Publicidade Topo

notícias

Livro "O Interior de Todo Artista" é lançado em Irati

No lançamento, o autor Mario Lopes contou sobre a produção do livro que conta a trajetória de nove artistas iratienses/Karin Franco, com reportagem de Jussara Harmuch

Da direita para a esquerda: Silton Dietrich, Maygon Molinari, Izabela Proceke, Lucio Robaszkievicz, Mario Lopes, Claudete Basen, Nelci Wolski, Leonardo Barroso e Professor Araújo. Único artista retratado no livro que não esteve presente foi Vitor Martin, que teve outro compromisso profissional e não conseguiu comparecer na cerimônia de lançamento. Foto: Jussara Harmuch 
Artistas iratienses se reuniram na quarta-feira (17) para o lançamento do livro "O Interior de Todo Artista", de Mário Lopes, no Centro Cultural Clube do Comércio. O evento contou com sessão de autógrafos e um bate-papo com o autor da publicação, que falou sobre a produção da obra que reúne a trajetória dos artistas e revela os desafios de produzir arte no interior do Paraná.

Durante a solenidade, o autor contou que uma das motivações para escrever o livro foi tentar entender os desafios que um artista possui para promover arte em uma cidade do interior. “Como seria fazer arte fora de um grande centro? Em Curitiba, as coisas são mais fáceis em alguns âmbitos, você tem uma proximidade com agentes culturais, tem um volume de produção artístico cultural maior, você tem público maior. Isso tudo acaba facilitando as coisas. Mas como seria numa cidade menor isso?”, questiona Mário.

O livro traz a história e os desafios de nove artistas iratienses: a pintora Claudete Basen, a bailarina Izabela Proceke, o escultor e artista plástico José Maria Grácia Araújo, o fotógrafo e jornalista Leonardo Barroso, o fotógrado Lucio Robaszkievicz, o escritor Maygon Molinari, a atriz e diretora Nelci Wolski, o designer Silton Dietrich e o cantor, músico e compositor da banda Rádio Radar, Vitor Martin.

Mário explica que a intenção foi de tentar trazer a história de pessoas vivas e que trabalham em Irati. “Nós temos pessoas que não estão mais aqui e foram relevantes na construção do trabalho artístico da cidade, o Primo Araújo é uma pessoa maravilhosa, um grandíssimo artista, um enorme talento, mas ele está presente na obra através do seu filho, João Maria Graça Araújo. Não o colocamos porque queríamos pesquisar melhor o fazer artístico de Irati”, disse.


A integração dos artistas no município também fez com que o autor repensasse a maneira de estruturar a narrativa do livro. Originalmente pensado em contar apenas sobre a arte de cada artista, o livro passou a entrelaçar as histórias, trazendo também os traços de ancestralidade que ligam os artistas à Irati. “O livro percorre a ancestralidade de cada um dos artistas. Nós vamos lá atrás, na origem de Irati, nos avós do José Maria Graça Araújo e chegamos até os dias de hoje com cada artista. Nós vamos cruzando as histórias de todos os artistas, desde lá atrás, nos antepassados até a atualidade”, explica.

O resultado é que o livro resgata em cada capítulo um pouco de cada artista, fazendo com que o leitor tenha que ter lido os capítulos anteriores para entender as referências. “Vocês vão ter que ler todas as histórias para entender como funcionaram as motivações de cada um dos artistas. Isso que é o mais interessante, o mais estimulante”, conta o autor.

No lançamento, Mário também contou sobre os processos de entrevistas com cada artista. Cada entrevista durou mais de uma hora, seguindo com mais conversas com perguntas sobre detalhes informados na entrevista. Toda essa informação foi juntada com outros dados fornecidos pelos entrevistados e reunido no livro.

Para o autor, essa colaboração dos artistas foi fundamental para a realização da obra. “Estavam abrindo de fato o coração. Essa generosidade foi fundamental para a obra porque ela entregou ao leitor não só a questão do artista, do ego, das façanhas, das proezas, das conquistas, mas também das suas dores, das suas angústias, dos seus medos, dos seus insucessos”, afirma.

As histórias de cada um foram relembradas pelo autor durante o lançamento. Uma delas foi a de Izabela. Mario destacou que ao conhecer a história da dançarina, que hoje ensina outras jovens, pode perceber traços da cultura e ancestralidade na região. “A Izabela me comentou que nunca teve dificuldade na dança, com as alunas dela, na questão da flexibilidade. Nós temos aqui a cultura polonesa e italiana muito presente. Os corpos de bailarinas que tem no Leste Europeu são famosos e tem dançarinas que tem uma capacidade, um talento para dança muito forte. Uma vocação que já vem quase geneticamente. Então, essas investigações foram apontando os motivos que levaram algumas pessoas a buscar uma vocação artística ou outra”, conta.

Mas foi a história de Lucio Robaszkievicz, que realizou o filme “Zé, a vida como ela é” com voluntários de Irati e região, que mais surpreendeu o autor. “A façanha dele é impressionante! Indiferente se foi para festival ou não foi, se ganhou ou não ganhou. Isso é de menos. O fato é que alguém que não teve uma educação acadêmica e foi na raça, no convencimento das pessoas, na continuação de outros talentos, outras pessoas idealistas como ele e isso ser executado, como o apoio da Najuá, que felizmente temos uma rádio que apoia os artistas, isso é impressionante”, disse.

Para o autor, a capacidade dos artistas iratienses de criarem em meio às dificuldades e venceram obstáculos por meio da resiliência é uma das grandes inspirações do livro. “São histórias inspiradoras inspiradas pela arte. Isso é o que é o livro basicamente. O que eu percebi nessas histórias de vidas muito difíceis é que a resiliência é um elemento muito poderoso de todos aqui”, destaca.

Proposto pelo artista Vitor Martim, o livro foi feito pela produtora Harlequin Pró. Além da pesquisa e redação feita por Mário Lopes, o prefácio foi escrito por Emerson Rechenberg. O livro ainda conta com ilustrações de Maria Luiza de Almeida Scheleder, editoração gráfica de Bárbara Tanaka, fotografia de Giocana Anschau de Biassio, revisão de Cristina Helena Carneiro, mediação de Rafaela Menegoti Tasca, coordenação editorial de Luiz Roberto Meira e produção local de Casa de Artes Helena Kolody.

O projeto foi contemplado pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura do Ministério do Turismo e contou com o incentivo das empresas Fobras e Caminhos do Paraná.

Além do lançamento, uma exposição está aberta até o dia 17 de dezembro no Sebo Centenário, com ilustrações que estão no livro, contando a história dos artistas iratienses.

Autor do livro, Mário Lopes. Foto: Jussara Harmuch