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Iratienses têm contas no Instagram hackeadas por golpistas

Advogada Marina Vicente foi uma das vítimas. Golpistas fizeram anúncios falsos de venda de móveis por meio do perfil hackeado com o objetivo de obter dinheiro/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Advogada Marina Vicente teve o perfil no Instagram hackeado. Foto: Facebook/Arquivo

Iratienses tiveram seus perfis no Instagram hackeados por golpistas, que usam as contas invadidas para fazer falsas vendas de móveis. A advogada Marina Vicente foi uma vítima do golpe.

Na segunda-feira (18), a advogada teve a conta hackeada após o perfil falso de um resort pedir o e-mail e o telefone para que ela participasse de um sorteio. “Eu recebi uma mensagem no meu Instagram, por inbox, privada, e era de um resort muito conhecido aqui no Paraná. Eu não vou dar nomes para evitar problemas jurídicos, mas é um resort bem conhecido no Paraná. E ali estavam fazendo um sorteio de diárias para esse resort. Ali se solicitou o meu e-mail e o meu telefone. Não eram dados pessoais, como CPF, RG. E até então, eu não estranhei nada ali”, disse.

A conta foi invadida após a advogada receber uma mensagem de texto. “Na sequência, eles falaram que iriam mandar uma mensagem via SMS para mim. As mensagens de texto. E ele veio falar que não era para mim clicar no link. E sim para eu tirar uma foto daquela mensagem, na qual existia um link e era para eu mandar uma foto dessa mensagem para ele. E eu enviei para ele”, explica Marina.


O que a advogada não havia percebido é que o link que estava na foto enviada para a conta falsa era um link que dava acesso ao seu perfil. Apesar de ser uma foto, o golpista pode digitar o endereço do link em uma barra de endereço de qualquer navegador e conseguir ter acesso ao perfil.

O hackeamento aconteceu às 11 h e apenas duas horas depois que a advogada percebeu que havia sido vítima de um golpe. “E logo uma hora da tarde já começaram a entrar em contato comigo. Amigos, perguntando o que estava acontecendo. E aí foi que eu soube que minha conta havia sido hackeado”, conta.

Neste tipo de hackeamento, o golpe se concretiza quando o golpista usa o perfil no Instagram para fazer falsas vendas de objetos a amigos da pessoa com o perfil hackeado. As vendas pedem pagamento por meio de PIX para que o objeto seja entregue. “Como eles viram que eu era advogada, eles colocaram lá uma mensagem dizendo que um cliente meu havia comprado uma casa que já tinha mobília e que ele tinha que vender as mobílias antigas dele. E eu estava ajudando-o a vender essas mobílias. Daí ele começou a colocar fotos, dessas mobílias. Fotos com valores bem abaixo do mercado, inclusive para justamente poder fazer a venda”, disse.

Enquanto a pessoa tentava aplicar o golpe com o perfil hackeado, Marina passou a tentar recuperar sua conta. “Eu tentei de várias formas tentar recuperar minha conta, verificar ali como eu tinha o meu celular, que era a minha garantia, que vinha as mensagens para mim. Eu tentei de todas as maneiras, mas não consegui. Eu precisei da ajuda de um profissional e foi esse profissional que conseguiu recuperar a minha conta novamente. Sozinha, eu não consegui”, conta.

Enquanto não conseguia recuperar a conta, a advogada usou outras redes sociais e avisou amigos sobre a invasão da conta no Instagram. “Eu já comecei a avisar as pessoas e pedir para os meus amigos também avisarem amigos em comum, que temos nas redes sociais. Onde eu pude avisar, no Facebook, no status do WhatsApp e pedir para os amigos também fazer isso, eu fiz. Isso eu acredito que também ajudou a ninguém cair e comprasse algum desses itens”, disse.

O perfil foi recuperado apenas às 16 horas e segundo a advogada, nenhuma pessoa caiu no golpe. Ela conta que o golpista tentou negociar com algumas pessoas, mas elas desconfiaram do anúncio. “Ele tentou com uma pessoa, inclusive até um policial aqui na cidade, ele começou a conversar. Essa policial tinha se interessado por um dos itens e ele começou a pedir PIX. Ela não chegou a passar número do PIX, mas só forçando a barra. ‘Como é que você vai fazer? Vai pagar via PIX? Tem muita gente querendo’. ‘Não posso segurar, se você me dá um sinal, eu seguro para você’. Pelas mensagens, eram basicamente isso. Quando essa pessoa verificou que estava pedindo muito, querendo realmente que pagasse alguma coisa, nem que fosse o mínimo, aí essa pessoa começou a desconfiar. Como meu escritório é próximo à polícia, ali na frente, eles já foram conversar comigo”, conta.

Como nenhuma pessoa caiu no golpe da falsa venda, Marina decidiu não registrar Boletim de Ocorrência. Segundo ela, seria difícil identificar quem aplicou o golpe. “Boletim de ocorrência é muito difícil que consiga saber quem é a pessoa que hackeou. Eu acho que é melhor prevenir para que eles não consigam mesmo fazer nenhuma venda”, explica.

Marina destacou que teria feito o Boletim de ocorrência caso alguém tivesse sido prejudicado pelo golpe ou se a conta não tivesse sido recuperada. “Eu não cheguei a fazer porque, como eu disse, eu consegui recuperar a minha conta de forma muito ágil. Eu tive sorte, nesse sentido. Até o profissional naquele momento que estava recuperando a conta, ele disse que eu tive sorte porque ele disse que o hacker que que entrou na minha conta, ele não se garantiu em bloquear lá a minha conta sabe para que eu não recuperasse. Eu acabei tendo sorte. Mas, se porventura, eu não tivesse conseguido recuperar a minha conta, eu teria procedido com o Boletim de Ocorrência. Eu só não procedi porque realmente eu verifiquei que ninguém caiu no golpe e eu consegui recuperar ela de forma rápida”, disse.

A advogada acredita que é importante que as pessoas se previnam, mas destaca que se for aplicado o golpe, o importante é avisar o mais rapidamente o maior número de pessoas possível de que o perfil está hackeado. “Maior cuidado possível, é a melhor coisa que podemos fazer. Se, por ventura, vier ser hackeada, tentar avisar o maior número de pessoas para que não caiam no golpe. É a melhor coisa que se tem a fazer”, explica.

Além disso, as pessoas precisam estar atentas aos falsos anúncios de vendas, mesmo que sejam postados por perfis de amigos. Preço abaixo do normal é um dos indícios de que o anúncio pode ser falso. Outra característica é o pedido de pagamento adiantado. “Não faça nenhum pagamento. Verifica realmente junto à pessoa se é verdade ou não. Hoje conseguimos localizar as pessoas de forma fácil, então para que não proceda”, aconselha.

Marina ainda destaca que qualquer pessoa pode ser alvo do golpe. “Eu não tenho muitos seguidores no meu Instagram. Eles não procuram Instagram ou redes sociais que tenham muitos seguidores. Qualquer Instagram pode ser hackeado facilmente”, disse.

Outra forma de proteger contas do Instagram e do Facebook é por meio da verificação em duas etapas. Para saber como configurar a verificação em duas etapas no Instagram, clique aqui. Para o Facebook, o passo a passo pode ser conferido clicando aqui. A verificação em duas etapas ainda pode ser usada nos e-mails. Verifique a opção “Ajuda” no servidor do seu e-mail para saber como configurar.