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Pároco da Paróquia Perpétuo Socorro fala sobre missão no Amazonas

“Eu fui para lá em nome de Cristo e da Igreja para servir a missão de Jesus”, afirmou José Nilson Santos, sacerdote que assumiu recentemente como pároco na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Irati

Padre José Nilson Santos, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Irati. Foto: Paulo Henrique Sava

O Padre José Nilson Santos, de 49 anos, assumiu recentemente como pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro depois de ter trabalhado como missionário na Prelazia de Lábrea, no Amazonas, por mais de 6 anos e ter retornado à Diocese de Ponta Grossa em março. Em entrevista à Najuá, o padre afirmou que considera seu trabalho como parte da missão do cristianismo, que é de evangelizar.

“Eu fui para a missão em um outro estado, quase que em um outro Brasil, porque a Amazônia tem toda uma realidade um pouco diferente daqui do Sul, com uma cultura e povos diferentes, uma mescla de indígenas e nordestinos que foram para lá por causa do ciclo da borracha. Eu fui para lá em nome de Cristo e da Igreja para servir a missão de Jesus, esta que ele confiou aos discípulos, aos apóstolos, que após a Ressurreição, ele confirma aos discípulos, pedindo que eles vão ao mundo inteiro e anunciem a boa-nova, de tudo aquilo que ele ensinou, sobretudo a Ressurreição”, frisou.

O sacerdote ressaltou que sua missão na Amazônia não foi diferente daquela que ele desenvolverá em Irati. “Eu não fiz outra missão, a não ser a mesma para a qual estou aqui, que é a de servir a missão de Cristo e anunciá-lo, levando as pessoas a se renovarem na sua fé, na sua resposta e no seu compromisso de dedicação às coisas do Reino de Deus, que está implantando e presente onde há uma comunidade que escuta e se coloca a serviço do seu Evangelho e da vivência dos ensinamentos de Cristo, ali está presente o Reino de Deus”, comentou.

Padre José Nilson diz que faz parte de sua missão estar presente para orientar de acordo com os ensinamentos de Cristo, contando com a participação da comunidade, mesmo se tratando de uma outra realidade. “É com esta mesma missão que chego aqui, em uma outra realidade, outra cultura, em uma paróquia que já tem um caminho bonito de participação, de construção do Reino, de vida de fraternidade e solidariedade, uma paróquia viva. Vamos dar continuidade, sendo presença que anima e ao mesmo tempo é animada pela própria comunidade”, pontuou.

Chegada para a missão - Quando chegou à Amazônia, o padre disse que não esperava coordenar um trabalho tão grande como o que lhe foi atribuído. “Eu pensava que seria vigário da Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, em Lábrea, de 44 mil habitantes, mas tinha uma vasta região com mais de 60 comunidades ribeirinhas. Então, em um primeiro momento, achava que iria mais para os ribeirinhos, que têm missa somente uma vez por ano. Porém, o bispo de lá me falou que a maior urgência era na cidade, pois muitos chegaram das comunidades e estavam em situação bem complicada, sem encontrar trabalho, estando doentes e com dificuldades com seus filhos, que entraram no mundo das drogas, famílias desestruturadas e sem cultivar valores, situações muito delicadas. A cidade estava dividida em três setores, e eu fiquei com o setor um, talvez o maior. Eu me assustei e senti o peso da responsabilidade”, pontuou.

Além deste trabalho, o sacerdote também fez visitas às comunidades ribeirinhas e assumiu algumas pastorais a nível de prelazia, o que exigiu bastante esforço de sua parte. Enquanto missionário, ele classificou a experiência dentro do projeto “Igrejas Irmãs” como fantástica.

“Este projeto visa a solidariedade, é uma igreja que despertou para a sua maturidade na fé e se compreende como aquela que pode ajudar a outra. Então, a Diocese de Ponta Grossa, em sua maturidade missionária, abre mão de padres, diáconos, seminaristas e leigos para irem ajudar uma outra igreja irmã que está necessitada, como é Lábrea, cuja prelazia é uma das mais pobres do Brasil, não somente financeira, mas também de força humana missionária”, comentou o padre.

Atualmente, a Diocese de Ponta Grossa, com uma extensão territorial de aproximadamente 30 mil km², conta com mais de 100 padres. Já a Prelazia de Lábrea, que tem extensão de 220 mil km², tem apenas 12 padres, sendo que dois deles são idosos e grande parte deles são estrangeiros, oriundos de países como Espanha, Honduras e México. Outros são freis agostinianos. “Quando chegou um padre brasileiro, que fala do jeito deles e come a mesma farinha, a caldeirada e o peixe que eles fazem, a receptividade e a facilidade de trabalhar junto são muito diferentes e melhores”, pontuou o padre.


Ações realizadas - Nos seis anos em que esteve no Amazonas, o padre destaca que foi possível realizar ações a nível de Diocese de Ponta Grossa voltadas para a Amazônia. “Fizemos algumas campanhas. Eu também pedi a Dom Sérgio (Arthur Braschi, bispo de Ponta Grossa) que pudesse enviar missionários para lá e que ficassem comigo, nem que fosse por um mês. Nestes seis anos, enviamos alguns seminaristas, leigos, religiosos e diáconos que foram e ficavam cerca de um mês vivendo a mesma realidade que eu, indo aos ramais, ribeirinhos, cidade e aldeias indígenas. Ali, então, eles puderam trazer para a Diocese a luz daquilo que estávamos vivendo lá. Para mim, isto fortaleceu a nossa Diocese nesta perspectiva missionária”, afirmou.

O Padre José Nilson foi ordenado sacerdote em 2006, na Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, em Tibagi, onde permaneceu como vigário até o ano de 2007. Depois, ele atuou como vigário nas paróquias Santana, de Castro, e Menino Jesus, de Reserva. Ele trabalhou também como reitor dos seminários Mãe de Deus, em Irati, e Diocesano Filosófico São José, em Ponta Grossa, antes de ser designado para a Amazônia.

Padre Fábio Sejanoski é enviado à Amazônia - No final de fevereiro, o padre iratiense Fábio Sejanoski foi enviado como missionário para o município de Canutama-AM, que também integra a Prelazia de Lábrea, onde há uma paróquia que pertence ao projeto “Igrejas Irmãs”. Ele iniciou sua missão no dia 1º de março.

Confira imagens do Padre José Nilson durante sua missão na Amazônia. Fotos: Diocese de Ponta Grossa


Padre José Nilson batiza criança em comunidade do município de Lábrea-AM

O padre também fez diversas visitas e bênçãos de casas durante a missão