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Padre iratiense irá participar de missão na Amazônia

Padre Fábio Sejanoski ficará por quatro anos no município de Canutama, no interior do Amazonas, em missão do projeto “Igrejas Irmãs” desenvolvido em parceria com a Diocese de Ponta Grossa/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Imagem de uma das últimas celebrações do padre Fábio Sejanoski na cidade de Reserva. Foto: Paroquia Menino Jesus de Reserva

O padre iratiense, Fábio Sejanoski, embarcará no final do mês para o estado do Amazonas, onde participará de uma missão de quatro anos de duração dentro do projeto “Igrejas Irmãs”. O projeto é realizado a partir de uma parceria entre a Prelazia de Lábrea, no Amazonas, e a Diocese de Ponta Grossa.

O padre irá para o município de Canutama, no interior do Amazonas, onde há uma Paróquia que pertence ao projeto. Para ele, essa será uma oportunidade importante para a sua vida. “É uma mistura de frio na barriga, é uma mistura de alegria por poder fazer uma experiência nova porque eu acredito que nessa experiência minha, estou levando por esse lado, não vai acontecer apenas uma experiência religiosa. Mas eu acredito muito que essa experiência vai ser uma experiência humana”, conta.

O projeto “Igrejas Irmãs” tem o objetivo de ajudar paróquias que não possuem recursos. “É uma localidade aonde não tem padres ou não tem recursos para que os padres possam evangelizar. A diocese de Ponta Grossa adota esta Paróquia e envia para lá tanto os padres, quanto condições financeiras também para que o padre possa desempenhar o seu trabalho”, explica Fábio.

O projeto começou após padres da Diocese de Ponta Grossa irem até Lábrea, no interior do Amazonas, em missões a partir do ano de 2006. Próximo à essa cidade, estava o município de Canutama que acabou ficando sem padres nesta época. Como havia padres pertencentes à Diocese de Ponta Grossa que tinham interesse em ir para a localidade, houve o início das conversas com a Prelazia de Lábrea para que o projeto surgisse.


A Prelazia funciona como uma Diocese. “É como se fosse uma Diocese, mas ela é confiada diretamente ao instituto, que no caso lá, é dos Agostinianos Recoletos. É eles exclusivamente que cuidam, mas funciona tal e qual uma Diocese”, conta o padre.

A expectativa é que o padre possa iniciar a missão em Canutama até o dia 1º de março. Contudo, a viagem será longa e com vários meios de transporte. Por isso, ele sairá do Paraná no dia 22 de fevereiro. “Eu tenho que ir de avião até Porto Velho. Descendo do avião em Porto Velho, pousa para o outro dia. No outro dia pega um ônibus. O ônibus vai viajar 200 km de asfalto até a cidade de Humaitá, mais 200 km de estrada de chão até a cidade de Lábrea. Chega em Lábrea, acaba a estrada. Tem que pegar barco. Espera o barco porque o barco não tem todo dia. Espera o barco, pode ser que vou esperar um dia, dois dias. Até que pega o barco e o barco leva 12 horas navegando até a cidade de Canutama. Eu vou sair daqui no dia 22, quando não chego lá, eu não sei”, explica.

O padre conta que não teve a oportunidade de realizar um curso preparatório para a missão, porque quando soube da notícia, o prazo do curso já havia expirado. Porém, o planejamento é que o padre possa ter um encontro onde possa se inteirar da situação da região.

Padre Fábio Sejanoski concedeu entrevista à Najuá na quinta-feira. Foto: Divulgação

Mas o padre destaca que espera ver um local diferente do que o da região de Ponta Grossa. “ A ideia é justamente eu chegar lá em Lábrea e ter um encontro com o bispo lá, com os padres lá, para eles me colocarem a par da situação. Mas eu não acredito que eu vou pegar uma realidade muito precária. Eu acredito que vou pegar uma realidade diferente. Não precária porque lá as coisas acontecem de maneira diferente. Aqui tem a rodovia aqui perto de Irati, que passa caminhão para lá, caminhão para cá, rapidamente, e todo mundo chega aqui, vai para lá e tal. Lá é tudo lento. Lá é na velocidade do barco. Lá é na velocidade do rio. Então, as coisas acontecem mais devagar”, disse.

Um dos desafios que o padre enfrentará nesta viagem será a longa distância territorial entre cidades. O município de Canutama, por exemplo, possui um território maior do que toda a abrangência da Diocese de Ponta Grossa, que possui 17 municípios. “Você tem um público que você tem que atender a dois dias de viagem para um canto e para o outro. Por isso já é uma grande dificuldade”, explica.

Outro desafio é a visita às capelas das comunidades. Como as distâncias são grandes e o deslocamento terá que ser feito por barco em algumas regiões, não há a possibilidade de visitação com maior frequência.

