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Leonardo Schenato Barroso que trazer projetos para fomentar cultura iratiense

Novo presidente do Conselho da Cultura falou sobre objetivos da nova gestão e também destacou o papel da obra do Cine Cultural Denise Stoklos para Irati/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava

Leonardo Schenato Barroso concedeu entrevista por vídeo no programa Meio Dia em Notícias da Super Najuá na sexta-feira. Foto: Divulgação

O jornalista Leonardo Schenato Barroso é o novo presidente do Conselho Municipal de Cultura de Irati. Na gestão anterior, ele era vice-presidente e agora fica à frente do conselho nos próximos dois anos.

De acordo com o novo presidente, um dos principais objetivos da nova gestão é criar formas de fomentar economicamente os projetos culturais. “Estabelecer um programa municipal de incentivo, fomento e apoio à cultura eu acho que é a primeira coisa que eu gostaria de tentar fazer como presidente”, disse.

Leonardo conta que a proposta para Irati deve seguir os moldes do programa realizado em Curitiba que possui duas ferramentas de incentivo à cultura: um fundo municipal e um programa de Mecenato Subsidiado.

Em Irati, já foi criado um fundo municipal, mas a lei ainda não foi regulamentada por decreto, o que prejudica o repasse de recursos. A proposta da nova gestão do conselho é fazer um fundo municipal similar ao que ocorre em Curitiba. “O Fundo Municipal de Cultura de Curitiba tem uma comissão específica, composta por nove integrantes, que vão deliberar sobre projetos que possam receber recursos do Fundo Municipal de Cultura de Curitiba. De onde saem esses recursos? O artigo 6º da lei que criou o Programa de Incentivo e Apoio à Cultura de Curitiba diz: ‘Fica estabelecido para o Programa de Apoio e Incentivo à Cultura o percentual com limite de até 2% da receita orçada proveniente do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, o ISS, e sobre o Imposto de Propriedade Predial e Territorial urbana, o IPTU. Ele estabelece uma fonte de recursos que vão ser destinadas a esse programa. Metade desse recurso é para o Fundo Municipal de Cultura e a outra metade é para outra ferramenta que é o Mecenato Subsidiado que também queremos tratar aqui”, explica o presidente do Conselho de Cultura.


A seleção dos projetos que poderão receber recursos deverá obedecer a critérios descritos em um regulamento próprio do programa, assim como há em Curitiba.

Leonardo explica que a nova gestão quer trazer também a proposta de Mecenato Subsidiado para Irati. O programa funciona como outras leis de incentivo, onde o empresário escolhe no momento do imposto de renda se aquele imposto pago será revertido para um determinado projeto.

Nesta proposta, o artista cria um projeto e apresenta para a equipe de avaliação do Mecenato Subsidiado. “Ele apresenta esse projeto para uma comissão do Mecenato Subsidiado e ele recebe, caso o projeto seja aprovado, uma certidão que se chama, Certidão de Enquadramento. A certidão diz que o projeto dele está enquadrado e com essa certidão ele pode buscar os empresários para que eles destinem recursos para o projeto dele. Recursos de renúncia fiscal”, conta.

Outra proposta para os próximos dois anos é tentar fazer um Plano Municipal de Cultura que abrange todas as áreas do conselho, trazendo também uma proposta que possa ser realizado ao longo de anos. “A gente precisa criar um Plano Municipal de Cultura que atende todas essas áreas. Normalmente é feito na Conferência porque na conferência você tem a presença de muitos artistas. Como essa última conferência foi uma conferência 100% on-line a gente não teve esse espaço de diálogo, esse espaço de participação efetiva do artista falando e dando sua opinião, então não desenvolvemos as metas desse plano”, disse.

Agora, o projeto é colocar a elaboração do plano em ação. “A gente precisaria, por exemplo, dividir essas comissões do conselho para que a gente criasse cada comissão um Plano Setorial de Cultura e mesclamos esse documento de uma forma inteligente, de uma forma integrada, de uma forma que faça sentido e cria um Plano Municipal de Cultura completo, que contemple todas essas áreas e que possamos seguindo esse plano, cumprir essas metas estabelecidas e desenvolver todas essas áreas da cultura. E a cultura de forma geral”, afirma.

Por fim, o presidente destacou que possui um projeto mais audacioso, a criação de uma Fundação Cultural, para que o incentivo à cultura permaneça mesmo com trocas de gestões. “Para que serve uma fundação cultural? Basicamente para que possamos manter projetos permanentes de cultura sem que uma mudança de gestão, uma mudança política do município, venha a desfazer todo um trabalho que estava sendo construído. A fundação permanece e fica responsável pelo andamento dos projetos a longo prazo”, explica.

Centro Cultural Denise Stoklos: O novo presidente também comentou sobre a enquete realizada pela Prefeitura de Irati sobre a finalidade da construção da obra do Centro Cultural Denise Stoklos, na entrada da cidade. A enquete está perguntando aos munícipes se o local deve continuar sendo um teatro ou deve mudar a sua finalidade.

