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Requião fala sobre saída do MDB e intenção de concorrer a governador

Entrevista à Rádio Najuá também contou com participação do deputado estadual Requião Filho que falou sobre seu trabalho na Assembleia Legislativa/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava

Ex-governador Roberto Requião concedeu entrevista à Najuá na sexta-feira. Foto: Divulgação

O ex-senador e ex-governador do Paraná, Roberto Requião (sem partido), falou sobre sua saída do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em entrevista à Rádio Najuá. A saída foi anunciada em agosto e até o momento, ele não divulgou qual será a nova filiação.

Ouça o áudio da reportagem no fim do texto

Requião explicou que sua saída ocorreu em função de decisões que o partido começou a tomar. “Eu saí do MDB porque deixou de ser um partido político para ajudar a mudar o Brasil, o Paraná, os municípios e passou a ser um partido fisiológico de procura de empreguinhos, de benefícios pequenos”, disse.

Para o ex-governador, esse é o motivo por trás do alinhamento político do partido que está apoiando a gestão de Ratinho Júnior (PSD) e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Não dá para a gente aceitar isso. Nós estamos aqui no Paraná com uma tarifa de energia elétrica rigorosamente absurda. Quando fui governador, era a mais baixa do Brasil e eu congelei a tarifa por oito anos. A mesma coisa com a água. O MDB está votando a favor do pedágio. Então, como o partido deixou de servir aos interesses da população, eu saí. Insatisfeito com o partido local e com o partido nacional’, explica.

O ex-governador era um dos fundadores do MDB no Paraná, sendo inclusive, o filiado número 1 do estado. Ele ingressou no partido em 1980.


Requião comenta que a decisão de se desfiliar do partido veio também por não concordar com o apoio à gestão de Jair Bolsonaro. “O problema não é nem o Bolsonaro. É o tipo de governo. É você entregar a Petrobrás para estrangeiros explorarem e nós estarmos a esse preço da gasolina a quase R$ 6 no Paraná e R$ 7 em alguns estados. O problema é o preço da energia elétrica, o preço da água, a privatização disso tudo. É a entrega do Brasil para interesses estrangeiros. E uma falta de identidade com a população, falta de amor e falta de fraternidade no exercício do poder. Sem amor, identidade e fraternidade, a política não serve rigorosamente para nada”, avalia.

Requião também criticou a isenção realizada pelo governador a empresas. “As nossas empresas pagam impostos pesados. As multinacionais têm isenção. Aqui no Paraná, o Rato isentou R$ 17 bilhões de empresas que ele não diz quais são. Seguramente são as estrangeiras. E nesse sistema corrupto da política brasileira, eu me pergunto: o que aconteceu para isentarem R$ 17 bilhões, empresas estrangeiras no Paraná, e se recusarem a dizer quais são e porquê isentaram”, conta.

O deputado estadual Requião Filho (MDB), que ainda é filiado ao MDB, mas também deve sair do partido, complementou as críticas do seu pai em relação à isenção de impostos. “Por que não isentar os pequenos? Pequenos, microempresários e médios empresários no Paraná são responsáveis por sete em cada dez empregos. Pequenas e microempresas no Paraná correspondem a apenas 2% da arrecadação total de ICMS do estado. Mas quem o governo resolve ajudar com R$ 17 bilhões? Grandes empresas. Provavelmente multinacionais, empresas internacionais”, disse o deputado.

Deputado Requião Filho também participou da entrevista na Rádio Najuá. Foto: Divulgação

Após o anúncio de sua saída do MDB, o ex-governador contou que recebeu convites do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Partido dos Trabalhadores (PT), mas não confirmou em qual partido irá se filiar.

No entanto, Requião confirmou que irá se candidatar ao governo do estado e que pretende formar uma frente de oposição. “Eu sou pré-candidato. Não estou escondendo de ninguém. Estou tentando costurar um apoio amplo, mas sou pré-candidato ao governo do estado”, complementou.

O ex-senador destacou que pretende formar uma frente inspirada em um projeto formado em Portugal. “Eu quero montar uma grande frente política, com as pessoas que realmente acreditam no Brasil e se identificam com a população, que dão prioridade aos mais pobres e às empresas nacionais e paranaenses”, destaca.

Para alinhar essa frente ampla no Paraná, Requião conta que já teve encontros com membros do PT e PDT para discutir o assunto. Um dos encontros foi com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Bati um papo com o Lula. Eu estou tentando influir na proposta nacional porque um governador do estado tem limites para fazer melhor as coisas. Se ele tiver o apoio de um programa nacional no mesmo sentido de valorizar o Brasil, os nossos empresários, os nossos trabalhadores, fica mais fácil. O melhor fica possível”, disse.

Requião explica que tem se aproximado do partido e conversado sobre mudanças. “A minha briga é para que o governo futuro aprenda com os erros para não os repetir. Os erros devem ser chamados de experiência e não deve ser repetido”, conta.

O ex-governador comenta que tem certeza de que Lula pode ser eleito, segundo as pesquisas mostram. Por isso, Requião disse procurar alinhar um apoio caso seja eleito para retornar ao comando do Estado. Ao mesmo tempo, ele reconhece que o PT teve erros, mas disse querer colaborar para eles sejam corrigidos. “O PT cometeu erros. E eu estou tentando influir para que esses erros sejam corrigidos de uma forma mais clara. Por isso, que estou nessa indefinição partidária. Eu quero ter a certeza de que como governador do Paraná, eu terei um apoio do governo federal para melhorar a vida das pessoas, das nossas empresas, a educação dos nossos filhos, a qualidade da saúde e tudo mais”, disse.

