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Irati apresenta crescimento na doação de sangue apesar da pandemia

Irati registrou mais doações no primeiro trimestre deste ano do que no mesmo período de 2020. Excedente de bolsas está auxiliando as cidades de Curitiba e Campo Largo/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Hemepar de Irati coletou aproximadamente 300 bolsas de sangue por mês na média do primeiro trimestre de 2021. Foto: Hemepar/Divulgação

A unidade do Hemepar em Irati registrou crescimento nas doações de sangue no início deste ano. A informação foi revelada em entrevista à Rádio Najuá pela médica Larissa Mazepa e o responsável pela unidade de coleta de Irati, Amauri Kubaski. A entrevista fez parte da campanha “Rádio na Veia” promovida pela Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná (AERP) para incentivar a doação de sangue.

Assista a entrevista completa no fim do texto


No primeiro trimestre do ano passado, ou seja, antes da pandemia, a unidade de Irati coletou 728 bolsas de sague. Já neste ano, durante a pandemia, foram coletados 989 bolsas de sangue nos três primeiros meses. Em comparação com números nacionais, a tendência de crescimento é diferente do que ocorre no País, onde o Ministério da Saúde estima que houve 15% a 20% de redução nas coletas de sangue.

Segundo a médica Larissa Mazepa, esse resultado diferente é consequência de campanhas realizadas na região que incentivaram as pessoas a doarem sangue. “Principalmente porque nos dois últimos trimestres do ano passado, nós tivemos uma forte campanha, não sei se lembram, tanto na rádio quanto nos outros meios de comunicação, porque os estoques baixaram demais. É claro que isso acaba refletindo normalmente entre um trimestre para o outro”, analisa a médica.

O aumento da coleta na região ajudou outros municípios que estavam passando por diminuição nos estoques. É o caso de Curitiba, que chegou a ter um déficit de coleta de 150 bolsas por dia. Em Irati, a coleta chegou a 300 bolsas de sangue por mês. “E nós utilizamos, em média, 200 a 250 bolsas por mês. Esse excedente ajuda Curitiba e Campo Largo quando necessitam de sangue e que eles não têm. Assim como nós, em algum momento, precisamos de sangue e eles encaminharam para nós, nós também estamos encaminhando sangue para eles, para quando precisam e que possamos ajudar de alguma maneira”, explica a médica.

Amauri destaca que a participação da população foi essencial e ajudou a suprir cidades que costumam requisitar mais bolsas de sangue. “Irati conseguiu além de suprir toda a sua necessidade de transfusões para as nossas unidades hospitalares, conseguiu atender o Hemepar central, em Curitiba e Campo Largo”.

A médica ainda destaca que as pessoas foram sensibilizadas a doar sangue. “A pandemia acaba gerando uma sensibilização também na população. E a população vendo que as pessoas estavam morrendo e cada vez mais precisando de sangue, eles acudiram ao nosso serviço e através de uma organização interna que tivemos que fazer através de agendamentos, através de coletas extras, nós conseguimos atingir esse número espetacular ajudando tanto os nossos hospitais da região, como também Curitiba e Campo Largo”, relata.

A unidade de Irati tem continuado a realizar campanhas de doação com empresas e seus funcionários. Atualmente, a unidade tem organizado para que empresas de Rebouças, Rio Azul e Imbituva possam vir à cidade para realizar a doação. “Todas essas empresas se prontificam e nós as encaixamos nas coletas estendidas que é o período depois do horário comercial, onde essas pessoas podem vir ou depois das 17h, em grupo da mesma empresa, para que não aglomere com outros doadores de outra região, tomando cuidado com o coronavírus”, afirma Amauri.

Médica Larissa Mazepa repassou orientações sobre quem pode doar sangue e quais são os impedimentos durante entrevista à Najuá. Foto: Divulgação

Quem pode doar? Para doar sangue, é preciso que os doadores se encaixem em alguns critérios como ter mais de 50 quilos, ser maior de 18 anos (adolescentes de 16 e 17 anos podem doar, mas precisa estar acompanhado de um dos pais), estar bem alimentado e saudável.

Outro critério para a doação está relacionado à atividade sexual do doador. “Também tem que estar com o mesmo parceiro sexual nos últimos seis meses. Então, os jovens e até outras pessoas que tem múltiplos parceiros sexuais, nós não conseguimos detectar [doenças sexualmente transmissíveis] em alguns tipos de exames. E quando são detectados, podem dar falso positivo e isso também é grave porque a pessoa acaba se assustando, devido à um falso positivo, e que às vezes poderia ser evitado”, explica Larissa.

