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Média de casos de coronavírus aumenta em Irati

Apesar do aumento, pandemia é considerada controlada em Irati. Secretária de Saúde, Jussara Hassen e coordenador do Centro de Operações Especiais e de Fiscalização (COEF), Agostinho Basso, falam sobre situação atual e surtos que ocorreram no município/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Em entrevista à Najuá, secretária Jussara Aparecida Kublinski Hassen e coordenador do COEF, Agostinho Basso, analisaram atual situação da pandemia em Irati. Foto: Najuá/Arquivo

Após uma queda no início do mês, a média de casos de coronavírus voltou a aumentar em Irati na última semana. “21 dias atrás nós tínhamos 82 casos, nos últimos sete dias. Depois nos últimos 14 dias, nós baixamos para 49 casos, uma média de sete casos por dia. Isso no dia 3 agosto. E agora no dia 10 de agosto, que foi fechado a última média móvel, nós passamos para 131 casos, tendo um número de casos por dia de 18 casos”, conta o coordenador do Centro de Operações Especiais e de Fiscalização (COEF), Agostinho Basso.

Contudo, apesar do aumento, o coordenador destaca que a pandemia está controlada e que os cuidados devem continuar. “De sete casos por dia para 18, aumentou. Mas tendo comparado no mês de julho, de junho, e principalmente no mês de maio, aonde nós chegamos a ter 148 casos de média por dia, está totalmente dentro de um controle a nossa pandemia”, explica Agostinho.

Até a tarde desta sexta-feira, o boletim epidemiológico mostrava que Irati já registrou 8.500 casos de Covid-19 desde o início da pandemia, sendo 8.165 moradores recuperados e 173 óbitos. Atualmente, 89 moradores que apresentaram sintomas da doença aguardam resultado dos testes e 148 pessoas infectadas permanecem em isolamento domiciliar. 15 pessoas estão internadas, sendo cinco em enfermarias, oito em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e duas no Pronto Atendimento Municipal.


A secretária de Saúde, Jussara Aparecida Kublinski Hassen, alerta que o aumento tem acontecido especialmente nesta semana. “Na semana passada, nós tínhamos uma média de cinco a dez pessoas positivadas por dia. Essa semana, nossa média foi para mais de 30 pessoas positivadas. Para nós, continua a preocupação. Esperamos que não agudize, que não piore o quadro dessas pessoas que estão positivadas”, disse.

Segundo Jussara, ainda é cedo para dizer se o aumento é um reflexo do Dia dos Pais, mas as aglomerações de pessoas que desrespeitam os cuidados preventivos podem estar ajudando a aumentar esse número. Por isso, é importante que as pessoas continuem com os cuidados preventivos, até mesmo depois de receberem a vacina. “Temos visto que as pessoas tem se encontrado mais e a gente pode atribuir a isso sim. Mais encontros, as pessoas com essa falsa confiança de estar: ‘Eu já me vacinei, então não tenho mais perigo de pegar a Covid’. A vacina vai te prevenir, não vai deixar agudizar, você piorar a tua situação. Mas não é porque está vacinado que está imune. Não. Voltamos a falar: a vacina é para você não piorar o teu quadro. Mas você pode sim pegar o vírus. Você é um transmissor, inclusive, para quem não vacinou ainda. Essa é a nossa preocupação. Porque você pode estar vacinado e até não agudizar, mas você passar para quem não se vacinou e pode piorar o quadro”, destaca.

De acordo com dados do vacinômetro divulgado pela prefeitura de Irati, até a manhã de hoje, foram 35.187 pessoas vacinadas, sendo que 33.673 receberam a primeira dose e 12.067 moradores foram imunizados com duas doses. 1.514 iratienses receberam a vacina de dose única. O total de pessoas com o esquema completo de vacinação chegou a 13.581.

Agostinho alerta que a vacinação precisa estar acompanhada dos cuidados preventivos. “Ela deve ser somada ao uso de máscara, ao uso do álcool em gel, lavagem das mãos rotineiramente e principalmente, o distanciamento social. Eu não posso me aproximar a menos de um metro e meio de ninguém sem máscara ou mesmo de máscara. Somados a isso, vem a vacina”, disse.

Os cuidados precisam ser tomados também porque nenhuma vacina possui 100% de eficácia. “Apesar de ter tomado duas doses, a vacina que tem uma maior abrangência chega numa média de 70% de cobertura. Ou seja, a cada 100 pessoas vacinadas existe a possibilidade de menos 30 vir mesmo assim vir a pegar a doença”, disse.

O coordenador do COEF explica que o objetivo é vacinar a população para que se tenha menos chances de casos graves de coronavírus. “Nós queremos que a grande maioria das pessoas tomem as duas doses porque mesmo que venha a pegar o vírus ela não vai ficar doente, doente grave, não precisará ir à UTI ou não irá a óbito. Essa que é a importância da vacina. Mas nós não podemos esquecer que as novas variantes estão vindo”, disse Agostinho.

Por isso, a vacinação avançada não é sinal de que a pandemia acabou. “Os cuidados ainda são os mesmos. Essa pandemia está ativa e nós não vencemos ela”, destaca o enfermeiro.

Surto:
Informações de que surtos de Covid-19 estavam ocorrendo em Irati, especialmente em empresas que estavam abertas assustaram moradores do município nas últimas semanas. A secretária de Saúde confirmou que houve surtos em empresas, mas que as mensagens compartilhadas na internet possuíam informações falsas.

