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AMEG recebe notificação para deixar Centro Comunitário de Engenheiro Gutierrez

Assim como a associação das mulheres que fabricam sabão, associação de moradores de Gutierrez (AMEG) também foi notificada a desocupar o local até hoje, 31/Paulo Henrique Sava
AMEG foi notificada a deixar o Centro Comunitário de Engenheiro Gutierrez a partir desta terça-feira, 31. Foto: Reprodução Facebook

A Associação de Moradores de Engenheiro Gutierrez (AMEG) também recebeu uma notificação extrajudicial para desocupar o espaço utilizado pela entidade no Centro Comunitário de Engenheiro Gutierrez. O mesmo aconteceu recentemente com a Associação das Mulheres Artesãs do Sabão de Engenheiro Gutierrez (AMASEG). As duas associações devem deixar o local até hoje.

No documento, emitido em março, o município deu um prazo de 60 dias para desocupação e solicitou que a AMEG prestasse informações sobre uma denúncia anônima feita junto ao Ministério Público (MP) contra a AMASEG por suposta utilização irregular do Centro Comunitário para realizar uma atividade que gera lucro (venda de sabão ecológico). A presidente da AMEG, Joelma Fedalto, contou que o município deu um prazo de 15 dias para esclarecimento das informações.

“A diretoria e conselho fiscal da nossa Associação, após reunião e registro em Ata, decidiu enviar um ofício como resposta, informando unicamente o que cabia à nossa competência: que vamos obedecer ao solicitado, dentro do prazo que foi estipulado, faremos a desocupação do imóvel e a entrega da chave. A nossa equipe tomou conhecimento, na íntegra, da denúncia anônima que foi encaminhada para o MP, cuja cópia veio junto com a Notificação extrajudicial. Após leitura e análise, concluímos que não tínhamos nada a informar ou esclarecer, pois a denúncia diz respeito à outra associação, a AMASEG, projeto do sabão ecológico, tendo como objeto principal da denúncia: pedido de averiguação da legalidade de uso do espaço público por parte de um projeto que tem fins lucrativos. Resumidamente é isso que diz a denúncia. Como esse projeto não é da nossa associação de moradores, não nos diz respeito, cabendo unicamente à AMASEG prestar os devidos esclarecimentos que a procuradoria estava solicitando”, frisou.

A AMEG tem mantido constantes negociações com a Prefeitura de Irati na busca por um espaço mais amplo e adequado aos projetos oferecidos pela entidade. Joelma destacou que a Associação busca apoio também junto à esfera estadual para a continuidade de suas ações. “Temos buscado incessantemente, apoio de deputados, para viabilizaram verbas a fim de ajudar na construção desse espaço tão importante para nossas famílias, e tão necessário para apoiar nosso trabalho, que é voluntário e sem fins lucrativos. Hoje, não temos espaço nenhum para realizar nossos projetos, prova disso é que, até mesmo o projeto com os idosos está acontecendo ao ar livre, na praça pública, por falta de espaço”, comentou.

Novo espaço - Em reunião realizada em fevereiro, o prefeito Jorge Derbli teria se comprometido a construir um novo espaço para a AMEG no terreno localizado ao lado do Centro Comunitário. Na ocasião, ele também disse que ia solicitar que a equipe da Secretaria de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo elaborasse o projeto da obra. Já a Associação buscaria o apoio financeiro para a execução da obra.

“Nós sempre tivemos muita abertura, diálogo e espaço na sala do Prefeito, sempre somos bem recebidos para apresentar nossas reivindicações de melhorias para o bairro, e mostrar nossos projetos, solicitar apoio e temos o respeito do Prefeito Jorge Derbli, que conhece nossa Associação e reconhece que fazemos trabalho de utilidade pública, e sempre tem atendido às reivindicações. Sempre trabalhamos em parceria com a Prefeitura, prova disso foi a construção da Praça Pública, um projeto desenhado pela nossa equipe da diretoria, que buscou apoio financeiro, apresentou o projeto para a Deputada Leandre, teve apoio total da Deputada e do Prefeito Jorge e equipe da engenharia, e graças a essa bonita parceria, hoje temos esse espaço que é usado por todas as idades e para diversas atividades”, frisou Joelma.

