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Presidente da Câmara de Irati reclama de mudança no atendimento do IML

IML de União da Vitória passou a atender casos de Irati, Rebouças e Rio Azul. Até abril, corpos de vítimas de mortes violentas dessas cidades eram encaminhados para Ponta Grossa/Paulo Sava

IML de União da Vitória passou a ter unidade do Instituto de Criminalística do Paraná. Foto: Polícia Científica do Paraná

Durante a sessão da Câmara de Irati de terça-feira, 04, o presidente da casa, Hélio de Mello (PV), reclamou que o município passou a ser atendido pelo Instituto Médico-Legal (IML) de União da Vitória. Até o mês de abril, os corpos das vítimas de mortes violentas eram encaminhados para a unidade de Ponta Grossa, que também atende outras cidades da região dos Campos Gerais. Com isso, a infraestrutura não é suficiente para atender a demanda. “Nada é tão ruim que não possa ficar pior. Além da distância ser muito diferente, o atendimento também será. Falo isto porque, no domingo (dia 02), um cidadão foi enviado às 09 horas da manhã e chegou esta madrugada (de terça, dia 04), de volta. Segundo informações do pessoal que trabalha nas funerárias, há três dias de atendimento [para liberar o corpo] em União da Vitória”, comentou.

O vereador lamentou o fato de não haver “vontade política” para que seja construída uma unidade do IML em Irati. “Não há vontade política de quem nos representa em ter o IML em nossa cidade, porque ele custa muito mais barato que a dor e o sentimento de uma família, pelo tempo, pela demora, e muitas vezes com seu ente atirado, jogado em uma estrada ou em um espaço, aguardando por horas para ser atendido. Aquela imagem nunca mais sai da mente daqueles que estiveram ali”, lamentou o presidente da Câmara.

Na opinião dele, uma solução mais viável para desafogar o IML de Ponta Grossa seria a contratação de mais profissionais para atuar na área. "Irati, como polo de uma região, necessita da instalação do IML ou que o atendimento volte a ser feito nos Campos Gerais". 

Hélio também reclamou que a informação sobre a mudança teria sido divulgada apenas por uma funerária da cidade e não por órgãos oficiais do governo. “Eu acredito que algumas pessoas já estavam sabendo, outras ouviram buchichos por aí, mas infelizmente é a realidade. Mandos e mandos, e o povo pagando. É lamentável e triste, só quem teve em sua casa, em seu convívio, alguém que necessitou destes trabalhos, deste atendimento, sabe a dificuldade. Há recurso para isto, como diz o Ronaldão [vereador], é só acabar com as mordomias de muitas situações e gabinetes”, sugeriu.

O vereador José Ronaldo Ferreira (PSDB) lembrou que a discussão sobre a instalação do IML em Irati teve início em 2005. Entretanto, ele lamentou que, apesar das muitas promessas ao longo dos anos, nada foi efetivado. “É vergonhoso que a cidade-mãe, que é Irati, com seus nove municípios que compõem a Amcespar, ainda não ter um IML. As despesas poderiam ser divididas, pois sabemos que um IML custa caro, com os médicos legistas, câmara fria, veículos, pessoal que trabalha e tudo mais. Digo mais ainda: com o IML, vem a subdivisão policial, que seria uma maravilha, mais segurança e trabalho nesta área. Isto tem que ser levado a sério ao Governo do Estado e aos deputados estaduais para que este projeto seja votado de uma vez. Isto tem que ser visto, é questão de dignidade da nossa população”, frisou.


Mudança - No último dia 19 de abril, o IML de União da Vitória, que já atendia as cidades da região Sul do Estado, entre elas, São Mateus do Sul, Antonio Olinto, São João do Triunfo, Bituruna, General Carneiro, Porto Vitória, Paula Freitas, Mallet e Paulo Frontin, passou a contar com uma unidade do Instituto de Criminalística do Paraná. Com isso, os municípios de Irati, Rebouças e Rio Azul também passaram a ser atendidos pelo órgão. Com a inclusão do Instituto de Criminalística, a unidade conta com seis peritos criminais, uma viatura 4x4, uma maleta com insumos para coleta de vestígios de materialidade e autoria em locais de crimes e uma câmera fotográfica.

Os equipamentos e viaturas são oriundos de investimentos do Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), Governo Estadual e Secretaria da Segurança Pública do Paraná. “Quanto mais rápido forem coletados os vestígios, maior será o benefício para as investigações e para a justiça como um todo”, disse o diretor-geral da Polícia Científica, Luiz Rodrigo Grochocki. Em nota publicada em seu portal, a Polícia Científica informou que outras três cidades do estado (Jacarezinho, Paranavaí e Apucarana) também receberam unidades do Instituto de Criminalística.

O secretário da Segurança Pública, coronel Rômulo Marinho Soares, enalteceu o avanço da Polícia Científica no Interior do Paraná, que poderá prestar melhores serviços à população e a otimização de laudos e demais exames periciais que são indispensáveis para o prosseguimento de investigações e elucidação de crimes. “A readequação dessas unidades faz parte de uma iniciativa integrada para trazer melhorias em um importante seguimento da segurança pública. A Polícia Científica em atividade plena possibilita investigações mais céleres e com maiores índices de solução nos casos. Além disso, beneficia os moradores da região, já que não precisam mais se deslocar para outras cidades para ter atendimento adequado”, informou.