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Irati chega a 693 casos ativos de coronavírus

Todos os moradores infectados estão em isolamento domiciliar. Em entrevista à Najuá, o Coordenador do COEF, Agostinho Basso, analisou crescimento de casos de Covid-19 no início do ano/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Juarez Oliveira

Dados da plataforma Ecovid-19 mostram o número de casos de coronavírus em Irati. Foto: Divulgação

O número de casos de Covid-19 no município de Irati teve um crescimento expressivo no início deste ano. Nesta quarta-feira, 12, a cidade registra 693 casos ativos. Somente hoje, 132 pessoas receberam diagnóstico positivo da doença.

De acordo com o coordenador do Centro de Operações Especiais e Fiscalização (COEF) da Prefeitura de Irati, Agostinho Basso, o aumento de casos é reflexo de alguns fatores. “Coincidiu vários fatores. O primeiro deles é a questão das festas de final de ano que todo mundo foi para o comércio, foi para as ruas, teve o natal, aquela preparação e fez com que as pessoas saíssem”, disse Agostinho, que foi entrevistado no programa “Meio Dia em Notícias” de segunda-feira, 10.

Outro fator foi que as pessoas se sentiram mais seguras com o avanço da vacinação e acabaram não tomando todos os cuidados necessários. “Com o aumento do número de vacinados, hoje estamos com 80% da população de Irati com a primeira dose, já estamos com 71% com a segunda dose, ou seja, isso fez com que trouxesse uma sensação de segurança”, explicou.

A nova variante também é outro motivo que explica o aumento de casos. “Também o fato de que essa variante que veio, a Ômicron, essa variante é bastante infectante, ou seja, ela tem um poder de transmissibilidade muito grande. Mas por outro lado, em função das vacinas, ela enfraqueceu o poder de patogenicidade, ou seja, as pessoas não estão ficando doentes, nem doentes graves, nem indo à óbito”, afirma Agostinho.


Em Irati, mesmo com quase 700 casos ativos, o município não possui nenhuma pessoa internada em enfermaria ou em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo o coordenador do COEF, esse é um reflexo da vacinação que protege as pessoas para que os casos não piorem. “Nenhuma outra pandemia teve esta agressividade no número de casos, mas mais uma vez eu digo, pegou a maioria do povo vacinado e isso está fazendo a diferença”, disse.

Não há confirmação de que a variante Ômicron esteja em Irati, mas o coordenador do COEF destacou que a variante já está no estado. O Laboratório Central do Estado (Lacen/PR) está realizando um estudo genético do vírus, com base em amostras feitas de todo o Paraná, e já constatou que havia casos da variante no estado.

O coordenador explicou que a variante Ômicron é uma mutação do coronavírus e por isso, pode infectar pessoas que já possuem a vacinação. “Foi uma mutação genética desse vírus e esse vírus quando muda ele acaba pegando novamente as pessoas, indiferente se tomou vacina ou não”, explica.

Agostinho ainda destaca que a vacinação não irá evitar que a pessoa seja contaminada, mas ajudará com que o organismo fique mais forte para enfrentar o vírus que sofreu uma mutação. “Que bom que eu tomei a vacina porque agora o corona quando chega no meu organismo, o meu sistema imunológico já reconhece aquela cepa, mesmo que não seja exatamente igual, mas ele tem já memória daquele vírus, ele age com mais rapidez e isso vai fazer com que eu não fique doente, nem doente grave, nem precise de UTI e nem vá à óbito”.

O coordenador do COEF cita o exemplo do início da pandemia. Na época, o município possuía um número próximo de casos ativos como há atualmente. No entanto, sem a imunização da população, mais pessoas eram internadas, indo para UTI e morrendo. “O ano passado, se nós tivéssemos aquele início do corona, 400 casos como temos agora, quase 500, nós estávamos sem vaga. Tanto na enfermaria, quanto na UTI. O que não está acontecendo agora porque essa nova variante chega nas pessoas já imunizadas e ela já rebate de imediato, o sistema imunológico já reconhece e começa a tentar destruir o vírus”, conta.

Agostinho ainda destaca que o combate à doença não é feito de forma individual e sim de forma coletiva. Ele destacou a situação com a variante Ômicron, que surgiu porque não houve uma imunização equalitária em todo o mundo. “Uma pandemia é global, é mundial. Não adianta os países ricos, por exemplo, da União Europeia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, não adianta eles vacinarem toda a sua população, se os países pobres não vacinarem a sua população também. Foi o que aconteceu com esta variante, principalmente a Ômicron que teve origem na África”, disse.

