Publicidade Topo

notícias

Rebouças passa a divulgar nomes de pessoas diagnosticadas com coronavírus

Medida está sendo tomada desde sexta-feira (21) e tem o objetivo de ajudar na fiscalização das pessoas contaminadas que devem ficar em isolamento durante todo o período recomendado/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Prefeitura de Rebouças. Foto: Juarez Oliveira

O município de Rebouças está divulgando os nomes das pessoas que foram diagnosticadas com Covid-19. A medida foi tomada a partir de sexta-feira (21).

Em entrevista à Najuá, o prefeito Luiz Everaldo Zak disse que a medida tem a intenção de diminuir a contaminação na cidade. “O objetivo é fazer com que as pessoas que estejam positivadas, de fato, cumpram o isolamento. Não circulem e não contaminem a população”, disse.

A divulgação acontece após os vereadores de Rebouças aprovarem por unanimidade a lei nº 2.375/2021, que autoriza o município a divulgar os nomes como medida temporária excepcional de enfrentamento à pandemia, enquanto continuar a situação de calamidade pública e emergência na saúde pública municipal decorrente da pandemia Covid-19.

Segundo a lei, sancionada na quinta-feira (20), serão divulgados no Portal de Transparência do município o nome completo, inclusive codinome ou apelido como é mais conhecido, a faixa etária que pertence, início do período dos sintomas e o período que deve ficar em isolamento. A Secretaria Municipal de Saúde é a responsável por colocar as informações no sistema.


A divulgação será diária e acompanhará os dados de divulgação realizados pelo boletim dos dados epidemiológicos, em uma página específica sobre Covid-19, no Portal da Transparência de Rebouças. A página pode ser conferida clicando no link aqui.

Não são divulgados dados como data de nascimento, inscrição de CPF, RG, filiação e demais dados sigilosos.

O prefeito destacou que o nome poderá ser divulgado, mesmo que o morador não autorize. “É pego assinatura a partir de agora das confirmações de casos, a gente pega a assinatura e a pessoa fica ciente que será divulgado. Autoriza a divulgação. Mas a falta de autorização não impede o município de divulgar. A lei é obrigatória a divulgação, mesmo se a pessoa não aceitar divulgar, ela vai levar uma multa”, disse Zak.

A lei prevê que a pessoa que se recusar a assinar o termo de consentimento com a divulgação será multada no valor de dez Unidades Fiscal Municipal (UFM), o que pode equivaler a mais de R$ 1 mil. A mesma multa também será aplicada no caso de descumprimento do isolamento. A lei ainda estabelece que farmácias e laboratórios que detectarem testes positivos para Covid-19 deverão imediatamente comunicar a Secretaria Municipal de Saúde, sob pena de multa de dez UFMs.

O prefeito destaca que a população tem aceitado a decisão de publicar os nomes. “Acho que há uma concordância muito grande das pessoas neste momento, no sentido de que o direito à vida, o direito à saúde é muito maior que o direito à liberdade, do que outros direitos de ir e vir e tudo mais. O direito ao sigilo, que pode alguém alegar que estaria, em tese, estar sendo violado. Eu acho que o momento da calamidade pública, da emergência em saúde, do aumento de casos que a gente está tendo no nosso município, na nossa região, requer medidas excepcionais. Medida novas também. A gente tem que pensar um pouco fora, às vezes, até da linha lógica, no sentido de tentar conter o avanço do vírus porque é um direito à vida, que é o direito mais sagrado, o direito maior que existe”, afirmou.

Zak relata que o município não possui um parecer do Ministério Público sobre a decisão, mas salientou que a medida foi tomada após a verificação da necessidade da população. “Havia a queixa na comunidade de que volta e meia tinham pessoas falando que alguns que estavam contaminados, estavam circulando na cidade, no comércio, perambulando para todo lado e isso é um risco muito grande que estava sendo oferecido para sociedade”, comentou o prefeito.

Ele também destacou que acredita que a medida ajudará no aumento do isolamento social. “Com certeza ela vai inibir a circulação das pessoas que estão contaminadas. A própria sociedade e a própria comunidade vai ser fiscal dessa lei e dos contatos dela vai inibir. E isso vai fazer com que diminua o risco de propagação do vírus”, contou.

As denúncias de pessoas que não obedecem ao isolamento podem ser feitas no telefone da Secretaria de Saúde, no número (42) 3457-1380, ramal 6, nos números 190 da Polícia Militar e 193 do Bombeiro Comunitário, ou pelos números (42) 9-9968-3965 (Squiba) e (42) 9-9948-5033 (Felipe).

As denúncias serão encaminhadas às Vigilâncias Sanitária e Epidemiológica que farão a fiscalização. Após verificar a situação, a pessoa que descumprir o isolamento será notificada e receberá multa de R$ 1.200.

Medicamentos: Em entrevista à Najuá, o prefeito de Rebouças também comentou como está a distribuição de medicamentos no município. “Nós já estamos adotando o tratamento imediato dos sintomas, já no momento em que o paciente procura. A partir que nós implantamos a unidade do Covid, nós já estamos adotando esse tratamento imediato dos sintomas porque é importante esclarecer que não existe comprovação científica do tratamento precoce. O que existe é o tratamento dos sintomas, que é um tratamento igual que se trata os sintomas das gripes comuns”, disse.