Segundo Leonardo, o local deve ser visto como um centro cultural, e não somente como “teatro”. “Um centro cultural abrange uma gama muito mais ampla de atividades e de importância, do que somente o ‘teatro’. Eu coloco o ‘teatro’ entre aspas porque somente o teatro já é bem importante. Mas um centro cultural trata sobre muito mais atividades para além do teatro. Estamos falando sobre palestras, sobre cursos, sobre feiras, sobre congressos, sobre formaturas, estamos falando de um uso, pelo menos, no mínimo conjugado com educação”, explica.

Uma das críticas do setor cultural é que a pergunta da enquete questiona se a obra pode ser transferida para área de saúde ou esporte. Para o novo presidente, essa forma de pergunta pode ser arriscada. “O que acho perigoso é contrapormos a cultura a outras áreas. Nós colocarmos uma área contrapondo às outras. Porque na verdade tudo está inserido no mesmo contexto social e tudo é muito complementar”, disse.

Leonardo explica que em uma situação de pandemia, as pessoas tendem a aceitar a transferência deste espaço para a área da saúde. “Teve pessoas da minha família que quando foram lançadas esta enquete estavam positivadas para a Covid-19 e a gente é compelido a pensar no seguinte: ‘Realmente, nesse momento temos que pensar na área da saúde, mais leitos e mais atendimento de saúde’. É aí que mora uma retórica perigosa que eu comento. Se esse espaço tivesse concluído, nós poderíamos fazer uso desse espaço também para a área da saúde. A nível nacional, você vê estádios de futebol que foram usados como hospitais de campanha”, conta.

O presidente do Conselho de Cultura ainda exemplifica que em Irati, isso aconteceu com os ginásios. “O pavilhão do Parque Aquático, que normalmente é utilizado para lazer, que normalmente é utilizado para a feira de negócios da Festa do Pêssego, ele está sendo usado agora como centro de vacinação. Já foi unidade sentinela da Covid-19. A gente justapor o uso de cultura com outros usos neste momento é uma discussão infértil porque a obra como ela está não pode ser usada para nada. Isso te garanto”, disse.

Leonardo destaca que o município perdeu oportunidades de negócios e desenvolvimento com a obra paralisada nos últimos anos. “A gente perdeu a oportunidade de que Irati fosse até então uma capital regional de cultura e que traria uma série de investimentos, uma série de pessoas que conheceriam o nosso município, isso movimentaria dinheiro na área de restaurante, de bares, de hotéis, das prestações de serviços de forma geral”, relata.

O novo presidente revelou que o conselho planeja fazer uma reunião extraordinária no dia 28 de setembro para poder discutir a obra. A intenção é convidar o secretário de Planejamento, João Antônio de Almeida Junior, para falar sobre os projetos para o local. “A gente gostaria que ele fizesse uma apresentação de como hoje a Secretaria entende essa obra do Centro Cultural. Sabemos que o terreno foi doado pela prefeitura, havia um prazo de três anos para o andamento das obras, esse prazo não foi cumprido. Então, supostamente sujeita-se a reversão para o município. Nós gostaríamos, que enquanto conselho, enquanto órgão deliberativo, pudéssemos discutir sobre isso com mais informações”, conta. A reunião ainda não está confirmada.

Nova diretoria do Conselho Municipal de Cultura:

Presidente: Leonardo Schenato Barroso

1ª Secretária: Elenita Chuproski

Vice-Presidente: Edson Santos Silva

2º Secretário: Herculano Batista Neto

Representantes da Sociedade Civil, eleitos em Assembleia Geral durante a 5ª Conferência Municipal de Cultura:

Comissão I - Artes Cênicas e Música: Titular: Patrícia Glinski Kaspczak; Suplente: Rafael Zentil Buss. Comissão II - Artes Visuais: Titular: Daniel Tavares; Suplente: Rafael Dieter. Comissão III - Artes Audiovisuais: Titular: Leonardo Schenato Barroso; Suplente: Mirian Guimarães; Comissão IV - Patrimônio Material: Titular: Nelsi Antonia Pabis; Suplente: Vergílio Miguel Trevisan. Comissão V - Livro e Literatura: Titular: Edson Santos Silva; Suplente: Junior Bueno; Comissão VI - Instituições da Sociedade Civil e Movimentos Sociais: Titular: Herculano Batista Neto; Suplente: Braulio Zarpellon Junior.

Representantes Governamentais, indicados pelo Poder Executivo municipal:


Secretaria Municipal de Cultura, Patrimônio Histórico e Legado Étnico: Titular: Elenita Chuproski; Suplente: Alfredo Van der Neut. Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico: Titular: Samanta Regina dos Santos Ferreira; Suplente: Diego Cesar Luiz. Secretaria Municipal de Comunicação Social: Titular: Fernanda Pereira Santos; Suplente: Ewerton Hraber. Secretaria Municipal de Educação: Titular: Adriana Menon; Suplente: Mabel Berton da Luz Havresko. Secretaria Municipal de Agropecuária, Abastecimento e Segurança Alimentar: Titular: Raimundo Gnatkowski; Suplente: Marli Aparecida Kuzma. Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação: Titular: Cleide Aparecida da Cruz de Andrade; Suplente: João Antônio de Almeida Junior.