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Atletas de cinco estados integrarão time de vôlei de Irati que participará de competições estaduais

Equipe também deve participar da Superliga C (competição nacional). Neste fim de semana, time disputará torneio em Foz do Iguaçu/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Sava

Time de Irati viajou nesta sexta-feira para Foz do Iguaçu, onde vai disputar um torneio preparatório para o Campeonato Estadual. Foto: Secretaria de Esportes de Irati

Cinco atletas de estados diferentes estão integrando a nova equipe do voleibol feminino de Irati. As contratações fazem parte de um projeto que pretende levar o time para disputar competições estaduais e nacionais.

As atletas que reforçam a equipe são as ponteiras Ana Cecília Goulart Ramos, de São José dos Campos (SP), e Waynna Guedes Santos de Andrade, do estado de Goiás, além da levantadora Luana Cristina Ferreira da Silva, de Natal (RN), da oposta Júlia de Luca, de Brasília (DF) e da central Gabriele Ehl, de Joinville (SC).

Ao todo, a equipe possui 16 atletas, sendo 11 de Irati e cinco de fora do município. O secretário de Esportes de Irati, André Demczuk (Dedé), destaca que as jogadoras dos outros estados chegaram para aumentar a qualidade da equipe. “A gente necessitava complementar esse trabalho, esse projeto, com a vinda de atletas para somar com a parte técnica, que a gente conseguisse alavancar o projeto do voleibol”, relatou Dedé.

A equipe está treinando para participar, a partir do próximo mês, da Competição Estadual onde disputarão a primeira divisão. Para isso, o time está treinando todos os dias à noite e duas vezes por semana de manhã, além de fazerem uma preparação em uma academia. Nesta sexta-feira (30), as atletas viajaram para Foz do Iguaçu onde participarão de um torneio preparatório para o Campeonato Estadual.


De acordo com o secretário, esse é um projeto trabalhado há mais de 30 anos no setor esportivo de Irati, por meio de equipes juvenis e amadores, mas que agora se concretiza com a formação de uma equipe profissional adulta que representará o município. “A gente resolveu dar um passo um pouco mais importante, um passo um pouquinho maior para que possamos ter uma equipe adulta participando de competições num nível estadual e também nacional”, disse.

Para viabilizar financeiramente a equipe, algumas parcerias estão sendo realizadas. A Associação de Voleibol de Irati (AVI) tem auxiliado na busca de empresas que tenham interesse de patrocinar o time. Há ainda o projeto Empresa Amiga do Esporte, da Secretaria de Esportes de Irati, que possibilidade às empresas apoiarem o esporte em troca de espaços de publicidade em ginásio, redes sociais e uniforme. “Através dessas parcerias e demais, algumas pessoais, que a gente está conseguindo viabilizar toda a parte financeira para que o projeto saísse do papel”, revela o secretário.

A estimativa é que a manutenção da equipe profissional tenha um custo de R$ 10 mil ao mês. A prefeitura vai ajudar com o transporte para as competições e também pagando as taxas de inscrições dos campeonatos. Já a ajuda de custo e de moradia as atletas, é por meio da Associação de Voleibol de Irati e empresas parceiras. “A prefeitura tem participação, ela está fazendo dentro da sua realidade, da possibilidade o que puder, estamos fazendo. O restante é através desses apoios que estão sendo feitos. Alguns de forma financeira e outros de forma de ajudas, de material, e tudo isso”, explica.

O projeto Empresa Amiga do Esporte tem beneficiado também outras áreas do esporte. Dedé explica que a Secretaria está procurando ver o investimento no esporte com um projeto só. Com isso, as empresas podem, inclusive, apoiar outros esportes ao seu critério. “Por exemplo, a marca Pênalti, é uma empresa amiga do esporte e ela vai colaborar com nossas categorias de base do futsal, do vôlei, do basquete. Com o quê? Com material esportivo da marca dela. Então, ela é uma empresa amiga de todas essas modalidades”, disse.

Os planos é que já no segundo semestre a equipe possa conseguir competir nacionalmente, num campeonato equivalente à terceira divisão da Superliga. “No final do ano, além do campeonato estadual que começa nos próximos dias, dia 14 do próximo mês, a gente também tem interesse de participar da Superliga C de vôlei, que é uma competição a nível nacional, fazendo com que o projeto do vôlei dê um passo à frente do que a gente fez nos últimos anos”, afirma o secretário.

Com a competição nacional, uma das expectativas é que se possa trazer a competição para Irati. “A gente está pleiteando trazer a sede para cá. Porém, como nunca participamos, a gente entra um pouquinho atrás. Eles chamam de caderno de encargos. Que você precisa, mais ou menos, quando vai fazer uma Olímpiadas, um evento grande, você precisa um caderno de encargos que você tem que cumprir para que você possa trazer a competição. Nós nos disponibilizamos a trazer, recebemos o caderno de encargos. Algumas coisas, dentro da nossa realidade, são situações que necessitam de olhar com carinho porque não é fácil de se fazer. Mas estamos pleiteando. Se não for aqui, for em outro local, vamos participar da mesma forma”, explica Dedé.

