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Quase 98% das escolas estaduais voltaram às aulas presenciais na região

Escolas estaduais estão se adaptando ao ensino híbrido, com aulas presenciais e on-line. Em Irati, transporte escolar deve iniciar a partir desta segunda-feira (02)/Paulo Henrique Sava, com texto de Karin Franco
 Na foto, alunas do Curso de Formação de Docentes do Colégio Estadual Antônio Xavier da Silveira. Foto: Paulo Henrique Sava

O Núcleo Regional de Educação de Irati registrou que quase 98% das escolas estaduais dos nove municípios de abrangência já voltaram com o ensino presencial. A volta ainda não atingiu a totalidade das escolas por causa do transporte escolar, que deve começar a funcionar nas próximas semanas na região.

O chefe do Núcleo Regional de Educação de Irati, Marcelo Fabrício Chociai Komar, explica que algumas adaptações ainda estão ocorrendo e que em alguns municípios, o transporte escolar iniciará em breve. “Algumas ainda estão sendo adaptadas com relação ao transporte escolar, mas pela grande parceria que temos com os prefeitos dos nove municípios, além de secretários e secretárias municipais, é um retorno muito esperado e hoje temos aproximadamente em torno de 35% a 40% do total de alunos, que é mais de 17 mil, retornando às atividades presenciais. Um número em ascensão a cada dia”, disse.

A volta às aulas na rede estadual iniciou no dia 21 de julho no Paraná. Sem transporte escolar, algumas escolas começaram as aulas presenciais para alunos que conseguiam ir à instituição. É o caso de Irati, que começará a ofertar o transporte escolar a partir desta segunda-feira (02). Já em outros municípios, a oferta de transporte poderá demorar um pouco mais, como é o caso de Teixeira Soares, onde o transporte escolar começará a partir do dia 30 de agosto.

Uma das escolas que já começou com as aulas presenciais em Irati é o Colégio Estadual Antônio Xavier da Silveira. A diretora Maria Amélia Inglês explica que a instituição está aguardando como o transporte será feito para alinhar o cronograma dos alunos que frequentarão as aulas presenciais. “Os ônibus que traziam os nossos alunos eram superlotados. Nós tínhamos aqui, de todos os bairros, nós temos do Pinho, do Rio Corrente, nós temos do Alto da Lagoa, nós temos de várias regiões da cidade, Lageadinho, todas essas regiões que vem para o Colégio Xavier. Como vai ser feito essa estrutura, essa logística, nos preocupa. Porque a gente se preocupa com a saúde desses alunos. Então, ainda estamos na expectativa de como será feito essa relação de alunos que podem adentrar o ônibus, que podem vir, se vai ter ou não uma conversa com a escola para que a gente possa organizar isso de uma forma em que o cronograma da escola bata com o cronograma de quem vai entrar no ônibus. É uma incógnita nesse momento ainda”, explica.

As aulas nas escolas estaduais estão sendo realizadas de modo híbrido, isto é, parte da turma assiste a aula presencial e outra parte assiste a aula on-line que será transmitida aos alunos que estão em casa. Para essa transmissão das aulas, o Núcleo Regional de Educação de Irati ofereceu cabeamentos às escolas e disponibilizou os netbooks que já haviam sido adquiridos pelo Estado por meio de licitação. “O sistema híbrido foi feito toda uma instalação, uma prévia por parte das escolas de cabeamento, foi em termos de pesquisa de preço, um recurso liberado e foi utilizado neste momento os netbooks que existiam nas escolas, que vieram inclusive oriundo de processo de licitação e estão sendo utilizados. Nas escolas centrais se utiliza a Copel, que nós temos que geralmente é o provedor de acesso que temos aqui, do Estado do Paraná, e os professores tem feito essa aula no sistema híbrido, diferente do sistema remoto”, explica.

No remoto, os professores gravavam aulas que eram consultadas pelos alunos. Mas no sistema híbrido, as aulas são transmitidas ao vivo. Segundo a diretora Maria Amélia, os professores do Colégio Xavier tem enfrentado algumas dificuldades neste início por causa da qualidade dos netbooks. “Nós fizemos todo o cabeamento necessário solicitado pela CEE, até fomos uma das primeiras escolas a conseguir fazer toda a estrutura e montar. Nós temos um equipamento, nesse momento eu preciso colocar aqui e ser verdadeira, um equipamento que não é um dos melhores, que são esses netbooks fornecidos pelo governo, o qual não tem uma potência tão boa que possa fazer com que a qualidade seja 100%”, explica.

