evento e relembrou de rodeios anteriores que participou da organização com os CTGs. “Fui eu e o meus companheiros, mas muitos deles não estão mais aí. Mas eu estou. O [prefeito Jorge] Derbli é muito meu amigo também. É capacitado para fazer e faz. Olha, ele vai fazer o rodeio maior ainda do que é. Mas está maravilhoso. Até quando eu entrei ali em cima, que eu olhei e disse para minha irmã, a Lenita [Ruva]: ‘Que tal, no que virou isso?’. [Ela disse] ‘E você foi o culpado de fazer tudo isso’”, brincou Ruva.  

Oscar Ruva completou 84 anos durante o rodeio de Irati. Foto: Jussara Harmuch

Confira mais imagens das apresentações artísticas do rodeio de Irati. Fotos: Cibele Bilovus/Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Irati