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Irati padroniza distribuição de "Kit Covid" antes de resultado do exame

Os medicamentos são os mesmos preconizados e enviados pelo Ministério da Saúde em 2020. Novo protocolo institui receituário padrão e início imediato da medicação/Jussara Harmuch



O prefeito de Irati, Jorge Derbli, anunciou mudanças no protocolo de atendimento para Covid-19. Pessoas com sintomas gripais que buscarem atendimento na Unidade Sentinela passarão por consulta médica, coleta de teste RT-PCR e receberão uma receita padrão com sete medicamentos ainda que não se tenha o resultado positivo para a doença, que leva em torno de três dias.
Até sexta-feira (21), as pessoas faziam o teste e, após o resultado positivo, recebiam um kit de medicação para tratamento da doença. A partir de agora, no momento em que a pessoa sentir algum sintoma, vai até a unidade sentinela, faz teste, o médico realiza uma avaliação e, imediatamente, antes de voltar o resultado do exame – que leva de dois a três dias, será entregue um receituário padrão com sete medicamentos, diz o prefeito.

A justificativa para a alteração foi o aumento de casos, informou a secretária de Saúde, Jussara Kublinski Hassen. “Hoje, nós temos 700 pessoas positivas em Irati. No internamento, há 18 pacientes na Enfermaria, 10 na UTI e 26 em nossa UPA”, relatou a secretária.


A Unidade Sentinela passou a funcionar no Estádio Municipal Abrahm Nagib Nejm, nesta segunda-feira. O teste RT-PCR, denominado teste "ouro", com alto percentual de confiabilidade, é o utilizado no sistema público de Irati. Não há, até o momento, informação sobre iniciativa de adquirir testes de "antígeno", cujo resultado sai nos minutos seguintes a coleta com eficácia maior de 90%, dependendo do fabricante. Os medicamentos que compõe a lista são os mesmos preconizados pelo Ministério da Saúde em 2020, que já haviam sido colocados à disposição dos médicos, desde então. O chamado “Kit de Tratamento Precoce”, “Kit Covid” ou “Kit Cloroquina” inclui: Ivermectina, Azitromicina, Hidroxicloroquina, Zinco Quelato, Vitamina D, AAS, Dipirona ou Paracetamol. De acordo com informações da prefeitura, os medicamentos serão repassados para o paciente levar para a casa e, quando sair o resultado, o médico diminuirá ou aumentará a medicação.

Tratamento precoce x atendimento precoce: A expressão “tratamento precoce” se tornou um elemento central na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que está em andamento no Senado. Alguns médicos e o próprio presidente Jair Bolsonaro adotaram o termo fazendo crer que existe um tratamento farmacológico que usado antes mesmo da doença ou no seu início, poderiam impedir o contágio ou formas graves da Covid-19. Mas a partir do início de 2020, médicos, cientistas e entidades sanitárias como a Organização Mundial da Saúde (OMS), esclareceram que por ora não há evidências científicas que comprovem a eficácia deste tratamento.

A orientação no início da pandemia era que as pessoas dessem preferência ao atendimento remoto e só procurarem unidades de saúde caso os sintomas piorassem, para evitar de espalhar a contaminação. Isso mudou em seguida e a orientação passou a ser de diagnóstico precoce, ampla testagem e o monitoramento dos sintomas comuns do coronavírus que são: febre, tosse, dor de garganta e/ou coriza, perda de olfato ou paladar, dor de cabeça, cansaço e falta de ar. A avaliação médica é fundamental para definir o tratamento farmacológico, em especial para pessoas com comorbidades ou grupos de risco, mas o acompanhamento deve ser feito até mesmo para casos mais leves porque o paciente pode evoluir com gravidade. Uma das recomendações é monitorar a progressão da febre e, em alguns casos, se houve queda no nível de oxigênio no sangue por meio do uso de um oxímetro.

80% dos infectados terão evolução benigna, sem complicações. 20% precisarão de auxílio hospitalar principalmente por comprometimento de pulmão, mas com a pandemia em descontrole e a vacinação lenta, surgiram várias mutações do vírus, muitas com maior poder de infecção e pior, maior gravidade. Preocupante para os médicos é que pessoas que aderem a tratamentos medicamentosos por conta própria, sem acompanhamento médico, se sentem tratadas e podem perder o momento de buscar ajuda quando o quadro se altera.