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Leitos de enfermaria Covid-19 da Santa Casa são reativados pela SESA

No total, 12 leitos entraram novamente na Central de Regulação de Leitos do Paraná nesta segunda-feira/Paulo Henrique Sava, com informações da AEN e da rádio CBN
Leitos de enfermaria da ala Covid-19 da Santa Casa de Irati foram reativados nesta segunda-feira, 24, pela SESA. Foto: Arquivo Najuá

A Secretaria de Estado da Saúde (SESA) credenciou novamente 12 leitos de enfermaria da Santa Casa de Irati para atendimento de casos de Covid-19 a partir desta segunda-feira, 24. Segundo o provedor e diretor técnico do hospital, Ladislao Obrzut Neto, alguns pacientes de diversas regiões do estado já foram indicados pela Central de Regulação de Leitos do Paraná para serem internados em Irati. Antes disso, a Santa Casa já estava preparando quatro leitos de enfermaria para receber oito gestantes positivadas e que entraram em trabalho de parto prematuro ou normal.

“Com isso, montamos quatro leitos para receber estas gestantes, com bercinho aquecido, incubadora e bomba infusora, ou seja, todas as condições de atender o recém-nascido junto com a mãe positivada. Em seguida, entrei em contato com a SESA perguntando se eles autorizariam isto para podermos funcionar e se haveria pagamento. Independente se houvesse ou não, nós manteríamos estes leitos porque não podemos deixar as gestantes da nossa região desassistidas”, frisou. Na última semana, o provedor havia afirmado, em entrevista à Najuá, que a reativação dos leitos dependia da SESA. 

Em conversa com o diretor de Gestão em Saúde da SESA, Vinícius Filipak, Ladislao recebeu a garantia de que os 12 leitos da Santa Casa estariam de volta no mapa da Central de Regulação de Leitos. Com isso, a equipe foi remontada e as enfermarias readequadas para receber os pacientes. “Os pacientes que vão ser recebidos lá serão aqueles que estejam com um quadro [de Covid-19] de moderado a grave e que tenham a necessidade de um amparo maior na questão clínica, respiratória e pulmonar, para ver se está evoluindo bem para poder sobreviver e ter uma vida melhor”, comentou.

A equipe de atendimento do setor de Covid-19 envolve médicos, técnicos de enfermagem e enfermeiros que recebem treinamento específico para proteção individual e cuidar dos pacientes. “São médicos, técnicos de enfermagem e enfermeiros, no sentido de fazer com que haja um trabalho bem decente e que tenha um cuidado maior com a própria equipe”, pontuou Ladislao.

No momento, a Santa Casa está com 12 colaboradores afastados por conta da Covid-19, incluindo um médico e toda a equipe de fisioterapia do hospital. “A equipe está um pouco prejudicada, mas nós vamos trabalhar, vamos em frente e fazer o possível para que as coisas estejam bem”, destacou o provedor.

De acordo com Ladislao, mesmo com esta baixa, o número de profissionais que atuam no setor de Covid-19 é considerável. “São três turnos, com dois a três funcionários cada, com médico, fisioterapeuta, psicologia, serviço social para dar informações, é um número relativamente grande para podermos funcionar”, pontuou.

O Estado repassa diárias de R$ 300 por leito habilitado para a Covid-19 para o hospital. Entretanto, segundo o provedor alguns pagamentos estão atrasados. “Nós estávamos com algumas coisas atrasadas, mas eu não tenho agora uma atualização disso. O Governo paga uma diária de R$ 300 por leito. Sabemos que é pouco, mas conseguimos nos virar um pouco e vai dar certo. Se houver necessidade de alguma coisa a mais para o paciente e que esteja acima disso, a Santa Casa sempre atendeu. Por isto, temos um prejuízo enorme, pois bancamos um pouco das situações do atendimento à saúde pública”, citou.

Em todo o estado, foram reativados 485 leitos de enfermaria Covid, passando de 515 para mil unidades, o que representa um aumento de 94%. Em entrevista à Agência Estadual de Notícias (AEN), o secretário de estado da Saúde, Beto Preto, afirmou que a Central de Regulação de Leitos do Paraná teve uma alta na taxa de ocupação. “Ao longo desses meses, com a redução da demanda e para atender outros casos, desativamos vários leitos, já que os internamentos haviam chegado a um número baixo. Mas nesses últimos 15 dias vimos os casos da Covid-19 dispararem e não queremos ninguém desassistido”, afirmou.

