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Moradores da Colina Nossa Senhora das Graças reclamam de barulho e mau cheiro de empresa

Presidente da associação de moradores, Instituto Água e Terra (IAT) e representante da empresa se manifestaram sobre licença de testes de produção da empresa Dallegrave/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub
Foto da entrada empresa Dallegrave. Imagem: Amilton Ferreira

Moradores da região da Colina Nossa Senhora das Graças, em Irati, reclamam que há barulho e mau cheiro vindo das instalações da empresa Dallegrave. A presidente da Associação de Moradores, Inês Kowalski, disse à Rádio Najuá que a situação tem sido incômoda e perdura há muito tempo. “Por baixo de 25 a 30 anos que estamos sofrendo com as idas e vindas da fábrica”, disse.

Confira o áudio da reportagem no fim do texto

Um dos principais incômodos é durante a noite, segundo a moradora. “Na poluição sonora é o barulho das máquinas durante o dia. Ainda que durante o dia, ainda passa, porque tem o barulho dos caminhões, da natureza, então não se ouve tanto. Mas à noite esse barulho é impressionante. Não dá para dormir”, afirma Inês.

Além disso, o mau cheiro de esgoto também atrapalha o local. “Ontem à tarde, o cheiro estava insuportável, então nós temos o grupo [de WhatsApp] e é uma fila de mensagens, dizendo: ‘Olha o cheiro, não aguento mais’. Pessoas chegam a vomitar de tão forte que é o cheiro”, relata.

De acordo com a moradora, a situação tem feito os imóveis do local ficarem desvalorizados. “Ninguém quer comprar imóvel ali. É aquela história de: ‘Ah, mas perto da fábrica fica difícil, mas vamos ver, vamos pensar’. E aí não retornam”, conta.


Durante este tempo, a associação realizou diversas denúncias ao Ministério Público e também à prefeitura. Em um dos pedidos recentes a Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que o estabelecimento não possuía licença ambiental.

A informação foi levada ao prefeito Jorge Derbli que confirmou o fornecimento de alvará sem o licenciamento ambiental, segundo Inês. “Eu fui questionar com o prefeito e ele chamou o Juarez [Miguel da Silva-Secretário Municipal de Fazenda], a turma toda ali e pediu o processo. E realmente, foi dado o alvará para a fábrica sem a licença ambiental”, conta.

No alvará cedido, ainda consta a informação de que o funcionamento seria das 8 às 18h. Porém, os moradores alegam há barulho e funcionamento da empresa durante à noite.

A presidente destaca que os moradores desejam que a fábrica seja mudada de local. “Pedimos ao prefeito, que nos ajude, que conceda um terreno distante porque é uma fábrica no centro urbano. No centro da cidade, ao lado de uma linda cachoeira. Pedimos ao prefeito que conceda um terreno longe dali para nós termos um pouco de sossego”, explica.

Inês ainda ressaltou que os moradores planejam pedir uma indenização se o problema não for resolvido. “Se não dá para morar desse jeito, sem ninguém tomar partido, então vamos pedir indenização para prefeitura e para fábrica porque os dois são responsáveis”, contou.

IAT: A associação chegou a levar o assunto para o Instituto Água e Terra (IAT). Em nota enviada pelo IAT, a instituição informou que nesta semana o Escritório Regional de Irati (ERIRA) verificou a denúncia e constatou que a licença de testes que havia sido fornecida, está vencida. “A empresa obteve autorização ambiental para testes de produção e a mesma se encontra vencida no momento. O Instituto informa que o empreendimento atuou de forma lícita no período de testes, porém necessita da emissão de uma nova licença ambiental”, explica.

Depois de vencer o prazo da licença de teste, a empresa precisa interromper as atividades até regularizar a situação. “Por conta disso, a empresa, caracterizada como potencialmente poluidor do meio ambiente, deve paralisar suas atividades. O Instituto se encontra na tentativa de contato para emissão da autuação cabível e solicitação da paralisação das atividades pela falta de licenciamento ambiental emitido pelo IAT”, destaca a nota.

O IAT informou também que a empresa passou constantemente por fiscalizações, quando tinha as licenças de testes. "O IAT faz acompanhamento desse tipo de licença, assim como outras licenças, porém com mais vigor nesse tipo. No entanto, conforme a última verificação do IAT, verificou-se que não seria mais possível dar prorrogação na licença de testes”, disse.

Para voltar às operações, a empresa poderá apresentar um novo pedido de licenciamento, que será analisado pelo órgão ambiental estadual. Durante o processo, o instituto poderá fazer toda análise e pedidos de estudo de impactos ambientais.

Dallegrave:
A representante no âmbito administrativo da empresa Dallegrave, Patrícia da Luz, destaca que a empresa deve pedir um novo licenciamento de operação. No ano passado, a empresa havia pedido licenças de testes para a instalação de uma nova caldeira para a produção de bobina. “A bobina é um canudinho que vai dentro do papel higiênico, vai dentro da folha de guardanapo. Aqui na nossa região tem empresas que vão comprar toda a produção. Além de gerar empregos é importante ter uma garantia de que a empresa vai se manter, porque ela tem um custo de produção alto para realizar os trabalhos e tem se manter. O seu Paulo [Dallegrave- responsável pela empresa] tem um bom relacionamento com vários empresários, pois é do ramo e já trabalhava antigamente em outros municípios, então ele tem 100% da produção vendida quando a gente tiver a licença e começar a operar”, afirma Patrícia.

