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Saiba como a Páscoa é celebrada por diferentes religiões

Padre, pastor e representante do espiritismo falam sobre as formas como cada religião celebra a data/Paulo Henrique Sava
Cruz colocada no presbitério da Igreja Matriz Nossa Senhora da Luz. Foto: Paulo Henrique Sava

Neste fim de semana, comemora-se a Páscoa em todo o mundo. Pensando nisso, a reportagem da Najuá conversou com o Padre José Nilson Santos, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Irati, com o Pastor Romeu Ribeiro Batista, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, e com Marli Traple, integrante da Sociedade Espírita Alan Kardec para saber como cada uma destas religiões celebra esta data.

O Padre José Nilson, que retornou na semana passada a Irati, destacou que esta é a semana mais importante do ano litúrgico para os cristãos por celebrar o mistério central da fé cristã, que é a paixão, morte e ressurreição de Jesus. “Por isto, é o evento mais importante, no qual também nós somos resgatados e é aberto um caminho de vida plena para todos nós, definitivamente, através do mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor”, frisou.

Nesta semana, também é celebrado o tríduo Pascal, que começou ontem, quinta-feira santa, com a missa do Lava Pés, passa pela Sexta-feira Santa, com a celebração da Paixão de Cristo, e termina no Sábado de Aleluia, com a Vigília Pascal. O padre explica que, mesmo dividida em três dias, a celebração deste tríduo é única.

“Esta celebração única tem três momentos interligados entre si. Vamos celebrar com muita alegria a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa e o Sábado Santo, com a Vigília das Vigílias, e também o Domingo de Páscoa, momento máximo desta semana também. É importantíssimo que todos os católicos participem dos três momentos, para que não se quebre, são três celebrações em um único evento que iremos celebrar. Quem vem na quinta-feira, percebeu que encerramos a celebração sem a bênção final, porque só iremos dá-la no Sábado Santo”, comentou.

Para os evangélicos, existe um diferencial na celebração da Semana Santa, especialmente no que diz respeito à Sexta-feira Santa, sábado de aleluia e ao domingo de Páscoa, conforme explicou o Pastor Romeu Ribeiro Batista durante entrevista ao programa Espaço Cidadão, da Super Najuá, na última terça-feira, 12. “Nós temos um acontecimento mensal, que chamamos de Santa Ceia do Senhor, e esta é uma celebração da Páscoa, quando nós participamos do pão e do vinho e que relembra aquilo que está na Bíblia. Paulo falou, na sua 1ª carta aos Coríntios, que “isto que eu recebi também foi o que eu vos ensinei”, comentou o pastor.

Mesmo assim, nada impede que as igrejas evangélicas celebrem a Páscoa em sua data específica, respeitando a tradição e a cultura da celebração. Entretanto, os evangélicos não seguem uma liturgia específica para esta data, segundo Romeu. “Nós temos uma participação mais espontânea, mais liberal com aqueles que vão se apresentar. Nem sempre a mensagem é específica no tema que deve ser ventilado, mas há alguma coisa que aborde paralelamente ao acontecimento que está em pauta. Nem por isto nós deixamos de valorizar esta data. Páscoa é sinônimo de alegria, é, se não a maior, uma das maiores datas do cristianismo”, comentou.

Pastor Romeu Ribeiro Batista, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Foto: Paulo Henrique Sava

A empresária e radialista Marli Traple, integrante da Sociedade Espírita Alan Kardec de Irati há 20 anos, explica que o espiritismo prega a necessidade de uma reforma íntima do ser humano todos os dias, e ressalta que algumas atitudes tomadas durante a Quaresma deveriam acontecer todos os dias, como por exemplo, abandonar os hábitos de consumir bebidas alcoólicas e fumar. Mesmo assim, a Semana Santa é considerada importante para toda a humanidade e é respeitada pelos espíritas.

“Respeitamos a Semana Santa naturalmente, mas não temos ações como não comer carne na quarta e na sexta. Para nós, se você for na Bíblia, está escrito que o que faz mal para o homem não é o que entra pela boca dele, mas sim o que sai dela, como a maledicência, a vaidade, o orgulho, o egoísmo, a arrogância que saem de dentro da gente”, pontuou.

Da mesma forma, o Domingo de Páscoa também é celebrado em família pelos espíritas, também por conta da tradição cultural e pela alegria de relembrar o retorno de Jesus. “Enquanto a Igreja Católica diz que houve a ressurreição, nós sabemos que foi quando Jesus se materializou perante os apóstolos novamente para dizer que a gente vive. Ninguém morre, morre o corpo, mas a alma permanece, então para nós é um momento muito especial”, destacou.

