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Prejuízos com temporal de Natal podem passar dos R$ 20 milhões, diz Defesa Civil

Levantamento inicial verificou R$ 7,7 milhões de prejuízo, mas valor pode chegar a R$ 20 milhões. Cerca de 200 agricultores foram afetados pelo temporal/Karin Frsnco, com reportagem de Paulo Henrique Sava e Juarez Oliveira
Prejuízos causados pelas chuvas para os agricultores iratienses podem passar de R$20 milhões. Foto: SECOM/Prefeitura de Irati

Os prejuízos com os temporais que ocorreram no último fim de semana no interior de Irati podem passar dos R$ 20 milhões, segundo a Defesa Civil.

O levantamento inicial verificou um prejuízo de R$ 7,7 milhões somente com o investimento nas lavouras, mas esse valor pode aumentar. “R$ 7.746.000,00 que foram os agricultores que nos posicionaram o que eles gastaram para fazer a lavoura. Então, é só o que eles gastaram. Depois, eles levantaram para nós a expectativa do que eles iam ter de resultado daquela lavoura que vai passar de R$ 20 milhões que se perdeu em função desse granizo que aconteceu”, disse a coordenadora da Defesa Civil de Irati, Rozenilda Romaniw Bárbara.

A Defesa Civil juntamente com a Prefeitura de Irati terminou nesta semana o relatório inicial para enviar ao Governo Estadual sobre o que foi afetado no município.

A expectativa é que o município possa conseguir decretar estado de emergência e poder receber ajudar para recuperar os prejuízos. “Já fechamos esse levantamento, mas nós demos uma margem um pouco mais porque não tivemos perna para andar em todos os lugares afetados, mas principalmente, essa questão estamos fechando essa semana e já estamos encaminhando, devido ao prazo que tem que a Defesa Civil nos dá esse prazo e isso está sendo feito”, explica o secretário de Agropecuária, Abastecimento e Segurança Alimentar, Raimundo Gnatkowski.

De acordo com a Defesa Civil, cerca de 200 agricultores iratienses foram afetados pelos temporais. No dia de Natal, 25 de dezembro, foram registrados fortes vendavais e granizo na região do Pinhal Preto. O temporal se espalhou para as comunidades de Cadeadinho, Cadeado Santana, Rio da Prata, Cachoeira do Palmital e Invernadinha.

O corredor de vento que se formou nestes locais chegou a 1 quilômetro de largura, segundo a Defesa Civil. O temporal ainda derrubou diversas árvores, algumas pelas raízes, o que acabou afetando propriedades rurais.

Já na segunda-feira (26), outro temporal afetou mais comunidades do interior. A tempestade se concentrou no distrito de Gonçalves Junior, afetando as comunidades de Volta Grande, Campina de Gonçalves Junior, Pirapó, Boa Vista do Pirapó, Faxinal dos Melos, Cerro da Ponte Alta, Linha B, Hordenança e Linha Pinho.

A chuva não deu trégua na terça-feira (28), com chuvas de pedra sendo registradas na região do Itapará e de Pinheiro Machado. A coordenador da Defesa Civil destaca que a equipe ainda registra nesta semana mais agricultores afetados. “Hoje ainda estamos recebendo de pessoas que não entraram nesse cômputo. Então, quer dizer que o dano é maior do que registramos”, disse.

O secretário de Agricultura explica que os temporais atingiram diversas lavouras. “Um prejuízo de incidência do granizo sobre as lavouras de milho, feijão, soja, fumo, floresta de pinos, erva-mate, eucalipto, kiwi, parreiras de uva, oleicultura cultivadas nos quintais das pessoas. houve o destelhamento de residências, galpões, estufas de fumo, com perfuração de telhas de barro, fibra e cimento”, conta.

O destelhamento também atingiu propriedades rurais que possuíam materiais mais resistentes. “O pessoal já tem adotado outro tipo de material para cobrir, quem tem a tal de fibra cimento que é uma telha muito fina, as pessoas acabam usando essa mais fina de 3 a 4 milímetros. No entanto, na região do Pirapó bateu e furou telha de 10 milímetros. Isso prova que realmente a pedra, o gelo foi bem firme e grosso de espessura, isso também vem com velocidade e acaba trincando e quebrando os telhados”, explica Rozenilda.

A coordenadora conta que o temporal se espalhou no interior. “Normalmente as chuvas de granizo é extremamente localizada em áreas pequenas. E dessa vez não. Ela foi realmente pegou várias comunidades e aonde ela passou com mais intensidade, ela dizimou”, afirmou.

Além dos agricultores, os temporais atingiam famílias que trabalham em outras propriedades rurais durante as colheitas. “Famílias que são prestadoras de serviço. Famílias que moram na comunidade ou no entorno da comunidade que prestavam serviço para as famílias que trabalhavam seja na fumicultura ou outra cultura. O que acontece neste momento? Como não há a cultura, perde-se o emprego. Sem contar aqueles que são famílias que houve a danificação das casas”, disse o secretário.

