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Carceragens das delegacias de Teixeira Soares, Palmeira e Rebouças são desativadas

Medida ocorre por causa da transferência da custódia de presos para o Departamento Penitenciário (Depen) que forçou uma reorganização no sistema prisional do Estado. Em Irati, houve transferência de presos e mudança da natureza dos custodiados/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Carceragem da Delegacia de Teixeira Soares foi desativada. Foto: Polícia Civil de Teixeira Soares/Divulgação

As carceragens localizadas nas Delegacias de Teixeira Soares, Palmeira e Rebouças foram desativadas. Os detentos que estavam nas delegacias de Teixeira Soares e Palmeira foram transferidos para Ponta Grossa. Já os custodiados que estavam em Rebouças foram levados para União da Vitória e Guarapuava.

A desativação das carceragens ocorre após o Governo do Estado transferir a custódia de presos para o Departamento Penitenciário (Depen). Com a medida, os policiais civis deixam de ter responsabilidade com cuidados de presos que estão nas delegacias e passam a conseguir ter mais tempo para a dedicação às investigações. O cuidado de presos passa a ser do Depen.

Em todo o estado, 73 carceragens foram fechadas e 4 mil policiais civis não precisam mais cuidar de presos. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP), a estimativa é 3.200 agentes estavam deslocados de suas funções e agora serão incorporados à Polícia Civil.


A medida forçou uma reorganização do sistema prisional que agora obedecerá a um fluxo diferente do anterior. Por exemplo, presos de Rebouças e Teixeira Soares terão como referência a Delegacia de Irati, que ficará com o preso por pouco tempo, até ele ser transferido para outros locais, como em Ponta Grossa ou União da Vitória. “Aí vem o fluxo e daí segue ou para Penitenciária de Ponta Grossa, para Penitenciária de Guarapuava, para Penitenciária de União da Vitória, ou para a Penitenciária de Francisco Beltrão, e etc”, explicou o delegado-chefe da 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, Nagib Nassif Palma, durante entrevista à Najuá.

Além dos três municípios, outras delegacias da 13ª Subdivisão também tiveram as carceragens desativadas como Sengés, Arapoti e Piraí do Sul. Ipiranga e Imbituva já estavam com as delegacias desativadas.

Outras delegacias continuam com as carceragens, mas o cuidado dos presos passou para o Depen. É o caso das delegacias de Irati, Castro e Jaguariaíva. “Algumas estruturas da Polícia Civil em delegacias regionais, que eram um pouco mais estruturadas fisicamente, continuam essa movimentação de preso, mas desta feita, com a gestão do Departamento Penitenciário. Ou seja, este Departamento Penitenciário, enquanto não está com prédios suficientes para já pegar todos os presos, ele já está administrando algumas das delegacias nossas, mas por conta deles, por gestão plena. Nessa delegacia, acaba sendo uma entrada dos presos, então o departamento fazer a qualificação de qual vai para onde, qual penitenciária que vai”, conta o delegado.

A expectativa é que a construção de novos presídios diminua a superlotação do sistema prisional. De acordo com o Governo do Estado, quatro unidades foram finalizadas e outras cinco deverão ser entregues neste ano. Uma delas fica em Ponta Grossa, que poderá receber até 700 presos e ser inaugurada no início do próximo ano.

O delegado-chefe da 13ª SDP destaca que as delegacias que tiveram as carceragens desativadas continuarão com algumas celas, que serão usadas para colocar o preso nas primeiras horas, até ele ser transferido. “Quando o cara vai preso ele fica por um tempo até o delegado decidir, vai ficar preso ou não vai. Vai ser lavrado o flagrante ou não vai. Ficará definitivamente preso ou não. Uma cela ou duas celas, poucas sempre tem que ter, porque esse período muito rápido enquanto da lavratura do flagrante. Então, não dá para gente botar zero celas, não ter nenhuma, mas é uma coisa muito rápida que fica o preso questão um dia para outro no máximo, vamos imaginar e dali seguir esse fluxo”, detalhou.

