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Plano Municipal de Arborização de Irati será apresentado em audiência pública

Audiência será nesta quinta-feira, às 14h, na Câmara Municipal. Plano contará com normas para arborização no município como o plantio de mudas, cortes de árvores e podas/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Sava

Araucárias na Mata do Gomes, em Irati. Foto: Jussara Harmuch

O Plano Municipal de Arborização de Irati será apresentado nesta quinta-feira (21) em audiência pública na Câmara Municipal, às 14 h. O evento será presencial, mas por causa da pandemia, haverá a limitação de 100 lugares para a participação. Haverá transmissão pela internet da audiência pública.

De acordo com a secretária de Ecologia e Meio Ambiente, Magda Lozinski, o plano é uma exigência de âmbito nacional a todos os municípios e será uma ferramenta para a gestão ambiental nos próximos 20 anos. “A intenção com esse plano é nortear tanto a gestão pública, quanto a população de várias características relacionadas à questão da arborização urbana. O plantio, poda, espécie mais adequada. Contamos com a população para que possamos deixar uma cidade mais bonita”, afirma Magda.

O plano que será apresentado nesta quinta-feira é resultado de um estudo que mapeou as árvores plantadas em calçadas em todos os bairros de Irati. No estudo, foram verificadas as espécies plantadas e a qualidade das árvores, por meio de amostragem. O plano foi montado baseado nos resultados obtidos neste estudo.

O engenheiro florestal, Jhonatan Matheus dos Santos, conta que neste estudo foi possível verificar que espécie é mais plantada no município. “No quantitativo conseguimos ver a diversidade de espécies que tem de árvores em Irati. A maioria das árvores plantadas são nativas ou exóticas. Vimos um número muito alto de aroeira salsa, que é uma árvore que cresce rápido, faz uma sombra”, conta.


Outro resultado do estudo foi um diagnóstico de como estão as árvores do município. “Em relação à qualidade das árvores, temos bastante árvores que foram mal manejadas. A má condução das árvores acaba ocasionando problemas com patógenos, apodrecimento e tendo maior risco à população urbana, terão mais riscos de apresentarem problemas sobre queda de chuva forte. Temos um bom número de árvores plantadas, temos uma boa diversidade, a maioria das árvores plantadas no município são nativas. Temos ainda esse problema do manejo inadequado das árvores por parte da população”, disse.

As árvores que apresentam maior risco deverão ser retiradas e outras espécies serão plantadas em seus lugares. “Essas árvores que apresentam risco, nós vamos demandar da supressão vegetal. As que apresentam grande risco e vai ser apresentado lá [na audiência] quais são essas árvores que apresentam grande risco. Fazemos uma classificação em cinco: ótimo, razoável, bom, ruim e péssimo. Péssimo seriam as árvores que tem grandes chances de apresentar risco à população. Então, essas árvores sofreriam a supressão vegetal e, em seguida, a prefeitura faria a substituição dessas árvores até por espécies nativas da nossa região e adequadas”, explica.

Segundo o engenheiro, as novas espécies que serão plantadas deverão respeitar o espaço de crescimento da árvore. “Quando falo adequado, cada árvore tem determinado espaço que necessita para o crescimento. Às vezes, ela levanta calçada, tem problemas com a fiação. É que é a questão da árvore certa, no lugar certo, que falamos na área florestal. Se tem um pequeno espaço de crescimento, temos que plantar árvores de pequeno porte. Deixar as árvores de grande porte para os bairros que tem canteiros maiores”, detalha Jhonatan.

O engenheiro destaca que a decisão de retirar as árvores que possuem risco seguem critérios estabelecidos. “Essa avaliação de risco, que tem uma metodologia, vai avaliar a questão da copa, da retidão do tronco, a inclinação, a podridão do tronco, problemas com patógenos, fungos, parasitas, se a árvore está levantando a calçada, se está em contato com a fiação elétrica, se ela está no que falamos de distanciamento de aparelhos públicos (postes, placas), se não está atrapalhando, esquinas também. Tem um recuo de cinco metros que é desejado, senão fecha a visão de quem está passando na questão de visibilidade dos carros. Tem todos os pormenores que tem que ser observado para que não acabe causando problemas para as pessoas”, afirma.

Para o replantio, que será feito após a aprovação do plano, o município de Irati fará uma parceria com o Colégio Florestal para a produção de mudas. “Estamos formalizando uma parceria com o Colégio Florestal e o município tem a intenção da produção dessas mudas. Esse ano, nós já vamos iniciar o plantio das sementes, para que no mais breve possível, a partir do ano que vem, nós já conseguimos utilizar as mudas produzidas dentro do próprio município no plantio, atendendo o plano de ação do Plano de Arborização”, explica a secretária.

