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Irati faz enquete sobre mudança de finalidade do Centro Cultural Denise Stoklos

Com finalização estimada em R$ 25 milhões, Prefeitura de Irati lançou enquete perguntando se finalidade do prédio deverá ser alterada. Munícipes tem até o dia 10 de setembro para participar/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Sava

Centro Cultural Denise Stoklos. Foto: Paulo Sava

A Prefeitura de Irati está realizando uma enquete com o objetivo de discutir a possibilidade de dar um uso diferente ao Centro Cultural Denise Stoklos, na entrada da cidade. Paralisada desde 2011, a obra tem o custo estimado de R$ 25 milhões para ser concluída.

O secretário de Planejamento de Irati, João Almeida Junior, explica que o município precisa terminar a obra e para isso quer entender o que a comunidade acredita ser o melhor para o espaço. “Toma base da população o que a população acha de nós terminarmos esta obra como Centro Cultural ou terminarmos ela com outra finalidade, seja administrativa, área de saúde, esportiva. Mas nós temos que terminar essa obra, seja ela com qual finalidade ela for”, afirma João Almeida.

Na enquete, a prefeitura pergunta aos munícipes qual a opinião sobre a finalidade da obra do teatro e pede para que se assinale uma das duas alternativas. A primeira é que a obra seja concluída como um teatro. A segunda alternativa é que a obra seja finalizada para outra finalidade, seja um setor administrativo da saúde, centro esportivo, entre outros. 


O secretário conta que a mudança de finalidade foi uma sugestão do Governo Estadual que já havia iniciado um processo de licitação. “Como é uma obra estadual, eles fizeram a contratação da empreiteira, a empreiteira desistiu, e o Estado veio com essa alternativa para nós, se nós poderíamos contornar com uma alteração de objeto de convênio, em concordância com o Tribunal de Contas do Estado, para finalizarmos esta obra de outra maneira”, disse João Almeida.

A obra iniciou em 2008, e na época, a prefeitura apenas cedeu o terreno para que o prédio fosse construído a partir de recursos estaduais. “Essa obra tem algumas particularidades porque o município de Irati entrou apenas com a cessão do terreno e foi uma construção exclusivamente estadual. Começou em torno de 2008 e em 2011 foi paralisada. Tentou-se no ano de 2012 um convênio com a Unicentro, para tentar um recurso via Secretaria de Ciência e Tecnologia Estadual para o término da obra, em torno de três anos. Isso aproximadamente final de 2015, início de 2016, essa obra retornou à posse do município”, explicou o secretário.

A sugestão de mudança de finalidade surgiu após uma cobrança do Tribunal de Contas do Paraná que questionou obras paradas no estado. Dentre as obras da relação estavam o Ginásio de Esportes, o Centro da Juventude, a Praça do CEU no bairro Joaquim Zarpellon, pavimentação entre Irati e o distrito de Gonçalves Júnior e também o Centro Cultural. “E a partir de 2017 e 2018 o Tribunal de Contas do Estado entrou com uma representação contra o Governo Estadual das obras paradas em todo o estado. Tinha em torno de 120 obras paradas. Algumas delas eram em Irati, se não me engano, sete obras que custavam mais de R$ 1 milhão eram do município de Irati”, conta.

Com a sugestão, o município decidiu fazer a consulta pública por meio da enquete na internet por causa da pandemia. “Em época de pandemia, nós não temos como fazer uma audiência pública, seja na Câmara. Fizemos [a enquete] virtualmente”, afirma João Almeida.

A partir do resultado da enquete, uma decisão poderá ser tomada pelo município. “Tendo o aceitou ou não da nossa população, nós começaremos a discutir uma outra finalidade para aquele Centro Cultural”, relata.

O secretário conta que há uma negociação com estado para finalizar o projeto, mas não há decisão sobre a finalidade. Contudo, a intenção é que se possa usar o prédio de forma mista, já que partes como o anfiteatro poderão ser difíceis de adaptar. Ao mesmo tempo, o prédio possui outras salas e instalações que podem servir como parte da administração municipal. “Nós estamos em negociação e sabemos da importância do setor cultural. Nós queremos que, se possível, uma parte nós consigamos utilizar de forma administrativa, outra parte possamos utilizar ela como Centro Cultural”, disse.

Se a obra for finalizada como espaço cultural, o valor ficará em torno de R$ 25 milhões porque o projeto possui itens que encarecem a obra. “Só em poltronas vai quase R$ 1 milhão para colocarmos poltrona neste espaço. Sonorização é quase R$ 5 milhões. Mais um tanto desse para iluminação. Fora o imobiliário”, explica João Almeida.

Além da finalidade do prédio, há também a preocupação de como o local será usado futuramente, especialmente se continuar com uma finalidade cultural. Um dos projetos já discutidos é o local ser usado pela Unicentro para um curso de Artes Cênicas.

