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Mutirão de diagnóstico e prevenção ao câncer bucal acontece nesta terça-feira em Irati

Profissionais de saúde irão realizar exames, educação preventiva e encaminhamento para tratamento quando for necessário na rua da Cidadania das 8 às 17 h/Lenon Diego Gauron

Doutor Roberto Van der Laars falou como será o mutirão e como prevenir o câncer bucal durante entrevista a nossa reportagem. Foto: Lenon Diego Gauron

Um mutirão de diagnóstico e prevenção do câncer bucal acontece nesta terça-feira, 9, das 8 às 17 h, na Travessa Frei Jaime, no centro de Irati. O evento contará com a presença de médicos e dentistas. Na oportunidade, serão realizados questionários, avaliações, exames e encaminhamento para tratamento, quando for necessário. Também serão sanadas as dúvidas da população sobre o consumo de alimentos que podem ser prejudiciais à saúde bucal, além da educação preventiva contra o câncer em geral.  

A campanha será realizada pelo Serviço de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial do hospital Erasto Gaertner de Curitiba com apoio do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, do Centro de Projeto de e Ensino e Pesquisa e da Secretaria Municipal de Saúde de Irati. 

"A gente vai estar na Rua da Cidadania, com uma tenda, onde as pessoas que quiserem chegar vão passar por uma triagem, o pessoal vai estar preparado para acolher essas pessoas e tirar dúvidas. Teremos também dois consultórios, para fazer o exame da boca e observar se há a suspeita de ser um câncer. Se for encontrada alguma lesão suspeita, o paciente já vai sair de lá com um encaminhamento para começar o tratamento adequado”, explica o Doutor Roberto Van Der Laars, especialista em ortodontia e implantodontia, que trabalha também como dentista da família e coordenador de saúde bucal em Irati.


Ele diz que o objetivo da campanha é alertar sobre a necessidade da prevenção do câncer bucal e do diagnóstico precoce. “Os objetivos são de conscientizar as pessoas sobre a prevenção e a descoberta de lesões iniciais, pois quando está no estágio inicial, existe uma chance muito alta de cura. Quando essas lesões estão evoluídas, as chances vão diminuindo e, muitas vezes, não tem como curar o paciente. Então saber cedo, vai levar à cura”, alerta Roberto.

A estrutura, que será montada no centro de Irati, será composta por equipamentos odontológicos e profissionais de saúde, que vão tirar dúvidas, fazer exames e encaminhar para tratamento, quando for necessário. “No local a pessoa vai passar pela abordagem, vai receber um questionário com perguntas direcionadas para se descobrir alguma situação da saúde da pessoa que possa levar ela a ser um candidato em potencial a ter uma lesão que possa se desenvolver e, após isso, vão ser direcionadas a ir embora, caso não tenham nada, ou vão para o exame. Teremos dois boxes, com equipamentos odontológicos para que a pessoa tenha sua boca, lábio e pescoço examinados e, se necessário, ela vai sair já com um encaminhamento e medicamentos necessários”, explica o Doutor. 

Ele também afirma que o público alvo da campanha são as pessoas com mais de 30 anos, mas que qualquer pessoa que sentir a necessidade de diagnosticar uma possível lesão, pode comparecer no local. “De praxe, é a partir dos 30 anos como público alvo, mas nada impede que uma pessoa com idade inferior, que observe uma lesão ou anormalidade, de ir lá para ser orientada e atendido”, destaca.

De acordo com o Doutor Roberto, o projeto já existe há bastante tempo em Curitiba e que vem salvando vidas a cada campanha realizada. “Esse projeto teve início há 30 anos com o Dr. Laurindo Moacir Sassi, chefe do setor de cabeça e pescoço do Hospital Erasto Gaertner, referência nacional nessa área. Então quem nos procurar, vai estar sendo atendido por profissionais muito capacitados. A gente vai estar lá nesse dia para ajudar as pessoas e ninguém vai ganhar nada por isso, nem nós, nem o pessoal do hospital Erasto, assim como é feito há muitos anos e vem dando resultado. Nas últimas campanhas, passamos de 200 exames feitos, onde observamos em torno de vinte lesões suspeitas, das quais de seis a oito, são diagnosticados como câncer e já foram indicados para fazer o tratamento. Se a gente consegue encontrar uma lesão inicial, a gente salva uma vida. Então é importante as pessoas irem lá, tirar as dúvidas para não terem problemas seríssimos que poderiam ser evitados e resolvidos em um dia”, orienta. 

O que é o câncer bucal e como evitar: Roberto explica que o câncer bucal é uma mutação não transmissível das células do tecido do corpo humano, que se reproduzem e podem levar o indivíduo à morte. "O câncer de maneira geral se caracteriza pela mutação de uma ou de um grupo de células, que começam a se reproduzir, formando um tumor, e com esse crescimento desordenado, ela começa a prejudicar o indivíduo, podendo até levar a pessoa à morte. O câncer é uma mutação que a pessoa ‘cria’. O corpo da pessoa, que foi afetado por fatores externos, causam uma mutação genética, mas que não passa de uma pessoa para outra", frisa.