Nesta parceira, a prefeitura já tem ajudado com equipamentos, sementes e substrato para que o Colégio Florestal possa produzir e fornecer as mudas no próximo ano.

Com a aprovação do plano, a população terá critérios para o plantio das mudas em espaços públicos. Por isso, a intenção também é planejar ações de educação ambiental. “Essa muda que tem padrão para arborização precisa ter de um 1,80 da primeira bifurcação e a altura no máximo na área de 2,50 metros de altura. Não podemos plantar qualquer espécie sem consultar a prefeitura. Inclusive, estamos elaborando projetos de educação ambiental tanto com a comunidade quanto com as crianças das escolas para reforçar a importância, que a prefeitura tem o seu papel, mas principalmente a comunidade vai ter um grande papel no cuidado dessas árvores”, disse Jhonatan.

O plano de ação que será feito, após a aprovação, contará com a participação de diversos profissionais, inclusive, terceirizados. É o que deve acontecer no caso de podas em árvores. “As podas de árvores podem ser feitas por equipe da prefeitura ou por uma equipe terceirizada contratada. Existe uma série de ações que não precisam ser especificamente executadas pelo pessoal da prefeitura. Podemos fazer contratações”, conta a secretária.

Para isso, a empresa contratada precisa ter um responsável técnico que entenda sobre poda. “Hoje o que vemos várias vezes, inclusive, é uma poda drástica, que vem até acometendo a unidade, até a árvore de dentro da cidade”, explica.

O Engenheiro Florestal, Jhonatan Matheus dos Santos e a Secretária de Ecologia e Meio Ambiente, Magda Lozinski, concederam entrevista através de videoconferência para o programa Meio Dia em Notícias da Rádio Super Najuá. Foto: Reprodução/ Najuá

O plano ainda contará com o estabelecimento de épocas de plantio e poda. “Vamos indicar a melhor época para fazer a poda, a época de fazer o plantio. Tentar não fazer plantio no inverno porque as mudas estão mais suscetíveis à questão da geada, à questão de pragas. Sempre plantamos na primavera por questão do clima, quantidade de luz solar, quantidade de chuva. Vão ajudar na rustificação da árvore para que ela consiga sobreviver ao ambiente urbano”, disse.

Conforme o Plano de Arborização, a manutenção das árvores será feita uma vez por ano, com uma avaliação do estado das árvores plantadas. O engenheiro conta que todo o monitoramento e plantio deverá ser registrado para que as próximas gestões possam dar continuidade ao trabalho. “A gente precisa constar tudo em planilhas, em arquivos quais ruas foram plantadas, o que foi plantado, o que foi removido, para as próximas gestões saberem desse projeto, do que foi plantado, que eles devem continuar na gestão seguinte”, afirma o engenheiro florestal.

Para ele, o plano ajudará a estabelecer regras que permitirão que a população possa ter uma orientação sobre o plantio e arborização do município. “Por meio do Plano de Arborização, por meio de diretrizes, normas e técnicas vamos conseguir enquadrar o município para fazermos uma promoção de árvores de qualidade, que possam desempenhar os benefícios que elas oferecem à população, melhorando a questão da estética urbana na cidade e a promoção da sustentabilidade”, disse.

De acordo com a secretária, o Plano de Arborização foi custeado pelo Fundo Municipal de Meio Ambiente. “Ele é uma conta vinculada ao Conselho do Meio Ambiente, o qual autorizou a elaboração desse plano, via pagamento do Fundo do Meio Ambiente”, conta. Os custos necessários para a execução do plano de ações ainda serão remetidos ao Conselho.

Além da audiência pública em Irati, o Plano de Arborização deverá ser aprovado em um comitê do Governo Estadual. “Se o nosso plano não for aprovado, temos que reelaborar o plano. Quem aprova, além dessa audiência pública de amanhã (21) na Câmara de Vereadores para a apresentação do plano, o nosso plano precisa ser remetido ao Estado, onde uma Câmara Técnica do Estado, onde participa algumas entidades, também analisam e precisam aprovar esse plano. Inclusive, o pessoal da Copel. É um comitê de avaliação. Hoje, no estado do Paraná, dos 399 municípios, apenas cinco municípios receberam aprovação do seu plano. O restante ainda está em fase de elaboração e alguns estão refazendo o plano”, explica a secretária.

A audiência pública está aberta a toda a população, incluindo representantes de organizações e entidades de área florestal, ambiental ou urbanística.