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Moradores de Inácio Martins com coronavírus passaram a usar pulseira de identificação

Moradores com pulseirinha laranja são casos suspeitos de Covid-19. Já as pessoas identificadas com pulseirinha rosa foram diagnosticadas com a doença/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub e Juarez Oliveira

Quem estiver usando a pulseirinha deve se manter em isolamento. Foto: Secretaria de Saúde de Inácio Martins

O município de Inácio Martins adotou o uso de pulseirinhas para identificar pessoas que estão com suspeita de Covid-19 ou foram diagnosticadas com a doença. A identificação tem sido usada para controlar e fiscalizar quem obedece ao isolamento domiciliar.

Em Inácio Martins, são duas pulseirinhas: uma laranja, para casos suspeitos e que estão esperando o resultado do exame de confirmação, e uma rosa, para pessoas infectadas, ou seja, que já receberam o resultado de teste positivo. Nas duas situações, as pessoas devem cumprir um período de isolamento para evitar a disseminação da doença.

A medida está sendo aplicada no município desde 14 de junho. De acordo com a secretária de Saúde de Inácio Martins, Sandra Daniel, a população entendeu o objetivo da medida. “Observamos que a população teve uma aceitação bem positiva dessa medida porque os nossos casos estavam aumentando de uma forma muito significativa, então a população começou a ficar bastante preocupada. Até porque a gente teve muitos pacientes encaminhados para municípios vizinhos já com formas muito agravadas do Covid, então a população aceitou de forma bem positiva porque realmente nossos casos deram uma alavancada depois do Dia das Mães”, disse Sandra.


As pessoas suspeitas ou contaminadas por Covid-19 recebem a pulseirinha assim que forem testadas ou buscarem por diagnóstico. No caso de pessoas que fazem exames em laboratórios particulares, o responsável pelo estabelecimento é quem entra em contato a Vigilância Epidemiológica. “Os laboratórios aqui do nosso município, quando fazem os testes, eles imediatamente comunicam a pessoa responsável pela Epidemiologia, nossa enfermeira, e ela imediatamente entra em contato com a pessoas para que ela vá até a Epidemiologia e coloque a pulseira”, explica.

A equipe da Vigilância Epidemiológica também é responsável pela fiscalização do uso de pulseirinha. “A gente tem uma equipe dentro da Vigilância Epidemiológica que faz o monitoramento desses casos, também faz videochamadas e visitas de forma esporádica. A partir do momento que a pessoa coloca a pulseira, ela vai ser monitorada por esta equipe. A gente não avisa o dia, nem a hora que ela vai receber esse monitoramento”, conta a secretária de Saúde.

Pulseirinhas passaram a ser usadas para identificar quem foi diagnosticado com coronavírus em Inácio Martins. Foto: Secretaria de Saúde de Inácio Martins

 No caso de rompimento de pulseiras, há a opção de colocá-las novamente se o rompimento for involuntário. “Se a pessoa rompeu de forma involuntária, o que é muito difícil porque optamos por uma pulseira que é muito difícil de romper, elas são orientadas a vir para a vigilância epidemiológica imediatamente nos comunicar, para que a gente coloque outra pulseira”, disse Sandra.

Já em pessoas que romperem a pulseira por vontade própria, poderá haver multa de R$ 375. Se houver reincidência, a multa dobra de valor. “Caso isso ocorra de forma voluntária, a pessoa vai receber uma multa e também vai ser comunicado ao Ministério Público”, alerta a secretária.

A fiscalização é realizada em parceria entre o comércio e a Prefeitura de Inácio Martins. Entre as medidas para ajudar o monitoramento dos casos positivos ou suspeitos está a realocação de médico do interior para uma Unidade Sentinela, além da realocação de funcionários da prefeitura que ajudam a monitorar os casos. De acordo com Sandra, o comércio tem ajudado com a fiscalização e denúncia de pessoas que querem ir a estabelecimentos, mesmo usando as pulseiras.

