Publicidade Topo

notícias

Aluno do Colégio Antônio Xavier conquista medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica

Adolescente Ryan Demétrius de Oliveira Borges, de 15 anos, estudante do 1º ano do Ensino Médio, conquistou medalha também na 15ª Mostra Brasileira de Foguetes, real e virtual/Paulo Henrique Sava

Na foto, a diretora Maria Amélia, com os pais Rodrigo e Rose e o estudante Ryan. Foto: Paulo Henrique Sava

O adolescente Ryan Demétrius de Oliveira Borges, de 15 anos, estudante do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Antônio Xavier da Silveira, causou orgulho para os pais Rodrigo e Rose Borges e para seus professores. Ele conquistou a medalha de ouro na 24ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica e na 15ª Mostra Brasileira de Foguetes real e virtual. Ele também foi o único estudante da região selecionado para fazer parte da equipe brasileira que participará da seletiva para a Olimpíada Internacional de Astronomia.

Em entrevista à Najuá, Ryan relatou que sua paixão e o sonho de ser astronauta vêm desde que era criança. Ele começou a participar de olimpíadas em 2017, quando ainda era aluno da Escola Estadual Nossa Senhora das Graças. Desde então, ele vem conquistando medalhas de prata a cada ano, até conquistar o ouro em 2021. “Eu comecei a fazer a olimpíada porque minha mãe entrou em contato com a escola, que na época era a Nossa Senhora das Graças. Depois, eu peguei gosto e estou fazendo desde o 7º ano”, comentou.

Durante a pandemia, Ryan e a família começaram a pesquisar na internet formas para produzir um foguete feito de garrafa pet. Ele conta como surgiu a ideia e a maneira como o artefato foi construído. “Eu já tinha visto e nunca parei para ver de forma séria para fazer. Durante a pandemia, estava sem fazer nada e decidimos pesquisar. Vimos que este foguete não era tão difícil de fazer. As aletas (asinhas do foguete) são feitas de PVC, o bico é de cola epóxi e a combustão foi feita com vinagre e bicarbonato de sódio”, frisou.

O adolescente relatou como foi a participação na Olimpíada. “Neste ano a prova estava mais difícil que nos outros, mas eu estudei bastante porque, depois de três pratas, eu queria ganhar o ouro finalmente, daí estudei bastante e consegui tirar 8,8 na prova. Eu acredito que estudei umas quatro ou cinco horas a mais por dia”, pontuou.

Ryan contou com o incentivo dos pais e dos professores André Luiz Montanheiro Rosa, de Ciências, e Marcelo Dal Santo, de Química, para participar do evento. O estudante conta que as olimpíadas servem como incentivo para o estudo. Ele deve participar de outras olimpíadas de Química e de Física, podendo ser selecionado para as etapas internacionais.

Ryan conta que seu maior sonho é fazer uma faculdade na área da programação nos Estados Unidos. Ele ressalta que os pais também têm dado apoio para que ele possa realizar esta meta. “O pai e a mãe sempre estão suportando, e, se precisar de qualquer coisa, eles vão até junto comigo”, brincou.

O estudante incentiva outros jovens a seguirem seus sonhos. “As pessoas ficam muito focadas só na escola. Você não é obrigado a fazer as olimpíadas, mas só de estar fazendo, já é um evento a mais. O ENEM também não é a única opção para se fazer, principalmente para quem quer estudar fora. Não é tão difícil quanto parece”, comentou.

Ryan disse que ficou ansioso para receber o resultado da Olimpíada Brasileira, divulgado no dia 30 de julho, e que não ficou surpreso ao saber que havia sido selecionado para participar da seletiva para a Olimpíada Internacional de Astronomia, que está prevista para setembro. “Todos os anos eles divulgam que, se você tirar uma determinada nota, é selecionado. Então, eu já sabia disso, mas não sabia se ganharia a medalha de ouro. Então, no dia da premiação, eu fiquei a toda hora olhando no site o dia todo para saber”, frisou.