A doação não pode ser feita por pacientes que tenham sido diagnosticados com diabetes e nem que estejam usando medicamentos como Tapazol e o Propiltiuracil, no caso de diagnóstico de hipertireoidismo.

Já as pessoas com hipotireoidismo podem doar. “As pessoas que tem hipotireoidismo, que tomam Puran, Euthyrox, Levotiroxina sódica, não tem impedimento para doação. Dos medicamentos anti-hipertensivos, não tem nenhuma restrição. A maioria dos medicamentos para pressão alta, para colesterol, para triglicerídeos não tem restrição para doação, inclusive, alguns medicamentos para ansiedade e alguns tranquilizantes não impedem a doação”, disse a médica.

Outros medicamentos também impedem a doação. “Os únicos impedimentos são os medicamentos para esquizofrenia severa, para os anticonvulsivantes (remédios para convulsão) e o remédio para hipertireoidismo, Tapazol que são os medicamentos não podem doar. Do restante, a maioria pode estar doando sangue, sem problema nenhum”, conta.

Quem usa anticoagulantes também faz com que a doação seja contraindicada. Outros medicamentos como o AAS (ácido acetilsalicílico), anti-inflamatórios como Ibuprofeno, Paracetamol, Dipirona, Diclofenaco podem ser usados até um dia antes da doação, mas não podem ser consumidos no dia da doação.

Já quem fez cirurgia bariátrica também precisa estar atento. Isso porque alguns tipos de cirurgia bariátrica podem ter restrições de doações já que afetam a quantidade de hemoglobina produzida no organismo. “A hemoglobina é a quantidade de glóbulos vermelhos que tem o sangue circulando. Existem algumas cirurgias que diminuem demais a absorção de vitamina D e da formação de glóbulos vermelhos. Essas pessoas, infelizmente, não vão poder doar sangue. Porém, existem outras técnicas cirúrgicas que não diminuem a quantidade absortiva e que tem uma hemoglobina acima de 12, 13 ou 14 – 12,5 é o mínimo – e que podem tranquilamente doar sangue porque não tem nenhuma restrição, tem peso suficiente e tem a quantidade de hemoglobina suficiente para que não faça falta pro doador”, disse.

As pessoas que tiveram algum tratamento de câncer como radioterapia ou quimioterapia há mais de cinco anos podem ser qualificadas para doação. Contudo, é preciso que o doador tenha sua situação analisada. “O que são os tipos de câncer que são liberados são os canceres de colo de útero e os canceres de pele. Porém, se existe uma alta por parte do Erasto há mais de cinco anos, que não fez mais radioterapia, mais quimioterapia, não usou mais medicação por mais de cinco anos, já pode sim voltar a doar sangue. Porém, a quimioterapia baixa muito a quantidade de glóbulos vermelhos. Se a quantidade de glóbulos vermelhos e o organismo tiverem respondendo bem a toda essa injúria que ele recebeu, a pessoa pode ser doadora de sangue”, explica.

As pessoas que tiveram Covid-19 também podem doar sangue. “O sangue de qualquer pessoa independente ser tenha tido Covid ou não pode doar sangue. Com relação à vacina, pessoas que tomaram o Coronavac tem uma restrição de 48 horas e a as pessoas que tomaram as outras vacinas como a AstraZeneca, a Sputnik, a Pfizer tem que esperar no mínimo sete dias para depois poder doar sangue”, conta Larissa.

Até pouco tempo, a Hemepar de Irati também coletava doação de sangue para fazer plasma hiperimune, mas a coleta parou porque o estoque está completo.

Em média, cerca de 400 a 450 ml de sangue são coletados a cada doação. A médica explica que a doação é baseada no peso e estatura de cada doador. Por isso, a quantidade máxima é limitada para que traga segurança ao doador. “A gente preconiza que o sangue que é retirado seja suficiente para que beneficie uma pessoa e mantenha uma pessoa viva, mas principalmente que não faça mal para o doador”, disse.


As bolsas de sangue coletadas são enviadas para Curitiba, onde são processadas para depois voltarem ao banco de sangue. “Este sangue vai para Curitiba. Ele é processado e volta para a nossa unidade aqui em Irati. Toda vez que outras unidades precisam de sangue, elas saem daqui para outras unidades”, conta a médica.

O Hemepar de Irati está localizado na rua Coronel Gracia, número 761, no centro de Irati. Os telefones para contato são (42) 3422-3119 e (42) 9-9955-3539 (WhatsApp). As doações são realizadas às terças e quintas, pela manhã, e às segundas, quartas e sextas, das 13 às 16h. A unidade também abre horários de atendimento depois das 17h, a partir de agendamento por telefone. É preciso garantir um volume de 30 pessoas para o período estendido.

Assista abaixo à entrevista completa: