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Unicentro oferece atendimento psicológico gratuito para trabalhadores

Pessoas que estão passando por situações difíceis em seus locais de trabalho ou estão desempregadas podem procurar o Pronto Atendimento Psicológico para Trabalhadores. Atendimentos estão sendo feitos via internet/Paulo Henrique Sava

Professora Cláudia Regina Magnabosco Martins, coordenadora do Pronto Atendimento Psicológico para Trabalhadores, oferecido pela Unicentro. Foto: Paulo Henrique Sava 

Desde 2010, o Departamento de Psicologia (DEPSI) do campus Irati da Unicentro vem prestando apoio gratuito a pessoas que passam por situações difíceis ou sofrimentos em seus locais de trabalho ou estão desempregadas, através do Pronto Atendimento Psicológico para Trabalhadores. Porém, com a pandemia de Covid-19, os atendimentos, que eram feitos de forma presencial na Clínica-escola de Psicologia da universidade, passaram a ser online. As pessoas interessadas em participar do projeto podem se inscrever preenchendo um formulário disponibilizado pelo Google Forms. Depois, a pessoa deve aguardar contato via WhatsApp para iniciar os atendimentos. Cada sessão tem duração aproximada de 50 minutos a uma hora.

A coordenadora do Pronto Atendimento, Cláudia Regina Magnabosco Martins, ressaltou que são atendidas cerca de 5 a 8 pessoas por semana. “Atendemos estas pessoas pelo menos uma vez por semana ou quantas vezes forem necessárias para que elas possam falar e compreender o que está vivendo e melhorar o seu estado de saúde mental”, pontuou.

Um grande número de trabalhadores tem procurado o serviço porque não consegue ter acesso ao mercado de trabalho e não se encaixa em nenhuma vaga, seja por falta de experiência, escolaridade ou capacitação suficientes. Em outros casos, algumas pessoas acabam fazendo “bicos” ou trabalhos em situação bastante precária, recebendo um salário baixo e fazendo muitas coisas para conseguir sobreviver, atuando no mercado informal. Estas pessoas fazem parte do público-alvo do Pronto Atendimento Psicológico da Unicentro, segundo Cláudia. “Este é um grupo de pessoas que temos atendido: ansiosas, chateadas, frustradas, decepcionadas e com muita desesperança e às vezes desespero também, porque precisam pagar suas contas e viver. Tem casos em que os dois chefes de família não têm emprego; em outros é apenas uma pessoa. É uma coisa que movimenta demais a família toda, pois as pessoas estão sem condições de vida pelo desemprego”, frisou.

Por outro lado, muitos trabalhadores que permaneceram empregados sofrem com as pressões por conta de metas, comportamentos abusivos e sobrecarga de trabalho, o que pode acarretar em sérias consequências para o psicológico e a saúde física da pessoa, conforme explica a professora. “Isto acaba impactando o corpo, atrapalhando o sono, a alimentação e causando dores musculares, lombares, de cabeça, crises ansiedade, de medo e em relação ao que se quer ou não fazer. Muita gente quer sair do trabalho, mas não pode por uma questão mesmo da pandemia e do momento em que nós vivemos. Está ruim ali, mas eu não tenho como sobreviver sem aquele trabalho”, comentou.

“Há pessoas que ficam com muitas dores ou problemáticas no estômago, no intestino, na cabeça, na garganta, dependendo de cada pessoa. Outras ficam ansiosas, que dormem pouco ou não dormem mais, muito nervosas, às vezes sem paciência de conviver no trabalho ou em casa, e que parece que ela perdeu o eixo, a educação. Quando vamos atender, percebemos que são inúmeros fatores, e a maneira como as coisas acontecem no trabalho impacta muito”, completou Cláudia.

A pouca autonomia ou a falta dela dentro do ambiente de trabalho é outro fator que afeta a saúde do trabalhador, na opinião de Cláudia. “A condição de ser quem eu sou, de poder mostrar o que e como penso, de usar meus recursos de criatividade, conhecimento e formas de fazer as coisas é outra questão. Há empregos que são muito dirigidos, como telemarketing ou almoxarifado. Em trabalhos que sejam muito procedimentais não temos muito manejo mesmo, mas sempre há condição de o sujeito ser ele mesmo e organizar a sala ou a situação da forma como ele deseja ou mais próxima do que ele pensa. Se isto não for presente, é uma grande questão”, pontuou.

