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Trajetória de Sassá Oliveira é relembrada por amigos e colegas

Amigos e colegas relembram o bom humor e criatividade como traços marcantes de Sassá Oliveira, que morreu no dia 16 de maio em função da Covid-19/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub

Em 2014, Sassá foi finalista em duas categorias do 8º Prêmio Abracopel de Jornalismo, 5º Prêmio Especial Programa Casa Segura e 1º Prêmio Especial Eletricidade Segura para Todos. Foto: Abracopel/Arquivo

No dia 16 de maio, Irati perdeu uma de suas vozes mais conhecidas. Luis Fabiano de Oliveira, ou Sassá Oliveira como todos conhecem, foi uma das vítimas do Covid-19, deixando aos 43 anos, família, amigos e colegas. São eles que agora revivem sua vida por meio de memórias, trazendo de volta a lembrança de um homem conhecido pelo seu bom humor e sua criatividade.

Confira o vídeo completo da homenagem ao locutor no fim do texto

Uma das pessoas que conheceu Sassá ainda jovem foi o professor Valdecir Aksenen, que à época, trabalhava em uma loja de consertos de produtos eletrônicos. Foi lá que conheceu o começo de sua vida humilde, quando o ainda menino Sassá, vendia salgadinhos para ajudar a família. “Desde aquele momento, na sua infância, ele se mostrava um menino alegre, de bom coração, sempre feliz. Independentemente de qual situação ele vivenciava”, conta.

O passado humilde também é relembrado pela ouvinte da Najuá, Verônica Machado. “Meu marido quando soube do falecimento dele, meu marido ficou muito triste porque na época que o meu marido jogava no Irati - acho que tinha uns 15, 16 anos, hoje ele está com 50 – dizia que o Sassá ia vender ‘dolé’ [picolé] lá no Municipal [Estádio Municipal Abrahm Nagib Nejm]”, disse Verônica.


Foi na rádio Vale do Mel FM, de Irati, que Sassá teve seus primeiros passos aos 17 anos. Sem ter cursado Jornalismo ou outro curso, foi a sua criatividade e talento que chamavam a atenção e mostrava como seria seu futuro. Quatro anos depois, ele começava a atuar na Rádio 94, de União da Vitória. Em 2001, Sassá ingressou na Rádio Najuá, onde teve três passagens marcantes, somando ao todo dez anos. Sua personalidade carismática irradiava por meio das ondas sonoras, que encantava os ouvintes que se divertiam com seu bom-humor.

Na Najuá, Sassá aproveitava para fazer o seu melhor: contar histórias. É inclusive com a trilha sonora do filme “Forrest Gump: O contador de histórias” que ele trazia mensagens de otimismo e auto ajuda, alegrando o dia a dia dos ouvintes.

Sua criatividade também deixou quadros memoráveis pelos ouvintes até hoje. Foi de sua mente inquieta que saíram os quadros de sucesso como “O que tem no saco do Sassá”, onde fazia sorteio de prêmios para quem acertasse o objeto que estava escondido no saco, e “Fatos e Frases”, onde repercutia as notícias que foram destaque na semana de forma descontraída. É de Sassá também a iniciativa de realizar o programa “Café Com Notícias”, criado entre 2012 e 2013 e que existe até hoje.

Entre seus sucessos na Rádio Najuá também estão os programas “Perdidos na Noite” e “Bodega da Alegria”. Este último programa é relembrado pelo professor Valdecir. “O interessante é que até nos momentos mais tristes, ele conseguia arrancar risos da gente. Minha esposa Sandra dizia que o sábado só era sábado se tivesse a Bodega da Alegria”, relembra.

O talento foi recompensado em 2014, quando venceu um prêmio nacional de Jornalismo. Sua reportagem intitulada “Curto Circuito é a principal causa de acidentes na rede elétrica” ficou em primeiro lugar na categoria Rádio e a terceira na categoria Internet, do 8º Prêmio Abracopel de Jornalismo, 5º Prêmio Especial Programa Casa Segura e 1º Prêmio Especial Eletricidade Segura para Todos.

A premiação mostrou o olhar apurado do repórter que teve a ideia de fazer a reportagem após sua mãe ter um problema com curto-circuito em sua casa. Com um outro incêndio acontecendo na mesma semana pelo mesmo motivo em Irati, Sassá teve a sensibilidade de alertar a todos sobre os perigos que poderiam ocorrer.