Durante o período de fiscalização, a secretaria já registrou casos de desobediência e resistência à medida. “A gente já teve pessoas que tentaram entrar nos comércios do município com a pulseira, foram barradas, não tiveram autorização para entrar. E a gente teve casos também no início desta medida de pessoas que se recusaram colocar a pulseira. Nossa enfermeira responsável pela Epidemiologia teve que acionar a Polícia Militar para ir até atrás dessa pessoa e trazê-la para colocar a pulseira”, conta.

A secretária destacou que a escolha das pulseirinhas como forma de controle foi avaliada como a opção mais eficaz. “O número de casos de Covid do nosso município estava aumentando muito rápido. Nós precisamos sentar, nos organizar e buscar estratégias para monitorar mais de perto as pessoas que estavam infectadas. Por isso, surgiu a ideia da pulseirinha porque pensamos que outras alternativas, como outros municípios tiveram de divulgar listas ou algo similar, poderia não ser tão boa, quanto a pulseirinha. Então, a gente optou pelo uso dela”, detalha Sandra.

O município não é o único na região que tomou este tipo de medida. A utilização das pulseirinhas para controle do isolamento domiciliar também foi aprovada em Rio Azul. Já em Irati, um projeto similar foi enviado à Câmara Municipal, que acabou o arquivando após uma das comissões justificar que o projeto era inconstitucional por violar a privacidade do paciente.

Em Inácio Martins, a secretária destaca que a medida não teve dificuldade de aprovação pela Câmara de Vereadores porque se entendeu que a violação de isolamento social é um risco à população. “Nós não tivemos dificuldade com relação à pulseira porque o nosso Jurídico aqui do município entende que a pessoa que se expõe, antes de tudo está colocando em risco a vida do outro. Então, é uma questão de saúde pública, ela deve ficar em casa isolada”, explicou a secretária.

Na região, Rebouças adotou outra forma de controle, por meio da divulgação de listas de nomes no site da prefeitura. Segundo Sandra, a avaliação da prefeitura de Inácio Martins é que nas listas todos podem conferir os nomes, já com as pulseirinhas, se o paciente não violar o isolamento, a privacidade poderá ser respeitada. “Se a pessoa sai para se expor, antes de tudo ela está colocando em risco a população, então ela tem que ter um olhar diferente”, disse.

Aglomeração: A secretária revelou que o município tem recebido de quatro a cinco denúncias por fim de semana de aglomerações que ocorrem no município. “Inclusive já tivemos pessoas que forma multadas, com multas acima de R$ 1 mil, por conta de promoverem essas aglomerações”, conta.

A fiscalização é realizada em parceria com a Polícia Militar que costuma fazer rondas nos fins de semana para fiscalizar possíveis festas clandestinas. De acordo com Sandra, algumas situações não foram constatadas, mas há denúncias verdadeiras que verificam ainda situações de aglomeração na pandemia.

O município de Inácio Martins criou um grupo no WhatsApp que possui autoridades responsáveis pela fiscalização e que compartilham como está a situação no município.

As denúncias de aglomerações podem ser realizadas no telefone (42) 3667-1282 da Vigilância Epidemiológica. As denúncias também são aceitas nas redes sociais do prefeito de Inácio Martins, Junior Benato, e da secretária de Saúde, Sandra Daniel.

Segundo a secretária, a população tem auxiliado nas denúncias. “A população tem sido bem parceira de nos auxiliar, mas acredito que, durante a semana, temos observado que as pessoas também estão mais conscientes. Elas têm cumprido isolamento porque elas estão vendo que algumas pessoas já levaram multa, inclusive, então eles estão vendo que a gente está sendo bem rigoroso nesse aspecto”, disse.

Vacinação: O município ainda está realizando a vacinação de pessoas com comorbidades no interior de Inácio Martins. Segundo a secretária, a vacinação ainda ocorre nesta faixa etária por causa da extensão da área rural. “Nosso município tem uma extensão territorial bastante grande na área rural e as nossas equipes optaram por ir até a residência das pessoas, por conta até do acesso, que muitas delas não têm o transporte na área rural. Então, a nossa equipe achou mais fácil ir até elas, do que esperar que elas viessem nas unidades”, afirma Sandra.

