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Humanitas Brasil-Ucrânia busca voluntários para ajudar refugiados ucranianos

Entidades estão arrecadando donativos e buscando por voluntários que possam abrigar refugiados ucranianos/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub

Bandeira da Ucrânia foi colocada na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Irati. Foto: Deonísio Mazur

A Representação Central Ucraniano Brasileira está fazendo uma campanha de arrecadação para ajudar os ucranianos e eventuais refugiados. Em parceria com a Humanitas, a entidade faz parte do comitê Humanitas Brasil-Ucrânia que tem arrecadado donativos e buscado voluntários para abrigar refugiados da guerra entre a Ucrânia e Rússia.

O delegado da Representação Central Ucraniano Brasileira, Rafael Lucas, explica que as entidades estão buscando por doações. “Para que possamos enviar donativos, do tipo ajuda humanitária, comprar comida, água, esse tipo de coisa lá”, conta.

As doações são realizadas para uma conta específica da Humanitas, que já tem experiência com trabalho com refugiados. “Não é uma conta que a Sociedade Ucraniana vai usar para nenhum outro fim. Ela é uma conta exclusiva e auditada pela Humanitas para só para fazer o trabalho com os refugiados e ajuda internacional”, afirma Rafael.


Até o momento, as entidades arrecadaram mais de R$ 500 mil, mas ainda é preciso de mais recursos para auxiliar no transporte dos donativos e na ajuda com os refugiados. “O custo de transporte, de alocação de pessoas, esse custo é um custo muito alto. Estamos em parceria com o Governo Federal e o Governo Estadual para que consigamos, em algumas situações precisamos de ajuda do Governo Federal, principalmente, para poder fazer transporte, para poder levar para dentro da Polônia, que é o lugar onde nós estamos armazenando os donativos, tem a legislação sobre remédios, tem a legislação sobre alimentação que pode ir para lá, todo esse tipo de coisa”, conta o delegado da Representação Central Ucraniano Brasileira.

Além da arrecadação de doações, o comitê tem trabalhado para ajudar a receber os refugiados e encontrar locais de abrigos no Brasil. “Nós lançamos um cadastro e um grupo responsável para isso para que nós possamos receber refugiados. Essa questão de refugiados já é um pouquinho mais complexa, temos uma organização maior, depende de uma série de obediência à legislação e uma série de coisas, mas nós já temos uma procura muito grande do lado de lá. Muitas pessoas cadastradas na Ucrânia para vir para o Brasil. Nesse momento, temos a informação de pelo menos mais de 200 pessoas ou famílias, nós ainda não temos esse feedback se são 200 famílias ou 200 pessoas, o nosso braço com o contato lá é Acnur [Agência da ONU para Refugiados] que é a entidade da ONU para refugiados. Então, essas pessoas já estão sendo triadas para eventualmente virem”, explica Rafael.

O comitê tem buscado auxílio de estados brasileiros, como São Paulo e Paraná, para receber esses refugiados. Prefeituras e empresários da região também estão se colocando à disposição para recebê-los. “Já começamos um trabalho, agora um pouco mais localizado, inclusive alguns empresários de Irati já nos ajudaram, de Irati e região, principalmente para Prudentópolis. Nós temos tido um retorno fantástico da classe empresarial de Prudentópolis, das pessoas de Prudentópolis. Inclusive, a prefeitura de Prudentópolis, já num gesto muito humano já se dispôs a nos ajudar com recebimento de até 200 famílias”, conta.

O delegado da Representação Central Ucraniano Brasileira destaca que apesar de várias famílias procurarem refúgio em outros países, alguns refugiados possuem receio, pois ainda mantém a esperança que possam voltar à Ucrânia. “Esses milhões são em sua grande maioria são mulheres com crianças. Os homens ucranianos pela lei marcial ficaram na Ucrânia, lutando. Nesse sentido, a imensa maioria dos refugiados ainda não quer sair de perto da Ucrânia, imaginando que logo poderá voltar para a Ucrânia. Mas já há um número muito grande de aplicantes com o interesse de vir para países como, principalmente, os Estados Unidos, Canadá, Austrália e Brasil que são os países onde tem grandes comunidades ucranianas de fora da Ucrânia”, explica.

Mesmo com o receio, as entidades estão surpresas com a disponibilidade do público para auxiliar com os refugiados. “Ontem nós recebemos o contato de uma família de japoneses da região de Curitiba, que está disposta a receber duas famílias de refugiados em sua casa. Não sabemos se isso vai ser preciso você vai chegar a esse ponto, mas ontem eles fizeram o cadastro e querem receber duas famílias de ucranianos em Curitiba, uma família grande de japoneses para ajudar”, conta Rafael.

Quem deseja abrigar famílias de refugiados, pode se cadastrar em um formulário on-line disponível neste link


A conta bancária para realizar doações em dinheiro para a Ucrânia é: PIX- CNPJ: 78-774-668-0001-83, banco 104, Agência 1628, operação 013, conta 00010493-0. Todos os valores doados devem ter centavos. Desta forma, a doação de R$ 100, por exemplo, deve ser colocada R$ 100,01.

Nesta quinta-feira, 17, a guerra entrou em seu 22º dia com novos ataques à capital da Ucrânia, Kiev, e com o governo ainda avaliando a situação na cidade portuária de Mariupol, que teve bombardeado um teatro que abrigava civis com a palavra "criança" escrita do lado de fora.

Na madrugada de hoje foi feito um minuto de silêncio em cidades ucranianas em memória dos que "deram a vida por causa do terror desencadeado pelos ocupantes". "Memória eterna! Não vamos esquecer! Não vamos perdoar!", escreveu o serviço de emergências da Ucrânia. Hoje, o governo ucraniano conseguiu liberar corredores humanitários para evacuação. Cerca de 3 milhões e 200 mil pessoas já deixaram a Ucrânia, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

O número de mortos no confronto entre Rússia e Ucrânia até agora varia de acordo com diferentes balanços: morreram 726 civis (segundo a ONU, até o dia 16 de março), pelo menos 1.300 soldados ucranianos (segundo o presidente da Ucrânia, em 13 de março), 2.300 civis ucranianos só em Mariupol (segundo o governo ucraniano em 15 de março) e 498 soldados russos (segundo governo russo em 2 de março, no começo da invasão).

Há diversos problemas com essas estatísticas. O principal é que entidades independentes — como agências humanitárias ou veículos de comunicação — não conseguem verificar esses dados. A informação de 726 civis mortos apresentada em 16 de março em um boletim do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (ENUCAH) é tida como conservadora demais.

A Ucrânia apresentou números maiores que não puderam ser verificados de forma independente.

A Rússia não atualiza os dados sobre quantos de seus soldados morreram. O último boletim foi divulgado há quase duas semanas e relatava a morte de 498 soldados. Desde então, fontes ucranianas noticiaram a morte de quatro generais russos de alta patente.

Por fim, existe desencontro entre informações — sobretudo quando se trata de fontes rivais. A imprensa americana noticiou que uma autoridade anônima do governo dos EUA (aliado da Ucrânia) estimou, no dia 10 de março, em "5 mil a 6 mil" soldados russos mortos e entre "2 mil e 4 mil" o número de soldados ucranianos.

As informações são do portal UOL

População pode ajudar refugiados da Ucrânia doando qualquer quantia em dinheiro por meio do Pix. Foto: Divulgação