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Livro “Cine Central: Entre imagens e amores” é lançado em Irati

Obra relembra a história do Cine Theatro Central, trazendo memórias, depoimentos e fotos do cinema que marcou a cidade/Paulo Henrique Sava, com reportagem de Sidnei Jorge

Livro "Cine Central: Entre imagens e amores" foi lançado na noite da última sexta-feira, 22, no Centro Cultural Clube do Comércio, em Irati. Foto: Sidnei Jorge

Na última sexta-feira, 22, o Centro Cultural Clube do Comércio foi palco do lançamento do livro “Cine Central: Entre imagens e amores”, de autoria do jornalista, historiador, escritor e produtor cinematográfico Pedro Henrique Wasilewski Almeida. A obra envolveu 10 anos de pesquisas e relembra a história do Cine Theatro Central, que funcionou por 63 anos na Rua XV de Novembro, ao lado da Panificadora Irati. O proprietário do cinema era o bisavô do autor do livro, João Wasilewski, que foi considerado na época o mais antigo exibidor de cinema do mundo.

Em entrevista à Najuá, Pedro Henrique, que já havia produzido um documentário sobre o cinema iratiense, ressaltou que ouvia histórias sobre o Cine Theatro Central dentro de casa e nas ruas da cidade quando era criança. Ver em seu bisavô a figura de um fomentador cultural o inspirou a produzir o livro.

“Desde criança, ouvi estas histórias boas de grande saudosismo das pessoas sobre o meu bisavô e o cinema, e desde então comecei a pesquisar esta história, mexendo em gavetas na minha antiga casa, acima da Panificadora Irati, que também era a antiga casa do meu bisavô, onde eu via fotografias, jornais e relatos sobre o antigo cinema. Tem também este amor do meu pai, Pedro Wasilewski, pelo seu avô, ele amava e ainda ama muito este avô que ele teve. Isto foi entrando no meu âmago, no meu espírito, na minha vontade de viver histórias desta época de ouro em Irati. Posso dizer hoje, plenamente, que o meu bisavô é meu herói, gosto muito da pessoa boa que ele foi e de saber que ele ajudou a desenvolver o município. A pesquisa derivou de tudo isto”, comentou.

O livro faz uma análise histórica do documentário sobre o Cine Theatro Central, e é resultado de um trabalho de pesquisa feito por Pedro Henrique, como parte do seu mestrado em História. Na pesquisa, ele mostra o cinema como ponto de encontro social em Irati, pois era um local que, além das exibições de filmes, recebia peças de teatro, eventos musicais e uma variada gama de artistas na cidade. Ele atribui boa parte da formação cultural obtida pelos iratienses ao Cine Theatro Central. “Boa parte do que temos de cultura guardado no âmago, no coração e na mente de jovens e pessoas mais idosas foi feito através do Cine Theatro Central, e hoje se transformou neste livro”, frisou.

Para o autor, o que mais chamou a atenção é o amor e o valor dado pelas pessoas à história do Cine Theatro Central. “Era o local que Irati tinha para eventos sociais, culturais e teatrais. As pessoas lembram do cinema como da sua própria vida, foi um capítulo importante da história de Irati, e as pessoas, até hoje, lembram desta história e querem ter novamente um espaço cultural”, comentou.

O nome do livro está diretamente relacionado às várias famílias que começaram suas histórias dentro do cinema, conforme Pedro Henrique. “Muitas pessoas se encontraram no cinema, se conheceram, acabaram casando e depois vieram os filhos. O cinema funcionou durante 63 anos, seis décadas em um município é algo significativo. Hoje, boa parte da população se conheceu no cinema, e alguns amores estão vinculados a isto”, pontuou.

