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Enquete mostra que 55% dos votantes querem que obra do teatro continue como Centro Cultural

Mais de 2 mil votos foram registrados na enquete online. Em entrevista à Najuá, secretário de Planejamento, presidente do Conselho Municipal de Cultura e artista local opinaram sobre o resultado/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Sava

Indígenas que ocupavam obra do Centro Cultural (foto) foram retirados do local e levados para a Casa de Passagem. Imagem: Paulo Sava

Em uma enquete realizada pela prefeitura de Irati, a maioria dos participantes opinou a favor de terminar a obra do Centro Cultural Denise Stoklos com a finalidade que havia sido projetada. Essa foi a opinião de 55% dos votantes que participaram da enquete online realizada no mês passado. Outros 45% votaram para que a obra seja utilizada para outra finalidade, caso fosse terminada. Foram mais de 2 mil votos na enquete online.

A enquete não possui um efeito decisivo, mas tem sido usada pela prefeitura como indicativo nas discussões de determinadas obras. Segundo o secretário de Planejamento de Irati, João Almeida Junior, as enquetes embasam as ações da administração. “Esses resultados, 55% a favor e 45% contra, vem nos favorecer, nos mostrar para o Governo do Estado a importância que a nossa cidade tem para essa obra. Nós ficaríamos decepcionados se tivéssemos 80% contrário, por exemplo. Aí não teríamos o endosso da comunidade, o endosso da população nesta obra”, analisa João Almeida.

Para Nelci Wolski, ex-integrante do Conselho Municipal de Cultura e artista local, o resultado da enquete foi satisfatório. “Fiquei feliz de saber que a população está valorizando a cultura, que quer e que anseia o término do Centro Cultural Denise Stoklos”, disse.

O presidente do Conselho Municipal de Cultura, Leonardo Barroso, destacou que o Conselho tem se mobilizado acerca do tema e já expôs oficialmente à prefeitura a intenção que o local permaneça como Centro Cultural. “A posição do Conselho Municipal de Cultura em relação ao Centro Cultural Denise Stoklos é que esse órgão vai lutar a favor que a obra seja concluída como Centro Cultural”, afirma.

O resultado da enquete ocorre após a mobilização do setor cultural que planeja mostrar à população o que o local irá trazer benefícios ao município. Para isso, artistas locais e membros do conselho se mobilizam para realizar apresentações no local, mesmo antes de estar pronto. “Nós estamos fazendo uma leitura dramática de um texto da Denise Stoklos, não temos data ainda, mas vamos fazer apresentação. E tem outros artistas também manifestando a vontade de ocupar aquele espaço com cultura, mesmo ele ainda não tendo retomado, nem inaugurado, nem finalizado. Porque nós em Irati temos pouco espaço de cultura, estamos sedentos por esse espaço e temos vontade de usar”, explica Nelci.

A obra do Centro Cultural Denise Stoklos está parada desde 2010 e não foi retomada pelo Governo do Estado, responsável pela construção. Em visita no último mês à Irati, o governador Ratinho Junior revelou que a construção não é uma prioridade da atual gestão, já que o projeto possui falhas e que o término da obra terá um custo elevado por causa disso.

Nelci Wolski, João Almeida Junior e Leonardo Barroso analisaram resultado de enquete e comentaram sobre possibilidade de conclusão das obras do Centro Cultural em entrevista à Najuá. Foto: Divulgação

Apesar da declaração, o Governo do Estado enviou na última semana representantes para verificar algumas obras culturais de Irati. Uma das obras visitadas pela superintendente de Cultura do Paraná, Luciana Casagrande Pereira, e pelo coordenador de patrimônio cultural do estado, Vinício Bruni, foi a do Teatro Denise Stoklos.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Cultura, essa mobilização aconteceu após a explanação do governador. “Mas me parece que desde então houve uma mobilização muito grande em relação a se posicionar favorável à conclusão da obra. Inclusive, foi depois disso que o deputado Artagão Junior conseguiu articular a visita do secretário de Cultura, Alfredo Van Der Neut, e o prefeito, Jorge Derbli, à Superintendência Geral da Cultura, que permitiu posteriormente a vinda deles na última quarta-feira ao nosso município”, disse.

Para Leonardo, a visita traz a oportunidade de mostrar ao Governo Estadual que esses investimentos em cultura podem ser estratégicos e mudar a opinião sobre as prioridades estaduais. “Estar chamando personagens que vão entender Irati como um local estratégico. É possível que desde então você tenha uma alteração na maneira de enxergar a obra do Centro Cultural”, afirmou.

