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Lúcio Robaskievicz é um dos artistas retratados no livro “O interior de todo artista”

No livro, artista contou sobre o processo de produção do filme “Zé, a vida como ela é”/Karin Franco, com reportagem de Juarez Oliveira

Fotógrafo Lúcio Robaskievicz é um dos artistas integrantes do livro "O interior de todo artista", escrito por Mário Lopes. Foto: Reprodução Facebook

A história do fotógrafo Lúcio Robaskievicz é mais uma das registradas no livro “O interior de todo artista”, escrito por Mario Lopes. A obra fala sobre a trajetória dos artistas e revela os desafios de produzir arte no interior do Paraná.

E no caso de Lúcio Robaskievicz, o desafio foi enorme: produzir um longa metragem a baixo custo. Foi isso que aconteceu com o filme “Zé, a vida como ela é”, produzido pelo fotógrafo e realizado com uma equipe de profissionais e artistas iratienses.

O filme estreou nos cinemas locais e foi exibido também em Curitiba. O sucesso foi grande e gerou uma continuação do longa que ainda está sendo produzido.

A realização do longa-metragem foi um dos motivos que chamou a atenção do autor Mario Lopes para trazer a história para o livro. No entanto, Lúcio conta que ficou surpreso com o convite. “No momento, eu confesso que fiquei meio com o pé atrás, porque pensei: ‘Eu? Uma simples pessoa? Sem conhecimento algum?’”, disse.

A desconfiança passou depois que Mario explicou como funcionaria as entrevistas. “Mas conversando, ele explicou bem como seria. Aí eu disse: ‘Se eu puder ajudar em alguma coisa, vamos lá’”, conta.

O receio inicial tem uma explicação: é que o longa-metragem era apenas uma brincadeira de amigos. Segundo Lúcio, nunca houve a pretensão de fazer algo comercial. “Até pouco tempo atrás, tínhamos apenas a ideia. A ideia de elaborar o filme era para a gente se reunir entre nós, colocar na TV e assistir entre nós. Era para ser apenas uma brincadeira entre amigos, um passatempo. E esse filme acabou tendo uma repercussão bem maior que imaginávamos e até hoje. Parece que ainda não caiu a ficha que uma brincadeira se tornar uma coisa séria”, explica.

Durante as entrevistas para o livro, Lúcio contou sobre como foi fazer o filme. Ele conta que uma das coisas que mais surpreendeu o autor foi o baixo custo do projeto. “Eu falei que não tínhamos gasto porque foi o mínimo, apenas alimentação e combustível. Ele ficou pasmo. Disse que não pode. Que ele conhece pessoas que tentaram fazer um filme com R$ 50 mil e não conseguiram fazer”, conta.

Para ele, isso só foi possível porque as pessoas que participaram apoiaram o projeto. “Tivemos uma união muito bonita. Foi uma união muito grande. E ali nós conseguimos. Cada um ajudou da melhor forma possível e nós conseguimos finalizar esse filme”, destaca.

Foram os participantes do filme que também ajudaram a construir o longa-metragem. Isso porque os atores tiveram que improvisar algumas falas. Lúcio conta que chegou a fazer um roteiro, mas como algumas falas estavam muito artificiais, ele decidiu partir para a improvisação. “É difícil imaginar sem estar com a caneta na mão, sem estar pondo direto no papel. A princípio tive a ideia da história em si e comecei. Fiz o roteiro, começamos as gravações, mas percebi que estava saindo muito artificial. Estava saindo exatamente o que estava no papel. E não estava ficando legal. O que eu fiz? Tirei o papel de cena e só passava a ideia para os artistas, para os atores”, explica.

A gravação durou pouco mais de um ano e era feita sempre aos fins de semana e feriados, já que os atores trabalhavam durante a semana.


A experiência de Lúcio com a fotografia e filmagem de eventos ajudou com que ele conseguisse fazer o projeto, mas ele destaca que fazer cinema trouxe desafios novos. “O termo cinema foge totalmente do evento. Tem quase nada a ver com a outra. Para mim foi uma novidade. Tudo que iria fazer eu pesquisei muito na internet, como prosseguir, como fazer”, disse.

Após o lançamento do filme, a repercussão do filme foi tão positiva que ele chegou a ser inscrito no Festival de Gramado, mas não pode ser qualificado porque o filme não atende as exigências técnicas de um filme profissional. “Por ser um filme totalmente amador, feito com equipamentos quase amador, acabou não atingindo as especificações. Mas já estamos pensando para o segundo filme elaborar ele de uma forma profissional para que possamos participar desse festival”, disse.

O segundo filme ainda está em produção e começou a ser gravado em 2020, na localidade de Pinho de Baixo. Contudo, as gravações foram interrompidas por causa da pandemia. Agora, as cenas terão que ser regravadas por causa do equipamento que será utilizado e porque as crianças que participaram das gravações cresceram.

O objetivo é refazer para que o filme tenha as condições técnicas para participar de festivais. “Já estamos com a ideia em mente, parte do roteiro já está praticamente pronto. Dessa vez vamos executar ele de uma forma mais profissional para a gente conseguir concorrer aos festivais de cinemas e tal. Até de repente uma Netflix, de repente vai que aconteça isso. Estamos ainda acertando algum detalhe. Com certeza, em janeiro, no máximo fevereiro já estaremos dando início às gravações do segundo filme”, explica.

Para Lúcio, o livro “O interior de todo artista” trouxe um meio para revelar talentos escondidos em Irati. Ele destacou a importância de valorizar a cultura local. “O artista quando faz alguma coisa faz com a alma. Ele dá tudo de si, ele coloca naquela obra, em cima daquilo. Então, é importante de valorizar os artistas aqui da cidade. Não só da cidade, mas de outras cidades. Porque como falei, tem muita gente boa que está oculta”, disse.

O primeiro filme “Zé, a vida como ela é” está disponível em DVD. O telefone para adquirir uma cópia é (42) 9-9908-1163. A equipe também realiza exibições públicas com projetores e a porcentagem do que foi arrecadado com a exibição é repassado para a comunidade.