De acordo com a diretora, alguns professores tem tido problemas já que o netbook não suportaria muitas abas abertas e em algumas situações, a rede pode cair e o professor não ter contato com o aluno on-line. Para remediar isso, a diretora conta que já abriu um chamado na Secretaria Estadual de Educação e que um diretor e um funcionário têm dado um suporte técnico aos professores. “Mas estamos tentando sanar essas dúvidas, deixar de uma maneira que a gente consiga atingir os alunos que estão em casa e o que estão aqui no presencial. Não é uma tarefa fácil. O professor está tendo que reaprendera conviver com todas essas situações, não é um momento fácil também, porque a gente ainda continua com medo. Nós ainda não temos os professores com 100% da vacinação. Então, são momentos que a gente precisa de repente colocar aqui para que toda a sociedade entenda que estamos fazendo o nosso melhor com as condições que a gente tem”, disse.

1ª dose - Os professores do Colégio Xavier receberam apenas a primeira dose da vacina contra a Covid-19 e devem ficar completamente imunizados após a segunda dose, que deverá ser tomada a partir de setembro.

Na rede estadual, a vacinação da primeira dose já foi aplicada em todos os professores. “100% estamos vacinados. A gente teve uma grande iniciativa com a primeira dose. Tivemos momentos muito difíceis de mais de 30 contaminações no nosso núcleo”, conta Marcelo.


O Colégio Xavier possui 44 turmas nos três períodos: manhã, tarde e noite. Além do ensino regular, a escola também oferece cursos profissionalizantes. Assim como em todas as escolas da rede estadual, os alunos do ensino regular precisam que os pais assinem um Termo de Compromisso para que os alunos voltem às aulas. “Nesse momento quem opta pelo retorno são os pais, menos do profissionalizante. O profissionalizante, ele precisa cumprir uma carga horária de 100% das práticas, por isso os profissionalizantes são obrigados a voltarem”, explica a diretora.

No Termo de Compromisso, os pais autorizam a participação dos filhos nas aulas seguindo algumas regras como o uso de máscara e cuidados de higiene, bem como a notificação caso o aluno tenha alguma suspeita de algum sintoma de Covid-19.

Para conciliar as aulas no sistema híbrido, a direção do colégio estabeleceu um cronograma de volta às aulas. “Nesse momento nós fizemos cronogramas, onde atinge metade da turma num momento e metade da outra. A turma maior tivemos que dividir em três grupos para que possamos atender as medidas de segurança. Mas temos o retorno inclusive dos programas, que é o atendimento da sala de recursos, Mais Aprendizagem também”, disse.

Cada sala pode ter no máximo 35% dos alunos matriculados naquela turma. O número mínimo pode também variar de acordo com a metragem da sala, por isso algumas salas poderão ter 15 alunos e em outras, menos de 10. “Eu tenho uma turma com 45 alunos, por exemplo, que é o quarto ano ou primeiro ano. Eu preciso que esses alunos venham com segurança, então, o máximo de 15 por turma. Eu tenho que dividir a turma em três grupos de 15, cada um vem uma semana, enquanto aquela turma que veio na primeira semana fica em casa fazendo on-line, o outro grupo vem presencial para tirar as dúvidas, sanar as dificuldades, recuperar o tempo perdido e aí fica em casa para vir o terceiro grupo. Basicamente, vamos levar um mês para fazer o grupo todo vir presencial”, conta.

As aulas de Educação Física também estão sofrendo por mudanças, já que não há como fazer jogos coletivos. “A aula de educação física é uma situação diferenciada porque tem uma norma específica que não pode esportes coletivos que tenham toque, aproximação, a não ser que a escola dispusesse, por exemplo, de 30 bolas de basquete para cada um fazer o seu movimento com uma única bola. Não existe isso. Eu acho que não tem escola pública nenhuma que tenha material suficiente para fazer esse tipo de esporte. Então, a gente não tem feito. Mas o trabalho na sala de aula com vídeos, mostrando tudo isso, os professores não tem gostado muito da situação, mas não tem como fazer os esportes coletivos nesse momento”, relata.

Os alunos com maior prioridade de volta às aulas presenciais são os que estavam recebendo materiais impressos. Esse material era distribuído ao aluno ou entregue aos pais nos casos de estudantes que não possuíam acesso à internet. “Dentro da resolução do governo, a prioridade seriam esses alunos que não tem internet e estavam fazendo no material impresso porque a defasagem deles é maior. Isso é inegável. O aluno não tem o apoio do professor, não consegue fazer as perguntas que o aluno que está on-line consegue. Esse contato visual e interativo não existe. Mas ao mesmo tempo, nós temos um problema maior que é o transporte escolar, o qual ainda não está sendo efetuado da forma que deveria ser para trazer esses alunos para a escola”, disse.