Terreno ao lado do Centro Comunitário de Gutierrez pertence ao município. Foto: Paulo Henrique Sava


Apoio - A presidente da AMEG comentou que, desde o início de seus trabalhos, a Associação conta com o apoio do Provopar, da Secretaria de Assistência Social e do CRAS para a realização de diversas ações sociais no bairro, todas de forma gratuita. Entre agosto de 2018 e março de 2020, foram oferecidas 25 atividades na comunidade, atingindo aproximadamente 300 pessoas com cursos, palestras, oficinas e treinamentos, com o objetivo de socializar, profissionalizar, oferecer atividades físicas, de recreação e culturais, entre outras, segundo Joelma.

“Trabalhamos de forma democrática, transparente, e super organizada, amparados em nosso Estatuto. Todas as decisões são pautadas em discussões e apoio jurídico, sempre aprovamos nossos projetos, planos de atividades, ações e investimentos através de Assembleia geral (órgão máximo da Associação), ou seja, reunião onde convocamos toda a comunidade”, pontuou.

A expectativa de Joelma é que o município ajude a AMEG a encontrar um espaço para que a entidade possa continuar trabalhando, uma vez que a entidade recebeu, em 2021, os títulos de Utilidade Pública Municipal e Estadual.

“Temos ações, motivos, demanda, atuação, tudo em prol da coletividade, fazendo da AMEG uma das Associações mais atuantes da cidade de Irati e representando as 480 famílias moradoras do bairro. O trabalho da AMEG depende do apoio do poder público, e temos certeza que em breve seremos chamados para tratar desse assunto, como a própria procuradora falou na entrevista, que o município fará a realocação das duas associações. E estaremos juntos, como sempre numa parceria que objetiva o bem coletivo e social”, comentou.

Integrantes - A AMEG conta com uma equipe de 20 pessoas que atuam de forma voluntária na comunidade.“São essas mesmas pessoas que se dedicam a todo e qualquer trabalho na comunidade, como: a limpeza da praça, o plantio de árvores e flores, trabalham em mutirão de limpeza para o fim de obras como exemplo na reforma da capela mortuária, desenvolvem projetos sociais para crianças, jovens, adultos e idosos, organizam eventos de confraternização, eventos culturais, desenvolvem projetos para divulgação e apoio aos empreendedores do bairro, projetos de Resgate histórico, realizam campanhas de ajuda e de utilidade pública. Apesar da falta de espaço e falta de apoio, continuamos ‘cuidando’ do nosso bairro, e lutando pelos direitos do cidadão, na esperança de sermos ouvidos e apoiados com uma Sede, que seja do tamanho dos nossos projetos e anseios, exatamente como a comunidade merece”, frisou Joelma.

A diretoria e o Conselho Fiscal da AMEG avaliam que a decisão do Executivo municipal foi coerente e justa, uma vez que, com a reversão do imóvel para a municipalidade, a Secretaria de Assistência Social fará uso do local para oferecer cursos para a comunidade. Joelma afirmou entender que, assim como a AMEG, a AMASEG também precisa de um outro espaço para continuar com seu trabalho de cunho ambiental.

“Entendemos que a AMASEG precisa de apoio sim, pelo importante projeto de cunho ambiental, e que é necessário e urgente que o município, através da secretaria que se comprometeu a ajuda-las, busquem os meios legais para apoiar essa atividade lucrativa que elas desenvolvem, atividade que ajuda essas cinco ou seis mulheres e suas famílias”, finalizou.


Centro Comunitário de Engenheiro Gutierrez, em Irati. Foto: Paulo Henrique Sava