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Designer Silton Dietrich é um dos artistas que integra o livro “O interior de todo artista”

Livro conta sobre trajetória de artistas e revela os desafios de produzir arte no interior do Paraná/Karin Franco, com reportagem de Paulo Henrique Sava
Designer Silton Dietrich foi um dos personagens do livro "O interior de todo artista", escrito por Mário Lopes. Foto: Paulo Henrique Sava

O designer Silton Dietrich foi um dos artistas que participou do livro “O interior de todo artista”, escrito por Mario Lopes. O livro conta sobre a trajetória dos artistas e revela os desafios de produzir arte no interior do Paraná.

Em entrevista à Rádio Najuá, o designer conta que ficou surpreso com o convite de participar do livro. “Eu fiquei surpreso por ter sido convidado porque não estava por dentro que isso estava prestes a acontecer. Mas eu por várias vezes participei de algumas situações e outros tipos de eventos, quando me falaram eu já de bate-pronto concordei e achei excelente a ideia”, disse.

Assim como outros artistas, Silton também foi entrevistado pelo escritor por várias vezes. “Nessas entrevistas ele gravava com o celular, anotava num notebook. Você vê que ele é um cara muito prático, ele é roteirista também. Então, eu falava o que via na cabeça, em algumas poucas perguntas que ele fazia sobre alguns esclarecimentos e depois por WhatsApp ele fez algumas coisas que faltou”, conta.

Para ele, Mário conseguiu compreender os artistas e levou para o livro as histórias de uma forma atrativa. “Ele ter a ideia de fazer um livro que entrelaça as vidas, mesmo que você não conheça o outro artista pessoalmente, não tem o convívio, apesar que alguns a gente tem até uma certa intimidade. Ficou muito interessante, a capacidade muito grande de fazer um livro que também ficou interessante para ler”, disse.

Um dos exemplos é com a pintora Claudete Basen. “Quando eu iniciei trabalhando, já tinha conquistado um espaço profissional, a Claudete era menina ainda. Eu fui na casa dela, bati no portão para conhecê-la e indicar um trabalho de arte para ela e, mais tarde, ela passou a ser professora dos meus filhos, que adoravam ela. Então, você veja que dentro não tem só a convivência artística, tem a convivência social, a parte da cidade que você encontra essas pessoas, fica sabendo de algumas coisas”, relata.

Nas entrevistas, Silton teve a oportunidade de contar um pouco sobre a sua trajetória. Sem uma formação em publicidade, o designer acabou conseguindo vencer as dificuldades e ter experiências profissionais com os principais nomes do estado na sua época, em uma área muito concorrida.

Uma das experiências compartilhadas foi seu início na Gazeta do Povo. A chegada foi difícil e com poucos recursos. “Eu saí daqui, chegando em Curitiba. Eu saí daqui com um dinheiro no bolso que dava para pagar uma pensão, fazer uma matrícula no colégio e aventurar a vida. Por curiosidade, porque não era como é hoje”, conta.

Em uma época que não tinha a internet, Silton foi até a Capital para saciar a curiosidade sobre a cidade grande. Lá, foi com a cara e a coragem pedir uma chance para o jornal. “A minha curiosidade fez com que eu chegasse até Curitiba, como capital para saber como funcionava a arte, além do que eu conhecia como praticante. Acabei entrando dentro da Gazeta do Povo, furando a portaria. Insisti. Passei uma tarde inteira lá na rua e não me deixavam entrar”, disse.

Mas isso não o fez desistir. Silton conta que acreditou em sua intuição e ficou até ter mais uma chance. “Apenas fiquei do outro lado da rua. E disse: ‘Uma hora vou entrar aqui’. A hora que vagou a porta lá, que o porteiro que não me deixava entrar deu um tempo, eu atravessei, entrei e furei”, contou.


Já dentro do prédio ele teve sua chance de pedir para conhecer mais. “Caminhei pelos corredores como caminhei agora na Rádio Najuá. Cheguei numa sala, fiz uma pergunta, dizendo que eu era do interior, que tinha uma certa curiosidade, que tinha que descobrir algumas coisas sobre a arte, sobre desenho e que se alguém podia me informar porque eu sabia que ali dentro desse jornal as pessoas falavam essa linguagem. Ela perguntou por que eu procurei lá. Eu falei: ‘Pelo motivo do qual ser um jornal e estar no meio da comunicação’. E eu por meio da minha curiosidade, expliquei que era do interior, que era caipira e estava atrás do esclarecimento, de um emprego, que eu vim para estudar e precisava sobreviver”, relata.

