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Ex-delegado de Irati não acredita em vinda de IML para o município

Eduardo Mady Barbosa acredita que falta representatividade política para que Irati possa receber uma unidade do IML/Paulo Henrique Sava, com reportagem de Ademar Bettes e Tadeu Stefaniak

Ex-delegado de Irati e Rebouças, Eduardo Mady Barbosa, não acredita na vinda do IML para a região. Foto: Tadeu Stefaniak

Em entrevista à Najuá, o ex-delegado de Irati e Rebouças, Eduardo Mady Barbosa, afirmou que não acredita na possibilidade de instalação de uma unidade do Instituto Médico-Legal [IML] na região. Ele destacou que falta representatividade política do município na esfera estadual para que isto aconteça. Além disso, o IML necessita de, pelo menos, 14 ou 15 profissionais contratados para iniciar os trabalhos.

“Não vem IML para Irati, esqueça. Quando os políticos falam do IML, a população imagina que seja só a estrutura física, seja em uma área da Santa Casa ou outro local. O IML demanda de pelo menos três médicos de plantão, três motoristas, três auxiliares de necropsia, mais uma secretária e pessoal de limpeza. São 14 ou 15 pessoas para andar bem, e ainda Irati não tem responsabilidade política. Não vem. Não é só estrutura física: tem que ter organização e pessoal. Eu sei que é uma demanda que a população quer, e para nós seria muito bom, mas não virá”, frisou.

Eduardo destacou que, na mesma época que a 2ª Companhia da Polícia Militar foi elevada à condição de 8ª Companhia Independente, imediatamente a 41ª Delegacia de Polícia Civil deveria ter sido transformada em subdivisão policial. Na opinião dele, este processo possibilitaria a vinda do IML. “A delegacia teria que ser transformada em subdivisão, aí daria mais endosso para termos um IML, e não somente isto, mas também um Instituto de Criminalística”, comentou.

Atualmente, a Delegacia de Irati está subordinada à 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, a maior do Paraná em termos de extensão territorial, abrangendo desde a região do Norte Pioneiro até Rio Azul.

Projeto - No ano passado, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) doou um projeto que envolvia uma área de 2 mil metros quadrados em um terreno doado pela Unicentro, às margens da rodovia BR 153. Porém, uma equipe da Secretaria Estadual da Segurança Pública (SESP) modificou o projeto e reduziu a área para 800m². Na época, o deputado estadual Ricardo Arruda afirmou à Najuá que o projeto sofreu diminuição porque algumas áreas não eram necessárias para a realidade iratiense. “Já tínhamos um projeto para fazer a obra, porém o custo dele estava muito alto e o tamanho também. Iria ser um IML de 2 mil metros quadrados que não havia necessidade. Foi feito um novo projeto com a empresa do Piauí que ganhou para fazer a obra. Vai ser um projeto um pouco menor, mas vai ficar bem de acordo com a necessidade aqui do município e da região”, conta o deputado.

Com a alteração no projeto, o valor da construção, antes orçado em R$ 7 milhões, será reduzido para R$ 4 milhões, sendo possível uma economia de R$ 3 milhões.


Outros assuntos – Eduardo também falou sobre a limitação dos trabalhos da Polícia Civil, dizendo que são criadas muitas leis, mas não são oferecidos meios para que elas sejam colocadas em prática. "Vou explicar para a população: hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente fala que o adolescente pode ficar internado por até três anos. Um dia, uma pessoa, em uma rádio, perguntou se eu achava que três anos era pouco e quantos anos [de internamento] deveria ser. Eu disse que tinha que ser 30, pois se em três anos não tem vaga, se multiplicar para seis, vai ter metade das vagas. Então, muitas das leis simplesmente foram feitas e não foram postas totalmente em prática, este é o grande problema. Eu posso até criticar o Estatuto a hora que houver condições de internar todos os adolescentes infratores. Você tem que pôr em prática, para ver se a lei é ruim ou não”, comentou.

Outro problema apontado por Eduardo é a situação da permanência de presos nas carceragens das delegacias, administradas atualmente pelo Departamento Penitenciário do Paraná [DEPEN]. “Isto não é um cadeião, mas sim uma gambiarra que foi feita pelo governador atual. Tinha que ter cadeia pública, com estrutura, pessoal contratado, entre outros fatores. Eles pegaram a estrutura da delegacia e passaram para o DEPEN. Este é o grande problema, porque não pode ter presos na Delegacia de Polícia: eles têm que ir para o DEPEN, o cara vai cumprir a pena dele e vai para uma cadeia provisória”, pontuou.

Um exemplo de cadeia citado pelo ex-delegado foi o caso da Penitenciária Industrial de Guarapuava [PIG], que oferecia trabalho aos presos e tinha um índice de ressocialização de quase 80%. “Muita gente fala que preso é vagabundo e tem que se ferrar, mas ele não consegue trabalhar. Eu acho que 90% dos caras que estão lá querem trabalhar. Temos que colocar em prática e dar condições para ele se ressocializar. Ele errou e vai pagar, mas se não damos condições, como é que fica? ”, questionou.

Eduardo defendeu a unificação dos trabalhos das polícias civil e militar. “Tem muitos policiais militares que têm o tino para a investigação e alguns policiais civis que teriam capacidade para o policiamento preventivo. Na acepção da lei, a Polícia Militar atua antes de o crime acontecer e a Policia Civil, depois. Ela vai apurar e a Polícia Militar faz a prevenção. Eu sou a favor da unificação”, opinou.

Depois de trabalhar em Irati, antes de sua aposentadoria, ele estava trabalhando em Rebouças. Na região, ele atuou por mais de 10 anos, tendo respondido também pelas cidades de Rio Azul, Inácio Martins, Palmeira, Porto Amazonas, Fernandes Pinheiro, Teixeira Soares, Imbituva, Guamiranga e Ivaí.