O secretário alertou que a maioria das exigências o município já cumpre, mas que há situações que ainda precisam ser feitas. “A gente acredita que 70% do que eles pedem ali, a gente tem totais condições de fazer, sem problemas. Existem algumas coisas que a gente tem que adaptar, procurar, ver se é viável. A gente está aguardando um sinal deles de que tenha possibilidade, para que possamos correr atrás dessas últimas situações”, conta.

Atletas: Uma das novas atletas é a ponteira Ana Cecília Goulart Ramos, de 28 anos. Ela é de São José dos Campos, no estado de São Paulo, mas passou por clubes da França, Espanha e Kosovo, todos países da Europa.

A impossibilidade de sair do País por causa da pandemia e a oportunidade de ter uma bolsa na universidade de 100% fez com que a jogadora aceitasse a proposta feita pelo município. “Eu estava jogando fora do País, eu queria voltar ao mercado brasileiro. Então, estava parada na verdade também. Devido à pandemia, não consegui ir para fora. Consegui a oportunidade de vir para cá e poder disputar a Taça Paraná e possivelmente a Super Liga C”, disse Ana Cecília.

Ela mora com as outras jogadoras do time e tem conciliado a rotina dos treinamentos com o estudo. “A gente treina de manhã, almoço, academia e treino à noite. Temos duas atletas que fazem agora faculdade. Ganhamos a bolsa 100%, eu e a Gabriele, e a gente intermedia o estudo junto com os treinamentos”, conta.

A outra jogadora é a central Gabriele Ehl que começou a jogar com 14 anos no time de sua cidade, em Joinville (SC). Lá, ela teve a oportunidade de participar da Superliga B, a segunda divisão da competição nacional. Ela também teve passagens pela equipe de São Bernardo (SP) e em Blumenau (SC).

Atletas contratadas para reforçar time de Irati foram entrevistadas pela reportagem da Najuá na quarta-feira, 28, durante o programa Meio Dia em Notícias. Foto: Divulgação

A atleta conta que está com boas expectativas na nova equipe, após um ano parada em virtude da pandemia. “As expectativas estão bem altas. É uma equipe muito boa, que está treinando junto, tá pegando junto, todo mundo está se ajudando, então acho que temos grandes chances de chegar no nosso objetivo final que é fazer um belo campeonato e o nosso melhor”, conta.

Para Waynna Guedes Santos de Andrade, do estado de Goiás, a possibilidade de jogar na equipe de Irati foi uma forma de voltar às quadras, depois de quase quatro anos. “A proposta foi muito boa para mim, eu fiquei muito feliz, porque eu realmente não esperava voltar para as quadras tão cedo, apesar que eu amo muito mesmo”, disse.

Ela começou a jogar profissionalmente em Estrela, no estado do Rio Grande do Sul, aos 16 anos, e depois passou a jogar pela equipe Goiás, na cidade de Goiânia, onde ficou até os 23 anos, quando parou para focar no trabalho.

Em Irati, um dos primeiros adversários foi o frio, já que diferente do Paraná, em Goiás, as temperaturas mínimas no inverno giram em torno de 16ºC. Mas é nas quadras que Waynna tenta realmente se adaptar. “Tem uma semana que estou treinando com as meninas e está sendo bem complicado. Nunca tinha passado por isso. Achei que minha mente estava como de antigamente. Estava achando que a mente era a mesma, meu corpo era o mesmo. Mas na verdade não. A minha mente está a milhão e meu corpo não responde como antes. Mas estou treinando, me dedicando bastante, eu sei que com paciência e com o tempo tudo isso vai melhorar”, comenta Waynna.

O frio também está sendo um desafio para a levantadora Luana Cristina Ferreira da Silva, de 17 anos. Ela é de Natal, no Rio Grande do Norte, onde a sensação de frio é diferente. “Frio para mim é 20ºC, já estou de moletom, com a luva”, conta sorrindo.

A atleta veio para Irati, após passar por uma equipe de Varginha, em Minas Gerais. “Quando recebi a proposta daqui, como é uma equipe adulta, eu preferi vir pra cá, para poder evoluir mais também”, relata.

Luana começou a jogar com 12 anos e já atuava como levantadora, posição que vai desempenhar na equipe de Irati. “Eu comecei a jogar de levantadora há uns dois anos depois que comecei a entrar no vôlei e eu vejo que é uma das posições mais difíceis que tem para se exercer. O nosso técnico era levantador, então estou pegando muito macete com ele, muita visão de jogo porque 100% do jogo passa pelas minhas mãos”, disse.

Outra jogadora que chegou ao município foi a oposta Júlia de Luca que começou a jogar aos 14 anos em Brasília (DF). No ano passado, ela foi campeã estadual de São Paulo, pela equipe do município de Amparo. Ela jogou em outros times paulistas como Taubaté e Barueri. Antes de Irati, a atleta também teve uma passagem pelo Guarujá, ainda no estado de São Paulo.

A atleta conta que a experiência em Irati tem sido interessante, principalmente com a convivência com as atletas que moram juntas. “Não vou mentir e dizer que é fácil porque estamos em convivência 24 horas, com pessoas que são diferentes da gente, pessoas que tem outros tipos de visão, pessoas diferentes. Não é fácil, mas não é ruim. E graças a Deus, todas as meninas aqui e todo mundo, até as meninas da cidade mesmo, são pessoas incríveis, pessoas que estão do nosso lado, que fazem coisas para nos ajudar”, conta Júlia.