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Casa de Apoio oferece suporte às mulheres vítimas de violência doméstica em Irati

Com plantão 24 horas, o serviço acolhe as mulheres agredidas e seus filhos, inclusive as que estão em situação de rua, e oferece suporte para elas recomeçarem as suas vidas/Lenon Diego Gauron, com reportagem de Juarez Oliveira

Monica Van Der Neut e Somaya Reda, da Casa de Apoio de Irati, explicaram como funciona o serviço de acolhimento às mulheres vítimas de violência durante entrevista por vídeo com a reportagem da Najuá. Imagem: Reprodução/ Najuá

O Serviço de Abordagem e Plantão Social oferecido pela Secretaria Municipal de Assistência Social atende mulheres vítimas de violência doméstica em Irati. Elas são acolhidas na Casa de Apoio, onde contam com suporte psicológico, inclusive aos filhos e recebem auxílio na recolocação no mercado de trabalho realizando cursos de capacitação profissional. O serviço também presta atendimento às mulheres em situação de rua e para pessoas que estão de passagem pelo município.

As mulheres vítimas de violência doméstica que procuram ajuda na Patrulha Maria da Penha são encaminhadas para o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS). Depois disso, elas são levadas para a Casa de Apoio de Irati. Durante a noite, feriados e finais de semana, o encaminhamento é feito pelo Plantão Social. Essa conexão é necessária para manter a segurança das pessoas que vão para o local. “Quando ela liga para o plantão, avisa que está passando por algum tipo de violência, eles vão até ao local, fazem o atendimento, encaminham ela para onde for necessário, como delegacia, hospital e faz todo o acompanhamento. Se for final de semana, ou à noite, e se a mulher estiver correndo risco de morte, não tiver um familiar ou alguém que possa auxiliar ela para ficar em um local protegido, ela pode ser encaminhada pelo próprio plantão à Casa de Apoio, que é um local seguro, onde ela pode ficar com os filhos e passar o período necessário para que ela volte a ter segurança. Se for durante o dia, o CREAS é a porta de entrada para a Casa de Apoio, ou seja, se a delegacia ou a saúde atender a mulher, eles a encaminham até o CREAS, que encaminha para a Casa de Apoio” explica a Coordenadora da Casa de Apoio a Mulher em Situação de Violência Doméstica, Monica Van Der Neut.

A Casa de Apoio faz o acolhimento da mulher e dos seus filhos pelo tempo que for necessário. “A mulher pode ficar na casa acolhida o tempo que for necessário, com os filhos até 18 anos quando são meninas e até 14 anos quando são meninos. Quando ela chega na casa, são tomadas todas as providências para que ela se sinta o mais confortável possível. Elas podem ficar até um ano se for preciso. Mas nós queremos que elas fiquem o mínimo possível para elas darem sequência na vida delas, por isso trabalhamos para que elas saiam da casa bem seguras e livres do que elas passavam anteriormente”, comenta Monica.


Ela afirma que os casos de violência contra a mulher costumam ocorrer com maior frequência durante a noite, finais de semana e feriados. Neste período, elas estão em casa junto com seus companheiros. “A procura, geralmente, vem da própria mulher, quando elas já estão no limite de sofrimento e de abuso. Mas também existem denúncias de vizinhos e familiares que notam que a mulher está sofrendo a violência, nesse caso, a Guarda Municipal faz o acompanhamento, aí a Patrulha liga para nós, para darmos sequência ao atendimento”, complementa a Coordenadora da Casa de Apoio.

De acordo com Monica, em algumas situações a mulher sofre violência psicológica. “Com o passar do tempo, elas vão entendendo o tipo de violência que elas sofriam. Muitas vezes quando elas estão passando por aquilo, elas nem identificam que aquilo é violência. E a violência emocional, psicológica, é uma das piores, porque ela tortura e machuca por dentro e ninguém enxerga. Quando ela é acolhida, ela mesma vai identificando o quanto ela era agredida de todas as formas”, descreve.

Já a Coordenadora do Serviço de Abordagem e Plantão Social, Somaya Reda, explica que o plantão oferece assistência também às pessoas em situação de rua. “O Serviço de Abordagem é vinculado diretamente à população de situação rua e também às pessoas que estão em trânsito em nosso município, no caso os migrantes. Já o plantão, é direcionado tanto para as pessoas de rua e para as mulheres vítimas de violência. A população de rua, geralmente fazem um uso excessivo de substâncias que causam alguns problemas. Na rua, essas mulheres ficam vulneráveis e elas sofrem algum tipo de violência e a gente tem que fazer o atendimento. O número é alto. No nosso município não tem tantas mulheres em situação de rua, mas as que tem, a maioria já sofreu algum tipo de violência”, afirma. 

Para Mônica, isolar a mulher agredida é uma medida injusta, pois o agressor segue com sua vida normalmente. Mesmo assim ela entende que isso é necessário para manter a segurança da vítima, que passa a ter suporte médico, psicológico e logístico. “A gente sempre fala o quanto é injusto a questão da violência porque quando a mulher precisa ir para um acolhimento, o agressor geralmente fica solto e a mulher precisa ficar escondida em um local sigiloso, como se ela estivesse presa. Por isso a gente trabalha para que ela se sinta o mais confortável possível. Temos uma assistente social, que é a Somaya, temos uma pedagoga que é a Saionara, uma técnica de enfermagem, que auxilia na questão de medicamentos e acompanhamentos médicos, que é a Dalva, eu como coordenadora, psicóloga da casa e o Edson, que é o motorista que faz o transporte necessário”, ressalta. 

Dentro da Casa de Apoio, a mulher recebe auxílio para encontrar emprego e ter condições de sobreviver sozinha. “Oferecemos cursos, tentamos fazer com que ela termine os estudos, auxiliamos na confecção de currículos, muitas vezes a prefeitura ajuda com um aluguel social por um período de três a seis meses quando ela já encontrou trabalho, acompanhamos as necessidades dos filhos e damos acompanhamento pelo CREAS depois que elas saem da casa para que elas não corram nenhum risco de sofrer mais violência”, salienta Mônica. 

Mulheres que se sentirem ameaçadas pelos seus companheiros ou pessoas que queiram denunciar agressões físicas ou psicológicas contra mulheres, podem entrar em contato diretamente com a Patrulha Maria da Penha, através do telefone 153 ou, durante a noite, finais de semanas e feriados, através do Plantão (42) 9-9117-5939.