Hábitos saudáveis e preventivos são essenciais para evitar diversas doenças, inclusive o câncer. "Hoje se sabe que o cigarro, o álcool e o sol, são causas muito potentes desencadeiam a doença na pessoa. Ter o hábito também de consultar periodicamente com um profissional de saúde, diminuem os riscos. E mesmo se a pessoa venha ter uma lesão, com o diagnóstico cedo, ela vai ter uma cura também. Então a dica é ter bons hábitos de alimentação, de comportamento, evitar o cigarro, o excesso de álcool e evitar se expor demais ao sol sem proteção”, salienta Roberto.

Existe um mito que o consumo de chimarrão, bebida muito apreciada na região de Irati, pode causar câncer. Segundo o Doutor, a alta temperatura das bebidas consumidas é o que pode causar lesões na boca e fazer a doença se desenvolver no tecido humano. “Não é o chimarrão que causa a doença. É a temperatura. Acima de 70°C é prejudicial. Não se deve ingerir qualquer alimento acima dessa temperatura. Existem termômetros para se utilizar na água que você vai fazer o chá ou chimarrão. O limite de dor de um ser humano é mais ou menos 70°C. Então se você encostar na boca e sentir dor, não beba, porque está acima dessa temperatura”, afirma. 

Roberto ainda explica que o diagnóstico precoce da doença é essencial para que ela não se desenvolva. Quando diagnosticada na fase inicial, as chances de curas são altas. “A gente tem índices que passam de 90% de cura quando as lesões são diagnosticadas cedo. Quanto mais isso passa, as chances vão caindo e o paciente é apenas confortado para terminar a sua vida, pois pode não haver cura. Não queremos que ninguém chegue nesse estágio. Então nesse dia, com os mais de 200 exames que a gente vai fazer no local, as pessoas podem ter as suas vidas mudadas, pois a partir daquele momento, elas não vão desenvolver a doença que pode levar à morte”, alerta.

Quando diagnosticada, a doença pode ser tratada de diversas maneiras, muitas vezes de forma rápida. Já quando ela está desenvolvida, o tratamento pode ser agressivo. Por isso, o Doutor reforça a necessidade da prevenção. “O tratamento que vai ser escolhido vai depender do nível que a lesão está. Pode ser removendo a lesão ou pode ser fazendo a incidência de radioterapia ou quimioterapia. Mas geralmente, lesões iniciais, são removidas e os problemas acabam. Quando a lesão está muito desenvolvida, o tratamento vai ficando cada vez mais agressivo e, muitas vezes, é necessário se remover além da lesão, em uma área de segurança estabelecida, e isso acaba gerando mutilações na pessoa. Por isso a gente sempre reforça que descobrir no início, resolve o problema”, relata.

Outro problema da falta de diagnóstico precoce é a metástase, que é quando o câncer se dissemina além do local onde começou. “Quanto mais vai se enraizando no tecido, maior a dificuldade de cura e a gente tem ainda o risco de acontecer o que chamamos de metástase, que é a formação de um outro tumor em um outro lugar, que veio através deste primeiro. Então se você tem uma lesão na língua, por exemplo, e ela não cresceu, ela pode fazer com que haja a formação de um tumor em outro lugar do corpo”, explica o Doutor.

Muitas vezes o câncer bucal pode não apresentar nenhum sintoma. Já os sintomas que passam de duas semanas após o surgimento, devem ser investigados. “O câncer de boca pode não doer nada e a pessoa nem perceber que ele está ali, mas também podem haver sintomas, como dificuldade de engolir, dor no pescoço e formação de nódulos embaixo de queixo. A gente sempre pede para as pessoas se atentarem a manchas, lesões, bolinha, pigmentação, modificação de cor ou calos, que surgiram a mais de 15 dias e não regrediu, é necessário se buscar um profissional de saúde, porque o câncer não regride”, pontua.

Roberto esclarece que o paciente com câncer tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), no prazo de até 60 dias contados a partir do dia em que for assinado o diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso registrada em prontuário único. “No caso das lesões de câncer, não existem filas; a pessoa já tem o tratamento rápido; existe uma lei que o paciente não pode passar de 60 dias desse período até que a pessoa inicie o tratamento, porque senão se dará chance para aquela doença crescer. Por isso a descoberta cedo”, destaca.

Serviço: O mutirão será realizado nesta terça-feira, na Travessa Frei Jaime (Calçadão), no centro de Irati, das 8h às 17h, sem fechar para o almoço. Pessoas que quiserem fazer os exames preventivos ou que suspeitarem que têm alguma lesão na boca ou no pescoço, podem comparecer no local para serem atendidas gratuitamente pelos profissionais médicos que estarão presentes no local.