O prazo curto e as condições precárias para o cumprimento de metas estabelecidas também podem trazer sérias consequências para o empregado, segundo a professora. “Se eu não sou autônomo, não sei o que fazer e não tenho autonomia, mas preciso resolver em pouco tempo, quais são os recursos que eu, como trabalhador, desenvolvi? Se eu não resolvo depois do tempo que me deram, vai ser chamada minha atenção. Então, como a gente resolve esta equação de ter que desempenhar algo que eu não sei como fazer?”, questionou Cláudia.

Pronto Atendimento para Trabalhadores da Saúde - Neste período de pandemia, a Unicentro também abriu um atendimento exclusivo para profissionais da saúde, que atuam diretamente na linha de frente contra a Covid-19. Para este tipo de atendimento, o profissional deve entrar em contato via WhatsApp pelo número (42) 99964-0384. Segundo Cláudia, estes trabalhadores sofrem psicologicamente por estarem diretamente envolvidos com casos suspeitos e confirmados da doença e terem maior propenção a contrair o vírus.

“Esta era uma situação limite, e não dava para protegê-los na medida em que eles deveriam fazer os cuidados, mas isto trouxe uma grande pressão. Se a maioria de nós tinha receio de morrer, de passar o coronavírus para outras pessoas que pudessem falecer também, como os nossos familiares, isto foi muito aumentado e real para eles (funcionários da saúde), que poderiam, de fato, ter estas duas situações de morte de si ou de suas famílias muito maiores que todos nós. Muito cansaço, uma pressão grande da própria situação, no início, em todo o Brasil, falta de equipamentos e alguns deles não eram os mais adequados, mas isto foi resolvido ao longo do tempo. Sempre resta, na nossa cabeça, uma dúvida: será que este equipamento é suficiente? Será que fizemos tudo certo? É uma situação exagerada, é muito difícil porque é muito forte e profunda”, frisou.

Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem também foram afetados por conta da sobrecarga de trabalho causada pelo número reduzido de profissionais na rede pública e pela falta de descanso dos que permaneceram trabalhando. Além disso, muitos deles acabaram tendo que trabalhar em até dois ou três lugares diferentes para complementar a renda familiar.


Cláudia acredita que a solidariedade entre e os trabalhadores e gestores da empresa, em todas as áreas, no sentido de compreender o que está acontecendo no ambiente de trabalho, pode ajudar a reduzir os riscos de problemas psicológicos e na saúde do trabalhador. No entanto, ela afirmou que isto não vem ocorrendo, na maioria dos casos. “Ou seja, as pessoas não estão sendo protegidas porque elas estão cada vez mais sozinhas, dentro e fora do trabalho. A pandemia piorou isto, pois acabou com a nossa possibilidade de nos encontrarmos pelo menos fora do trabalho e compartilharmos nossos sofrimentos. Então, se a pandemia fora acabou com estes ambientes, dentro (dos locais de trabalho) eles precisam existir. É uma batalha que precisamos ter enquanto sociedade por espaços dentro dos locais de trabalho em que as pessoas possam falar sobre o que está funcionando bem ou não, e resolver conjuntamente o que possa ser resolvido”, destacou.

Atualmente, cinco estudantes e a própria Cláudia atendem no Pronto Atendimento Psicológico para Trabalhadores. Outros oito psicólogos, entre professores e egressos do curso de psicologia cadastrados no sistema E-psi atuam no projeto Covid-19.

Alguns casos específicos são repassados para outras instâncias, como o Núcleo Maria da Penha (NUMAPE), o Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (NEDDIJ) ou para as secretarias municipais de Assistência Social e de Educação. Em muitos casos, Cláudia chama a atenção para o fato de que a maioria da população desconhece os atendimentos, que estão disponíveis de forma gratuita. “Em muitos momentos, quando ela cessa o atendimento, nós dizemos que tem outros locais para ela procurar, e ela consegue ‘desenrolar’ um pouco dos ‘nós’ da sua vida indo ao lugar certo, e isto é parte do que a gente também faz”, finalizou.

Mais informações podem ser obtidas pessoalmente na Clínica-Escola de Psicologia da Unicentro, que funciona nos períodos da manhã e da tarde, ou pelos telefones (42) 99964-0384 (Projeto Covid-19), 99128-9980, 3421-3226 ou 3421-3227.



Foto: Divulgação Unicentro