Segundo Nagib, a reorganização ajudará os policiais civis. “A Polícia Civil ficou livre. Ficou mais livre para demandar sua energia só para investigação ou pelo menos predominantemente para investigação. E logicamente que isso terá reflexos na região onde atua aquela equipe policial. Já estamos tendo reflexos”, contou.

O delegado-chefe ressalta que a mudança também ajudará o preso. “Esta mudança que ocorreu, de gestão, melhorou para o preso, para os familiares. Por quê? Porque o tratamento dado a este preso é similar, no que for cabível, aos presos de uma penitenciária. E não como era na delegacia que se tu for lá, é praticamente um depósito de gente”, explicou.

Nagib destacou que a mudança ajudará com que os espaços tragam estruturas que ajudem na ressocialização. “Nessas regionais, por exemplo, que citamos Irati e Castro, já está tendo esse aporte profissional das condições e dos direitos, de toda a estrutura multidisciplinar junto aos presos que na Policia Civil não teria como ter, que nas delegacias não teria como a gente suprir”, disse.

Delegado-chefe da 13ª SDP de Ponta Grossa, Nagib Nassif Palma, falou sobre desativação das carceragens em municípios da região durante entrevista no programa "Meio Dia em Notícias". Foto: Divulgação

Concurso:
O delegado-chefe ainda comentou sobre o concurso que selecionará novos investigadores e delegados da Polícia Civil, que será realizado no domingo, 3. O concurso seria realizado em fevereiro, mas foi adiado em virtude da pandemia.

Para Nagib, o concurso vai ajudar a regularizar a situação da região que já sofreu perdas de funcionários e precisa repor o pessoal. “Nós aqui, inclusive na região de Ponta Grossa, é brutal a deficiência neste sentido. Só para ter uma ideia, eu estou há dois anos – janeiro de 2019 – indo para três anos aqui. Em um universo de 18 delegados, nós perdemos seis delegados neste período que estou aqui. Na ordem de 40% e já havia uma deficiência. Assim que esse concurso for feito e eles preparados, certamente serão repostos”, explica.

2ª Subdivisão: O delegado-chefe também se mostrou favorável a Irati se transformar em Subdivisão Policial. “Porque Irati já tem uma movimentação, a cidade já comportaria uma outra subdivisão. Se não me falhe a memória havia um projeto já lá nos idos de 2011,2012, nesse sentido que acabou não dando pra frente. No que depender de a gente opinar, lógico que tem que ser feito estudos nesse sentido, mas eu acho que perfeitamente caberia Irati tornar-se uma subdivisão e abranger algumas comarcas mais próximas, como por exemplo Rebouças, Teixeira, Palmeira, talvez Imbituva, as que forem mais próximas e tornar-se uma subdivisão. Porque Ponta Grossa é muito grande. É a maior do estado. Nós temos 12 comarcas”, disse.

Caso não seja possível implantar a Subdivisão, Nagib destacou que é preciso estruturar a unidade de Irati. “Nós já alocamos funcionários aí, desde que estou aqui já mandamos três funcionários para Irati. Nesses três anos. Tirando dos outros lugares, realocando. Se não conseguimos transformar em subdivisão, que pelo menos a gente potencialize a estrutura para que a regional de Irati funcione cada vez melhor”, explica.

Segundo o Delegado, dentro dessa estruturação está a alocação de mais pessoal, principalmente após o concurso. “Seria colocar mais gente. Colocar mais investigadores ainda, alocar mais escrivães, quiçá, a possibilidade de colocar mais um delegado, ter um chefe adjunto que eu acho que ali caberia. Mas tudo isso que estamos falando dependemos do aporte de mais gente porque senão não tem de onde tirar”, disse.

A mudança de prédio também pode ajudar a situação. “Outra coisa que pretendemos fazer é o prédio, a questão predial de Irati ser melhorada, ir para outro lugar, ser construída, ir para outro projeto, tentar que se construa uma delegacia nova, dessas novas que o Estado se organizando para construir e assim ficar uma delegacia de prédio novo e com mais gente para trabalhar”, afirmou.