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Audiência pública discute aspectos socioambientais da nova Ferroeste em Irati

Nova Ferroeste ligará Maracaju, no Mato Grosso do Sul, ao Porto de Paranaguá, com ramais até Foz do Iguaçu e Chapecó (SC)/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava

Nova Ferroeste contorna Irati e Fernandes Pinheiro na região Centro-Sul do Estado. Foto: Jussara Harmuch

Os aspectos socioambientais de uma nova ferrovia que liga os estados do Mato Grosso do Sul à Santa Catarina, passando pelo Paraná, foram discutidos em uma audiência publica realizada na noite de sexta-feira (27), no Pavilhão João Wasilewski, no Parque Aquático, em Irati.

O projeto da Nova Ferroeste irá ligar Maracaju, no Mato Grosso do Sul, ao Porto de Paranaguá, com ramais até Foz do Iguaçu e Chapecó (SC). A expectativa é que o novo corredor ferroviário, que atravessará o Paraná, se torne o segundo maior de transporte de grãos e contêineres do País, perdendo apenas para São Paulo.

Além de Irati, a audiência pública também integrou os municípios de São João do Triunfo, Fernandes Pinheiro e Porto Amazonas. Em entrevista à Najuá, o coordenador do Plano Estadual Ferroviário, Luiz Henrique Fagundes, disse que o município de Irati foi um dos contemplados para receber a audiência pública devido a um requisito exigido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “A definição é do Ibama, dado que eles que são os emissores da licença ambiental, e avaliam vários critérios técnicos. Avalia impacto ambiental, os tamanhos da cidade, acesso. Após essa análise, ele definiu, ao longo de 1.300 km aproximadamente, sete cidades polos para receber as audiências públicas, que tem que ter abrangência a maior possível”, disse Luiz Henrique.


O projeto atravessa diversos estados e traz desafios para o licenciamento ambiental que precisa respeitar as características de cada região. O coordenador destaca que o projeto tem tido a preocupação em reduzir os impactos negativos. “Existem ferramentas para que nós reduzamos ao máximo os impactos negativos. Nós acabamos trabalhando com uma solução inovadora aqui no Paraná de fazer a engenharia trabalhando simultaneamente com o processo ambiental. O resultado disso está sendo excelente, tanto que nós já fizemos seis das sete previstas, audiências públicas, todas elas foram consideradas validadas, não houve muito questionamentos ambientais, praticamente nenhum inclusive. Pelo menos, importante, nenhum”, conta.

Luiz Henrique diz que o projeto recebeu reconhecimento internacional. “O reconhecimento também está vindo de uma maneira internacional. Existe um fundo que é pilotado pelo Príncipe Charles, voltado para questões ambientais. Tem mais de 480 empresas mundiais, peso pesados que participam dessa iniciativa. Hoje tem só 18 projetos no mundo identificados que atende aos preceitos desse fundo e um deles é a Nova Ferroeste”, explica.

O coordenador explica que o empreendimento passou por uma auditoria para ser elegível a emissão de títulos verdes, o que possibilita o acesso a fundos. “Você passa a ter acesso a fundos internacionais que são somente destinados a empreendimentos considerados verdes. A ferrovia, por natureza, acaba trazendo um benefício ambiental muito grande na medida que um vagão tira praticamente quatro caminhões na estrada. Você acaba, por tonelada, o consumo, a geração de CO² é 20%, 30% de diferença”, conta.

Luiz Henrique destaca que o projeto da nova ferrovia é sustentável. “Você pega a Serra do Mar que é um museu, um ponto particularmente, sensível porque ali é um tesouro natural que tem que ser preservado, hoje, a Nova Ferroeste, o traçado, acompanha o máximo possível a área de domínio da BR-277, provocando o mínimo possível de impacto na descida da Serra, e mais ainda, fizemos um traçado que contorna a reserva do Guaricana e Saint-Hilaire/Lange e ele funciona quase que com uma barreira de proteção não permitindo inflações ilegais nas unidades integrais de preservação”, disse.

