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Professores de Rio Azul criam personagens para aproximar alunos das escolas

Adão José Amorim e Marcos Duda encontraram no humor uma forma de aproximar os alunos do cotidiano escolar mesmo com aulas remotas/Karin Franco, com reportagem de Juarez Oliveira

Professores Adão José Amorim e Marcos Duda interpretam personagens "Os Cumpadi". Foto: Youtube/Reprodução

Sem aulas presenciais, os professores foram desafiados desde o último ano a encontrar novas formas de ensinar os alunos. É neste contexto que dois profissionais de Rio Azul criaram uma dupla chamada “Os Cumpadi” que, por meio de vídeos na internet, cativam e aproximam os alunos da escola.

A dupla é interpretada por Adão José Amorim e Marcos Duda que levam bom humor, interação e diversão aos alunos da Escola Rural Municipal Santo Antônio, localizada na comunidade de Barra da Cachoeira, interior de Rio Azul. Os vídeos trazem conteúdos ligados ao cotidiano escolar, datas comemorativas, além de atividades interdisciplinares.

A ideia começou no ano passado, próximo às festividades de São João. Sem as tradicionais festas juninas, a dupla pensou em trazer a festa virtualmente aos alunos. Os professores pediram que enviassem vídeos dançando a quadrilha em casa. “Foi pedido para cada família gravar um vídeo dançando a sua quadrilha na casa e enviar pra nós. Quando começou a chegar esses vídeos foi uma surpresa enorme pra nós, porque não era só os alunos. Começamos a ver que era a família que também estava envolvida. Era os alunos dançando com os pais, com o pai, com a mãe, tinha pipoca na casa”, disse Marcos.

O projeto deu certo e a comunidade escolar começou a participar. Em alguns vídeos, os alunos enviam os próprios vídeos para serem publicados juntamente com a dupla. “Eles enviavam os vídeos e a gente fazia essa edição de vídeo. Colocava ‘Os Cumpadi’ fazendo sua parte, com abertura, dançando, fazendo parte desta aula. Depois esse vídeo a gente postava no Facebook e também enviava no grupo do WhatsApp para pais e alunos assistirem. Eles todos juntos, os coleguinhas, como se tivessem um do lado do outro”, conta Adão.

Um dos fatores que ajudam a dupla a ter sucesso na empreitada é a química entre os professores -atores. Os dois já tiveram experiências juntos com teatro e agora usam esse conhecimento para envolver as crianças no aprendizado. “A gente sempre fez teatro junto. Então, a gente consegue explorar de uma maneira dinâmica sem combinar muita coisa. Inclusive, a gente faz improviso, não faz texto nenhum. Nem daria tempo de estar montando esses textos”, revela Adão, que é responsável pela edição dos vídeos.

Ele relata que precisou aprender as técnicas de edição. “No primeiro vídeo, eu só trabalhava usando o Movie Maker que é o programa do Windows, porque eu não tinha...Pense, como vocês conhecem a parte de edição, é como fazer na unha”, brinca o professor.


Foi com o tempo que ele foi aprimorando sua edição e conhecendo mais programas que auxiliaram no processo. “Depois eu acabei explorando e hoje eu estou quase mandando currículo para fazer edição”, conta sorrindo Adão.

Além de usar o improviso para fazer os vídeos, os professores também têm um trabalho conjunto nos bastidores, antes de publicá-los. “A gente grava o vídeo, faz a edição. O Adão faz a edição, ele manda pra mim, a gente assiste. Eu peço para minha esposa, ela assiste, os filhos, e a gente antes de enviar vai discutindo se tem alguma coisa que pode ser modificada ou não”, explica Marcos.

Quando prontos, os vídeos são enviados pelo WhatsApp, que se mostrou uma forma mais acessível. Como o sinal da internet é ruim no interior de Rio Azul, fica inviável fazer transmissões ao vivo pelo Google Meet ou Facebook. “É um dos meios de comunicação que carrega o processo lento. O [Google] Meet no interior já é mais difícil porque não carrega, é difícil. Então, estamos no WhatsApp porque lá pode demorar, mas chega”, explica Adão.

Marcos conta que os vídeos são publicados com a ajuda de muitas pessoas que colaboram com os conteúdos, mas também com a participação. A publicação dos vídeos envolve toda a comunidade escolar, desde os professores até os pais que ajudam no envio dos vídeos dos alunos e, muitas vezes, participam junto com os filhos. “Esse projeto envolve muitas pessoas. Se fosse só eu com o Adão, esse projeto não iria para frente. Nós temos muitas parceiras, dos pais principalmente, como são crianças pequenas, na verdade o que acontece, é que eles têm de gravar para as crianças, ele que tem que enviar esses vídeos. Então, os pais são fundamentais para nós. São de extrema importância”, comenta Marcos.

Os vídeos estão sendo publicados no Facebook e no YouTube. No Facebook, os vídeos podem ser acessados na página do professor Adão. Já no Youtube, os vídeos podem ser acessados clicando neste link.