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Irati discute construção de penitenciária industrial federal

Penitenciária poderá ser construída com recursos do Governo Federal e poderá ajudar a diminuir a superlotação de carceragens de delegacias de Polícia Civil/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Imagem da entrada da sede do IAPAR em Irati. Município está negociando permuta de uma área que pertence ao Instituto para construir penitenciária industrial federal. Foto: Rádio Najuá

Uma penitenciária industrial federal poderá ser construída em Irati às margens da BR-277. A discussão para edificação do espaço iniciou em outubro com a visita de representantes do Departamento Penitenciário (Depen), que integra a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP). A proposta é que a penitenciária seja uma forma de solucionar a superlotação que há nas carceragens de delegacias de Polícia Civil da região.

Nesta visita, os representantes da SESP, o engenheiro Luiz Carlos Giublin Junior e o coordenador regional do Depen, Renato Silvestri, estiveram em um terreno pertencente ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (Iapar/ Emater). O Iapar possui 450 alqueires na região e o município de Irati está negociando uma permuta ou uma doação para que o instituto ceda 24 alqueires, próximo à BR-277, para a construção da obra.

De acordo com o prefeito Jorge Derbli, não há confirmação da construção no local e o terreno ainda será analisado pelo Estado. “Estamos iniciando as conversações sobre a questão da instalação de uma penitenciária aqui em Irati. O primeiro passo foi a questão do terreno. Estamos em um processo adiantado com o Governo do Estado junto à Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná e o Iapar para que seja feita uma permuta de uma área junto à BR-277, junto à saída para Curitiba”, conta.


A obra será feita com recursos do governo federal com investimentos de até R$ 50 milhões. Até o momento, apenas uma cidade do Paraná próxima no estado de São Paulo conseguiu encaminhamento para a obra. Agora, o governo do Paraná busca a possibilidade de fazer uma segunda obra com recursos federais em outra cidade do estado.

Além de Irati, cidades na região de São Mateus do Sul e Pitanga também estão sendo analisadas para receber a obra. “O governo está construindo penitenciárias estaduais, mas estamos atrás desse recurso federal. Tendo essa negociação e esse bom andamento de todo mundo nessa autorização e com o terreno já disponível para o Estado – no caso, temos que fazer a doação desse terreno para o Estado – já dá andamento nesse processo que é um projeto padrão que eles já têm pronto da unidade, e aí seríamos a próximo a ser executada”, relata Derbli.

Após a visita no local da possível obra, os representantes da SESP se reuniram na Associação Comercial e Empresarial de Irati (ACIAI) com o presidente Elias Mansur e representantes da diretoria. No local, os representantes apresentaram informações sobre o projeto e iniciaram as primeiras discussões. A reunião foi acompanhada pela presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Irati, Patrícia da Luz e os responsáveis pelo Depen em Irati.

Segundo o prefeito de Irati, o projeto apresentado será voltado aos presidiários da região que estão em locais superlotados e não deverá receber transferências nacionais, com presos de outros estados. Derbli ainda destacou que a penitenciária será de segurança máxima. “É uma penitenciária moderna, vai ter mais de 170 câmeras de monitoramento, teremos mais de 150 funcionários que são policiais penais que tem agora, que foi criada a nova lei, que vão cuidar desses presos. Além de ser de segurança máxima e não estaremos importando bandidos de outras localidades do Paraná, nós resolveremos não só a questão de Irati, mas de todos os municípios do entorno, abrigando esses presos ali”, conta.

De acordo com o Governo Estadual, são 980 presos que estão em carceragens nas delegacias e que precisam ser transferidos para presídios. Conforme informações do Depen, a instalação do presídio nas margens da BR-277 transformaria o local em uma base estratégica para o transporte de presos e solucionaria a superlotação de cadeias. “A questão do presídio aqui para nós é um problema cinquentenário. Há mais de 50 anos temos uma bomba relógio no centro da cidade de Irati. A cadeia de Irati cabe 38 presos. Hoje está com 94. Está três vezes mais do que a capacidade dela. Seria, num primeiro momento, resolver um problema cinquentenário aqui de Irati, que é tirar todos os presos do centro da cidade da delegacia e levar para esse presídio, fora do quadro urbano de Irati, às margens da BR-277”, explica o prefeito.

Derbli ainda destacou que há possibilidades de crescimento econômico. “São 150 empregos criados em Irati, com o salário mínimo base de R$ 6 mil. Em torno de mais de R$ 1 milhão de salários gastos na cidade. As pessoas que irão trabalhar na penitenciária vão morar em Irati, vão gastar em Irati. Sem contar que teremos em torno de 700, 800 presos e mais em torno de 200 funcionários, seriam 1 mil pessoas, seriam 1 mil refeições, 1 mil cafés da manhã, 1 mil almoços, 1 mil jantas. Seriam fornecidas marmitas por restaurantes de Irati. Seria mais um emprego indireto”, disse.

Uma das preocupações surgidas durante a apresentação do projeto foi a possibilidade de aumento da criminalidade com a vinda de familiares ou de novos criminosos. Segundo os representantes da SESP, não existe esse risco porque normalmente os familiares costumam continuar nos locais de origem. “Segundo representante da SESP, eles foram enfáticos ao dizer que isso é uma lenda urbana. [Se diz] que os detentos que vem junto com eles ficam em torno da penitenciária cometendo crimes. Isso seria uma lenda urbana. Como foi colocado, nós teríamos força para transformar a 8ª Companhia em Batalhão, trazendo mais viaturas, trazendo maior policiamento”, conta o diretor de Estudos socioeconômicos da ACIAI, Ciro Ivatiuk.

Representantes da SESP e do Depen se reuniram com integrantes da prefeitura e da ACIAI para discutir a viabilidade de construir penitenciária no município. Foto: Assessoria da ACIAI

 A proposta da penitenciária industrial é que ela tenha barracões para que os presos trabalhem durante o cumprimento da pena. Este tipo de projeto já é realizado na penitenciária estadual de Guarapuava que também possui locais específicos onde os presos trabalham para indústrias locais. Por isso, os representantes convidaram uma comitiva para que visitasse o local e conhecesse o projeto. “Quando você entra naqueles barracões, você não nota que é um presídio. Você vê as pessoas trabalhando, produzindo. Eles querem três alqueires onde seria construído a penitenciária, com aqueles muros e toda aquela sofisticação moderna - serão R$ 50 milhões investidos – e teria uma sobra de terreno de desses alqueires para construir dois ou três barracões onde os presos iriam trabalhar”, explica Derbli.

Apesar das negociações, o projeto ainda não está confirmado em Irati. Antes, o município pretende realizar uma consulta popular para entender a opinião dos moradores e discutir com a região sobre a instalação da penitenciária. “Partindo do princípio que temos o terreno e fazendo essa consulta popular em Irati. Primeiro ver se a população de Irati aceita, se a sociedade, se todo esse pessoal envolvido, principalmente as pessoas envolvidas com segurança. Aí passaremos a uma discussão mais ampla, na questão dos municípios daqui da Amcespar”, afirma o prefeito.