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Funerárias falam da rotina de sepultamentos na pandemia

Liberação de velórios para óbitos de Covid minimiza enfrentamento da dor das famílias enlutadas, dizem funerárias


A partir desta semana, familiares de vítimas da Covid-19 já podem realizar velórios em Irati depois de passado o período de transmissão, 20 dias, e o médico assistente atestar que não há risco. A Najuá conversou com as duas empresas funerárias do município para saber como que as famílias têm lidado com as restrições impostas para sepultamentos desde o início da pandemia.

Roseli Silva que gerencia a Funerária Irati relata que percebe muita tristeza na despedida dos familiares que vão a óbito pela Covid-19 e mesmo os não Covid.

Sem despedida está muito triste, para a família, que agora tem pouco tempo para isso, quer seja óbito de Covid ou não. A gente vê famílias arrebentadas, mães, pais enterrando filhos, muito triste. Mesmo as famílias que perderam estão mortas.

Quando o óbito ocorre dentro do período de transmissão da Covid no final do dia ou de madrugada, o corpo fica no laboratório de tanatopraxia, que faz a conservação de cadáveres, até o horário do sepultamento, na manhã seguinte.

“Quando é óbito de Covid o corpo fica no laboratório de tanatopraxia até o horário de sepultamento. A pessoa [o familiar] define de onde vai sair o corpo para ser feito um cortejo”

Os familiares podem optar pela cremação que, no caso da funerária Irati, é comercializada através de planos que incluem além do crematório em Campo Largo, outros benefícios. Quando acontece óbito de residentes de Irati em outra cidade, no começo da pandemia, alguns municípios tinham protocolos que restringiam a saída do corpo e os familiares tinham de fazer os procedimentos todos na cidade em que o ente faleceu, mas isso foi alterado e atualmente a funerária está liberada para ir buscar e fazer o sepultamento em Irati.

A funerária Nossa senhora da Luz teve dificuldade quando no município estava vigente as regras que impediam velórios de Covid mesmo passado o período de transmissão. “Estava difícil de explicar para as famílias que aqui prevalecia regras diferentes”, relata a administradora Samara Coelho. 

As dificuldades para todos os óbitos é o tempo reduzido para providenciar documentação e preparar o local do sepultamento, sobra menos tempo para velar.

“Sobra pouco tempo para a pessoa velar. O maior problema é quando tem um parente que reside em outra cidade e não se tem tempo para este deslocamento”

Algumas pessoas estão evitando, por si só, de fazer o velório, independentemente de ter ido a óbito pela Covid.

Tem família que não quer fazer o velório, muitas pessoas estão conscientes do perigo da aglomeração no velório e querem evitar a aglomeração, mesmo que não seja de Covid.

O serviço de cremação também é oferecido pela funerária Nossa Senhora da Luz.

Fachada da Funerária Nossa Senhora da Luz, na Rua 19 de Dezembro, 437

Samara Coelho, administradora da Funerária Nossa Senhora da Luz, relata que as famílias não compreendiam porque as cidades tinham protocolos diferentes para velórios

Fachada da Funerária Irati, na Rua 19 de Dezembro, 566

Roseli Silva, gerente da Funerária Irati, relata sofrimento das famílias com a pandemia