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Professores analisam contexto político da guerra da Ucrânia

Entenda as motivações para o conflito e as possíveis consequências na análise do Professor Doutor Anderson Prado, pesquisador do programa de pós-doutorado da UFPR, e da professora Maiara Tavares Sodré responsável pela disciplina de Geopolítica e Relações Internacionais do curso de Geografia da Unicentro/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Professores Anderson Prado e Maiara Tavares participaram do programa "Meio Dia em Notícias" na segunda-feira, 28. Foto: Arquivo Pessoal

 
No dia 23 de fevereiro, a Rússia invadiu a Ucrânia após reconhecer a independência das duas províncias separatistas Luhansk e Donetsk. O conflito que antes estava apenas nas regiões separatistas, se estendeu no país, com tropas russas chegando à capital Kiev em menos de 48 horas. Há uma semana, a diplomacia mundial tenta um cessar-fogo na região.

Para entender como se chegou ao conflito e quais serão as consequências para o mundo, a Rádio Najuá conversou com o professor Doutor Anderson Prado, pesquisador do programa de pós-doutorado da Universidade Federal do Paraná, graduado e pós-graduado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), mestre pela Universidade de Passo Fundo (UPF-RS) e doutor pela Unisinos, do Rio Grande de Sul, especialista em estudos sobre imigrações, genocídios e conflitos no leste europeu, e também com a professora Maiara Tavares Sodré, doutora em Geografia, responsável pela disciplina de Geopolítica e Relações Internacionais do curso de Geografia da Unicentro.

Anderson explica que a região passou por muitos conflitos ao longo da história. A relação dos dois países inicia no surgimento da Rússia, que começou no território onde hoje é a Ucrânia. “No século XI e século XII, a capital da Rússia já foi Kiev. Depois a Ucrânia vai tentar se tornar uma nação e consegue com os cossacos. Depois, logo após a Revolução Russa, aí esses conflitos irão se acentuar, logo após o início do século XX. Já tem um bom tempo esse conflito”, conta.


As fronteiras entre Ucrânia e Rússia passam por diversas modificações ao longo do século XX. “A Ucrânia, a partir de 1922, foi anexada. Aquilo que ficou conhecido como a União das Repúblicas Soviéticas, a União Soviética. A Rússia proclama a Revolução Russa em 1917. Em 1918, a Ucrânia se torna independente, mas por um brevíssimo tempo. Já em 1922, ela é anexada à União Soviética e aí se acirram esses conflitos”, explica.

Na década de 1930, a Ucrânia estava anexada à União Soviética e uma crise financeira acirrou os conflitos entre os dois países. “E a Rússia, dentro daquilo que ficou conhecido como Plano Econômico, chamado Planos Quinquenais, vai fazer uma captação de recursos, através de impostos. Naquele momento, os impostos também eram cobrados em espécies, cereais. A região da Ucrânia era uma região extremamente fértil e essa captação de recursos por parte da Rússia, em cima da Ucrânia, no início da década 30, vai levar ao estado de falência da Ucrânia. Vai acontecer aquilo que ficou conhecido como Holomodor, o genocídio ucraniano. Que por conta dessa captação de recursos que a Rússia fez sobre a Ucrânia, no início da década de 30, vai morrer milhões de ucranianos, literalmente, de fome”, conta.

O professor explica que a Ucrânia esteve por muito tempo submissa à Rússia, que via a Ucrânia como um território seu. Ao mesmo tempo, o desejo de independência da Ucrânia permaneceu, mas a independência como um país ainda é recente. Somente em 1991, após a derrocada da União Soviética, é que a Ucrânia conseguiu sua independência novamente. “Quando se fala que a Ucrânia tem a sua soberania nacional, de forma do direito internacional isso é fato, mas essa soberania da Ucrânia ainda está se formando. Existe ainda essa fragilidade. Por isso, ora ou outra os governantes da Rússia ainda se dizem ‘proprietários’ ou sobretudo, ‘protetores do território ucraniano’”, disse.