O pedido surtiu efeito. “Por coincidência, caí numa pessoa maravilhosa, uma pessoa que era uma gaúcha, que era diretora de redação da Gazeta do Povo, com um quadro de funcionários imenso. Eu furar, passar pelos corredores e cair exatamente na sala de uma pessoa que tinha essa sensibilidade. Ela me pediu para que fizesse um desenho e me deu um tema. Na minha ingenuidade, anotei e levei para casa”, explica.

Dois dias depois ele levou o desenho. “Eu trouxe um desenho bem primário e voltei lá. Ela me autorizou a entrar. E eu acho que ali foi uma abertura para a experiência, porque ela pediu que escolhesse uma agência de publicidade. Eu não conhecia nenhuma. Ela me mostrou um anúncio. Dei de cara do anúncio, gostei do anuncio da época, que estava iniciando a Positivo ainda. Era o cursinho Positivo. Nessa escolha, ela pegou o telefone na minha frente, chamou um dos sócios diretores e falou. Estou mandando um amigo aí e quero que você faça um estágio com ele aí”, disse.

Depois disso, o designer começou a trabalhar na área de publicidade juntamente com pessoas que teriam o nome marcado na publicidade estadual. “Trabalhei entre as grandes celebridades da publicidade no Paraná, no sul do país. Porque tinham poucas agências e essa agência era premiadíssima. Eu não tinha nenhum conhecimento. Eu fui saber depois quem era as pessoas com que eu estava convivendo. Você, guri ainda, novo, sem nenhuma experiência, chegando do interior, você está no meio de pessoas que tem o nome muito grande, que são celebridades e você não tem noção disso, não sabia que existia”, conta.

Essa oportunidade fez com que ele pudesse aprender com quem conhecia o ramo. “Como estagiário ficava lá aprendendo, trabalhando, ajudando, desenvolvendo técnica. Sem nenhum conhecimento que o cara representava o clube de criança de Nova York no Brasil. Outro que estava no lado era um cartunista e chargista premiado. Um dos sócios era palestrante e professor, respeitado no país inteiro e no mundo, como publicitário, vários prêmios, que eu nem sabia que existia esses prêmios. Fiquei na minha ingenuidade aprendendo, convivendo com essas pessoas”, relata.

A experiência trouxe oportunidades de trabalho importantes em sua carreira. “Montei trabalhos, ajudei a montar, depois de certos meses, até trabalhos de Dalton Trevisan, com Poty Lazzarotto. Aniversário de Curitiba, por exemplo, saia algum cartaz sobre a cidade e esses publicitários e artistas desenvolviam, traçavam e vinham os textos, as artes, a ilustração, feita em conjunto desses artistas consagrados para que fosse feito uma publicidade, um convite, e também, às vezes, um cartaz que marcasse história sobre aquele ano. E eu ali ajudava a montar”, disse.

Na sua carreira, Silton montou mais de 20 layouts (molduras) para o cinema com cartazes para a primeira versão colorida do filme King Kong. “Quando ele foi lançado mundialmente, em alguns países que ele entrou, eles fizeram o cartaz próprio. E o concurso que saiu para quem fizesse essa ilustração sobre esse filme, caiu para ser apresentado em Curitiba, com uma exposição com os cartazes selecionados e eu tive que montar esses cartazes na época. Então, eu via aquelas ilustrações maravilhosas feita por artistas do Brasil consagrados. Inclusive, o segundo lugar era de um artista que trabalhava nessa agência”, conta.

Além da veia publicitária, o designer alimenta também a arte da escrita, por meio de poemas nas redes sociais. Silton conta que foi a publicidade que levou ele a gostar de escrever. A descoberta surgiu após ele sair da agência e fazer trabalhos próprios.

Em algumas oportunidades, Silton acabou enfrentando a necessidade de fazer o texto. Uma das experiências foi em Irati, com a empresa Fósforo. “Eu cheguei recentemente de Curitiba, depois de uns três, quatro anos, e fui oferecer o trabalho para a Fósforo. Só que a Fósforo estava fazendo 30 anos. E aí era fazer um cartaz para a Fósforo. Como já tinha a experiência de agência de propaganda, chegou a hora do texto não tinha quem escrevesse e eu tive que me desafiar. Então, a partir desse momento, fui obrigado a escrever. E fui descobrindo o prazer de escrever, de criar com a palavra. E meio que virou uma paixão”, disse.