Segundo Pedro Henrique, o livro servirá como registro histórico e material para futuras pesquisas, não somente sobre a história do cinema, mas também de todo o entorno da Rua XV de Novembro, que abrigou outros pontos históricos de Irati. “Era uma rua que fervilhava, com o cinema de rua chamando toda a atenção, ajudando a fazer crescer economicamente as outras empresas no seu entorno. É um trabalho interdisciplinar, onde eu trabalho com três disciplinas distintas, que é o jornalismo e a comunicação, o cinema e a história. Isto vai ficar para as pessoas conhecerem um pouco da cidade de Irati, que também tem o seu devido valor a nível de Paraná e de Brasil, pois tivemos aqui o 2º cinema fundado no interior do Paraná, e já na década de 70, foi considerado o mais antigo cinema de rua do Brasil em atividade. João Wasilewski recebeu o título de mais antigo exibidor de cinema a permanecer com a mesma sala de espetáculos aberta ininterruptamente durante 62 anos, sendo o mais antigo do mundo. Não se tem pesquisa sobre alguém que ficou com a mesma sala de exibição aberta ininterruptamente”, frisou.


O presidente da Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro Sul (ALACS), Herculano Batista Neto, ressaltou que o primeiro cinema iratiense nunca será esquecido. “Não se esquece hoje, é uma lembrança presente, e vai ser porque nós estaremos herdando estas lembranças para os nossos descendentes, assim como a maioria das famílias já o fizeram. O cinema é uma entidade cultural, um centro cultural de época presente. É claro que, em um livro, ele se eterniza”, frisou.

Herculano destacou o empreendedorismo de João Wasilewski, relatado também por Pedro Henrique em sua obra. “Ele, João Wasilewski, foi um empreendedor, sonhou e fez, com recursos e com as coisas dele, e isto não tem jeito de tirar”, comentou.

Pedro Henrique Wasilewski Almeida, autor do livro "Cine Central: Entre imagens e amores". Foto: Sidnei Jorge

O médico prudentopolitano Cássio Olavo Carvalho, que reside há 30 anos em Irati e é apaixonado pelo cinema, ressaltou que, mesmo não tendo o conhecido pessoalmente, João Wasilewski foi um de seus ídolos em Irati. Ele destacou a importância do resgate histórico feito pelo bisneto do proprietário do Cine Theatro Central. “O Pedro resgatou esta história, o que já havia feito em audiovisual, mas agora em forma escrita, que é um documento que vai ficar para todo o tempo. Ele está de parabéns por ter trazido isto de forma consistente para a escrita, para o livro, a história deste local quase mítico aqui em Irati, que foi o Cine Theatro Central”, frisou o médico.

Carvalho acredita que Pedro Henrique herdou do bisavô o gosto pelo cinema. “Ele também herdou o gosto pelo cinema, tanto é que fez jornalismo, abraça todas estas ideias de audiovisual, e nada mais tranquilo e certo do que resgatar esta história que ele tanto viveu e vive e está colocando no papel para que todos conheçam e apreciem esta história. Eu acho que é um profissional que está entregando um trabalho excelente para a comunidade de Irati nesta noite, e tenho certeza de que terá trabalhos futuros muito interessantes e vamos nos orgulhar muito ainda do Pedrinho”, enalteceu o médico.

O presidente da Câmara, vereador Hélio de Mello (PV) destacou a ousadia de João Wasilewski ao oferecer cultura e entretenimento à população iratiense ainda na década de 1920. “João Wasilewski teve a ousadia de reunir a família e trazer um atrativo para que as pessoas pudessem se reunir e ter um atrativo, de forma que houvesse também a cultura, e foi através das telas do cinema que isto aconteceu. Este jovem, Pedro Henrique, apaixonado pela história do seu bisavô, do cinema e da família, pela história de Irati, aproveitou para estudar a forma de organizar e escrever este livro para deixar registrado mais este fato no nosso município”, finalizou.


Evento de lançamento do livro aconteceu na última sexta-feira, 22, no Centro Cultural Clube do Comércio. Foto: Sidnei Jorge