Anderson também destaca que, além de um longo histórico de conflitos, a Rússia se preparou nos últimos anos para invadir a Ucrânia. “É um processo que a Rússia vem se preparando há muito tempo, para novamente se tornar protagonista na Europa. A Rússia já foi protagonista no período soviético e ela se preparou desde os anos 2000, sobretudo a partir da ascensão do Putin, se preparou para novamente se tornar protagonista”, relata.

O professor conta que uma das medidas foi se tornar um exportador em vários setores. “Até 2014, por exemplo, a Rússia importava muita coisa. Importava cereal, importava carne. O presidente Vladimir Putin vai trazer subsídios para dentro da economia russa e vai transformar aquilo que ele importava, eles vão produzir dentro do seu próprio país tamanha quantidade, que eles vão chegar até exportar”, conta.

O preparo econômico possibilitou com que o presidente Vladimir Putin colocasse em prática os seus planos. O professor explica que ao acumular dinheiro e poder internamente, na visão de Putin, o próximo passo era assumir controle da região. “Todo esse processo de ascensão econômica, ascensão popular do Putin é um processo quase que natural que ele faça esse avanço nos países vizinhos que já faziam parte, por exemplo, da União Soviética. Não que ele queira restaurar a República Soviética novamente, mas ele quer esse protagonismo e esses países estão dentro desse projeto. A ideia do Putin não é simplesmente invadir a Ucrânia. Não é simplesmente parar de fornecer o gás ali pelo gasoduto da Ucrânia e fornecer gás no Nord Stream 2. Não é só isso. Ele quer mostrar para o mundo que o Ocidente está se levantando”, disse.

O professor destacou que esses objetivos de Putin são ligados à poder na região e não são ligados a questões ideológicas. “Não é o comunismo, não é o socialismo. Longe de bases ideológicas. É sim, a voracidade capitalista e sobretudo, na base do neoliberalismo que é mais dinâmico ainda, que trouxe um avanço econômico muito grande para a Rússia. É como em uma empresa, quando uma empresa cresce demais, o que ela faz? Ela se expande. A Rússia está fazendo isso”, disse.

Enquanto a Rússia se preparava para invadir a Ucrânia novamente, diplomatas em todo o mundo tentaram desde o fim do ano passado evitar que um conflito maior acontecesse. Durante as negociações, o governo russo reprovava uma possível aproximação da Ucrânia com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A aproximação era vista pela Rússia como perigosa para a segurança do país. A Ucrânia não participou da OTAN, mas mesmo assim, as negociações entre os diplomatas foram infrutíferas entre os dois países. A situação piorou após a Rússia invadir a Ucrânia, com o pretexto de manter a segurança de russos que estavam no país.

Desde a semana passada, os esforços diplomáticos se voltaram à tentativa de negociar um cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia. Reuniões com delegações dos dois países acontecem desde segunda-feira, mas até agora não houve acordo.

Para a professora Maiara é difícil que um acordo de cessar-fogo aconteça de forma rápida. “Infelizmente, os dois lados têm dado sinalizações de que cessar-fogo imediato é bastante improvável. A Rússia, ao mesmo tempo que concorda realizar essas negociações, continua concomitantemente, ao mesmo tempo em que se encaminha para esses tratados, também atacando e mantendo os ataques armados, ainda no território da Ucrânia. E a Ucrânia também deixa claro que, apesar de se mobilizar para essas negociações sem impor requisitos e condições, é bastante cética contra a possibilidade de um cessar-fogo. Até por conta das exigências que são feitas, uma desmilitarização, uma eliminação das tendências nazistas do governo, o que apesar de existirem algumas controvérsias, fica um pouco difícil de sustentar quando, na prática, o presidente da Ucrânia é judeu. Então, os interesses em jogo parecem ser conflitantes. Infelizmente, no curto prazo, o desenho de um encerramento pacífico para esse conflito não parece muito próximo”, conta.

Diversos países no mundo estão determinando sanções econômicas à Rússia. O objetivo é que as sanções econômicas prejudiquem a economia da Rússia, pressionando o presidente Vladimir Putin a retirar as tropas da Ucrânia. As sanções econômicas chegaram a fazer com que o Banco Central da Rússia duplicasse a taxa básica de juros de 9,5% para 20%, de forma a evitar uma maior depreciação da moeda russa, o rublo. O Banco Central russo também disse que a decisão quer evitar os riscos de inflação.

