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Grupo de mulheres realizará passeatas contra a violência doméstica neste sábado

Atos contra a violência doméstica serão realizados no sábado, 02, às 10h e às 15 horas, com saída em frente à Prefeitura de Irati/Paulo Henrique Sava
Irmãs Jaqueline e Fernanda Santos, organizadoras dos atos contra a violência doméstica, que serão realizados neste sábado, 02, às 10h e às 15 horas, com saída em frente à Prefeitura de Irati. Foto: Paulo Henrique Sava

Um grupo de mulheres está organizando duas passeatas contra a violência doméstica neste sábado, 02, em Irati. Os atos ocorrerão às 10h e às 15 horas, com saída em frente à Prefeitura de Irati. O primeiro deles passará pela Rua Doutor Munhoz da Rocha e seguirá até a Rua Dona Noca. O segundo ato seguirá pelas ruas Coronel Emílio Gomes e 15 de Julho, em direção à Delegacia.

Uma das pautas será a tentativa de feminicídio ocorrida em 08 de março, Dia Internacional da Mulher, contra Ana Maria Charnei, de 43 anos, técnica de laboratório da Unicentro que foi esfaqueada pelo seu ex-marido, que, depois do fato, saiu com o carro do casal pela BR 153, onde colidiu contra um caminhão e acabou morrendo. O outro caso foi o de Veridiana dos Anjos, de 37 anos, morta a facadas pelo ex-marido no centro de Irati.

A diarista e administradora Fernanda Santos, uma das organizadoras dos atos, relatou que a ideia de realizar os protestos surgiu dentro do grupo de WhastApp. “O Poder do Nosso Grito”, formado apenas por mulheres. “Em discussão com as outras meninas, chegamos à conclusão que tínhamos que sair às ruas com um pedido de ajuda e socorro, porque não podemos deixar assim, em menos de um mês a segunda vítima. Aí, discutimos e chegamos à conclusão junto com a minha irmã de sair às ruas. Assim, foi montado o grupo focado no caso da Veridiana e de outras mulheres que sofrem com agressões e tudo o mais para ver se conseguimos ajudá-las”, frisou Fernanda.

Jaqueline Santos, irmã de Fernanda e uma das organizadoras dos atos, destacou que os atos foram programados em dois horários para que um grande número de pessoas possa participar. “Vai ser dividido para tentar juntar o maior número de mulheres possível”, comentou.

Jaqueline contou que o grupo de WhatsApp foi montado assim que a notícia do feminicídio contra Veridiana foi divulgada. “Pensamos em montar um grupo focado para tentar ajudar, pois sabemos que tem muitas mulheres ‘fechadas’, precisando de ajuda e apoio para dar seu grito de liberdade. Depois que montamos este grupo, começaram a chegar muitas mensagens de mulheres contando o que está acontecendo com elas, que não têm coragem de dar um grito de socorro, pedir ajuda, porque estão se vendo em um beco sem saída. Neste grupo, temos apoio de muitas mulheres amigas, não foi só ideia minha e da Fernanda, tem muita gente envolvida”, comentou.


Cerca de 257 mulheres participam do primeiro grupo, exclusivamente feminino, que lotou rapidamente. Porém, muitas outras pessoas se ofereceram para ajudar nos atos. Por este motivo, outro grupo precisou ser aberto para a comunidade em geral. No total, cerca de 500 pessoas integram os dois grupos, conforme explicou Jaqueline.

“Muita gente querendo ajudar com som, cartazes, doações de materiais, foi assim uma movimentação que não imaginávamos que fosse atingir uma proporção deste tamanho, mas era o que queríamos realmente”, destacou.

Algumas mulheres que integram os grupos relataram que não denunciam os agressores por medo, sendo que o maior deles é o de deixar a família passar necessidade, com prioridade para os filhos, segundo Fernanda. “O que elas focam sempre são os filhos, dizendo que aguentam muita coisa por eles. Uma coisa que as mulheres do grupo falam é que elas podem contar conosco. Nós nos unimos, ninguém vai passar necessidades nem deixar os filhos perecerem, estamos dispostas a ajudar. Uma mulher tem o poder, mas em várias, somos o poder. Nós, unidas, poderemos sempre mais”, frisou.

O grupo aberto para a organização das manifestações também é integrado por homens, de acordo com Fernanda. “Tem muitos homens que sabem dar o real valor para a mulher e dizem que vão para as ruas defender os direitos das mulheres e cuidar delas. Um integrante do grupo disse que sabe o valor da mulher porque a estrutura inicial da sua vida é a mulher, ou seja, ele sabe que, se não fosse a mulher, ele não estaria onde está hoje. Deixamos aberto para as mulheres que estão sofrendo que nos procurem e busquem ajuda, não fiquem se sujeitando a situações de medo. Nós vamos correr atrás, vamos dar a cara a tapa, independente das consequências, estamos dispostas a ajudar”, pontuou Fernanda.

As organizadoras ressaltaram que as manifestações serão apartidárias e terão como único foco o combate à violência doméstica. “Eu acho assim que, independentemente do partido político, da religião, todas as mulheres devem ser valorizadas. Estamos convidando a todos que saiam conosco nesta manifestação e vamos para cima, procurar pelos direitos da mulher”, frisou Fernanda.

Há casos em que as mulheres escondem que estão passando por situações de violência, segundo Fernanda. “Muitas vezes a mulher está com uma roupa mais fechada, não quer mostrar os braços e as pernas porque está sendo agredida. Outras vezes, você vê uma mulher um pouco mais abatida, com a imagem mais sofrida, e ela diz que são noites mal dormidas, mas às vezes não é isto. Ela pode estar sufocada em um relacionamento abusivo e não tem a quem recorrer. Então, se você não sente liberdade de se abrir com alguém da sua família, estamos dando a liberdade de virem até nós para procurar ajuda. Vamos acompanhá-las na Delegacia ou onde for, vamos apoiar estas mulheres, pois não podemos deixar isto acontecer”, pontuou.

Algumas advogadas estão no grupo e ofereceram ajuda na questão jurídica, conforme Jaqueline. “Elas passaram informações para a mulher que está nesta situação procurar, porque tem muitos direitos que elas não conheciam, como a existência de advogada de plantão para quando acontecer uma agressão e que elas não precisam ir sozinhas à Delegacia. Tem muitas informações boas que muita gente não sabia e elas (advogadas) estão dando total apoio para quem precisar”, comentou.

A Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios de Irati publicou uma nota de repúdio em relação aos casos de violência contra mulheres registrados no município, em especial, ao feminicídio de Veridiana dos Anjos, de 37 anos, na terça-feira. Na nota, a entidade enfatiza que a violência doméstica ocorre em função da falta de políticas públicas voltadas para prevenir as agressões e punir quem cometer o crime. “É nosso dever enquanto Mulheres Empreendedoras nos manifestarmos quando uma mulher sofre por violência, seja ela física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. Pois isso, além de gerar uma descontinuidade de vida, interrompe o potencial de desenvolvimento pleno individual e a capacidade de provisão familiar, pois muitas vezes a provisão financeira e emocional da família advém da mulher. A CMEG de Irati se solidariza com os familiares da vítima, e reitera, igualmente, o repúdio a qualquer ato de violência. Permanecendo com o objetivo de fomentar e fortalecer as Mulheres Empreendedoras de Irati e região, formando uma rede de sororidade para o desenvolvimento individual e coletivo”, diz um trecho da nota assinada pela presidente da Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios de Irati, Tirciana Strege Bini.