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Rio Azul registrou mais de 15 denúncias de aglomeração no fim de semana

Uma das festas clandestinas aconteceu em uma estufa de fumo. Local reunia jovens e adolescentes que compartilhavam o uso de narguilé. Há suspeita de que duas pessoas que teriam que estar em isolamento, estavam no local

Pessoas que participavam de festa no interior do município foram transportadas de micro-ônibus até o Destacamento da PM. Foto: Secretaria de Saúde de Rio Azul

O município de Rio Azul registrou mais de 15 denúncias de aglomerações no fim de semana. O volume de denúncias surpreendeu as equipes de fiscalização da prefeitura e da Polícia Militar. “Até nos espantou, o tanto de denúncias que tivemos no município”, disse a secretária de Saúde, Cristiana Schvaidak.

De acordo com ela, as denúncias foram de vários eventos como festas de aniversário e clandestinas com presença de adolescentes e jovens. “As denúncias foram as mais diversas possíveis. Principalmente, ocorre reuniões familiares, mas com pessoas que não pertencem só ao vínculo familiar. Isso não está permitido no momento. Aquelas festas que você chama um familiar de cada cidade ou pessoas que vem de outra cidade”, afirma a secretária.

Um dos casos que chamou a atenção foi de uma festa na localidade de Rio Azul de Cima, no interior do município, em uma estufa de fumo. No local, a fiscalização constatou 16 pessoas, entre eles, menores de idade. A fiscalização também verificou o consumo de bebidas alcoólicas e o uso do narguilé, que estava sendo compartilhado entre os participantes.

O Conselho Tutelar foi chamado e os participantes da festa foram levados em um ônibus escolar para o destacamento da Polícia Militar, devido à quantidade de pessoas. “Nesta festa desse final de semana, foi visualizado mais ou menos 16 pessoas que estavam ainda no local, fora as pessoas que se evadiram. Esses menores foram direcionados todos para o destacamento e saíram de lá com a presença dos pais ou do responsável legal por ele”, conta Cristiana.


A situação se agravou na segunda-feira (7), quando surgiu a suspeita de que duas pessoas que participavam da festa, deveriam estar em isolamento. “Hoje chegou a informação pra mim que duas pessoas que estavam isoladas estavam na festa. Para ver o tamanho do problema que nós temos. Agora vamos precisar isolar todas as pessoas que estavam nesta festa. É muito complicado neste momento de participar de qualquer aglomeração”, disse.

Como tiveram pessoas que deixaram o local, a secretária afirmou que a pasta irá monitorar os moradores da comunidade. “Tinham pessoas que estavam lá na festa, mas infelizmente evadiram-se. Então, nós vamos ter que acompanhar os casos naquela região. Nós também temos um controle dos casos positivos por comunidade e nesta comunidade em si, que ocorreu essa aglomeração, o número de coronavírus está bem aumentado. Nos preocupa muito e a gente vai ter que intensificar uma ação nesta comunidade, com certeza”, ressaltou.

Cristiana ainda alerta que a aglomeração de pessoas pode acelerar a contaminação da Covid-19. “Nós sabemos que uma pessoa contaminada com o vírus, se tiver uma aglomeração de mais ou menos dez pessoas, ela vai passar para a maioria das pessoas”, explica.

A fiscalização no município está sendo intensificada para diminuir os casos de aglomeração. Atualmente, Rio Azul tem um grupo formado por cerca de dez a 12 profissionais da Secretaria de Saúde que realizam a fiscalização em turno inverso ao que trabalham, além de se revezarem aos finais de semana. “A estratégia agora é que toda a aglomeração que seja constatada, todos os participantes são direcionados para o destacamento da Polícia, para fazer Termo Circunstanciado, Boletim de Ocorrência, tem a questão da multa e também tem o encaminhamento para o Ministério Público. Essas pessoas precisam responder. Não é o momento para fazer festa”, salienta a secretária.

No caso de menores de idade, os pais ou responsáveis legais podem responder pela presença de um adolescente em festa clandestina. Quem não cumprir as regras estabelecidas em decretos municipais terá que pagar multa. Para quem for pego não utilizando máscara, a multa é de R$ 200. Quem estiver num estabelecimento em aglomeração, como nas festas clandestinas, a multa para o participante é de R$ 200 por pessoa. O dono do estabelecimento também é multado em R$ 200. Já para quem for pego descumprindo o distanciamento social e promovendo aglomeração, a multa pode variar de R$ 500 a R$ 1.000.

Pulseirinhas: A Câmara de Rio Azul aprovou uma lei para colocar pulseirinhas nos moradores que forem diagnosticados com Covid-19. A lei surgiu após diversas denúncias de pessoas que podem estar contaminadas, mas que interrompem o isolamento fora do período estabelecido. “Eu sei que uma grande maioria das pessoas cumpre o isolamento. Ficam em casa. Cumprem as medidas. Mas temos algumas pessoas que ainda não entendem que elas precisam nos ajudar a quebrar essa cadeia de transmissão”, contou.

