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Professora inova e ministra aulas direto de rio em São Mateus do Sul

Cláudia Nizuel Oliveira, do Colégio Estadual São Mateus, inovou e decidiu transmitir suas aulas de uma maneira diferente para chamar a atenção de seus alunos/Paulo Henrique Sava, com reportagem de Juarez Oliveira

Professora Cláudia ministrou aulas direto do Rio Taquaral, em São Mateus do Sul. Foto: Arquivo pessoal

Em tempos de aulas online, uma professora de São Mateus do Sul decidiu inovar. A professora de Geografia e Ensino Religioso e coordenadora do Curso Técnico em Meio Ambiente Cláudia Nizuel Oliveira, do Colégio Estadual São Mateus, inovou e decidiu transmitir suas aulas de uma maneira diferente: direto de um barco em um rio, para chamar a atenção de seus alunos.

Para a professora, a mudança causada pela pandemia de Covid-19 causou um grande impacto na vida dos alunos e dos professores. Entretanto, com o passar do tempo, ela percebeu que os alunos foram perdendo o interesse pelas aulas. “Antes, nós tínhamos turmas com 30 a 35 alunos e havia afetividade, o olhar um a um, olhando, se divertindo na sala de aula e dando broncas, era aquela rotina à qual estávamos acostumados. De repente, veio a pandemia e todo mundo se isolou em casa, tivemos que nos reinventar. Foi muito difícil, principalmente para os pais e alunos, se adaptarem a este novo modelo. Muitos não tinham celular e nem computador em casa ou tem irmãos e tiveram que compartilhar. Houve todo um processo de adaptação, que foi muito difícil, pois os alunos não conseguiam se conectar, qual o e-mail e como conectar”, frisou.

Mesmo depois de adaptados, os alunos começaram a sentir saudades das salas de aula e os alunos acabaram perdendo interesse pelas aulas. “No final do ano passado, eu tinha que ir atrás dos alunos pedindo para fazerem as tarefas, eu não via mais motivação neles. Achávamos que em fevereiro voltaríamos à sala de aula, tínhamos a esperança de que seria tudo normal este ano, mas infelizmente não foi. Houve um grande impacto até para as famílias manterem estes alunos em casa estudando e ao mesmo tempo ajudando a cuidar dos irmãos, que ficavam em casa sozinhos. Mudou a rotina de todo mundo, principalmente dos pais, que tiveram um grande desafio neste período de pandemia”, comentou.

A professora apontou que os alunos que mais tiveram dificuldades para acessar as aulas foram aqueles que residem na área rural dos municípios. “Quem mora na cidade tem este acesso bem mais fácil, é só se adaptar com o modo online, mas o aluno que mora na área rural quer muito participar das aulas, mas infelizmente por causa do sinal não pode, então a opção foi pegar uma apostila impressa. Mesmo assim, ainda falta um conteúdo a mais, então eu tenho muito dó destes alunos, pois deixamos muito a desejar e não chega este recurso até eles.


Cláudia conta que a ideia de ministrar aulas direto do Rio Taquaral, surgiu quando ela trabalhava a disciplina “Recursos Naturais”, falando especificamente da água. Nisso, ela sugeriu que os alunos fossem até rio, que abastece São Mateus do Sul. Ela teve o apoio do marido Paulo para a realização da live e do sogro, que emprestou o barco para o trabalho. “Eu deixei em suspense para os alunos, não contei que seria assim. Quando chegou segunda-feira 07h30min, estávamos eu e o meu marido lá, com o pau de selfie e o celular, e vamos começar a nossa aula. Os alunos ficaram espantados e perguntavam onde eu estava. Eu respondi que estava dentro do Rio Taquaral”, comentou.

A parte mostrada pela professora no vídeo fica no final do rio, próxima à estação de captação de água da Sanepar e à junção dos rios Taquaral e Iguaçu. Cláudia conta que solicitou permissão a uma família para entrar pelos fundos de uma propriedade e acessar o rio. Em um momento, o barco não passava pelo rio, o que obrigou o casal a seguir o caminho a pé subindo por um barranco e seguindo pela mata. Tudo isto estava sendo transmitido ao vivo. Ela enfrentou outras dificuldades, como pontes estreitas e o medo de passar pelo local. No vídeo, Cláudia mostrou aos alunos como funciona a estação de captação de égua da Sanepar. “Foi uma aventura até chegar lá. Eu imagino se eu pudesse levar meus alunos, e eles puderam sentir esta emoção”, comentou.

Cláudia mostrou como funciona a captação de água no local e alguns problemas ambientais, como algumas casas que foram construídas de forma irregular nas proximidades do rio. “Pudemos estudar muitas coisas juntos, e pude mostrar muitas coisas para eles”, contou.

Depois disso, ela retornou para o barco e mostrou alguns aspectos da natureza, como a fauna e a flora. A aula foi concluída na foz do Rio Taquaral, onde ele se encontra com o Rio Iguaçu.

A professora falou também sobre os cuidados tomados por ela e o marido ao realizar a transmissão da aula. “Claro que temos que tomar todo o cuidado. O meu marido, que é especialista em rios, conhece toda a área, eu usei colete e tudo o mais. Temos que tomar todos os cuidados para fazer uma aula de campo, se não acabamos nos machucando e isto pode virar um problemão para a escola. Deu certo, eu acho que dá certo a gente renovar, os alunos gostaram e me perguntam toda a semana para onde eu vou”, pontuou.

Segundo Cláudia, durante a aula, foi possível transmitir muitos conhecimentos para os alunos. “Foi um aulão com muitos objetivos, eu pude transmitir para eles vários conhecimentos ao vivo, coisas que talvez se eu mostrasse por fotografia não seria tão interessante como estar ali, mostrando em tempo real. Depois, acabei pegando objetivos de outras disciplinas e foi enganchando tudo e fiz um aulão que valeu para a semana inteira. Depois, quando eu retornei para a sala de aula, colocamos tudo no papel e pudemos aproveitar muita coisa deste rio, não só a área de captação, mas o entorno dele, os problemas ambientais, foi um aulão muito válido para eles”, comentou.

Na disciplina de Ensino Religioso, a professora se vestiu de muçulmana e fez algumas danças para seus alunos como forma de mostrar os costumes da religião. Em outra aula, ela falou sobre as benzedeiras. Já com os alunos do curso de Meio Ambiente, Cláudia acompanhou a história de um casal que trabalha na coleta de recicláveis no município. A professora também trabalhou a gestão de resíduos de um restaurante com seus alunos. Para ela, o conhecimento é melhor absorvido durante as aulas práticas.

“É muito mais válido na prática, apesar de não estarem comigo presencialmente mas estão acompanhando ao vivo, e isto é muito bom. Quem sabe, no retorno às aulas, talvez eu possa levar eles até certos lugares, se os pais autorizarem, pois não posso levá-los em qualquer lugar por conta da Covid-19. Acredito que no retorno poderei fazer muito mais coisas legais com eles”, finalizou.

Fotos: Arquivo pessoal

Professora se vestiu de muçulmana durante aula de ensino religioso

Cláudia também acompanhou trabalho de casal de catadores de materiais recicláveis

Em uma das aulas professora mostrou aos alunos como é o Rio Taquaral, que abastece a cidade de São Mateus do Sul