Coordenador do COEF de Irati, Agostinho Basso analisou a situação epidemiológica do município com aumento de casos de Covid-19 no início de 2022. Foto: Juarez Oliveira

 Para o coordenador do COEF, a vacinação é segura e outras doenças erradicadas demonstram a eficácia da vacinação em massa. “As pessoas têm que se convencer que a vacinação é de extrema importância, sempre foi. Eu desafio alguém que com menos de 35 anos conheça alguém com paralisia infantil. Amigo, conhecido de escola e tudo mais. Porque a paralisia infantil foi erradicada. Agora estava voltando por causa da questão de imigração. Eu desafio as pessoas mais novas a saber o que era uma difteria, conhecida como tosse comprida, que não existe mais. Ou seja, a vacina funciona, sempre funcionou, sempre deu certo. Então, qual é o motivo hoje das pessoas desconfiarem e não tomar a segunda dose?”, indaga.

Agostinho ainda destacou que a reação à vacina é esperada e pode ser diferente em cada pessoa, mas que as reações já são previstas e estão dentro de uma margem de segurança. “É um microorganismo que é injetado no corpo da pessoa e isso faz com que o sistema imunológico já cria uma defesa e cada sistema imunológico é individual, não é igual para todo mundo. Eu, por exemplo, tomei as três doses e não tive reação nenhuma, a não ser uma dorzinha pequena no braço. Já minha esposa precisou ficar quase dois dias [em casa] muito ruim porque teve vários tipos de outros sintomas com a mesma vacina”, disse.

Para o coordenador do COEF, é preciso que se analise o custo-benefício da vacinação que pode ter reações, mas acima de tudo, protege de uma doença mais grave. “Enquanto tivermos vacinados, nós podemos até pegar as variantes, mas não pereceremos”, conta Agostinho.

Ele também chama a atenção que a decisão de não tomar vacina afeta o coletivo. “Eu tenho um efeito social sobre essa minha decisão porque se eu não tomar porque não quero, mas se vier pegar o corona, veja que vou transmitir ele por sete dias até aparecer o sintoma, mais alguns dias até aparecer os sintomas. Quantas pessoas eu vou contaminar por uma decisão minha que na minha cabeça é particular ou pessoal, mas na verdade, não é?”, disse.

Há ainda um fator econômico que já está sendo sentido por algumas empresas. Com funcionários adoecendo e tendo que ser isolados, comércios e empresas acabam ficando sem funcionários para fazer o atendimento. “Quando nós pensamos a nível de sociedade, quanto que custa para a economia do país, de uma empresa, por exemplo, se de 100 funcionários, 20 resolverem não tomar, vão pegar aquele corona, vão ficar internados, vão ficar afastados ou vão passar para os outros. Uma pessoa só pode contaminar uma empresa inteira. Quanto que isso repercute economicamente na produção?”, indaga.

Além disso, o coordenador do COEF destacou o fato da vacinação contribuir para a imunização de rebanho. “Já que estamos vacinados, portanto, protegidos até que se prove o contrário, as pessoas irão pegar, irão produzir além da imunidade passiva - que é da vacina porque vem a imunidade já pronta do laboratório -, quando você pega a doença você constrói a imunidade ativa do teu próprio organismo, além daqueles anticorpos que produziam pela vacina, ele também produz ativamente. Ou seja, se for leve, com pouquíssimos sintomas, não nos preocupa porque quanto mais pessoas pegarem essa de forma leve, elas vão chegar num momento que teremos uma imunidade total da população, que chamamos de imunidade de rebanho, que é mal interpretada, mas é exatamente isso: somada a vacina, mais as pessoas que tiveram e mais aqueles que pegarão, chega um ponto que fecha o ciclo e o vírus não transmite mais”, conta.

Em Irati, 49.210 pessoas já tomaram a primeira dose e 44.429 receberam duas doses. A dose de reforço foi aplicada em 11.652 moradores. Os dados foram registrados até às 16 h desta quarta-feira. Quem possui doses atrasadas pode comparecer em qualquer posto de saúde com sala de vacinação para atualizar a carteirinha de vacinação.

Desde o início de janeiro, a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) desativou leitos de enfermaria e UTI dedicados à Covid-19 em hospitais do estado, incluindo a Santa Casa de Irati. Para Agostinho, a decisão foi acertada já que havia custos com os leitos que não estavam ocupados. Mas ele destacou que o setor de saúde está pronto para agir caso os casos se agravem. “Tanto a Secretaria de Estado de Saúde está pronta para agir a qualquer momento, ou seja, hoje já podemos dizer que o sistema de saúde foi é pego de surpresa porque a última pandemia foi em 1919. Cem anos depois tivemos que reaprender, o sistema de saúde deu conta, graças a Deus, o SUS mostrou para que veio e para que serve. O Estado foi correto nesta decisão de fechar alguns leitos de UTI e enfermaria, porque estava onerando o sistema com os leitos apenas disponibilizados”, disse.

O coordenador destacou que mesmo com o aumento de casos, não há previsão de publicação de novos decretos para o município, já que não casos de internamentos. “Como agora está sob controle esses três quesitos, internamento, UTI e óbito, não há porque fazer qualquer tipo de decreto nesse sentido”, finalizou.