O diretor de Gestão em Saúde da SESA, Vinícius Filipak, alertou que a secretaria fará as mudanças que forem necessárias para atender a população. “Aproximadamente mil leitos estarão disponíveis para atender a demanda. No momento, não haverá abertura de leitos UTI, mas estamos monitorando tanto a situação no avanço dos casos de Covid-19 como a epidemia de gripe. Conforme a necessidade, faremos as mudanças necessárias para atender a população”.


Medicamentos - Os medicamentos para atendimento dos pacientes com Covid-19 já estão disponíveis, segundo Ladislao.“A medicação para atendimento de Covid-19, como o antibiótico que precisar, o corticoide, o bronco-dilatador que houver necessidade, nós temos tudo isto, não temos problema nenhum. Mas tem aquela velha história: a procura vai fazer o preço aumentar”, comentou.

No início da pandemia, a Associação Médica e o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizaram o uso de medicação fora dos padrões que Ladislao classificou como "normais", como a cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e uma série de outros produtos. “Nós fizemos uso disto. Agora, com as vacinas, estamos tendo um cuidado maior. Se [o paciente] é positivo, vamos tratar sua questão sintomática porque a imunidade dele já está garantida. Pessoa que não tomou a vacina e está com sintomas graves, aí podemos pensar em usar a ivermectina, cuja efetividade foi apontada por revistas mundiais, corticoides, anti-inflamatórios, antibióticos para tentarmos ver e fazer com que ela tome a vacina, para tentar se salvar. Os pacientes graves que estão sem proteção nenhuma terão quadro de infecção pulmonar, precisarão ser intubados e fazer tudo aquilo que fazíamos no começo, em março, abril, maio e junho do ano passado. É preciso ter atenção para que as coisas aconteçam dentro da racionalidade técnica e não da política que está sendo colocada”, pontuou. Vale lembrar que estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) dizem que medicamentos como a hidroxicloroquina, cloroquina e ivermetcina não são eficazes no tratamento contra a Covid-19. 

Testes - Nesta semana, a Santa Casa deve receber cerca de 250 testes RT-PCR para a detecção da Covid-19. Entretanto, por conta da falta do produto no mercado, cada teste, que antes custava R$ 50, agora tem preços variando de R$ 70 a R$120. “A procura faz crescer o valor, e nós não temos reajuste, recebemos a mesma coisa que recebíamos com ou sem Covid-19 há mais de 10 anos, sem reajuste nenhum”, comentou Ladislao.

Hidroxicloroquina - Na manhã de hoje, 24, o Ministério da Saúde divulgou uma nota classificando a Hidroxicloroquina como eficaz no combate à Covid-19 e afirmando que as vacinas não estão atingindo o resultado satisfatório. Ladislao acredita que esta seja uma nota com características mais políticas do que técnicas.
“Não dá para entrarmos na questão da politização da coisa. Eu acho que esta questão é mais política do que técnica, cada um defendendo um lado. Nós fazíamos de um jeito no começo da pandemia porque não tínhamos outro recurso. Vírus se combate com vacina, isso há mais de 100 anos, desde que descobriram as vacinas contra a tuberculose e febre amarela, por isso defendemos a vacina. Enquanto não tínhamos isto, utilizávamos todas as armas possíveis para se combater uma pandemia”, frisou.

Cuidados - O médico pede que a população continue colaborando no combate ao Coronavírus. “Para a população poder ajudar, é não se aglomerar, distanciamento social, uso da máscara e do álcool em gel. Aqueles que tiverem sintomas, como dor de garganta, espirro, coriza e dor no corpo, fique distante e vai fazer o teste para ver se está positivado ou não. É importante fazer este “autoexame” e cada um, tendo sintomas, já comece a se isolar e não participar muito das coisas. Se Deus quiser, vamos passar por esta cepa também, que vai ser bem infectante, vai pegar muita gente, e com isso quem sabe vai criar a imunidade geral”, finalizou.