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Izabela Proceke conta sobre sua participação no livro "O Interior de Todo Artista"

O livro "O Interior de Todo Artista", escrito por Mário Lopes, traz a trajetória dos artistas de Irati. Izabela Proceke é uma das artistas convidadas no livro e conta como foi participar deste projeto/Karin Franco, com reportagem de Juarez Oliveira

Izabela Proceke contou detalhes de sua trajetória de 20 anos na dança durante entrevista à Najuá. Foto: Divulgação

Izabela Proceke é uma das artistas que aparecem no livro "O Interior de Todo Artista", escrito por Mário Lopes. O livro conta a trajetória dos artistas de Irati e traz os bastidores dos trabalhos de cada um deles, revelando desafios e superações ao longo da trajetória. O livro teve seu pré-lançamento em Irati na 5ª Conferência Municipal de Cultura.

Ouça o áudio da reportagem no fim do texto

Durante o livro, a artista pode contar sobre a sua trajetória com a dança até começar a atuar como professora e diretora do Studio de Dança Izabela Proceke. Para ela, o convite para participar do projeto foi algo inesperado, mas emocionante. “Quando eu recebi o convite eu fiquei muito feliz. Me senti muito honrada, muito importante. Valorizada. Fiquei bem emocionada, na verdade, fiquei bem surpresa porque a arte no nosso Brasil é pouco valorizada. Uma oportunidade dessa fiquei com o coração transbordando de alegria”, disse.

As entrevistas para o livro iniciaram antes da pandemia, com alguns encontros presenciais. “Foi muito maravilhoso. A gente ficava horas porque ele [Mário Lopes] queria saber a história com muitos detalhes. Então, eu ficava até forçando a memória porque é desde a minha infância. Muitas coisas eu nem lembrava. A gente ficava horas. Foram cinco encontros presenciais. E aí depois, como ele é de Curitiba, teve alguns encontros online. Com a pandemia terminou por e-mail”, explica.


Izabela conta que as entrevistas para o livro a ajudaram a refletir sobre a trajetória, trazendo boas recordações, mas relembrando desafios e traumas durante o percurso. “Foi para mim como se fosse uma terapia. Uma forma de cura de muitos traumas que tive. Assim pude ver o quanto fui uma pessoa forte, resiliente na minha vida. Isso me trouxe muito mais força. Me fortaleceu. E pude ter muito orgulho de mim, da mulher e artista que eu me tornei”, afirmou.

Para a professora, um dos momentos mais emocionantes de lembrar foi o seu início na dança. “Eu venho de uma família onde minha mãe tem esquizofrenia. Ela tem algumas outras doenças também. E meu pai colocou a gente no mundo da arte para se salvar. Lembrar disso tudo é muito emocionante e até hoje eu choro, mas é de alegria, por saber que a arte cura realmente e eu sou prova disso”, disse Izabela.

A família é um dos grandes motivos para que a artista tenha encontrado seu destino na arte. Nascida em Rio Azul, Izabela acabou se mudando com um ano para a região Sudoeste do Paraná e foi lá que ela começou a dar os primeiros passos na dança, por influência de sua irmã mais velha que já dançava e cantava. A arte estava em sua família, pois seu pai também costumava cantar. Mas foi num espetáculo de sua irmã mais velha Katiúscia Proceke Lourenço de Souza, que ela encontrou a dança. “Eu fui a um espetáculo dela de balé e ela era solista. Eu fui apresentada à dança com muito amor. Foi amor à primeira vista. Não tinha como eu a ver brilhando lindamente no palco e eu não ter o desejo de também fazer parte. Porque antes disso, eu não tinha tanto interesse sem olhar ela. Sem ver esse amor que ela tinha”, contou.

Após ver a irmã dançar, a arte entrou em sua vida. Mas aos dez anos outra mudança afetaria o estilo de dança que ela faria. A família acabou retornando para Rio Azul. Com isso, Izabela teve que sair do balé e encontrar outra modalidade.

Por sorte, na cidade já estava em atividade o grupo que futuramente se chamaria Mule'k, organizado pela professora Sandra Romanhuk. Nessa época, o grupo se chamava Biodança e foi uma oportunidade para que ela continuasse seus estudos na dança. “Graças a Deus que tinha a Sandra em Rio Azul para eu continuar os estudos. Depois disso, no Ensino Médio eu resolvi ir para União da Vitória, porque eu queria continuar meus estudos no balé. Eu fui morar para lá para continuar para estudar”, afirma.