O presidente do Conselho também reconhece que demorará para que a obra seja concluída e que será necessário a mobilização da população para que o projeto tenha andamento. “Entendemos que não vai dar certo de concluir a obra em uma pegada só e em pouco tempo. Mas se conseguíssemos dar um andamento para aquilo, dar uma cara melhor, aquele espaço deixe de ser utilizado assim de maneira irregular como é. Sabe que tem pessoa lá, gente que fica dormindo, que fica lá, que isso deixe de acontecer e a gente possa ter uma utilização mais oficial do espaço e ter ele como algo a ser visto de forma mais séria, pelo menos para a população. Esta é a grande luta agora em termos de centro cultural”, explica Leonardo.

O secretário de Planejamento destacou que atualmente o prédio não possui mais pessoas morando no local, já que os indígenas que lá estavam são abrigados hoje na Casa de Passagem. A medida foi, inclusive, um pedido do Governo do Estado. “Que antes que começássemos a pensar no término desta obra, nós retirássemos os indígenas que estavam utilizando aquele espaço. E assim fizemos. Criamos a Casa de Passagem. Hoje é um espaço que está limpo. É um espaço que nós até convidamos, não vou dizer para uma pessoa sozinha vá lá porque pode ser que tenha alguma pessoa mal-intencionada lá dentro. Mas se quiserem ir em grupo visitarem a obra, vocês vão ver que a obra está muito bem conservada pelo tempo que está parada”, disse.

Uma das opções da enquete era para se mudar a finalidade do local. A opção chegou a receber 45% dos votos, mas o secretário explicou que essa decisão poderá encarecer a obra. “A obra foi idealizada e projetada como um Centro Cultural. Para fazermos uma obra para a saúde, por exemplo, nós temos que demolir, não totalmente, mas mais da metade para transformar ela em um centro de saúde, um centro administrativo, um centro educacional. Ela foi concebida como Centro Cultural”, conta.

A construção é de responsabilidade do Governo do Estado, sendo que o município apenas doou o terreno para a construção. Por isso, o município tem tentado negociar a retomada da obra com o governo. “Estamos fazendo a petição ao Governo do Estado para que eles concluam a obra iniciada por eles lá no ano de 2007 e 2008, e paralisado em 2010”, disse.

João Almeida ressaltou que não é apenas o município que reivindica o término da obra. O Tribunal de Contas também exige explicações do governo sobre o término da obra. “O Tribunal de Contas está em cima do Governo do Estado. Já foram investidos quase R$ 7 milhões lá. Eles querem uma resposta do Governo do Estado do que vai ser feito desta obra. Essa mobilização não é apenas nossa enquanto cultura. Os outros órgãos de fiscalização já estão em cima do Governo do Estado”, explicou.

O secretário de Planejamento destaca que a partir de agora a intenção é ajudar do Governo do Estado com ideias e estudos que possam auxiliar a criar um planejamento para o término da obra. “Com a vinda da superintendente pra cá, nós vamos começar a levar todas as nossas ideias, todas as nossas sugestões para que seja feito um estudo”, revela João Almeida.

O presidente do Conselho de Cultura acredita que um grupo de mobilização ajudará com que o processo possa ter andamento no Governo do Estado. Por isso, os conselheiros estão juntando artistas locais e entidades que possam auxiliar a mostrar que o local será benéfico ao município. “De você estar utilizando as proximidades do Centro Cultural para demonstrar quanto é rica a cultura e quanto a gente poderia aproveitar aquele espaço se tivesse concluído como Centro Cultural. Envolve você ir até a Câmara Municipal, até à Câmaras Municipais das cidades da região que serão beneficiadas pelo Centro Cultural, ir até a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná e fazer uma apresentação lá de quanto essa obra seria importante para nossa comunidade. Isso é uma coisa que o Conselho da Cultura pode fazer junto com outras entidades ir lá se manifestar. Tentar ser a ponte entre a fala da sociedade que é a favor da cultura junto às autoridades municipais, estaduais interessadas com isso”, explica.

Leonardo ressalta que outro fator que poderá ajudar é a regularização do Fundo Municipal de Cultura. O fundo poderá ser usado para ser investido na manutenção e garantir o funcionamento do teatro. “Nós poderíamos posteriormente pela Cultura regularizar a utilização do Fundo Municipal de Cultura para depois nesse espaço do Centro Cultural estar fazendo o mesmo trabalho, mas específico para cultura: contratando profissionais, empresas voltadas à área cultural para se apresentarem lá, fazerem workshop culturais lá, isso envolvendo os grupos étnicos, grupos de teatro, de dança, de fotografia, audiovisual, todas as áreas culturais abrangidas pelo Conselho hoje”, afirmou.

Para Nelci, o investimento na cultura ajudará na educação e formação de jovens, mas também trará uma oportunidade de negócio para muitos iratienses. “A cultura traz um rendimento econômico, ela traz riqueza, traz trabalho, traz rendimentos. Muitas pessoas vivem da cultura. Queria pedir para que as pessoas abracem a cultura que é nossa, do nosso povo, dos grupos folclóricos. Não podemos pensar que o Centro Cultural vai ser só do teatro”, disse.