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Professora prudentopolitana apresenta relatos de amigos que presenciaram invasão russa à Ucrânia

Uma das amigas de Edina Smaha escreveu relatando que viu tanques passando próximo à sua casa. Outros contam sobre a falta de medicamentos nas farmácias e de combustíveis nos postos/Paulo Henrique Sava, com informações do Portal G1

Natural de Prudentópolis, Edina Smahra, que atualmente vive em Nova York, residiu por cinco anos na Ucrânia. Foto: Arquivo pessoal

A população da Ucrânia já começa a sentir os efeitos da Guerra com a Rússia, que entrou nesta terça-feira, 01, no 6º dia. Em entrevista à Najuá, a professora Edina Smaha, prudentopolitana que atualmente vive em Nova York, integra o Núcleo de Estudos Eslavos (NEES) da Unicentro e viveu por cinco anos na Ucrânia, contou que alguns amigos e ex-professores seus que ainda vivem no país do leste europeu fugiram para a Polônia ou foram para a casa de parentes no interior. Apenas um deles disse que não pretende sair da cidade de Kiev. Todos relataram a falta de medicamentos nas farmácias e de combustíveis nos postos. Entretanto, ainda há alimentos nos supermercados.

“Alguns deles já cruzaram as fronteiras, estão na Polônia, outros foram para abrigos e casas de parentes no interior. Conversei com um amigo meu que disse que, no prédio onde mora, só sobrou a família dele e não pretende sair, dizendo que não acha que vai encontrar um lugar seguro para ele e seus dois filhos pequenos. Ainda há comida nos mercados, mas nas farmácias não há remédios e não tem combustíveis nos postos”, comentou.

Uma das pessoas que entrou em contato com Edina nos últimos dias disse que viu tanques de guerra passarem bem próximos à sua casa. “Ela disse ‘a terra tremia e meu coração também’. Então, eu fiquei de coração partido depois de ter lido esta mensagem”, frisou.

Smaha falou sobre o cenário em que se encontrava a Ucrânia quando ela saiu de lá em 2012. “Logo depois que eu saí, que eu deixei a Ucrânia, em 2012, nos anos seguintes começaram as manifestações que culminaram na destituição do presidente Victor Yanukowitch, que era totalmente pró-Rússia. Como consequência disso, um governo pró-ucraniano e pró-europeu começa a governar a Ucrânia, o que não agrada os russos e a população pró-Rússia no território ucraniano. Logo depois destas manifestações, a Ucrânia acaba perdendo a Crimeia, sem mencionar os conflitos nas regiões do leste, em Dumbass”, comentou.

Com todo este cenário, segundo a professora, a Ucrânia passou a tentar uma aproximação maior com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da União Europeia, o que irritou o presidente russo, Vladimir Putin.

“A Rússia, então, deixa claro que não aceita a entrada da Ucrânia e nem de qualquer país localizado na região de influência russa na OTAN. Esta semana, Putin deixou claro que, mesmo se a Finlândia ou a Suécia cogitarem entrar nestas organizações, elas terão a mesma resposta. A invasão ocorreu, infelizmente, e na minha opinião a Ucrânia se viu sozinha. Eles querem se livrar das garras russas, mas não conseguiram ser aceitos na União Europeia ou na OTAN porque este não é um processo que ocorre de um dia para o outro”, comentou.

Na opinião de Smaha, a OTAN não deve interferir no conflito. Ao mesmo tempo, ela espera que haja uma saída diplomática para este problema. “A OTAN não deve interferir primeiro porque os ucranianos não fazem parte desta organização e segundo porque, se isto acontecer, será uma guerra de dois gigantes: de um lado, a OTAN, e de outro a Rússia, e esta tragédia pode ser ainda maior. Eu acho que o mundo inteiro espera uma solução diplomática para este conflito e a restauração da paz na Ucrânia o mais rápido possível. Glória à Ucrânia”, comentou.


Panorama da guerra - A guerra entre a Rússia e a Ucrânia entrou nesta terça-feira, 01, no seu 6º dia. Logo no início da manhã, por volta das 08 horas, no horário local (03h, pelo horário de Brasília), um míssil atingiu a sede do governo na cidade de Kharkiv e deixou várias pessoas feridas.

Segundo informações publicadas na manhã de hoje pelo portal G1, instituições e governos integrantes da União Europeia analisarão o pedido de adesão da Ucrânia à entidade, respondendo ao pedido “legítimo” de Kiev, segundo o presidente dos líderes do bloco, Charles Michel.

Mesmo sendo simbólica, segundo Michel, não há unanimidade sobre a questão da ampliação do bloco de 27 nações. "Vai ser difícil, sabemos que há opiniões diferentes na Europa", disse Michel ao Parlamento Europeu.

"O conselho (dos governos da União Europeia) terá que analisar seriamente o pedido simbólico, político e legítimo que foi feito e fazer a escolha apropriada de maneira determinada e lúcida", disse Michel.

Além disso, os russos devem atacar locais pertencentes aos serviços de segurança e à unidade de operações especiais da Ucrânia em Kiev, segundo o Ministério da Defesa Russo. As informações foram divulgadas pelas agências de notícias russas Tass e RIA. O ministério ressaltou que a medida será tomada para diminuir riscos de “ataques de informação” contra a Rússia. Segundo as agências, os russos pedem para que as pessoas perto dos locais em Kiev deixem as áreas.