Para essas famílias prestadores de serviço, a Secretaria de Assistência Social está providenciando cestas básicas. “Nós não tivemos nenhum pedido na Assistência Social por parte das pessoas em relação à assistência básica ainda, mas acreditamos que esses trabalhadores por dia, no decorrer dos próximos dias, vão vir até os CRAS solicitando a cesta básica porque não vão contar mais com esse serviço, essa renda por dia para eles”, conta a secretária de Assistência Social, Sybil Dietrich.

A expectativa é que se consigam recursos federais para esta ajuda. “Nós estamos pedindo ajuda para a Defesa Civil nacional de cesta básica para essas famílias atingidas. Como base de dados pegamos pelo Cadastro Único das regiões atingidas ali”, explica.


Para os agricultores que tiveram lavouras atingidas, a Secretaria de Agricultura está ajudando no levantamento de dados para que se consiga ajuda para esses produtores. A coordenadora da Defesa Civil destaca que alguns agricultores terão que ter ajuda, mesmo tendo seguro. “A maioria que planta fumo, desde que ele não plante mais do que ele contratou, ele já obrigatoriamente tem seguro. Mas o seguro vai cobrir o quê? O custo do investimento na produção. O resultado dele, que seria o lucro, ele vai ter que absorver de alguma forma”, disse.

A Defesa Civil também deve calcular os prejuízos com a estiagem que atingiu os agricultores. “Além do que aconteceu para nós ainda, nós estamos amargando um prejuízo que está sendo por causa da estiagem. Agora para o começo de janeiro, a região inteira vai se mobilizar para fazer o levantamento dos custos com a estiagem porque a cultura já vinha sofrendo uma perda de produção em função da falta de chuva”, explica Rozenilda.

Um dos objetivos é que os agricultores possam conseguir recuperar os prejuízos com o replantio das culturas. “Dá tempo de fazer uma safrinha, seja de feijão, de milho. Há uma outra preocupação que me parece que o vazio sanitário termina no dia 31 de dezembro, que depois do dia 1º de janeiro ninguém mais pode plantar a soja. Então, vamos levar a discussão que se abra a possibilidade, se é possível abrir por pelo menos cinco, dez dias para o pessoal refazer os campos de soja, aqueles que vão conseguir, aproveitar do que sobrou do adubo no solo. São situações que vamos estar trabalhando”, disse a coordenadora.

Com a realização do levantamento nesta semana, a Defesa Civil encaminhará as informações na segunda-feira (31).

A coordenadora explica que o sistema da Defesa Civil segue uma ordem. “O sistema da Defesa Civil nacional tem um tripé que vem desde o Governo Federal, Estadual e aos municípios. O que acontece nos municípios, nós que fazemos parte da Defesa Civil, cabe a nós fazer esse cadastro, o registro da ocorrência no sistema de Defesa Civil do estado”, explica.

Após o registro, a Defesa Civil precisa montar a documentação. “No estado, tem um conjunto de documentos, um deles que se chama FIDE que é o formulário de informação do desastre, que informamos que o desastre aconteceu. Em pouquíssimo tempo, você tem que dar conta de fazer todos os levantamentos e os laudos. São oito laudos que saem. No caso aqui, prejuízos da agricultura, danos com habitações, o que aconteceu na parte de limpeza pública, se teve serviço público afetado. São oito documentos e até num deles, nós colocamos qual a previsão e o tipo de ajuda, se o município tem condições ou não, o quanto podem investir. São todos esses documentos que nós anexamos na primeira fase”, conta Rozenilda.

Ainda são enviados documentos em uma segunda e terceira fase para conseguir ser realizado o decreto. “Se atingir aqueles valores mínimos necessários para decretar de emergência ou de calamidade pública, sai o decreto municipal, mas com o documento todo emitido pelo sistema da Defesa Civil nacional”, disse a coordenadora.

Somente depois desse decreto, que é possível pedir recursos para o Governo Federal. “Pega todos esses documentos que foram reconhecidos aqui no Paraná. Encaminha-se via sistema para Brasília e lá eles também fazem avaliação e dizem: ‘É de situação de emergência’. O Governo Federal reconhece, aí temos essa emergência reconhecida e a gente pode pedir recursos, aqueles que não forem suficientes no município, no estado, pode solicitar para o Governo Federal”, explica.

Com a Defesa Civil, é possível obter ajuda comunitária, como a distribuição de alimento, colchões, cestas básicas, kit de higiene e limpeza. Já a partir do Governo Federal, é possível ter ajuda com infraestrutura. “No Governo Federal, conforme o tipo de prejuízo que você tem, eles financiam recuperação de ponte, recuperação de estrada, se abrem possibilidade de o município resolver aquele problema”, conta a coordenadora.

O prazo para fazer todo esse processo é de 10 dias. “Se não atingir os percentuais mínimos, não é decretado de emergência. Por que o prefeito não pode decretar de emergência? Porque ele pode estar criando uma situação que se ela não é reconhecida, que não afetou tanto, ele pode responder administrativamente, civilmente, por esses tipos de decreto. O critério é sempre passar pelo Governo do Estado, através da Defesa Civil, que avalia os danos que aconteceram e diz: ‘Isto é situação de emergência’”, explica a Rozenilda.

Coordenadora da Defesa Civil em Irati, Rozenilda Romaniw Bárbara. Foto: Reprodução Facebook