Até que o transporte escolar seja normalizado, os estudantes que não puderem ir à escola de outra forma deverão continuar com o ensino on-line ou pelo material impresso.

Doação de celulares - O Núcleo Regional de Educação, junto com outras entidades, chegou a fazer uma campanha de doação de celulares para alunos que não possuíam um aparelho, mas tinham como ter uma conexão de internet. Segundo o chefe do Núcleo, houve pouca adesão da comunidade, mas a campanha continua aberta para quem quiser participar. “Tivemos muito pouco e eu acredito, em virtude da pandemia, todas as situações, acabamos não conseguindo arrecadar o que queríamos. Ainda está aberta essa campanha, mas não tivemos significativamente uma participação da comunidade para auxiliar esses estudantes, infelizmente”, contou.

Em Irati, o ponto de entrega da doação é na Aciai. “Alguém que tenha um celular, de preferência o smartphone, que pode ser transmitido, que tem condições de ser doado, para levar na Aciai aqui no município de Irati para fazer as doações e com base nessas doações, nós vamos pegar e ver os estudantes que tem dificuldade, que precisam, que tem condições de pelo menos ter o acesso ao Wi-fi para que possam fazer as atividades, as que estão em casa”, disse.

A diretora do Colégio Xavier conta que o material impresso tem servido de auxílio a quem não tem como acessar às aulas ou não possui meio de transporte. “Ainda temos alunos que não tem vindo, não estão fazendo on-line e não estão vindo presencial, por conta do transporte. Então, eles continuam no material impresso. Esse material impresso é fornecido com um cronograma, os pais vêm retirar e nesse momento a gente faz um feedback para o pai, para o aluno. Mas não é a mesma coisa um encontro a cada quinze dias do que diariamente o aluno assistindo aula”, relata Maria Amélia.

Professores afastados - Outro problema que o Colégio Xavier está enfrentando é em relação aos professores que ainda estão afastados porque têm mais de 60 anos e possuem comorbidades. A expectativa é que eles possam já começar a atuar presencialmente a partir de setembro. Enquanto isso, eles continuam nas aulas remotas. “Isso é um problema sério para nós aqui porque essa turma que vem presencial, esse professor não está. Então, temos que deslocar a nossa pedagoga para atender esses alunos durante esse período que fica falho em outra estrutura que é o atendimento individualizado aos pais e ao chamamento aos que estão, os que tem dificuldade. Mas a gente ainda está tentando suprir esse buraco que fica”, destaca a diretora.

Mesmo assim, o colégio tem se preparado para receber os alunos. Há disponibilização de materiais e higienização das salas. “Nas salas de aula foram distanciadas as carteiras, isoladas. Cada sala com dispenser de álcool em gel, tapete higienizante na entrada dos corredores, marcatórias no chão para fila de refeitório, entrada de banheiro, entrada para biblioteca e laboratório. Restringindo o número de pessoas na entrada da biblioteca e também no laboratório. Os ambientes coletivos estamos sempre de olho. A escola é bastante grande então tem espaço para que eles mantenham o distanciamento. Conscientização diária, isso fazemos diariamente. Além de tudo isso, temos trabalhado bastante com informação com os alunos, sobre a troca da máscara, o uso do álcool em gel, a lavagem das mãos. Os banheiros estão preparados com o sabão líquido e as tolhas de papel que são obrigatórias. Todos os banheiros higienizados sempre”, comenta Maria Amélia.

O chefe do Núcleo destaca que todas as escolas estaduais receberam Equipamentos de Proteção individual (EPI), disponibilizando também para funcionários terceirizados. “Nós recebemos todos os EPIs, seria o termômetro digital para aferir as temperaturas dos estudantes quando chegam, as máscaras que foram entregues também, os macacões, botas e outros utensílios para os servidores que estão e também para as empresas terceirizadas, os funcionários que estão contratados em caráter emergencial estão recebendo todos os equipamentos e EPIs que são necessários para cuidar dos estudantes”, explica Marcelo.

Porém, a diretora Maria Amélia lembra que o aumento do cuidado da higiene, faz com que sejam necessários mais funcionários. “Toda vez que troca de turno a gente tem que higienizar todas as carteiras com álcool 70, as maçanetas das portas, banheiro. Todos esses espaços, e com menor número de funcionários, está bem complicado”, disse.

Merenda Escolar - As merendas também voltaram a ser distribuídas aos alunos. Durante a pandemia, o Governo doestado enviou a merenda às famílias de alunos em vulnerabilidade social ou que estavam no programa Bolsa Família. “Neste momento de retorno às aulas, as merendas estarão em função dos estudantes. Nós temos que alimentá-los e temos que esperar novos projeto que possa partir do governador, mas ele tem essa sensibilidade com a comunidade”, afirma Marcelo.