A Secretaria de Saúde de Irati considera um surto quando três pessoas são contaminadas em uma empresa ou departamento. No entanto, ao contrário do que foi divulgado na internet, as empresas não são fechadas. Os locais que são fechados e higienizados posteriormente são os departamentos ou setores que os funcionários contaminados trabalham. “Não é interditado a empresa como todos pensam. Vamos fechar a empresa toda? Não”, explica Jussara.

O coordenador do COEF confirmou que uma das empresas que apresentou um surto foi o supermercado Cavalin Bora. “De fato, aconteceu um surto no açougue desse mercado. Mas isso já faz vários dias. Aconteceu que todos os funcionários do açougue foram monitorados, testados e foram afastados. Quando acontece um surto, seja em qualquer estabelecimento, a [Vigilância] Epidemiologia que decide se precisa afastar, se precisar fechar departamentos, setores, ou se precisa fechar empresa inteira, conforme o número de funcionários, conforme o caso. No caso específico do mercado Cavalin, a gerência e supervisões foram muito receptivos, já obedeceram a todas as regras. Foram afastados todos os funcionários e foi substituído por outros funcionários que não tinham nenhum contato com os demais. Não foi orientado em nenhum momento o fechamento, nem do açougue, nem do mercado como um todo, como saiu nas redes sociais. O mercado Cavalin está apto a trabalhar, não tem problema nenhum, não existe risco nenhum de qualquer pessoa”, explica Agostinho.

O Grupo Cavalin Bora publicou uma nota em suas redes socais onde explica que está funcionando normalmente e que os funcionários são testados regularmente. “O Grupo Cavalin Bora investe diariamente em testes particulares de Covid para funcionários que apresentam qualquer dos sintomas da doença. Até que saiam os resultados, os funcionários são imediatamente afastados, assim como os funcionários que possam ter tido contato com contaminados positivados, ou que recebem Notificação de Isolamento Médico proferido pela Secretaria Municipal de Saúde”, diz a nota.

O Grupo Cavalin Bora também divulgou o número de telefone para clientes interessados em esclarecer dúvidas. O número é (42) 3422-1188.

Agostinho também comentou outro caso que foi alvo de boatos. Ele confirmou que APAE de Irati teve um caso confirmado. “A APAE teve um aluno contaminado, positivo, e dois professores suspeitos da Covid-19. Nem confirmado haviam. Mas a APAE por decisão própria da direção, a própria escola resolveu fechar na quinta e sexta e voltar na segunda-feira. Mas em nenhum momento teve orientação da Epidemiologia [Vigilância Epidemiológica] para fechar e tudo mais”, disse.

O coordenador do COEF ainda destacou que surtos têm sido registrados desde o início da pandemia. “Desde o início da pandemia nós estamos tendo surto em comércios, locais, indústrias, mas isso o Serviço de Monitoramento sempre orientou e tem dado certo”, contou.

A Secretaria de Saúde também disponibilizou o número da pasta para que a população tire dúvidas e obtenha as informações corretas. O número é (42) 3907-3131. Também há informações sobre a Covid-19 no site da prefeitura de Irati ou na página especial de Covid-19, clique no endereço aqui

Variantes: O município de Irati já teve a confirmação da variante Delta, mas foram de casos que se contaminaram fora do município. Ainda não há confirmação de casos contaminados dentro de Irati. “Nós tivemos dois casos da variante Delta, seguidos de óbito. Esses dois casos, pelos históricos dos pacientes, tinham comorbidades graves, então eles pegaram em outro município. Nós não temos a contaminação comunitária ainda aqui em Irati comprovado. Mas sabemos que o Paraná já está com a contaminação comunitária”, ressalta a secretária.

Agostinho explica que nesses casos, os pacientes já passavam por tratamentos de saúde. “Esses dois casos eram pacientes que estavam tratando de câncer, já bem debilitados e aconteceu de serem contaminados, fora do domicílio, fora de Irati. E por causa de seu endereço, o óbito veio para Irati e já como a variante Delta diagnosticada”, conta.

Segundo ele, ainda não há muitas informações confirmadas sobre essa variante, mas a única certeza é que ela é mais transmissível. “Ela não influencia em nada nos sinais, nos sintomas e não dá para dizer que a variante Delta é mais patogênica, causa mais doença e é mais letal. Não podemos confirmar ainda. Única coisa que se sabe é que ela é mais infectante. Ela tem capacidade de passar para muitas pessoas”, disse Agostinho.

A análise genética para confirmar se há circulação da variante na região é feita no Rio de Janeiro a partir de amostragem. De acordo com Agostinho, essa análise tem a função de detectar se há a presença da variante e ajuda os serviços de Epidemiologia a planejar ações de combate ao vírus. Por isso, a análise é feita por amostragem. “O Lacen [Laboratório Central do Estado do Paraná] quando chega as amostras todas do Paraná, ele pega aleatoriamente as amostras e encaminha para o Instituto Oswaldo Cruz, lá do Rio de Janeiro, para fazer o sequenciamento genético. Mas repetir de novo. Pra quê? Apenas para estudo epidemiológico dos infectologistas para prever ações, para de repente ver se precisa mudar a vacina”, analisa o coordenador do COEF.

Com o aparecimento de novas variantes, muitas pessoas ficam preocupadas de que possa haver mais restrições. Para Agostinho, não há previsão de medidas totalmente restritivas como as feitas no ano passado. “O Brasil não pode mais ter um lockdown, por exemplo. Nós não podemos mais, por quê? A não ser que se torne um caos. Porque o comércio tem que trabalhar, a educação tem que voltar, as escolas tem que voltar, nossas crianças estão perdendo muito, o Brasil vai perder muito. A manutenção do emprego, da renda, dos bens e do comércio. Jamais nós descuidamos da saúde, da vida, do bem-estar, mas tem que buscar um equilíbrio”, afirma.