Requião também comentou sobre a obra do Centro Cultural Denise Stoklos, em Irati. A obra foi iniciada em seu governo e interrompida logo após. Segundo Requião, os governos que vieram após ele abandonaram a obra. “Aquilo foi uma coisa que me mobilizou muito e foi abandonado no governo Rato [Ratinho Junior], no governo do Beto Richa. Pararam aquilo tudo. O hospital de Telêmaco. Eu deixei 95% pronto. Até hoje não funciona normalmente. Não está completo. Eles tinham ódio do que a gente fazia. Agora esse Centro Cultural da Denise, Irati merecia”, disse.

Para Requião Filho há falta de vontade política para concluir algumas obras no Estado. “Os outros governos do Paraná eram focados em obras onde existiam um grande número de pessoas. Uma obra na entrada de Curitiba, uma obra em Foz do Iguaçu, em Cascavel por um valor menor atendia um número muito maior de eleitores e dava uma sensação maior e um retorno maior eleitoral. Mas não é esse o objetivo de um governo. Um governo que trabalha apenas para o retorno de votos não é um governo que atende aos seus municípios, não é um governo que atende ao seu povo”, afirmou.

Outro assunto abordado na entrevista foram os pedágios do estado. Requião Filho relembrou que todas as emendas parlamentares propostas foram rejeitadas na Assembleia Legislativa. As emendas propunham modificações no projeto que delega as rodovias estaduais para o gerenciamento do Governo Federal.

Para o deputado, a lei sancionada pelo governador não deverá ser benéfica para a sociedade. “O governador está dizendo que vai baixar as tarifas. É um golpe eleitoral. A tarifa será diminuída, numa porcentagem mínima agora no começo. Na sequência, com o reequilíbrio econômico, a tarifa será mais cara. São pelo menos mais 15 novas praças de pedágio no Paraná. Pelo menos porque todas as rodovias paranaenses estão aptas a serem pedagiadas pelo Governo Federal. Arranca com 15, mas poderemos ter 30, poderemos ter 40, 50, 60 novas praças”, afirma Requião Filho.

O ex-governador também comentou sobre os pedágios. Ele falou que quando era governador entrou na Justiça com 41 ações contra o pedágio, mas não obteve apoio. “O Ministério Público do Paraná e do Brasil [Federal] encaminharam a favor dos concessionários, a favor do preço que eu achava excessivo. Um verdadeiro roubo. E os juízes davam liminares para conceder aumento. E nunca punham em julgamento na turma. Então, era uma articulação da sociedade a favor da privatização e sem se preocupar com o aumento do custo de vida no estado”, disse.

Requião conta que se comprometeu a lutar contra o aumento dos pedágios, mas que o sucessor não continuou com suas ações. “Eu contava que o Judiciário e o Ministério Público acompanhassem o Estado na defesa do povo e da nossa economia. O Ministério Público encaminhou contra o estado do Paraná e a população todas as vezes. E os juízes davam liminares. Tinham 41 sentenças que tinham que ser discutidas nos tribunais, nas turmas. O Beto [Richa] assumiu o governo depois de mim. Como entrei com essas propostas judiciais na qualidade de governador, o Beto como governador, retirou todas as ações judiciais”, contou.

Para os dois políticos, as decisões atuais do Governo Estadual trazem consequências que podem não ser positivas, como a falta de investimento. Requião Filho relatou que a dificuldade de atrair investidores se dá pelo encarecimento de alguns setores. É o caso do custo da água. “Hoje é uma das mais caras e qualquer chance de aumento, mesmo acima da inflação, será dado na tarifa de água. Falta água no Paraná porque não há investimentos em captação, novos reservatórios, distribuição de água e tratamento”.

Requião Filho também criticou o encarecimento da luz no estado. “Hoje é uma das mais caras e tem decisão em assembleia de acionistas que todo e qualquer aumento autorizado pela Aneel, sendo necessário ou não, será dado a um percentual máximo possível, mesmo acima da inflação”, explicou.

O deputado estadual ainda complementou que uma empresa paga mais imposto no estado. “Temos hoje no Paraná uma política de ICMS que é horrível. Nós cobramos antecipadamente de vocês o ICMS com base na distribuição tributária, quando você compra o seu estoque, nós cobramos ICMS. Se você for buscar as alíquotas, são as mais caras do Brasil. Todas elas acima de 27% praticamente”, conta.

Para Requião, a abertura para o mercado de ações não foi algo benéfico para a população. “Tem que mudar esse jogo. É uma impossibilidade. Eles estão loucos. Eles dizem que a Copel não é uma empresa social. Ela se dirige à remuneração dos acionistas. Quem são os acionistas privados da Copel? Fundos de investimentos de Dubai, da China, da França, da Itália, dos Estados Unidos. Gente que não sabe onde fica o Paraná. Entraram num fundo de investimento que comprou ações aqui nessa marmelada que não precisaram vender ações, compraram, e agora querem se remunerar mais alto. Como você faz a remuneração de uma ação? Se corta investimento e aumenta tarifa. Eles dizem que assim são empresas de mercado”, explicou.

Ouça o áudio da reportagem