As sanções econômicas foram realizadas por diversos países, incluindo a Suíça, que abandonou a tradição de ser neutra e aderiu às sanções impostas pelo bloco da União Europeia contra a Rússia.

Já no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro evita comentar os ataques e disse que o país adotará uma posição de neutralidade. Para Maiara, a posição pode gerar negatividade a outros países que estão adotando as sanções. “Nos últimos anos tem adotado, em termos de política externa, um posicionamento um pouco hesitante e tardio até para se manifestar diante de acontecimentos da eleição de líderes políticos, de mudanças de transformações no cenário geopolítico. Isso sinaliza para o exterior uma posição negativa, uma posição hesitante, de incerteza, principalmente quando consideramos os próprios conflitos de informação que são veiculados pelo Governo Brasileiro. O vice-presidente diz uma coisa, o nosso representante diplomático diz outra e o presidente diz outra coisa, diz que no final das contas a palavra definitiva é dele. Mas não existe uma unidade, não existe uma posição homogênea do Governo Brasileiro que passe uma consciência política, que demonstre que o Brasil em conjunto está unido para defender uma determinada posição. Isso já em primeiro plano passa e sinaliza externamente uma imagem muito negativa de desorganização no governo”, conta.

A professora destaca que o posicionamento pode trazer prejuízos ao país. “Por outro lado, o Brasil ao não assumir uma posição, que tem sido a posição dos seus principais parceiros econômicos que tem se posicionado contrários à invasão da Rússia. O Brasil não se aliando a esse bloco que agora vai ser o responsável por articular, desenvolver as principais questões contra a Rússia, o Brasil também corre risco de que nessas funções, o fluxo comercial entre Brasil e Rússia acabe sendo prejudicado porque as sanções que o bloco contrário à Rússia vai impor, elas vão considerar o interesse desses países desenvolvidos. Vão considerar que não sejam provocados problemas, uma interrupção de fornecimento. E o Brasil nesse sentido pode acabar prejudicado com a importação, por exemplo, de trigo, de fertilizantes que ele importa em volume significativo e considerável da Rússia”, explica.

O professor Anderson pontua que há dois aspectos a serem vistos em relação à posição do Brasil. De um lado humanitário, a invasão deve ser vista como reprovável. “Pensando em todas as atrocidades que o governo russo comete com a Ucrânia, obviamente que todos nós temos que sair em defesa da paz. Isso é ponto pacífico”, disse.

Do outro lado, o professor destaca que há uma questão de governabilidade. “O Brasil é extremamente dependente do comércio russo. É um perigo para a economia política, sobretudo no momento de eleição em que o atual governo, querendo a reeleição vai buscar apoio, sobretudo ele vai buscar apoio no agronegócio e o agronegócio depende bastante da Rússia. Nos importamos da Rússia bastante componentes para os defensivos agrícolas. O agro é a grande base eleitoral do atual chefe de estado. Então, pensando do ponto de vista politico ele está agindo com essa neutralidade para não arranhar as suas bases”, conta.

Maiara destaca que ainda é cedo para saber as consequências econômicas que o conflito trará no mundo. Contudo, ela destaca que já é possível ver uma mudança. “É uma mudança geopolítica significativa. A Rússia começa a sofrer uma série de sanções econômicas importantes e isso já fez impacto na desestabilização da moeda russa. Ao mesmo tempo, provoca uma reorganização econômica já que a Rússia é um importante agente econômico internacional. Ela é uma das principais fornecedoras de gás da Europa. Ela tem um papel importante no abastecimento energético. Isso tudo pode provocar transformações econômicas importantes no momento de início da retomada, de início da estabilização, do crescimento econômico no mundo. É muito cedo para falarmos em consequências de longo prazo. Mas podemos considerar que os parceiros comerciais da Rússia - como eu disse o Brasil é um deles, um importante fornecedor de trigo, fertilizantes para o Brasil - ele pode sofrer as consequências disso, tendo o abastecimento, por parte da Rússia, abalado nesses setores em bloqueios comerciais, que já estão se desenhando, porém de fato impostos à Rússia e às transações comerciais dela”, explica.