Segundo ela, os testes foram realizados dentro da legalidade, mas agora, a empresa não se caracteriza mais no licenciamento de teste e precisa pedir a licença de operação, que reúne mais documentos. “Em relação à licença de teste, ela de fato, a gente tem um protocolo de uns 15, 20 dias pedindo uma nova licença de teste. Mas não cabe mais testes no âmbito que a gente se encontra. A gente já tinha outras licenças de testes no decorrer do ano passado. Todas foram supridas no decorrer do prazo. A gente pediu uma nova licença, mas agora temos que pedir uma licença especifica de operação. Não cabe mais licença de teste”, disse.

Patrícia conta que a empresa já deu entrada na documentação. Porém, um problema anterior ainda precisa ser resolvido, antes do pedido de licença de operação ser feito. “A gente tinha uma licença anterior que acabou ficando perdida no meio do tempo, do sistema. De 2018, não foi deferida, nem indeferida, de licença de operação. Então, a gente não conseguiu essa semana fazer o pedido via sistema da licença de operação porque o IAT tem que deferir ou indeferir a anterior que está vencida”, relata.

A representante da empresa relata que o problema aconteceu porque esse pedido ficou perdido no sistema do IAT. “Lá no início de 2018, o pessoal da equipe técnica, o consultor da empresa entrou com a licença de operação, porém não caberia a licença de operação e sim a de teste, de manutenção e limpeza, em virtude que tinha muita coisa para limpar, para adequar e até montar a máquina. Não teria como operar. O IAT nos orientou para entrar com a licença de teste porque não caberia a operação. A gente entrou com a licença de teste. Como tem no sistema, desde então, duas ou três [licenças de teste] foram deliberadas para a gente. Tudo certo no prazo. Mas por alguma questão, essa de 2018, também ficou no sistema e não foi deferida, nem indeferida, ficou perdida. Agora, provavelmente, irão indeferir porque não caberia a de operação. Eles indeferindo e despachando dentro do sistema, nós podemos entrar com a devida licença de operação”, disse Patrícia.

A representante da empresa destaca que as licenças de teste usadas estavam vigentes, ao contrário do que informado pelo escritório do IAT de Irati. “A gente tem uma protocolada em Curitiba no IAT que é para teste da caldeira. Essa está vigente e já foi feito o teste no início do ano. E está tudo ocorrendo conforme a lei prevê e permite, conforme o cronograma. Na sequência a gente vai fazer a licença de operação, assim que despachar no sistema, a gente entrará com novo pedido. Essa licença de operação, como não é mais para testes, é um pouco mais complexa, demanda de bastante fluxograma, cronograma, vários documentos e laudos técnicos de engenheiros específicos, ambientais e químicos, mas a gente já tem tudo certinho. Estamos providenciando essa documentação. Cabe ao órgão analisar e nos fornecer a licença, se tiver alguma diligência, eles pedem”, relata.

Patrícia disse que o mau cheiro ocorreu por causa de uma limpeza em uma máquina e em uma piscina de contenção que será desativada. “De fato, teve uns dias que teve alguns dias de cheiro ao redor da fábrica, isso a gente não nega, mas é porque estava sendo limpado as máquinas e principalmente esgotada essa piscina. Como papel com água vira um lodo, acaba dando mau cheiro, mas era em virtude da limpeza mesmo que deu mau cheiro”, conta.

Conforme a representante, a piscina não será mais utilizada pela empresa. “A gente não vai mais usar aquela piscina. A composição vai ser de outra forma, mais cara, mas muito mais segura já porque a questão ambiental é algo importantíssimo. Além de estar tudo correto com as licenças e tudo mais, em nome da empresa, a importância principal da empresa é estar legalmente em dia com as licenças, mas também com a questão dos vizinhos. A parte social. Porque não basta estar legalmente tudo correto, a gente também estar de bem com vizinhos, os vizinhos tem que estar bem, porque além de gerar emprego tem que ter o bem-estar pra todos”, disse.

Segundo Patrícia, os moradores foram avisados que haveria um mau cheiro por causa da limpeza. Mas ela disse entender a reclamação dos vizinhos já que a empresa anterior, que estava no local até 2020, teve problemas. “Ocorre que devido a esse cheiro acabaram ficando assustados e chateados e estavam questionando. Mas sempre deixamos claro que iria ocorrer essa questão em virtude da limpeza mesmo. A gente entende que eles ficam preocupados porque a empresa anterior que estava arrendada, teve mesmo muito problema de fuligem e cheiro, então é normal que os moradores tenham esse receio”, conta.

Patrícia explica que os testes começaram no ano passado, quando a Dallegrave assumiu o local. “A gente já deixou bem claro que aquela empresa era uma empresa terceirizada, era outra empresa que estava arrendada. Nós da Dallegrave somos outra empresa e a gente já está cumprindo e vai continuar cumprindo os requisitos legais e sociais para ficar em harmonia”, disse.

A representante da Dallegrave ainda disse que o funcionamento ocorre durante o horário de expediente, mas que a empresa atua em turnos. “Nem todo dia ou o dia todo. Às vezes só de manhã, às vezes só à tarde. Mas não é todo o dia que as pessoas estão lá. Mas quando fazem esse tipo de serviço é só durante o dia mesmo”, conta.

A expectativa é que a empresa consiga a licença de operação em até três meses. A partir disso, o planejamento é contratar entre 30 e 40 funcionários para atuar durante os três turnos.

Confira o áudio da reportagem