É o que acontece com a Paróquia São João Batista de Canutama que possui seis capelas na cidade e outras 21 capelas à beira-rio. “O padre tem que pegar o barco, navegar dias até chegar na última. Reza na última, pousa lá. No outro dia reza na outra, pousa lá. E fica 21 dias atendendo essas 21 comunidades. O fato é que por isso as ‘Igrejas Irmãs’ lá não tem condição financeira. A paróquia lá não se sustenta. Não dá para fazer isso todo mês. Normalmente é feito duas vezes por ano. Essas 21 capelas vão receber praticamente visita do padre duas vezes por ano. Enquanto as capelas da cidade poderão receber a visita mais frequentemente”, disse.

Para que as comunidades possam receber a visita dos padres, a Diocese de Ponta Grossa também ajuda financeiramente a região para que as visitas possam ser custeadas. “Quando a Diocese vai fazer uma campanha para arrecadar dinheiro, para arrecadar fundos para mandar lá, para poder comprar o combustível, para poder o padre sair de barco e atender as comunidades”, explica.

O padre Fábio deverá ficar em Canutama por quatro anos. Ele substituirá um padre que já participa do projeto e que está voltando para a Diocese de Ponta Grossa. O projeto prevê que o município conte com dois padres que cuidam da área durante o período da missão. Além do padre Fábio, outro sacerdote já está no local há dois anos cuidando da parte sul do município. O padre Fábio ficará responsável pela parte norte de Canutama. A cada dois anos, a dupla de padres é renovada.

Como parte dos preparativos, uma missa de envio à missão será celebrada em Irati no dia 13 de fevereiro, às 10 horas, na Paróquia São João Batista.

O padre Fábio Sejanoski estava atuando na Paróquia Menino Jesus, em Reserva, desde 2016. Ele já havia passado anteriormente no local entre 2010 e 2011. Ele ainda atuou mais três anos na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Ponta Grossa. O padre ainda participou em 2015 de uma missão de dez dias em Guiné-Bissau, na África.

Música: No ano passado, o padre Fábio Sejanoski lançou o álbum chamado “Um refúgio para nós”. O projeto possui a participação de amigos e familiares que ajudaram com as vozes das canções. O álbum está disponível para ouvir no Spotify e no YouTube.

O padre conta que o álbum surgiu para registrar as composições que eram cantadas na Paróquia, em Reserva. “Desde 2002, eu compunha salmos, fazia melodias para salmos de ordenação, de missa especial, de missa do Crisma e tudo isso foi ficando quieto. Até que um dia eu pensei assim: ‘Eu não quero perder isso, eu quero gravar’. Não pensando em alguma outra coisa, mas pensando única e exclusivamente em: ‘Eu quero guardar essas músicas para que não caiam no esquecimento, até mesmo o meu’. Eu fiz um projeto lá em Reserva mesmo, com um menino de lá que faz a produção musical extremamente bem, o Gabriel. Ele fez para mim o instrumental e gravamos esse CD lá”, disse.

Além deste álbum, o padre participou da gravação de dois álbuns em 2005 e 2009. Ele explica que a música sempre esteve presente em sua vida desde criança e naturalmente atravessou sua vida religiosa. Para o padre, a música é uma forma de evangelizar. “Eu acho que a música toca, não somente traz uma mensagem, como ela toca na emoção. E eu acredito que a mensagem ligada à emoção, ela produz um efeito muito mais profundo e é por isso que eu me faço valer da música também na evangelização”, conta.

No ano passado, o padre também regravou mais duas músicas compostas por ele, que já haviam sido gravadas por outros artistas. As músicas surgiram dentro do Terço dos Homens realizado na Paróquia Nossa Senhora do Pilar. “Nós procurávamos cantar nesse Terço, músicas animadas com gaita e com violão para deixar o Terço mais animado possível. Dentre essas canções, nós cantávamos algumas paródias, algumas versões católicas de músicas sertanejas como o Luar do Sertão, O Menino da Porteira. Justamente por ser o Terço dos Homens, o hino do Terço dos Homens, e tinha uma música que nós cantávamos sempre todo dia que era Querência Amada, a versão católica da Querência Amada”, explica.

Algumas dessas músicas foram gravadas, em uma versão mais amadora, pelo grupo do Terço dos Homens, por volta de 2014. Como as músicas fizeram sucesso, as pessoas começaram a pedir nas rádios. “O pessoal começou a pedir na rádio: ‘O Terço dos Homens, com o padre Fábio’. Só que não era a voz do padre Fábio que aparecia, era a voz do grupo”, conta.

Foi a partir daí que surgiu a ideia de regravar as músicas. “Eu pedi para o Gabriel fazer um instrumental e gravei na minha voz”, disse. As músicas ainda não foram publicadas nas plataformas de música, mas já podem ser pedidas durante a programação da Rádio Najuá.