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MP denuncia militares por ameaça e constrangimento de aluno em colégio de Imbituva

Segundo a denúncia, eles teriam ameaçado e submetido um adolescente a constrangimento, além de terem supostamente praticado violência arbitrária ao agredirem o menor

Militares da reserva foram afastados de suas funções de diretor militar e monitor do Colégio Cívico-Militar Alcides Munhoz, de Imbituva. Foto: Zaqueu Luiz Bobato

O Ministério Público do Paraná (MP/PR) denunciou dois policiais militares da reserva que atuavam como diretor militar e monitor no Colégio Cívico-Militar Alcides Munhoz, em Imbituva. Segundo a denúncia, eles teriam ameaçado e submetido um adolescente a constrangimento, além de terem supostamente praticado violência arbitrária ao agredirem o menor. Os envolvidos também foram acusados de corrupção passiva e prevaricação. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

A denúncia foi protocolada no dia 9 de setembro. De acordo com o Ministério Público, o monitor é suspeito de repreender um aluno no dia 6. O estudante teria supostamente desenhado uma folha de maconha e escrito a frase “vida louca” na carteira escolar. Segundo o MP, o monitor teria ameaçado o estudante, dizendo que “já tinha matado vários e que ele não iria fazer diferença”. Ele ainda foi acusado de agredir o menor. No retorno para a sala, o aluno foi obrigado pelo monitor a limpar a carteira na frente dos demais colegas e da professora.

Segundo a denúncia, o diretor militar ficou sabendo da situação e mesmo assim tentou acobertar o caso. Além disso, os agentes teriam solicitado à Secretaria de Assistência Social que “amenizasse” o relato dos crimes à Promotoria de Justiça. A ação penal está tramitando na Vara da Auditoria Militar.


O Ministério Público relata na denúncia que, somado aos crimes de corrupção passiva e prevaricação, o diretor também teria ameaçado a vítima. Além disso, ele teria afirmado a secretária de Assistência Social de Imbituva que “ficou sabendo que já teve um caso de uma criança da Casa Lar tacar [sic] fogo no carro do conselho, que Deus o livre se fizer isso com meu carro, ainda bem que não tenho porte de arma”. Conforme o MP/PR, a declaração indica que ele poderia atirar no adolescente caso estivesse com uma arma.

Em nota enviada à Najuá, a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEED) informou que o monitor e o diretor militar da escola foram afastados logo após o registro do fato. 

Também em nota, a Polícia Militar do Paraná confirmou o afastamento dos militares.Segundo a PM, a coordenação estadual do Corpo de Militares Estaduais Inativos Voluntários (CMEIV) está aguardando uma manifestação oficial sobre o caso para tomar as providências cabíveis. O comando da Polícia Militar ressalta que os integrantes do Programa de Colégios Cívico-Militares devem seguir uma disciplina e obedecer à hierarquia militar. Todas as denúncias sobre condutas inapropriadas são apuradas de forma rigorosa. “A PM lembra que não compactua com desvios de conduta de seus integrantes, sejam da ativa ou da reserva remunerada e toda denúncia recebida é apurada”, diz um trecho da nota da PM. O caso foi encaminhado para a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP), que tomará as providências necessárias.

Procuradas por nossa reportagem, a diretora civil do colégio, Marilda Grocoski, e a chefia do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Ponta Grossa, que abrange o município de Imbituva, não se manifestaram sobre o caso.