Uma das preocupações é que o preço do combustível possa ser afetado no Brasil. Para a professora, o preço do combustível no país é afetado por alguns fatores internos, que podem pesar mais do que fatores externos, caso haja uma alta no preço mundial. “A questão do combustível aqui no Brasil é um fator que tem relação com questões internas, com tributação, com a alta do petróleo e uma dinâmica econômica, com uma vida política econômica do Brasil que tem sofrido mudanças e abalos significativos. Acho que repercussões internas nos valores do combustível no Brasil é uma mudança mais improvável, uma explicação mais improvável. Mas em termos globais, existe a possibilidade de mudanças econômicas significativas e atingindo o Brasil, mais nessa questão dos grãos, do trigo e dos fertilizantes. A questão de elevação dos combustíveis tem relação com outros fatores e é muito relacionada aos problemas internos políticos econômicos que nós vivenciamos”, disse.

Diferente de outros conflitos do mundo, a guerra entre Ucrânia e Rússia chama a atenção por colocar em locais antagonistas duas potências nucleares. A Rússia possui ogivas nucleares e o presidente Putin anunciou no domingo (27) que ordenou que colocasse as armas nucleares em posição de alerta de risco elevado.

Do outro lado está os Estados Unidos, que apoia a Ucrânia e também possui armas nucleares. A Ucrânia não está na OTAN, grupo no qual os Estados Unidos integra, mas tem recebido apoio dos países membros, com a disponibilização de armas. Apesar de ser uma peça importante nas negociações, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já declarou que não deve enviar soldados ao país, mas anunciou uma ajuda militar de US$ 350 milhões para a Ucrânia.

Para a professora Maiara, mesmo que as tensões aumentem e o conflito fique mais intenso, é improvável que uma guerra nuclear aconteça. “Eu acho bastante improvável que esse conflito incline para uma questão de ataques nucleares até porque as consequências de uso desses tipos de armas seriam devastadoras em termos globais até mesmo”, conta.

A Rússia possui um poder militar maior que a Ucrânia. Sem apoio de soldados americanos ou de outros países europeus, a Ucrânia decidiu armar a população civil para enfrentar os soldados russos. Homens de 18 a 60 anos foram proibidos de deixar o país e tiveram que se alistar para lutar contra a Rússia. Ao mesmo tempo, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tem se recusado de deixar o país e feito vídeos convocando a população para a resistência contra a Rússia. A resistência dos ucranianos tem surpreendido diante da dificuldade da Rússia em tomar totalmente a capital Kiev.

Contudo, a professora destaca que a ação de armar a população civil pode trazer mais violência à Ucrânia. Há quase uma década, o país já enfrentava problemas com movimentos separatistas pró-russos que atuavam na fronteira com a Rússia. Para combater esses movimentos, grupos paramilitares surgiram, sendo formados por civis. “O que percebemos nesse conflito foi que cada vez mais surgiram grupos paramilitares, grupos que autonomamente começam a recorrer ao uso de armas para eles mesmos defenderem a continuidade do território de pertencer à Ucrânia ou a anexação do território à Rússia. E fizeram uma situação de ainda mais mortes, de aumento das dificuldades de negociação de paz. Temos infelizmente, percebido isso”, conta.

Agora, com o uso de armas pela população civil diante de um exército russo treinado, a violência pode crescer ainda mais. “O uso de armas é, inevitavelmente, uma porta a uma maior violência e para um número de mortes ainda maior. Tínhamos uma postura por parte de restrições por parte da União Europeia, até da OTAN, do uso civil de armas em situação de conflito. Parece que essa última barreira foi derrubada e isso agora vai passar acontecer”, explica Maiara.

Além disso, a guerra entre a Ucrânia e a Rússia se agrava com outro tipo de conflito: o cibernético. Os dois países são conhecidos por saberem como usar as informações que circulam na internet e nas redes sociais como armas digitais. Isso faz com que atualmente as pessoas sejam bombardeadas de informações, dos dois lados, que são difíceis de checar. Um exemplo claro está no número de mortos durante a guerra. A Ucrânia divulga o número de mortes e aponta que soldados russos mataram civis. Do outro lado, a Rússia não divulga a perda de soldados.