De acordo com a secretária, a pasta ainda está organizando como será feita a colocação da pulseirinha. A expectativa é que nesta semana já possa ser organizado o sistema. “Nós temos a equipe de monitoramento, então acredito que quem não coloca pulseirinha direto no Sentinela [unidade de atendimento], quem vai colocar a pulseirinha será a equipe de monitoramento. Já estamos em fase de compras das pulseirinhas. Acredito que durante o decorrer da semana a gente já possa colocar em prática”, disse Cristiana.

Apesar do objetivo ser de ajudar na fiscalização, a secretária destaca que não espera que a lei resolverá todo o problema. “Ela vai solucionar o problema? Não vai 100%. Nós precisamos trabalhar com várias ações simultâneas, mas eu digo que a pulseirinha vai nos ajudar muito, principalmente, naquelas pessoas que estão furando o isolamento, estado saindo de casa”, explica.

A fiscalização do uso da pulseirinha deverá ser realizada pela equipe atual da Secretaria que já atua nesta área. Além disso, há o planejamento de fazer orientação nos estabelecimentos comerciais para ajudar na fiscalização.

Casos: Os casos de coronavírus estão diminuindo se comparado há algumas semanas. Há cerca de 20 dias, o município chegou a 317 casos ativos e até metade de maio, o número chegou a baixar para 73 casos. Já no boletim divulgado nesta terça-feira (8), o número de casos ativos passou para 76. Cinco casos foram confirmados nas últimas 24 horas, totalizando 1.255 desde o início da pandemia. No momento, há 11 pacientes internados, 23 casos aguardando o resultado do teste, 150 monitorados e 1.160 recuperados. Hoje foi registrado o 19º óbito no município. Um homem, de 32 anos, que tinha comorbidades, faleceu por complicações da doença.

Para combater a contaminação, o município tem adotado medidas restritivas que são válidas até quinta-feira (10). Uma delas é o toque de recolher às 18 horas. “O toque de recolher às 18 horas deu uma diferença muito grande. A gente tinha muito problema de depois das 18 horas de ter muita aglomeração, de festa em determinados estabelecimentos, isso a gente acabou não visualizando, mas ainda não temos uma opinião formada se mudanças vão ocorrer no nosso decreto ainda”, disse Cristiana.

Além disso, o decreto atual também prevê que aos domingos, só podem funcionar farmácias, postos de combustíveis para abastecimento e distribuidoras de gás em sistema de plantão. Já Restaurantes, lanchonetes e panificadoras atendem apenas na modalidade delivery até às 21 horas.

Nesta quarta-feira (9), o comitê de Covid-19 deve se reunir para decidir a continuidade ou não das medidas restritivas. O objetivo será analisar o cenário atual em Rio Azul para tomar uma decisão. “Quando nós tínhamos 30 [casos] ativos, em menos de oito dias foi para 300 ativos. Então foi muito difícil. As medidas foram muito intensificadas e a gente precisa ter muita cautela nessas tomadas de decisão”, conta a secretária de Saúde.

Monitoramento: Cristiana defende que além das medidas restritivas, é preciso interromper a contaminação com pessoas que já foram diagnosticadas com Covid-19. “A gente precisa fazer lockdown reverso. O que é lockdown reverso? É manter pessoas suspeitas e monitoradas e confirmadas em casa. É assim que quebramos a cadeia de transmissão do vírus”, disse.

Para que isso aconteça de modo eficiente, a Secretaria de Saúde possui uma Central de Monitoramento formada com agentes de saúde. O município é dividido por territórios, onde cada agente atua. Com o coronavírus, o território foi redividido, onde cada agente, novamente, ficou responsável por uma área. “Redividimos o município por áreas e todas as áreas ficaram sob responsabilidade de um profissional. Montamos um grupo no WhatsApp onde alimentamos diariamente quem são os casos ativos, suspeitos e monitorados. Cada um fica responsável pela sua área. Dentro desse grupo do WhatsApp, as informações chegam em tempo real. As pessoas fazem visitas, não entram dentro das casas, eles vão até o portão, conversam com as pessoas ou utilizam muito o telefone, monitoram pelo WhatsApp, por ligação e por visita”, explica.

Entre as informações coletadas estão o estado de saúde e quem está em isolamento. “Nós dividimos os nossos pacientes de coronavírus em vermelho, que estão em internados no hospital, ou são verdes, com sintomas muito leves de coronavírus, ou são pacientes amarelos que é uma atenção que nós temos. Disponibilizamos oxímetro, acompanhamos, fazemos retorno desses pacientes na Sentinela para a gente tentar não agudizar mais a doença para eles”, disse Cristiana.