A previsão é que a partir da próxima semana, as pessoas sem comorbidades, abaixo de 59 anos e que moram no interior poderão tomar a vacina. Ao contrário das pessoas com comorbidades, a vacinação não será nas residências, mas em uma unidade de saúde que será divulgada nas redes sociais da Prefeitura de Inácio Martins. Segundo a secretária, um calendário está sendo programado com os locais e as idades de quem pode ser imunizado no interior do município.

Já para quem vive na área urbana, a vacinação iniciou nesta semana para pessoas sem comorbidades, entre 55 e 59 anos. A vacinação é por livre demanda. Desta forma, quem chegar primeiro será vacinado.

A vacinação na área urbana ocorre em dois postos de vacinação. Um é na unidade Délcio Peplinski, localizado na Rua José de Mattos Leão, no Centro (próximo a Biblioteca Cidadã). Já o outro posto de vacinação é na UAPSF, localizada na rua Rozendo Costa Cristo, 600, centro de Inácio Martins. Nos dois locais, a vacinação é aplicada entre 8h30 às 12h e às 13h às 16h30.

A secretária comentou que a desigualdade de faixas etárias de vacinação pode ser causada porque cada município recebe uma quantidade específica de doses.

Ela explicou que os secretários municipais de Saúde do estado já estão se mobilizando para ter uma resposta sobre a distribuição das doses. O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems/PR) enviou um ofício pedindo informações. “Nós já solicitamos via ofício para que a gente tenha um entendimento melhor dessa distribuição de doses. Porque o que a gente percebe, realmente, é que algumas regiões do estado do Paraná receberam mais doses que nós. Inclusive, na última remessa, nós observamos que o município de Fernandes Pinheiro, por exemplo, recebeu 18 doses, enquanto Inácio Martins recebeu mais de 100. Então, não estamos conseguindo entender qual é o cálculo que a Secretaria de Estado [da Saúde] está fazendo para distribuição dessas doses”, disse.

De acordo com o último boletim divulgado no Vacinômetro, Inácio Martins recebeu 4.838 doses e aplicou 4.563 doses. Das doses aplicadas, 3.568 são da primeira dose e 995 da segunda dose.

A secretária destacou que não há doses sobrando em Inácio Martins. “Todas as doses que o município recebe, a gente imediatamente vai fazer a aplicação. Nós não temos doses paradas no município”, conta.

Apesar da maioria aceitar e procurar tomar a vacina contra o coronavírus, Sandra também revelou que há pessoas que se recusaram a ser imunizadas. “Mas por incrível que pareça, tivemos inclusive um profissional da área da saúde que se recusou a tomar a dose e assinou um termo de responsabilidade por isso. E algumas pessoas que residem no interior. Tivemos mais de cinco pessoas que se recusaram a tomar a dose da vacina porque não acharam que era tão importante receber a dose”, revelou Sandra.

Atendimento: Os casos leves de Covid-19 estão sendo atendidos na Unidade Sentinela, localizada no antigo IAP, em frente ao Rotary Club. O horário de funcionamento é das 8 às 12h e das 13 às 17h. No momento não há nenhuma pessoa aguardando por vaga.

Os casos moderados a graves continuam tendo o Pronto Atendimento como referência. No entanto, o prédio está passando por reformas. “Além de reorganizar os serviços, a gente precisou reorganizar o espaço também. Por isso que a gente pede à população que realmente vá ao Pronto Atendimento quando realmente for necessário. Quando forem consultas eletivas procurem as suas unidades básicas porque o nosso espaço está bastante limitado agora”, avisa.
 
Pessoas diagnosticadas com coroavírus devem usar pulseira rosa. Foto: Secretaria de Saúde de Inácio Martins