O professor Anderson destaca que é preciso cuidado na obtenção de informações durante esse período. “As informações que chegam para a comunidade em geral, é importante que sejam filtradas, porque vai existir esse jogo de pôquer. Não querendo banalizar a guerra, mas esse jogo de pôquer que existe, esse jogo de blefe que existe com aquilo que chamamos de fake news”, disse.

O professor destaca que ambos países produzem conteúdo que pode ser exagerado ou falso. “Também pensar a Ucrânia como passiva nessa situação também é uma ingenuidade. Temos que pensar nas duas nações como produtoras de conteúdo, sejam verdadeiros ou não’, conta.

Em meio ao mar de informações, as pessoas tem debatido sobre a posição dos dois países, com defesas e repúdios. Porém, essa dualidade a partir do que é o certo e o que é errado pode ser trincada quando discutimos a política internacional.

Maiara explica que na geopolítica, os países agem de acordo com os seus interesses. Por isso, em algumas situações, alguns governos não possuem uma preocupação significativa com as consequências e com as vítimas que podem provocar no outro lado. “A Ucrânia defende o seu interesse. Defende uma aproximação militar e econômica com a União Europeia, com a OTAN. A Rússia, do outro lado, também defende o seu interesse, defende as questões estratégicas de segurança, defende a oportunidade de ter armamento pesado no território da Ucrânia, que é sua vizinha imediata. Então, nós temos dois lados, cada um defendendo o seu próprio interesse. E muitas vezes para atingir o seu próprio interesse, levando a morte do outro lado. Me parece que em geopolítica, a principal vítima são sempre as pessoas. É sempre o povo, são sempre as pessoas que morrem por questões econômicas, estratégicas e que muitas vezes são levadas a se inserir num conjunto como massa de manobra para interesses de potências, interesses de atores econômicos”, explica.

Apoio de comunidades ucranianas: A região Centro-Sul do Paraná possui diversos descentes de ucranianos que agora demonstram apoio ao país de seus antepassados. Um dos apoios ocorreu na Paróquia Imaculado Coração de Maria, onde uma bandeira da Ucrânia foi colocada em frente à sua sede em Irati em apoio.

O padre Deonísio Mazur explica que a ação foi feita para demonstrar apoio e solidariedade com o povo ucraniano que está enfrentando com a guerra. “Sabemos que a questão das informações da guerra é bastante complexa, estamos bastante apreensivos, preocupados, com medo, mas solidários e unidos com o nosso povo, através da nossa oração, em todas as nossas comunidades e paróquias. Estando em oração, unidos através da fé, todos nós estamos buscando o melhor e torcendo que tudo cesse o quanto antes”, disse.

O paroquiano Mariano Lucavei também expressou apoio aos ucranianos e relembrou sobre as dificuldades de refugiados neste contexto. “Já os nossos antepassados falavam muito o quanto eles sofreram e tiveram que fugir, deixando os seus bens, até seus familiares, para garantir a sua sobrevivência. Isso sentimos no Brasil e no mundo onde se instalaram os nossos antepassados. O povo ucraniano vem lutando já há 130 anos, fugindo dos seus agressores. Em 1994 houve um acordo do desarmamento nuclear e vejam a situação do nosso povo ucraniano que está passando neste momento lá na Ucrânia. Com essa fragilidade que ocorre, causa uma desestabilidade que aglomera a Europa e o mundo com as destruições causadas ao país vizinho à Ucrânia. Para a economia que os que os nossos povos enfrentam no momento. Não é só a Ucrânia que irá perecer, mas o mundo irá perecer se esta situação continuar como está”, conta.

O padre ainda destacou que pede por orações para ajudar o povo ucraniano. “Por isso, vamos pedir, orar para que Deus ilumine a mente dos governantes e que entrem em bom senso para que haja um acordo que cesse essa invasão, que cada um continue o seu trabalho em seu país e com o seu povo”, afirmou.

Bandeira da Ucrânia foi colocada na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Irati. Foto: Deonísio Mazur

Foto: Deonísio Mazur