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Clínica de Fisioterapia de Irati começa a atender pacientes pós-Covid-19

Equipamentos foram adquiridos a um custo de R$ 73 mil. Atendimentos começaram a ser feitos no início do ano

Foto: Paulo Sava

Desde o início do ano, pessoas que superaram a Covid-19 estão sendo atendidas gratuitamente na Clínica de Fisioterapia da Secretaria Municipal de Saúde de Irati. O município adquiriu recentemente mais de 42 equipamentos, a um custo de R$ 73 mil, oriundos de recursos livres do Executivo, conforme explica a secretária da pasta, Jussara Aparecida Kublinski Hassen. “Os equipamentos adquiridos são para uma avaliação e reabilitação mais completa, visto que é possível avaliar, detalhadamente, a capacidade pulmonar, com foco na reabilitação cardiorrespiratória e físico-funcional dos pacientes após a alta por Covid-19, bem como a evolução e melhora dos nossos pacientes”, comentou.

O projeto foi elaborado e apresentado à secretária ainda no ano passado. Segundo a fisioterapeuta Patrícia Duda, a clínica de Fisioterapia do município conta com os equipamentos mais modernos para tratamento pós-Covid-19, tanto para recuperação da capacidade pulmonar quanto motora. “Nós percebemos que estavam vindo pessoas com sequelas de pós covid. Começamos a estudar, montamos um projeto e apresentamos para a Jussara. Neste projeto, pedimos equipamentos mais modernos e utilizados na fisioterapia respiratória. Contamos com uma avaliação respiratória, de capacidade pulmonar e física bem específica e completa. Eu acredito que não tenha em outro local de Irati e região o que temos aqui”, ressaltou.

No total, seis fisioterapeutas foram capacitados para prestar estes atendimentos, atuando em forma de escala para evitar aglomerações. Se houver necessidade, uma profissional vai até a residência do paciente e presta os primeiros atendimentos. Posteriormente, ele é encaminhado para a clínica. O agendamento é feito na hora e a pessoa inicia o tratamento já no dia seguinte ou na mesma semana, uma vez que não há fila de espera. Para isto, o paciente deve portar um encaminhamento médico, cartão do SUS e o RG. Caso a pessoa não tenha um encaminhamento, o documento é solicitado aos médicos que atendem no Posto Ildefonso Zanetti (sede da Secretaria), onde é feita uma avaliação prévia do paciente. A Clínica de Fisioterapia funciona junto ao posto de segunda a sexta-feira, das 08 às 12 h e das 13 às 18 h. Entretanto, este horário poderá ser estendido para atender trabalhadores que necessitem de fisioterapia.

Segundo Patrícia, nos primeiros dias cerca de 90% dos pacientes atendidos pela clínica são os chamados “pós-Covid”, com uma média de 25 casos por dia. Entretanto, nos últimos dias, houve uma redução no número de pacientes pós-Covid-19 na clínica, o que possibilitará a retomada dos atendimentos não emergenciais a partir da próxima semana. Ela avalia que uma somatória de fatores contribuiu para a diminuição da procura. “Realmente a procura diminuiu, inclusive uma fisioterapeuta nossa estava atendendo na UPA, mas deu uma diminuída lá também. Eu não sei se foram os fechamentos de final de semana ou o pessoal que se conscientizou e procurou se cuidar mais, a vacinação pode ter influência também, mas com certeza houve uma diminuição na demanda aqui”, pontuou.

Por ser uma doença nova, no início foi difícil implantar o projeto, pois não havia respaldo de estudos e artigos para fazê-lo sem embasamento teórico. Por isso, segundo Patrícia, o projeto levou um ano para ser implantado. “Foi bem difícil de montar este projeto usando tudo o que há de estudo científico, ter embasamento. Levamos um ano realmente para montar este projeto, estudar, pesquisar, fazer cursos de capacitação. Eu acho que foi o projeto que fez acontecer”, afirmou.

A diarista Michele das Graças Chaves, de 42 anos, ficou 25 dias internada na Santa Casa. Ela teve perda de 80% da capacidade pulmonar, mas não precisou ser intubada. Ela continua fazendo tratamento residencial com a chamada “bombinha” e um remédio para evitar trombose nas pernas, mas não fez uso de cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina. Michele iniciou a fisioterapia em casa e diz estar se sentindo bem melhor. “O cansaço já diminuiu e a falta de ar, que eu tinha um pouco, também. O atendimento aqui é excelente, as fisioterapeutas são maravilhosas, são iguais mães, acolhendo a gente. Foram 25 dias internada, é difícil, graças a Deus não fui intubada. Posso dizer que foi um milagre, pois a pessoa ficar 25 dias internada e não ser intubada, é um milagre de Deus. Então, vamos fazer certinho para melhorar”, comentou.

Já o mecânico Rogério de Oliveira teve paralisia das pernas e dor no braço. Ele precisou utilizar oxigênio, mas não foi internado e vem fazendo o tratamento em casa e na clínica. Ele está na 14ª sessão e diz estar conseguindo se movimentar melhor após o início do atendimento. “Quando eu comecei aqui, nem andar direito conseguia. Agora, consigo me movimentar e daqui a alguns dias começo até a tirar a 'ajudante', a muletinha. Fiz o tratamento todo em casa antes. Tomei a Ivermectina, mas de muitos remédios eu não lembro”, relatou.

Segundo o prefeito Jorge Derbli, a implementação deste serviço é importante para a recuperação física e respiratória dos pacientes. “Com este novo tratamento e esta equipe profissional, estamos atendendo as pessoas que necessitam desta atenção pela Secretaria”, finalizou.

Confira a entrevista em áudio com a fisioterapeuta Patrícia Duda e os pacientes Michele e Rogério.