A diretora do Colégio Antônio Xavier, Maria Amélia Inglês, ressaltou o esforço do jovem ao estudar mais de 4 horas além da carga horária escolar, mesmo durante a pandemia, para at6ingir seu objetivo. “Sem um incentivo próximo, ficou muito mais difícil, e ele achou esta válvula de escape, que é o estudar sozinho para buscar um objetivo, que seria desenvolver estes projetos. Este do foguete foi inovador porque todos já tentaram, mas ele tinha uma meta a cumprir. Ele fez 193 metros, mas a meta era menor que isto, ele fez mais do que podia e por isto ganhou o ouro”, comemorou.


O foguete de Ryan atingiu 193 metros. O recorde brasileiro é de 360 metros. Com a conquista, Ryan foi convidado a tentar bater o recorde nacional no Rio de Janeiro. Maria Amélia destacou a importância da participação da família nesta conquista. “A escola, sozinha, não faz nada. Podemos inscrever assim como fazemos na OBMEP, nas olimpíadas de Língua Portuguesa. Mas se os jovens não quiserem e não houver incentivo da família, não temos este resultado. A família, estando presente e mostrando para o aluno que ele se sente seguro e que tem incentivo dos pais, a escola faz o seu papel, que é de inscrever e tentar trabalhar os conteúdos. Além disso, é uma união muito importante. Como diretora do colégio, estou muito feliz e orgulhosa e digo da nossa gratidão por ele ter participado e trazido esta medalha para o nome do colégio e à família, e mostrar para os jovens que é possível. Nós conseguimos destruir esta mania de que escola pública não consegue. Temos que mostrar que a escola pública tem tanta qualidade quanto as particulares”, pontuou.

Rodrigo ressaltou que, depois da pré-escola, os dois filhos do casal foram colocados em escola pública para terem mais contato com outras crianças, o que, para os pais, ajudou a proporcionar um desenvolvimento melhor para os jovens, através de um contato maior com a realidade do país. Para eles, o nível da qualidade da escola pública supera o das instituições particulares. “O nível da educação na escola pública eu acredito que está superando o das escolas particulares. Nós sentimos uma melhora muito grande na educação deles. Para nós, é só motivo de orgulho e satisfação eles estarem estudando aqui no Colégio Antônio Xavier da Silveira”, comemorou.

Para Rose, o maior desafio neste momento de pandemia foi fazer com que os filhos tivessem tanta admiração pelos estudos quanto pelos aparelhos eletrônicos. “Procuramos mostrar para eles o quão divertido seria, dizendo ‘vamos testar o foguete hoje, pôr tanto disto, daquilo, até chegar na proporção ideal’. Foram vários testes, um dia o foguete se perdeu no meio do mato e passamos a tarde e até a noite procurando, sendo que o Rodrigo encontrou só no outro dia. Vamos amarrando uma coisa com a outra para que o eletrônico vá ficando um pouco de lado e que eles vejam que outras coisas são tão interessantes quanto, só depende da forma como isso é mostrado para eles”, frisou a mãe.

Maria Amélia ressaltou que a oportunidade de participar de eventos como este sempre está aberta para todos os alunos. “A escola sempre se dispôs a ajudar. Às vezes não temos esta apreciação por parte deles, mas esperamos que eles tomem gosto e tenham incentivo com o Ryan, mostrando para todo mundo que é possível, que a gente consegue. Ele não desistiu no primeiro obstáculo: ele conseguiu a prata, mas queria o ouro e persistiu, e é desta persistência que precisamos dos demais estudantes, tanto nas olimpíadas de matemática, português, astronomia, química e de outras das quais a escola participa. Para isto, demanda vontade, comprometimento nos estudos e apoio da família, além do apoio dos professores e da direção da escola. É um incentivo sim, com certeza ele fez história e a partir de agora tenho certeza que haverá um novo olhar para estas olimpíadas, não só para a de astronomia, mas também para as outras, pelos nossos estudantes”, finalizou.

Fotos: Arquivo pessoal

Foguete criado por Ryan

Ryan e o foguete