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“Não tem espaço físico e nem ventiladores”, diz médico e vereador ao fazer apelo sobre situação da Covid-19 em Irati

João Henrique Sabag Duarte fez apelo à população para que continue adotando as medidas de controle ao coronavírus e diz que sistema de saúde não tem mais vagas, medicamentos e equipamentos para atender pacientes com Covid-19/Paulo Henrique Sava

Vereador e médico João Henrique Sabag Duarte (PV) fez um apelo à população para que tome consciência sobre a gravidade da pandemia da Covid-19. Foto: Reprodução YouTube

O médico e vereador João Henrique Sabag Duarte (PV), que foi contratado para atender pacientes de Covid-19 internados na Santa Casa de Irati e no Pronto Atendimento Municipal (PA) e assumiu temporariamente a vaga do vereador licenciado Nei Cabral (PV), que solicitou afastamento para tratamento de saúde, fez um apelo para que a população tome consciência sobre a gravidade da pandemia durante a sessão ordinária da Câmara na noite desta terça-feira, 27. Na última semana, foram intubados mais de 10 pacientes, sendo três somente nesta ontem, e pelo menos seis morreram desde sábado, 24.

Nesta quarta-feira, 28, a Santa Casa de Irati está com 32 pacientes internados por conta da doença, enquanto outros 16 permanecem no Pronto Atendimento Municipal aguardando vagas em hospitais. Com esta situação, o sistema de saúde de Irati já não tem mais vagas para internamento e nem equipamentos suficientes para atender a população.
Neste momento não entra nenhum paciente na Santa Casa porque não tem espaço físico e nem ventiladores. Acabamos de intubar um terceiro paciente sendo que temos apenas dois leitos. Por isto, gostaria de pedir aos senhores e à população de Irati que, por favor, fiquem em casa, não façam aglomeração, usem álcool gel e respeitem os pedidos das autoridades de saúde, pois pessoas vão morrer sem atendimento porque não tem ventilador, e não é porque o prefeito não comprou, mas sim porque não tem no mercado para comprar. Não tem medicação para sedação para se comprar, pois o governo confiscou tudo. Então, não é porque o prefeito, os vereadores ou o secretário de saúde não compraram isto ou aquilo, mas sim porque não tem.
O médico solicitou que a população tome consciência da gravidade da doença e continue adotando os devidos cuidados para não contrair a Covid-19. “Peço que a população respeite os pedidos das autoridades sanitárias e não brinquem nem desafiem a Covid-19, porque se vocês precisarem de um ventilador, neste momento, em Irati, não tem nem no hospital e nem na Secretaria de Saúde. Este é o meu apelo a todos vocês, como médico, como uma pessoa que tem sofrido muito com toda esta situação”, frisou.

Conforme o médico, os profissionais que atendem pacientes com Covid-19 estão esgotados. “Estamos privados de sono e de descanso para poder ajudar estas pessoas que tanto sofrem com quadro de insuficiência respiratória provocado pela Covid-19. Não queiram ver uma pessoa precisando de um ventilador e você não ter este ventilador para oferecer a esta pessoa. Não queiram que isto aconteça com nenhuma pessoa da nossa cidade e da região”, apelou o médico.


João Henrique alertou que, se não houver redução no número de casos nos próximos dias, as consequências podem ser ainda mais graves. “Esperamos que, na próxima semana, este quadro seja revertido, e que o número de casos graves diminua, porque não tem mais recurso. Pessoas vão morrer sem ter a oportunidade de serem intubadas, vão agonizar literalmente por não ter ventilador e nem espaço físico, pois a estrutura não suporta mais. Peço de coração a toda a população de Irati, tomem consciência gente, não façam vistas grossas para o que está acontecendo. Nós, que estamos ali todos os dias, quatro vezes por semana dormindo no hospital, estamos acompanhando o sofrimento destes pacientes. Infelizmente temos perdido muitos deles, mas graças a Deus temos salvado mais do que têm morrido, e temos acompanhado o sofrimento das famílias, destruídas pela morte de um ente querido por Covid-19”, lamentou.

O presidente da Câmara, Hélio de Mello (PV), pediu que a população somente saia de casa se for extremamente necessário.
Precisamos repensar se queremos ter a consciência pesada de, de repente, sermos responsáveis por termos levado o vírus para a nossa casa, nossa família ou amigos. Em tal lugar, em tal situação, preciso ir? É necessário? É importante? Se eu não for, a vida continua, mas se eu for neste evento, neste espaço de aglomeração? Como falava o vereador, as autoridades têm feito aquilo que a norma, a lei e o bom senso permitem. Precisamos que a comunidade esteja atenta e que um seja fiscalizador do outro, na sua casa ou no seu vizinho, é pela vida.