Em União da Vitória, Izabela chegou até o Centro Universitário Vale do Iguaçu (Uniguaçu), onde cursou Educação Física. Foi lá, dentro da universidade, que ela teve sua primeira experiência ensinando dança a crianças carentes. “A paixão pela dança aumentou tanto porque trabalhar com crianças que não tem oportunidades, não tem explicação. É muito gratificante. Qualquer movimento que eu passava, qualquer música, claro que a gente estudava muito para levar algo que fosse para evolução dos alunos, para o crescimento, que fosse voltado mais para a cultura, para o desenvolvimento da cultura. Era os sorrisos de alegria, o agradecimento das crianças me fortaleceu tanto para continuar a trabalhar, então eu chegava em casa muito feliz. A alegria que eu passava para eles, eles me devolviam em dobro”, contou.

O trabalho deu resultado e inspirou alunos. “Com certeza muitas crianças se encontraram na dança como trabalho mesmo. Eu tenho uma ex-aluna desse projeto que hoje em dia é professora, fez Educação Física. Então, as crianças enxergavam um futuro”, relata.

Depois da faculdade, Izabela voltou para Rio Azul e passou a trabalhar, até que sentiu necessidade de criar algo próprio. “Eu trabalhava em vários lugares aqui em Irati, Rebouças, Rio Azul. Me sentia bem, muito bem em todos os lugares. Mas eu sentia necessidade de ter um espaço com a minha personalidade, com o meu jeitinho”, disse.

Ao longo de sua trajetória, a professora teve uma grande ajuda da irmã que a auxiliou em muitos momentos, especialmente quando teve vontade de montar o seu próprio negócio. Como a irmã já morava em Irati, isso facilitou para que ela tivesse apoio e montasse o estúdio de dança na cidade. “Depois que eu abri, com o apoio dela, trabalhando junto comigo, só cresceu e eu percebi o quanto foi importante ter feito isso. A primeira escola voltada totalmente para dança. Eu tenho muito orgulho em dizer. Sou muito grata e feliz com isso”, conta.

Com uma carreira de mais de 20 anos na dança, Izabela conta que tem visto a dança não ser somente um exercício para melhorar a saúde física, mas também uma terapia ajudando na saúde mental das pessoas. Em seu estúdio, ela já teve alunos que tiveram depressão e encontraram na dança uma terapia. A professora de dança destaca que sempre tem tentado a auxiliar os alunos. “Eu tive alunos adolescentes com depressão e que os pais incentivaram a fazer até muitas vezes, no começo, quando os alunos entraram, às vezes acabavam faltando aula por esse motivo. E eu insistia porque via que a pessoa no momento ali da aula se sentia mais feliz. Além desse trabalho físico, do movimento, eu também sempre incentivei com conversas, ligações, porque eu sei o quanto a dança e a arte muda a vida das pessoas”.

É exatamente essa capacidade de cura da dança em sua a vida que a motiva continuar o trabalho, especialmente quando vê resultados nos alunos. “Sabe aquelas manhãs cinzas que você às vezes não tem vontade de levantar da cama? A dança para mim é o que literalmente me move. Então, nesses dias eu penso na responsabilidade que eu tenho com as pessoas e o papel que a dança traz para a vida delas. É uma mudança positiva tão grande que acaba trazendo para minha vida. A mudança que eu levo para as pessoas, ela vem para mim. É muito positivo, muito alegre, é por isso que continuo até hoje”, conta.

O estúdio iniciou somente com balé clássico e danças urbanas. Agora, o estúdio oferece aulas de dança do ventre, jazz, dança livre e a Stiletto Dance, uma modalidade de dança urbana com salto alto.

Izabela conta que compartilhar sua história a motivou. “Todos os dias trabalhar com a arte tem toda essa gratidão, essa alegria, mas tem as batalhas porque ela é sim pouco consumida, ela é pouco incentivada, como deveria ser. O valor financeiro é muito pouco. Então, com a oportunidade desse livro eu vi esperança. Eu senti mais força, mais vontade de continuar a trabalhar. Me deu muita motivação em levar a dança para muitas mais pessoas”, conta.

Para a professora, contar a sua história e de outros artistas é uma oportunidade para conseguir divulgar mais a arte no município. “Eu vejo esse livro como forma de apresentar para a nossa sociedade, para o nosso município os artistas locais, as artes que aqui existem. Como o estúdio tem há nove anos, muitas pessoas não conhecem ainda. Então, é isso que eu senti quando fui convidada. Essa valorização”, explica.

O Studio de Dança Izabela Proceke fica na rua Coronel Emílio Gomes, no centro de Irati, no 4º andar do Edifício Silveira, mesmo prédio do curso Dinâmico.

Confira o áudio da reportagem