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Apresentação do Teatro da Paixão de Cristo é cancelada pelo 3º ano consecutivo em Irati

Grupo de Teatro São Francisco de Assis optou em não realizar o evento em função do aumento de casos de coronavírus em Irati. Organização planeja realizar uma transmissão online de uma edição anterior/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Sava

Imagem da última apresentação do Teatro da Paixão em 2019 no estádio Municipal Abrahm Nagib Nejm. Foto: Brand Vídeo Produções

A apresentação do Teatro da Paixão de Cristo, em Irati, foi cancelada pelo terceiro ano consecutivo em virtude da pandemia da Covid-19. O aumento de casos da doença no início do ano foi um dos motivos que levou a organização a decidir pelo cancelamento da programação que seria realizada em abril.

A decisão foi tomada na última semana, em uma reunião dos organizadores. “Chegamos numa reunião unânime, com todos os participantes presentes, e também a nossa diretoria. Em média de 20 a 25 pessoas, mas muitos não puderam ir e opinaram no nosso grupo de WhatsApp. E essa decisão foi realmente chegar ao 3º ano de cancelamento”, disse o presidente do grupo de Teatro São Francisco de Assis, Vanderlei Kawa, durante entrevista à Najuá na segunda-feira, 7.

O cancelamento da edição deste ano ocorreu após a orientação da equipe da secretaria de Saúde de Irati recomendar o adiamento. De acordo com o coordenador do Centro de Operações Especiais e de Fiscalização (COEF), Agostinho Basso, pode haver risco de contaminação com a realização do evento. “A orientação que eu posso dar que não seria viável ainda a realização do teatro da Paixão. Até porque eu sei que o número de pessoas que participam, desde dos ensaios, é bastante grande. Exige movimentação, exige presença e contato físico muito próximo. E também pelo próprio dia da apresentação que como faz tempo que não está tendo, as pessoas irão em massa e isso faz com que o tempo do espetáculo que é grande, possa proporcionar a contaminação das pessoas”, disse Agostinho em áudio de WhatsApp encaminhado ao presidente do grupo.


Uma das preocupações é a quantidade de pessoas para participar dos ensaios, especialmente próximo ao dia do evento. “Os primeiros ensaios envolvemos sempre nas cenas, são 30 a 40 pessoas, até 50. E em um montante, dos dois últimos meses, reunimos mais de 100 pessoas, chega 250 até 300 pessoas de atores, dos amadores. Então, é muito contato com essas pessoas”, explica Vanderlei.

O cancelamento ocorre em um período que outros eventos têm ocorrido, como os campeonatos de futebol e bailes. O presidente esclarece que a decisão foi tomada porque o grupo não possui interesse financeiro com o evento. “Eles necessitam da economia [quem organiza eventos e realiza competições esportivas com público], do dinheiro. Nós não temos o porquê. O Teatro não visa o lucro. E eles estão visando, para pagar seu time, lotando os estádios e também se contaminando. Quantas pessoas vemos que ainda não tem 100% das doses das vacinas”, disse.

Vanderlei explica que o objetivo do Teatro da Paixão é ajudar na evangelização. Os recursos angariados junto ao comércio são usados para custear o espetáculo. De acordo com ele, sem a realização do evento, esses recursos estão guardados em uma conta bancária do grupo. “Esse dinheiro está depositado numa conta que conseguimos. Claro, que vamos precisar de um pouco mais, uma média de 8 mil a R$ 10 mil, mas não é visar lucro”, afirma.

Um dos recursos que o Teatro da Paixão recebeu foi por meio da Lei federal Aldir Blanc. “Nós conseguimos R$ 3.100. Foi pouco, mas o suficiente que já nos ajudou. Temos um saldo na conta hoje, o Gilbras que é o nosso tesoureiro e a equipe tem sabido dos valores que temos desses recursos, mais mil e pouco que nós arrecadamos dos patrocinadores, uma média de R$ 200 pelas empresas que não quiseram que nós devolvêssemos e está na conta”, conta.

Os recursos arrecadados nos últimos anos serão utilizados para a realização do espetáculo em 2023. “É uma logística muito grande, mas vale a pena. Essa é uma paixão que nós temos de 30 anos de Teatro. São 25 anos comemorados ano passado, mas ele começou em 1991, foram três anos parados e mais três anos agora. Era para ter 31 anos da nossa apresentação do teatro. Nós temos 25 anos de apresentação do teatro”, explica Vanderlei.

Sem a apresentação física, a organização planeja transmitir uma edição antiga do Teatro da Paixão por meio das redes sociais, como foram realizadas nos últimos anos.

Há também a intenção de fazer uma exibição nos cinemas, porém a organização ainda analisará essa possibilidade. “Vamos acompanhando o crescimento dos que estão sendo agora contaminados [com a Covid-19]”, disse.

O Teatro da Paixão virou um espetáculo tradicional em Irati. Desde 1991, o espetáculo reconta os últimos dias de Jesus Cristo e é apresentado próximo à Páscoa. Referência para municípios da região, o Teatro da Paixão nasceu após um grupo artístico fazer uma procissão encenando As Três Cruzes, com o Cristo, o bom ladrão e o mau ladrão em procissão até a Capela São Francisco de Assis. A partir do sucesso da procissão, os organizadores decidiram fazer a primeira edição do espetáculo.

Membros da diretoria do Grupo de Teatro São Francisco de Assis tomaram a decisão de não realizar a encenação durante reunião no Centro Pastoral Santa Clara, na capela São Francisco de Assis, na noite de quinta-feira, 3. Foto: Divulgação