No Colégio Xavier, houve mudança na distribuição da merenda. Anteriormente, os alunos podiam se servir, mas com a pandemia, optou-se para que uma merendeira sirva a refeição que é entregue aos alunos. No entanto, por causa do distanciamento, o número de alunos que podem estar dentro do refeitório diminuiu. Assim, quando as mesas estão preenchidas, os alunos tem que comer fora do refeitório. “Nunca comeram com o prato na mão, vão ter que acostumar agora, porque é o que a gente tem. Pega o prato de alimento, sua bebida e vai lá para fora, come, depois dispensa dentro de uma bacia que fica lá fora para que eles coloquem e é o que temos no momento”, conta a diretora.

A escola também está com protocolos na entrada para que os alunos não fiquem próximos nos portões. “Nesse momento está com poucos alunos, a gente está fazendo aberturas somente de dois portões. Mas a ideia é quando voltar um maior número de alunos, a gente vai abrir os três portões para que as entradas não se aglomerem”, explica.

Protocolo para casos suspeitos - O colégio conta com um protocolo para os alunos que sentirem algum sintoma suspeito de Covid-19. Segundo o Termo de Compromisso assinado pelos pais, eles devem avisar à escola caso o aluno tenha algum sintoma. [Volta às aulas 22] “A primeira coisa que a escola faz quando vem algum comunicado sobre alguma suspeita, a gente encaminha aos órgãos de saúde”, disse.

A partir do diagnóstico dos órgãos de saúde, as escolas saberão se o aluno conseguirá acompanhar as aulas on-line enquanto estiver no isolamento ou se terá que recuperar a matéria futuramente. “Quando chega para nós, é claro que vamos dar todo o apoio, principalmente, nesse momento emocional porque com tantas perdas de familiares, tivemos alunos que perderam pais, mães, professores que perderam marido, mãe. Então, a gente tem muito próximo essa situação que causa um desespero e uma situação emocional muito trágica para os nossos adolescentes. Temos dado todo o apoio. Tem alunos que conseguem mesmo ficando em casa, ele tem um sintoma mais leve, fazendo on-line, contatando através do WhatsApp que hoje virou um instrumento pedagógico, mas a gente tem dado esse apoio”, conta.

Após o período de isolamento, o aluno pode voltar à aula presencial. “Depois que ele retorna, fazemos o diagnóstico do que ele perdeu, para dar e recuperar isso. Em nenhum momento, o aluno vai ter prejuízo pedagógico porque isso vai ser recuperado, com a família junto, conseguimos achar um jeito e uma maneira de repor isso daí”, afirma a diretora.

Para o chefe do Núcleo, é preciso voltar com as aulas presenciais para fortalecer o vínculo do aluno com a escola, além de recuperar alguma defasagem escolar. “Defasagem no sentido, não do trabalho dos professores que foi fantástico neste tempo de pandemia, que ainda perdura, a pandemia ainda não acabou, não podemos esquecer disso, mas em virtude da questão, por exemplo, de revitalizar os estudos para os estudantes que tinham o material impresso, que sentia um pouco de dificuldade por não ter acesso à tecnologia, então essa revitalização que as nossas escolas cumpriram o trabalho dos nossos professores e diretores, pedagogos, estão fazendo para suprir essas carências e necessidades”, disse.

Preparação das escolas - Segundo ele, apesar das dificuldades, as escolas estão preparadas para receber os alunos. “Eu quero colocar aos pais que as escolas estão adotando os protocolos de biossegurança. Estão fazendo tudo que é possível. E o estudante tem que sentir novamente a essência da escola. O presencial é muito importante neste momento de eles voltarem, terem condições plenas de voltar porque pensam, daqui a pouco, que a escola não é algo importante. Temos que tentar recuperar, embora estamos numa pandemia, num momento que não podemos descuidar das situações, mas é muito importante que o estudante tenha conscientização que a escola está aberta, está vivida e à disposição dele também”, conta.

Fotos: Paulo Henrique Sava, Lennon Diego Gauron e Reginaldo Meira Rocha.

Marcelo Fabrício Chociai Komar, chefe do NRE de Irati

Refeitório do Colégio Antônio Xavier

Secretaria do colégio

Sala dos professores

Estrutura da sala de aula

Professora Maria Letícia Neves

Maria Amélia Inglês, diretora do Colégio Antônio Xavier

Marcações foram colocadas em todo o colégio para demarcar o distanciamento nas filas 

Professores preparando material no Laboratório de Informática

Entrada do Colégio Xavier


Biblioteca do colégio recebe apenas 5 alunos por vez