Zak destacou que o município não tem usado a cloroquina no chamado tratamento precoce, que não possui comprovação cientifica, e o que o medicamento que o município recebeu está sendo usado no hospital local. “Nós não temos a cloroquina aqui no nosso kit de medicamentos, que inclusive é bem mais amplo do que outras cidades, pelo que a gente viu. Cloroquina é só utilizado em ambiente hospitalar, quando a pessoa vai para o hospital e o hospital que faz o controle disso. Mas o restante dos medicamentos a gente já usa. Evidentemente que pautado na orientação médica. Se o médico tem alguma contraindicação ou não receita, nós não oferecemos aos pacientes”, afirmou o prefeito.

Apesar disso, o gestor explicou que o município distribui um kit de medicamentos similar ao que que passou a ser disponibilizado pela prefeitura de Irati nesta semana. Na lista, além de vitaminas, há a azitromicina, que também ainda não possui comprovação cientifica da sua eficácia. Porém, a prefeitura de Rebouças distribui neste kit outro medicamento chamado dexametasona, que é indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como tratamento habitual, juntamente com o suporte de oxigênio.

Zak afirmou que é decisão do médico sobre qual medicamento será receitado. “Evidentemente, como falei, é o médico que vai dizer se vai ser receitado todos os medicamentos ou se vai ser em parte receitado os medicamentos”, disse.

O prefeito destacou que a partir desta semana, o município deve publicar em seu Portal da Transparência a lista de medicamentos que distribui no Sistema Único de Saúde (SUS).

Testes: O município ainda realiza os testes RT-PCR, que trazem resultados mais confiáveis. Além dele, outro teste disponível no mercado é o antígeno, que pode trazer até 90% de confiabilidade.

Zak afirmou que pela avaliação da Secretaria de Saúde, não há intenção de adotar este teste. “Como já existe o tratamento imediato já no momento que a pessoa apresenta os sintomas, o médico já pode medicar esse paciente com o kit de medicamentos que é indicado para os sintomas. Esse problema de demora de um ou dois dias do teste – que não tem demorado tanto como era antes – é corrigido por essa indicação desse medicamento. A gente vê que não há necessidade de fazer o teste rápido porque estamos tendo resposta adequada como que estamos fazendo”, explicou.

Ele ainda salientou que que as pessoas são isoladas assim que apresentam os primeiros sintomas.

Imunização de rebanho: Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid realizada no Senado, o Governo Federal é acusado de ter apostado na “imunidade de rebanho natural”, deixando as pessoas se infectar naturalmente para acabar com a pandemia. Para o prefeito de Rebouças, se isso for verdade, foi cometido um equívoco. “Se o governo apostou nisso, fez uma aposta totalmente equivocada e eu diria uma aposta suicida. É uma doença muito perigosa”, disse.

Ele ainda ressaltou que os administradores municipais não possuem um manual de como agir na pandemia e que dependem também do comportamento das pessoas para combater a doença. “Não existe um decreto ou uma medida que vai ser a solução. É o comportamento nosso enquanto cidadão, é o comportamento individual enquanto cidadão. É o comportamento individual de cada um. É o comportamento da população é que vai determinar a evolução desse vírus”, comentou.

Lockdown: Até essa quarta-feira (26), o município de Rebouças somava 209 casos ativos de coronavírus, sendo 14 deles diagnosticados nas últimas 24 horas. No total, 1.434 casos foram confirmados na cidade desde o início da pandemia. 1.198 pessoas se recuperaram da doença e 27 morreram. Para diminuir os casos, o município decidiu decretar lockdown nos dois últimos finais de semana de maio e toque de recolher entre 18 e 05h do dia seguinte até o dia 2 de junho.

O prefeito disse que as medidas foram o que era possível fazer no momento. “Aqui foi feito o que era possível fazer. Porque, na verdade, ninguém quer tolher o direito das pessoas trabalhar, das pessoas produzir. É muito triste isso, na verdade. É bem complicado. É a emergência, a calamidade que justifica a gente tomar medidas restritiva para evitar circulação das pessoas”, avaliou Zak.

Uma das críticas feitas pela população foi a decisão de fechar, inclusive, supermercados nos sábados e domingos. Alguns moradores acreditam que a medida poderia ser ineficaz, já que as pessoas poderiam ir para Irati, onde os supermercados são fechados apenas aos domingos.

Contudo, o prefeito disse que não percebeu essa movimentação. “Eu mandei verificar isso. Um chefe de gabinete meu foi com o carro da prefeitura, ficou acompanhando e não se viu isso. É uma evidência que o povo nosso aqui está mais consciente, está se cuidado e o comportamento da população é fundamental para controlar o vírus”, contou.

No entanto, a suspensão aos sábados poderá ser revisada, já que houve aglomeração na sexta-feira anterior ao lockdown. “Mas a princípio está mantido esse decreto que é o lockdown no fim de semana e o toque de recolher a partir das 18h, podendo ser reavaliado a qualquer momento”, disse.

Hospital sobrecarregado: A prefeitura também tem investido no hospital Dona Darcy Vargas que foi transformado para o atendimento de casos de Covid-19. O prefeito conta que, a princípio, o local não seria usado para atender pacientes com a infecção, mas o aumento de casos fez com que leitos fossem abertos. “Como tivemos uma expansão enorme de casos no nosso município, na nossa região – a doença chegou para valer e nos assustou muito – a gente teve que tomar a medida de fazer com que o nosso hospital pudesse atender os nossos pacientes aqui, até porque não se tem vagas em outros hospitais na região e no Estado do Paraná”, relata.

O hospital de Rebouças já recebeu recursos de R$ 40 mil repassados pela prefeitura e receberá mais R$ 42 mil nesta semana. Além disso, a Câmara de Rebouças repassou R$ 10 mil para a compra de cilindros de oxigênio e a comunidade também tem ajudado com doações.

Todas as 12 vagas que o hospital possui para tratamento de coronavírus estão ocupadas atualmente.