O secretário disse que a possibilidade não está descartada, mas que é necessário que o processo de criação do curso e a finalização da obra tenham andamento juntos. “Não podemos esperar o Centro Cultural para estar pronto para então iniciar esse processo de credenciamento junto ao MEC [Ministério da Educação] do curso de Artes Cênicas na Unicentro. A demora de um curso desse é em torno de dois a cinco anos. Eles têm que andar em paralelo”, disse.

Outra possibilidade para o prédio é que ele possa abrigar uma companhia de dança. “Nós já entramos em contato, por exemplo, com o Balé Nacional da Ucrânia para ver se teriam interesse de fazer aqui em Irati, pela nossa colonização, nos moldes como o Bolshoi russo fez em Joinville. Trazermos essa companhia para Irati. Eles viram com bons olhos essa possibilidade, mas na hora que estávamos iniciando as tratativas mais profundas, veio a pandemia. Tivemos que tirar o pé do acelerador e vamos retomá-la agora novamente”, contou.

Diferentes possibilidades de mudança de finalidades já foram discutidas. Por isso, já há a compreensão de que algumas finalidades, como atendimento médico, poderão ser difíceis e até mais caras para serem implementadas no local. “A adaptação para um prédio de saúde é muito complexa para aquela finalidade. Toda a questão de ventilação, questão de tubulações de gases medicinais (oxigênio, ar comprimido) seria um pouco comprometido. Como hospital ou como centro para receber paciente é um pouco mais complexo. Porém, um centro administrativo de saúde pode ser utilizado”, disse.

O resultado da enquete deverá ser levado para discussão do Conselho Municipal de Cultura, que debaterá o que poderá ser feito. “Nós vamos levar, com um peso a mais, essa opinião da nossa população. Eu faço parte do Conselho Municipal de Cultura também. Eu sei qual é a opinião e nós vamos discutir isso na próxima reunião do Conselho Municipal de Cultura, essa enquete. Vamos apresentar os motivos que levou a prefeitura e tentar que nos tenhamos uma unanimidade de opinião do que fazer com essa obra”, afirma.

A enquete está disponível até o dia 10 de setembro de forma online neste link.

Revitalização: O município de Irati também deverá realizar a revitalização da rua Munhoz da Rocha, no centro de Irati. O projeto foi apresentado pela Associação Comercial e Empresarial de Irati (ACIAI) e aceito pela atual gestão. A revitalização receberá R$ 3 milhões de investimentos por meio do deputado Ademar Traiano. “Essa revitalização na Munhoz da Rocha iniciaria primeiramente com uma drenagem porque sabemos que na Munhoz da Rocha, bem no centro dela, tem um ponto de alagamento. Temos que tirar aquela água dali. Depois, em um segundo momento, fazer substituição de calçada, iluminação, colocar bancos, lixeiras, floreiras. Fazer com que o centro da nossa cidade seja aconchegante, acolhedor, que traga a população novamente”, disse.

Além da revitalização, outras obras estão sendo realizadas em Irati. Uma delas é a pavimentação do Pinho de Baixo. A obra possui recursos federais, por meio de emendas do deputado Evandro Roman, e está em sua terceira fase. “Já foi concluída, hoje o asfalto chega dentro da comunidade. Nós vamos nesta terceira fase fechar toda a comunidade, aquele quadrilátero interno da comunidade”, disse.

Ainda na localidade, o município pediu à Eletrobrás a devolução do terreno onde está a Cachoeira do Pinho. O local está em uma usina hidrelétrica desativada há 30 anos, que está em posse da Eletrobrás. Com a possibilidade de privatização, o município requisitou a área. “Nós fizemos a solicitação, já estamos com toda a documentação do Governo Federal solicitando ao município de Irati. Posteriormente, essa obra vindo ao município, nós já temos garantido recursos, para que possamos fazer todo o embelezamento, mantendo toda a questão ambiental, para que façamos paisagismo, pistas suspensas, para que a população tenha um pouco mais de tranquilidade e de acesso à Cachoeira do Pinho”, contou.

Outra obra de pavimentação acontecerá no Pirapó, que terá extensão do projeto. “Nós vamos poder licitar mais R$ 500 mil que vai dar mais 500 metros de pavimentação. Já temos indicação de recurso de mais de R$ 2 milhões para essa pavimentação do Pirapó”, revela o secretário de Planejamento.

Também há previsão de pavimentar a estrada do Rio do Couro. “Nós temos a indicação de outro deputado de fazer do Rio do Couro, em direção a Gonçalves Junior, que já diminuiria a questão do Itapará. Pedras irregulares vindo do Itapará até o centro do município”, explica.

Confira mais fotos de como está a obra do Centro Cultural. Imagens: Paulo Sava/Rádio Najuá