A questão social também é vista pelo projeto. “Perto de Irati, na região de Balsa Nova, a Nova Ferroeste se encontra com a Malha Sul. É lógico que essa é uma decisão do governo federal, junto com a concessionária, mas abre uma janela de oportunidade de tirar o trem de dentro da cidade de Curitiba, que ela tanto sofre. Obviamente, a Nova Ferroeste não consegue desenvolver porque ali é essencialmente Malha Sul, mas a Nova Ferroeste contorna a cidade de Irati. Aliás, essa é uma característica que perseguimos. A Nova Ferroeste atua diretamente sobre 49 cidades, 41 no Paraná e oito Mato Grosso do Sul. Em 100% dos casos, isso foi respeitando o plano diretor, onde já está contemplado um crescimento futuro da cidade. A instalação do traçado obedece a um planejamento também urbano”, explica o coordenador do Plano Estadual Ferroviário.

O investimento na nova ferrovia será feito a partir de recursos privados. “Nós estamos fazendo uma modelagem bastante moderna, está sendo reconhecido por vários investidores que estão mostrando interesse na execução do empreendimento. Em termos de projetos e estudos, hoje o estado já investiu R$ 40 milhões. É um dinheiro extremamente importante”, disse Luiz Henrique.

Para o coordenador, o investimento do estado terá retorno com as vantagens da obra, como a redução do custo logístico no Paraná. “Uma redução do curso logístico de pelo menos 30% e vai potencializar o crescimento do Porto de Paranaguá. Isso [recursos] é muito pequeno, embora sejam investimentos importantes para o estado. Não é fácil conseguir hoje em dia R$ 40 milhões para investir num projeto desse, mas é a visão de futuro, uma visão de infraestrutura, um legado para a sociedade”, conta.

A expectativa é que a diminuição do custo logístico favoreça a competividade no estado. “Quando você promove uma redução dessa ordem, todo o setor produtivo fica muito mais competitivo. Quando você cria um ambiente de negócio onde o investidor mais competitivo, ele vai expandir, ele vai contratar mais, ele vai gerar empregos de maior qualidade. Você vai acabar gerando um ciclo virtuoso na própria economia”, explica Luiz Henrique.

Apenas a construção da ferrovia deverá gerar 300 mil empregos, incluindo diretos e indiretos, além do efeito de renda associado à criação desses postos de trabalho.

No segundo semestre, haverá um leilão que concederá ao investidor o uso dos ramais. “No segundo semestre, com certeza, estaremos fazendo o leilão na B3, lá em São Paulo. É importante, será uma concorrência internacional e é importante ter a transparência do mercado capitais do Brasil. Isso por si só já blinda muito o leilão”, conta o coordenador do Plano Estadual Ferroviário.

A expectativa é que a obra dure cinco anos. “Provavelmente no meio do ano que vem estamos com o contrato assinado e eles estão prontos para começar a fazer execução do detalhamento do projeto. Isso temos no nosso cronograma previsto dois anos, mas ele pode ser até menos que isso, dependendo do investidor. Em cinco anos, nós estaremos conectando Cascavel até Paranaguá através do traçado completamente novo. Obviamente será beneficiado já logo de imediato porque é nesse trecho. E isso, nós imaginamos que em 2030, já vamos estar com a ferrovia funcionando”, disse.

No site www.audienciasnovaferroeste.com é possível ter acesso ao Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), bem como às audiências públicas realizadas anteriormente.

Audiência pública da nova Ferroeste foi realizada no pavilhão do Parque Aquático de Irati na sexta-feira, 27. Foto: Nova Ferroeste/Divulgação

Audiência pública também integrou os municípios de São João do Triunfo, Fernandes Pinheiro e Porto Amazonas. Foto: Nova Ferroeste