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Programa Irati de Mãos Dadas ajudará famílias que perderam entes para a Covid-19

Inspirado em uma iniciativa feita no município de Colombo, o programa oferecerá auxílio psicológico, jurídico e social às famílias atingidas pela doença/Karin Franco, com reportagem de Paulo Henrique Sava e Juarez Oliveira
Gerontóloga e diretora de proteção social básica da Secretaria de Assistência Social, Fernanda Rocha, explica que o programa quer ajudar especialmente famílias carentes. Foto: Reprodução Facebook

O programa Irati de Mãos Dadas oferece suporte às famílias que perderam seus entes queridos para a Covid-19. O objetivo é levar auxílio psicológico, jurídico e social a quem foi atingido pela doença.

De acordo com a gerontóloga e diretora de proteção social básica da Secretaria de Assistência Social, Fernanda Rocha, o programa quer ajudar especialmente famílias carentes. “A nossa ideia principal com esse projeto é fazer o acolhimento dessas famílias, principalmente aquelas em situação de vulnerabilidade e através dos serviços da rede, os serviços do município”, explicou.

Inspirado em uma iniciativa feita em Colombo, o programa será realizado em parceria com a Secretaria de Assistência Social, Secretaria da Saúde, Unicentro, Rede Feminina de Combate ao Câncer e a Ordem dos Advogados do Brasil Subseção Irati (OAB-Irati).

As famílias que participarão do programa já foram identificadas pela prefeitura e deverão ser ouvidas para entender a demanda que possuem. “Através de um levantamento da Secretaria Municipal de saúde, nós identificamos as famílias que tiveram perdas. Num primeiro momento nós faremos visitas a todas essas famílias, principalmente pensando em levantar essas demandas e essas questões”, disse.

A partir dessa primeira conversa, os encaminhamentos serão feitos. Famílias de baixa renda e em situação de vulnerabilidade econômica podem receber atendimentos jurídicos pela OAB-Irati. “Para fornecer, principalmente, informações em relação à pensão, Fundo de Garantia que fica retido, para a família conseguir ter acesso a esses valores”, explica.

Famílias em vulnerabilidade econômica também receberão atendimento pela Assistência Social. Já o atendimento psicológico será feito para todas as famílias atingidas, independente da renda econômica. A Secretaria de Saúde e a Unicentro serão responsáveis pelo atendimento.

As visitas às famílias que integrarão o programa serão realizadas pelas voluntárias da Rede Feminina e pelos estagiários da Unicentro. Uma formação irá prepará-los para realizar a visita que avaliará a situação econômica e psicológica daquela família após a perda de seu familiar.

A expectativa é que as visitas iniciem em janeiro. “As visitas serão realizadas em todos os domicílios das famílias que tiveram a perda, mas os outros atendimentos serão por demanda”, explica.

Os atendimentos às famílias serão por meio virtual. “As famílias que não tiverem a tecnologia o celular, o computador, nem mesmo a internet para esse encontro, aí marcamos de forma presencial”, conta.

O programa é feito a partir de recursos municipais, mas a há a possibilidade de apoio da iniciativa privada. “Nós contamos com o apoio da população, das empresas porque vamos ter também, além do atendimento em si com os profissionais da assistência social e da saúde, mas a gente tem voluntários envolvidos, temos os estudantes da Unicentro, deslocamento, muitas vezes a concessão do benefício eventual da cesta básica. Se quiserem nos apoiar, já fica esse espaço aberto para o convite”, disse.

Fernanda destaca que o programa ainda poderá sofrer adaptações de acordo com a realidade do município. “A gente vai repensando também o projeto depois de ouvir as famílias porque nenhum projeto pode ser cristalizado porque ele é feito para as pessoas que serão atendidos. À medida que formos fazendo os atendimentos, nós vamos pensar na melhor forma de atendê-los”, destaca.

De acordo com a diretora de proteção social, o programa quer ajudar a reduzir os impactos da perda nessas famílias, mas principalmente ajudar as famílias neste momento difícil. “A perda por si só é devastadora, é única, intransferível. Só quem perde sabe cada um, sabe à sua maneira. Nós vamos sentir os impactos da pandemia ao longo dos anos, isso de forma econômica. Muitos dos que faleceram eram os provedores financeiros dos seus domicílios. Isso tanto no nível nacional, quanto para o micro também, para o municipal. Mas também as intercorrências psicológicas como os transtornos, ansiedade, depressão, síndrome do pânico. Já é difícil a famílias estar se organizando depois da perda e ainda mais tendo esses sentimentos de ansiedade, de medo”, conta.


Fernanda conta que chegou a trabalhar em um dos CRAS do município ainda no começo da pandemia e presenciou os impactos que as perdas trouxeram no dia a dia, principalmente para quem tinha baixa renda. “Essas famílias as perdas econômicas foram enormes. A gente atende também as famílias que tiveram a perda da Covid, principalmente pensando no próprio auxilio funeral porque muitas foram pegas de surpresa. O serviço funerário não é barato, principalmente para uma família que não tem salário fixo, então fazíamos muitos atendimentos nesta perspectiva”, relata.

Segundo ela, essas famílias ainda enfrentam um esgotamento emocional. “A gente consegue visualizar no rosto das famílias o cansaço como visualizamos nos nossos próprios, dos nossos familiares. Esse cansaço, essa ansiedade com o futuro, a gente visualiza isso nas famílias também. Tivemos um número considerável no aumento de atendimentos de famílias em situação de vulnerabilidade”, afirma.

A Secretaria de Saúde e Assistência Social já possui um levantamento das famílias que podem ser atingidas no programa, mas é possível que pessoas que se enquadrem nos critérios também possam pedir para serem incluídas no programa. Para isso, é preciso entrar em contato com o telefone da Secretaria de Assistência Social, no número (42) 3907-3102. Também é possível entrar em contato pelas redes sociais como a página da prefeitura no Facebook.