Imagem do Cristo Morto exposta na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Foto: Paulo Henrique Sava


Para os católicos, a Páscoa representa a passagem da morte para a vida em Cristo, conforme o Padre José Nilson. “Nós celebramos a Páscoa e o Cristo, a nossa Páscoa é Cristo, ele que passou da morte para a vida. Ao mesmo tempo, renovamos a nossa aliança no sangue do Senhor, a nova e eterna aliança, a nossa pertença. Fomos redimidos e salvos pelo Santo Batismo e mergulhamos dentro deste mistério de salvação, vida nova, da salvação e da Páscoa de Cristo. Celebrar a Semana Santa é a oportunidade única que temos enquanto Igreja e comunidade movida na força do Espírito Santo, podemos renovar a nossa fé neste mistério da vida de Cristo em nós”, comentou.

O padre acredita que a Semana Santa representa um momento de muitas graças. “Nós, cristãos católicos, renovamos a nossa fé, a esperança e a alegria de poder participar da vida nova em Cristo”, frisou.

A Páscoa é celebrada desde a Antiguidade, para relembrar a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito e sua saída em direção à chamada “terra prometida”, conforme está escrito no livro de Moisés, no Antigo Testamento, segundo o Pastor Romeu.

“E aí Deus os libertou, porque era uma promessa dele para o seu povo, que era a nação de Israel e que saiu liberto. Eles comemoravam isto, denominando de Páscoa, mas isto antes ainda do cristianismo, e era um pouco diferente do que se celebra hoje. Para nós, a Páscoa realmente se iniciou com a morte e ressurreição de Jesus, pois ele é nossa Páscoa. A Bíblia diz que ele é o Cordeiro de Deus”, comentou o pastor.

Durante a Quaresma, existem alguns dias em que as pessoas não costumam comer carne, como a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa. Nestes dias, é preceito da Igreja Católica que as pessoas façam jejum. Entretanto, para os espíritas, não se trata de apenas abster-se de carne, mas sim de deixar de lado sentimentos ruins, conforme Marli.

“Quando falamos em jejum, as pessoas realmente pensam que é só de comida, mas vai muito além disso. É o jejum de tudo aquilo que pode fazer mal a você e ao próximo. Aí, vamos ao segundo mandamento, que diz para amar ao próximo como a ti mesmo. Neste momento de quaresma, as pessoas começam a refletir sobre o que elas estão fazendo para com o outro, e o jejum seria isto”, comentou.

A empresária e radialista Marli Traple integra a Sociedade Espírita Alan Kardec de Irati há 20 anos. Foto: Paulo Henrique Sava

Entretanto, o pastor lamenta que a Páscoa, assim como o Natal, venha tomando um formato cada vez mais comercial. “O coelhinho e os ovos de Páscoa tomaram um lugar que não é exato, porque deve ser valorizado o Cristo Ressuscitado. Esta tradição vem da Alemanha, depois foi para os Estados Unidos e se proliferou. Hoje, dizem que é símbolo da fertilidade, mas isto é uma tradição que, segundo estudiosos, tem uma origem do paganismo, se infiltrou no meio do cristianismo e hoje vivemos esta realidade”, pontuou.

Com isto, o pastor considera que as celebrações centrais da Páscoa foram deixadas de lado. “É só ser um bom observador e ver que as celebrações têm a tendência de comemorar em um sentido mais festivo, com coisas que são representativas. Nós preferimos visualizar um Cristo diferente, glorificado, majestoso e resplandecente, que está sentado à direita de Deus Pai e intercedendo por nós. Por isto, nós dizemos que cremos que ele é o caminho, a verdade e a vida”, finalizou.

Confira imagens da celebração do Lava-Pés na Paróquia Perpétuo Socorro e da vigília em todas as paróquias de Irati. Fotos: Paulo Henrique Sava

Celebração do Lava Pés, realizada nesta quinta-feira, 14

Momento em que o Padre José Nilson lava os pés das 12 pessoas que representaram os discípulos durante a celebração desta quinta-feira

Pessoas que representaram os 12 discípulos na celebração do Lava Pés

Uma das equipes de cantos da Paróquia Perpétuo Socorro



Adoração na Igreja Matriz Nossa Senhora da Luz



Imagens de santos e da Cruz são cobertas com pano roxo para simbolizar a morte de Cristo

Adoração na Paróquia Perpétuo Socorro

Adoração na Paróquia São Miguel