O monitoramento se torna mais importante com a suspeita da circulação de uma variante do coronavírus em Rio Azul. A secretária afirmou que ainda não chegaram os resultados dos exames que possam confirmar a presença da variante P1 entre contaminados. Mas, segundo ela, há suspeita de que a variante já esteja no município. “A gente tem visualizado o comportamento do vírus no município e nós acreditamos, sim, que se trata dessa nova cepa que foi identificada em municípios vizinhos que é a P1. As pessoas agravam muito rapidamente e infelizmente, também por uma questão de falta de leito, até ontem eu vi que existia mais de 300 pessoas na fila esperando uma vaga de leito de UTI. A gente acredita que esta cepa nova tem agudizando aquela pessoa muito rapidamente, infelizmente”, contou.

A recomendação da Secretaria de Saúde é que as pessoas procurem a unidade Sentinela do município no primeiro sinal de sintomas da doença. Quem possui sintomas, está sendo testado nas unidades.

A secretária explica que além do teste RT-PCR, que é enviado ao Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen), a saúde pública de Rio Azul também realiza o teste rápido de antígeno. “O teste rápido fica condicionado ao médico, à indicação médica de fazer o exame. A gente sabe que não vai fazer num paciente sem sintomas porque pode dar um falso negativo. Mas o teste rápido é muito importante. Testar a população de forma mais rápida”, explica.

Cristiana também destaca que a rapidez também é uma forma de fazer com que o paciente colabore com o isolamento. “Sai o resultado ali na hora porque, às vezes, a pessoa coleta e apresenta uma melhora e ela acha que não precisa mais cumprir nada de isolamento até chegar o resultado do exame dela. Quando chega o resultado já deu cinco dias, imagine para quantas pessoas ela acabou transmitindo?”, conta.

O teste rápido é feito a partir de critérios médicos. Caso o paciente não atenda alguns critérios, o exame é agendado para outro dia. Com a diminuição de casos em maio, a unidade Sentinela voltou a ter horário reduzido. Atualmente, a unidade funciona de segunda a sábado, das 7h45 às 20h, mas não abre para atendimentos aos domingos e feriados.

Hospital: O agravamento da contaminação fez com que o hospital São Francisco de Assis fosse adaptado para o atendimento de pacientes com Covid-19. Uma ala foi montada com leitos de enfermaria para pacientes contaminados. “Pela impossibilidade até de transferir esses pacientes, então o nosso hospital também teve que se reinventar e atender esses pacientes. Ali, nós temos nove leitos que podem se internar pacientes sintomáticos ou positivo para guardar vagas. Leitos clínicos, são leitos de UTI. Mas ontem [06/06] tínhamos cinco pacientes internados”, conta.

Os leitos possuem oxigênio, mas como o local foi adaptado, ainda é preciso auxílio para equipar melhor. Alguns cilindros de oxigênio da Secretaria de Saúde foram levados para o hospital. A pasta ainda disponibilizou um carro que vai até Guarapuava buscar oxigênio, já que o caminhão que fornece ao hospital vai apenas uma vez por semana à Rio Azul. Com o veículo, é possível que se faça o trajeto diariamente.

Segundo a secretária, o planejamento é fazer uma rede de gases para o hospital. “Dispõe oxigênio, a maioria desses pacientes utiliza oxigênio. Nós não temos ainda uma rede de gases no hospital. Tem um projeto que está saindo do papel onde o hospital vai ter sim uma rede de gases. Isso é muito importante para o hospital. Nós não temos. Eles têm cilindros de oxigênio. Nós recebemos também oito cilindros do estado há mais ou menos seis semanas”, conta.

Vacinação: A Secretaria de Saúde iniciou nesta terça-feira (08) mais uma campanha da vacinação contra a Covid-19. A vacinação foi concentrada no barracão ao lado da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus.

Nesta etapa, estão sendo vacinadas pessoas acima de 18 anos com comorbidades e portadores de deficiência permanente, acima de 18 anos. Na tarde de hoje, foi a vez dos profissionais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Já nesta quarta-feira (9) receberão a vacina os profissionais da Educação, acima de 40 anos.

Ainda não há previsão para o início da vacinação de pessoas abaixo de 59 anos sem comorbidades. Segundo a secretária, a vacinação será feita de forma escalonada. Ela alerta ainda que não é preciso fazer nenhum cadastro para o recebimento da vacina. “Importante frisar para a população de Rio Azul que não precisa fazer nenhum cadastro. Nós conhecemos nossa população, os agentes comunitários de saúde já têm a população estratificada, como chamamos. Nós não vamos fazer nenhum cadastro prévio”, conta.

A última atualização do vacinômetro do município de Rio Azul mostra que até a semana passada, foram vacinadas 3.607 pessoas, sendo 2.449 com a primeira dose e 1.158 com a segunda dose.