Foi essa sensibilidade e criatividade que também o ajudaram a levar para outros lugares. Além da Rádio Najuá, o repórter também trabalhou nas rádios Clube, de Curitiba, Thalento, de Rio Azul, MZ FM, de Ponta Grossa, Caminho FM, de Candói, Cidadão, de Mallet, e Estilo, de Imbituva. Em 2021, retornou à na rádio Thalento, onde teve seu último trabalho.

O radialista da Rádio Caiobá FM, de Curitiba, André Nogueira, foi um dos que conviveram com Sassá, se tornando amigo dele. Enquanto ele era apenas um estudante em Irati, Sassá já fazia apresentações nas escolas e empresas. Quando André entrou no radiojornalismo, chamou o amigo para trabalhar junto na Rádio Clube, em 2005. “Ele era uma pessoa que não passava na vida das pessoas em vão. Era uma pessoa que marcava. Era uma pessoa animada, uma pessoa alegre, uma pessoa que espalhava bons sentimentos, boas energias. Ria muito. É o cara que me ensinou a andar de moto. É o cara que mantive uma amizade por muito tempo, em várias situações, não só no rádio. É um cara que nunca ficou alheio a nenhuma injustiça. Sempre teve um olhar humano para as pessoas. Era um cidadão, um ser humano, como qualquer um de nós, que sempre tentou fazer o seu melhor. Dedicado, amava o rádio, gostava muito. Se encontrou nas narrações de motocross. E é um cara que vai fazer muita falta”, disse.

O radialista Fábio Souza também trabalhou junto com Sassá na Rádio Thalento, de Rio Azul. Foi lá que a dupla fez um dos programas de maior sucesso da emissora, o “Alta Tensão”. Para ele, a perda foi lastimável. “Uma pessoa humilde, trabalhadora, engajada em fazer as pessoas sorrir e que vai fazer muita falta”, destaca.

A criatividade não ficou somente no rádio. Sassá também orientava pessoas que desejavam participar do radiojornalismo e ensinava locução em cursos. Uma das frequentadoras foi a ouvinte Verônica que relembra como eram as suas aulas. “Nossa! Era só doido que participava. Eu lembro que eu fiz a inscrição e fui participar do curso que ele estava dando. Misericórdia, era só loucura. Era muito bom. Eu ia mais para me divertir no curso”, conta.

O talento o levou também para o serviço público. Na gestão do ex-prefeito Odilon Burgath, Sassá foi secretário de Comunicação Social da prefeitura de Irati. Ele assumiu em 2014, após a saída do também radialista Edson Golinski.

Para o ex-prefeito, a partida de Sassá é uma grande perda. “Estou totalmente sem chão. Extremamente triste. Um vazio que toca a alma da gente, como acredito que a maioria dos iratienses deve estar passando nesse momento com a perda desse grande amigo, esse grande profissional, Sassá Oliveira. É inacreditável”, disse.

O ex-prefeito relembrou um pouco da personalidade de Sassá. “Uma pessoa de alto astral, de uma energia. Por onde passava transmitia alegria”, destaca Odilon. “Sempre se incomodava com as injustiças sociais, que sempre era preocupado com o bem do próximo”, relembra.

Foi durante este período na prefeitura que o professor Valdecir conta que conheceu melhor o Sassá. “Ele se mostrava uma pessoa muito preocupada com as outras pessoas. Não media esforços para ajudar. Talvez isso seja da natureza dele, pois também foi uma pessoa que enfrentou muitas dificuldades no dia a dia da sua vida”, disse.

O professor relembra um momento que demonstrava muito da personalidade de Sassá. “Ele era bastante alegre, bastante descontraído. Teve uma vez que eu nunca vou esquecer, que eu via ele rodeado por crianças e elas, alegres, pediam para que o Sassá fizesse mais uma mágica. Ele fazia mágica com as crianças. Ali, eu vi o Sassá se misturando entre as crianças como mais uma criança. Mais uma delas”, conta.

As histórias da vida de Sassá serão eternamente lembradas por familiares, amigos e colegas. A sua partida antecipada também é lamentada por todos eles. “Foi antes do tempo. Viaje em paz, meu irmão. Deus te acolhe e vai te dar um bom lugar com certeza, vai ficar o teu exemplo para todos nós. Um dia nos encontraremos”, disse o ex-prefeito.

“Sassá você foi um grande batalhador. Você foi um grande homem. E você foi um grande comunicador. Você cumpriu o seu papel aqui na Terra e agora nós estamos entristecidos com sua passagem. Mas tenha a certeza que você deixou um legado com seu jeito alegre e espontâneo de ser. Eu aposto que você hoje está alegrando o céu”, finaliza o professor.